— Isso é você me chamando para morar em Londres com você, Fernando? Romântico — murmurou Eliza, entre risadinhas. Ele havia posto uma caixinha lacrada em cima de seu travesseiro antes de sair rumo a uma entrevista com uma revista espanhola, e só agora Eliza havia reparado nela. Quando a abriu, estava uma chave com um laço em cima. Um presente simbólico, uma pergunta que ele deixou no ar... Quer morar comigo? A brasileira deu um sorrisinho, aplicou um beijo na chave e guardou-a novamente, exatamente no mesmo lugar. Entrou no banho e ouviu o barulho da porta abrindo enquanto ainda estava tirando o shampoo dos cabelos. Correu o máximo que podia para terminar logo o banho, saindo do banheiro de toalha mesmo.
— Olá, meu amor — ele sorriu sugestivamente, batendo na cama ao lado dele, como se pedisse que ela deitasse ali. Eliza ergueu as sobrancelhas, revirando os olhos, e foi até a mala colocar um par de roupas íntimas e uma camisola simples. Só então se jogou na cama ao lado do namorado, aplicando-lhe um trilhão de beijos no pescoço e no queixo. O atacante riu, passando a mão de leve nos cabelos da jornalista. — Viu meu presente?
Ela hesitou alguns segundos antes de responder, só para deixá-lo nervoso. Com o nariz ainda roçando no pescoço do espanhol, Eliza respondeu:
Fernando apertou a cintura da namorada, um pouco nervoso.
Eliza deu um risinho gostoso – o tipo de riso que ela dava e que iluminava todo o dia de Fernando, que fazia com que cada segundo de sofrimento valesse a pena... Porque ela entendia, porque aquele riso era tudo que ele precisava para fazer com que o mundo inteiro entrasse nos eixos novamente.
— Claro que sim, seu bobo. Vou precisar começar a mandar meu currículo para algumas empresas e vou ter que dar um eterno tchau à minha faculdade, o que deve, sim, dificultar minha busca por um emprego... — ela fez uma pausa proposital, olhando para ele, vendo-o sair de uma expressão tranquila para uma levemente culpada. Só de olhar para o namorado, sabia bem que ele estava começando a lembrar de todos os times brasileiros que ele já havia ouvido falar para ver se algum serviria para ele, para os dois, para que morassem juntos no Brasil. — Nem pense em ir jogar futebol no Brasil, Fernando, em nome de Deus. Você tem três filhos para criar, precisa manter sua carreira forte e ativa. Eu estava só brincando com você. Recebi uma oferta da produtora que está fazendo o documentário sobre vocês para cobrir a Barclays Premier League. De quem não sabia nada de futebol, acho que me virei bem nesse negócio de cobrir pra vocês, hein?
— Prometo te dar umas aulas sobre futebol, amor. Você vai precisar — ele respondeu, sorrindo de orelha a orelha. Aplicou-lhe um beijo na testa. — Graças a Deus está dando tudo certo.
— Graças a Deus mesmo. E graças a você também, Fernando, que... bem, desculpe a piadinha infame... escolheu esse ano para mudar sua vida por inteiro e colocar uma bola dentro pela primeira vez em algum tempo.
— Já estou acostumado com minhas piadinhas sobre bolas dentro, Liz. Só espero que você não fique muito adepta a elas... Podem ferir meu ego, sabe como é. Provavelmente vou ficar meio suscetível a demonstrar como sei colocar a coisa certa dentro do buraco certo quando necessário.
— Não conhecia esse lado safado seu, Fernando.
— Sempre fico meio assim depois de algumas semanas convivendo com o Sergio, amor. Desculpe.
— Eu gosto dele — ela murmurou, dando um beijo em seu pescoço. Ele riu. Como Eliza era preciosa, meu Deus do Céu... — E você não precisa demonstrar nada. Boatos que eu carrego por aí uma prova bem concreta que você só precisa de uma chance pra colocar a bola bem certinha no Gol.
— Em meu favor, eu devo dizer que essa bola em particular eu nunca errei.
— Por favor, me prive dos detalhes sórdidos da sua vida sexual passada, Fernando José.
— Fernando José, Eliza Regina? Sério?
— Já tivemos a discussão do Eliza Regina antes, Fernando José. É o nome da minha bisavó que faleceu uma semana antes do meu nascimento. Tive sorte de não ter sido minha outra bisavó, Agenora.
— Pagaria todo o dinheiro da minha conta bancária para que você mudasse seu nome para Eliza Agenora. Seria o melhor nome do mundo.
— Hahaha, palhacinho. Eliza Regina Cordeiro de Sá e Brito já é ruim o suficiente por si só.
— Concordo veementemente que Eliza Regina Cordeiro de Sá e Brito Torres fica bem melhor.
— Isso é você me pedindo em casamento?
— Espero que não, porque é um jeito bem ruim de pedir alguém em casamento, Nando.
O atacante suspirou, dando de ombros com uma ar de riso.
— Me desculpe por não ser perfeito, Eliza Regina.
— Ah, Fernando José, você não tem jeito mesmo — ela aplicou-lhe um beijo na bochecha. — E, só pra deixar registrado, eu aceito.
Fernando a encarou, incrédulo.
Passaram exatos doze segundos imóveis, até que ela sorriu para ele e ele a puxou para o beijo mais apaixonado e emocionado que já havia dado.
Ela o aceitava, mesmo todo quebrado.