MORREU BISTECA
Sempre que alguém da minha vida morre, consumo citá-lo em alguma rede rede social minha.
O suicídio de Lelé
A morte de Marli.
Quando tia Leninha morreu escrevi um conto em sua homenagem, onde, para surpresa dela, ela vai para o inferno, tenta fugir, mas eu garanto a sua estadia por lá.
Em um dia soube que Bisteca estava muito doente.
Em outro ela estava morta e quando soube do enterro, estava em cima da hora.
Acho que eu iria, se tivesse tempo.
Biateca fez parte da minha familia, morou por anos no meu quintal. Não morou por mais tempo porque as drogas, vinho e cerveja dominaram a sua vida.
Ela era legal, divertida, mas sempre me fui atenta a sua convivência. Falava tão mal de mim que pessoas constrangidas vinham me avisar. Eu soube do seu estado pelo amigo dela, de tempos passados, que se lembrou de mim e da minha "amizade" com ela.
Ainda assim, devo essa homenagem à Bisteca.
Estávamos famintos, e ela dividiu comigo a canja feita com galinha roubada do vizinho pra matar nossa fome. Nesses tempos sombrios, colhia restos de feira que um carroceiro sempre passava na minha rua e parava pra conversar.
Bom descanso, Bisteca.
Marli deixou saudades.
Leninha fez da minha vida um inferno, como ela está hoje, ao lado do demônio?
Essa daí morreu porque tinha total fé na minha demência. Eu avisei, mas como "ninguém escuta maluco", morreu nos braços de quem mais odiava.


















