"She wears strength and darkness equally well, the girl has always been half goddess, half hell."
Name: Madeleine Sage Davinier.
Place of birth: Tolouse, França.
Age: Dezessete anos.
Breed: Bruxa.
Blood status: Halfblood.
Ability: Clarividência.
Occupation: Sétimo ano, Ravenclaw.
Extracurricular: Clube de História da Magia.
Wand: 23cm, videira, pelo de unicórnio, farfalhante.
FC: Lily Collins.
Player: Nanda.
Existe uma lenda que segue as mulheres da família há gerações. Depois de décadas e décadas, o sobrenome Dahl se perdeu ao longo de casamentos, mas a lenda nunca realmente sumiu por completo. Dizem que elas são descendentes de Frigga, conhecida como a mais formosa entre as deusas, primeira esposa de Odin, rainha dos Aesir e dos deuses do céu. Frigga é a divindade da união, do matrimônio, da fertilidade, do amor, da gerência da casa e das artes domésticas e suas funções preliminares nas histórias mitológicas são como esposa e mãe, mas estes não são seus únicos papéis.
Frigga tem o poder da profecia.
Dizem que Sigrid, a primeira Dahl, precisou sobreviver sozinha aos rigorosos invernos do Norte antes de chegar a França na Idade Média, dependendo da gentileza de aldeões para lhe darem um pouco de alimento e um lugar próximo a lareira para passar a noite. Também dizem que ela era capaz de prever tragédias, e esses rumores começaram a se espalhar depois que convenceu todos a deixarem suas casas aos pés da montanha, alegando que o gelo e a neve consumiria tudo, salvando a aldeia francesa do mais assustador avalanche em décadas. O feito lhe rendeu um chalé nos arredores da pequena vila, uma forma que as pessoas encontraram para demonstrar sua gratidão. Instalada no pequeno casebre de madeira, escolheu ganhar a vida com ervas e plantas medicinais, e foi justamente nessa época que novos boatos surgiram a seu respeito. Alegavam que Sigrid havia recebido a bênção da deusa Eir, que escolheu presenteá-la com habilidades de cura com ervas e o talento para cuidar de enfermidades físicas, mentais, emocionais e espirituais. Foi assim, cercada de histórias a respeito de suas origens, que Sigrid Dahl viveu. Cuidava de crianças, idosos e adultos, realizava partos e recorria a natureza para trazer a cura a quem lhe procurava.
Mas como a superstição tem mania de se arraigar no subconsciente das pessoas, as histórias e lendas sobre Sigrid logo ganharam um lado negativo e sombrio. Seu primeiro marido morreu misteriosamente, deixando-a apenas com uma filha recém nascida. Na época, ninguém associara a morte do homem a Sigrid, pois seu marido havia morrido lutando bravamente junto aos homens. A mulher casou-se novamente e, depois de dar a luz a mais uma menina, viu seu segundo marido definhar de uma grave doença. O terceiro marido era um forasteiro que, totalmente descrente das fofocas e boatos que circulavam sobre a bela viúva, não pensou duas vezes antes de envolver-se com a mulher e prometer ser um pai amável para suas meninas. O primeiro filho homem de Sigrid tinha quatro anos de idade quando o corpo de seu pai foi encontrado aos pés de um penhasco.
Desde então, as mulheres da família carregam nas costas a crença de que são amaldiçoadas e que, toda vez que amam, seus homens morrem. Um preço justo para habilidades tão formidáveis, é o que dizem. Ninguém sabe se as histórias são ou não verdadeiras, desde as lendas a respeito de previsões do futuro até o talento com magia natural. Talvez esses fatos não passem de uma estranha coincidência, talvez não. A verdade é que somente as mulheres da família sabem que a magia que corre em suas veias também carrega a clarividência, que costuma se manifestar nas meninas uma geração ou outra. E a cada nova garotinha que nasce, resta a sua mãe a tarefa de ensiná-la sobre suas ancestrais e sobre ser forte, porque é o que sobreviventes como elas precisam saber.
Os séculos se passaram e mesmo que a linhagem não seja mais conhecida pelo sobrenome Dahl, elas ainda carregam consigo essa forte bagagem familiar. A trajetória dessas mulheres não foi fácil porque, em certas épocas, o ódio que as pessoas tinham a antiga lenda se manifestava das piores maneiras possíveis. Elas já foram mortas, já tiveram seus olhos perfurados por navalhas para que deixassem de enxergar mais do que deviam, já tiveram seu rosto queimado por fogo, seus cabelos raspados e seus corpos mutilados para que não despertassem desejo nos homens e consequentemente não tivessem filhos, não transmitissem assim a maldição adiante. As histórias de horror são muitas mas é cada uma delas que, passadas de geração em geração, possibilitam gerar descendentes ainda mais fortes e confiantes a respeito do dom da visão.
Tantos anos depois, é no final da década de noventa que a nossa história começa. Bertrand Davinier e Adelaide Tournier, namorados desde a época de Beauxbatons, eram recém casados e estavam começando a construir a sua família em Lasle-sur-Tarn, uma adorável bastide, isto é, uma cidade medieval fortificada, próxima ao rio Tarn.
Julien foi o primeiro a nascer, uma criança que, desde o início, mostrou que havia herdado o mesmo sorriso e carisma do pai. Algum tempo depois veio Gustav, quieto, tímido e responsável, total oposto de seu irmão mais velho. François chegou ao mundo pouco tempo depois, após quase matar todos de susto por demorar tanto tempo para começar a chorar. Sienna, a primeira garotinha da família, nasceu forte e tinha os mesmos cabelos da mãe e foi recebida com muito carinho porque, depois de três filhos homens, tudo o que Adelaide queria era uma filha para pentear os cabelos e ajudá-la a cuidar do jardim. Com quatro filhos, os Davinier eram felizes, mas justamente quando menos esperava, Adelaide se descobriu grávida novamente. Nove meses depois, Madeleine veio ao mundo. Nasceu com o véu, uma parte da membrana que cobria sua cabeça, algo que em algumas culturas é reconhecido como sinal de boa sorte.
Os cuidados, protecionismo excessivo e ciúmes de seus irmãos mais velhos foram divididos entre Sienna e Maddie. Um alívio e tanto, porque nenhuma das duas conseguiria lidar com os cuidados de Julien, Gustav e François sozinhas. As duas sempre foram extremamente unidas e tinham uma forte ligação com a mãe, que costumava trançar seus longos cabelos e contar histórias em seus ouvidos. “Nós somos mulheres da floresta.” Adelaide sussurrava enquanto acariciava as bochechas de suas preciosas meninas. “Somos filhas das árvores. Somos fortes e temos Frigga para nos guiar.” O som da risada da mãe fica arraigado em sua memória. Maddie nunca realmente entendeu o que isso queria dizer e apesar de Adelaide possuir o dom da visão ela mesma, escolheu explicar sobre o assunto a suas meninas somente quando elas tivessem idade suficiente para entender. Mas Madeleine acabou descobrindo a respeito de sua habilidade por si só.
Não foi somente o seu sangue mágico que se manifestou quando Maddie tinha aproximadamente oito anos de idade. Foi exatamente nessa época que a garota se deu conta de sua sensibilidade, algo bastante fora do comum até mesmo para uma bruxa. Sonhos começaram a atormentá-la, com pessoas que a garota jamais havia visto em toda a sua vida e que geralmente envolviam situações de morte. A menina confirmou suas suspeitas quando encontrou uma manchete a respeito do falecimento de um importante político da sociedade mágica no jornal que seu pai analisava friamente durante o café da manhã. A notícia normalmente não arrancaria qualquer reação da menina de olhos cor de whisky, mas no momento em que reconheceu a fisionomia do senhor de cabelos brancos na foto em movimento estampada na primeira página do Profeta Diário, Madeleine soube que algo não estava certo. Ela não deveria estar sonhando com pessoas que teoricamente estavam mortas. Ao menos não antes delas morrerem, sem conhecê-las e dias antes do acontecido se tornar de conhecimento geral.
Não levou muito tempo para que a menina se desse conta das dimensões de sua habilidade recém descoberta. Os sonhos deixaram de ser a única forma de contato com o futuro ou passado de vidas que não eram suas, e logo poderosos insights passaram a fazer parte de seus dias. Maddie conseguia sentir a iminência do perigo, assim como captar energias de certos objetos ou ambientes. Por exemplo, ela é atingida por sensações estranhas quando está em locais que foram palco de acontecimentos marcantes - sendo ele um crime ou não - ou quando toca em objetos que guardam memórias consigo. É geralmente assim que Maddie tem uma visão, sendo ela uma previsão futura ou flashs do passado.
Foi a mãe quem lhe ensinou a respeito do dom da clarividência, compartilhando com Madeleine tudo o que sabia sobre a habilidade que ela mesmo carregava. Sienna, por sua vez, era a única mulher da família que não tinha o dom e isso foi motivo de afastamento entre as duas irmãs por algum tempo. As duas meninas também aprenderam com Adelaide sobre a magia do mundo natural e em como uma determinada erva possui propriedades diversas. Em noites de lua cheia, Adelaide costumava levar suas duas meninas para o rio e banhar seus cabelos com água do rio depois de dar a Madeleine uma infusão com ervas para beber que abriria sua mente. Nessas noites, a menina sonhava com vidas que não eram dela e, por incentivo da mãe, passou a catalogar aquilo que recordava, anotando tudo em cadernos para evitar que se esquecesse. Podem ser úteis no futuro, afinal.
Assim que completou onze anos de idade, recebeu uma carta Beauxbatons e ela estava tremendamente ansiosa para estudar magia. No castelo, apesar de ser uma criança tímida, Maddie rapidamente fez alguns amigos e mostrou-se muito talentosa com Feitiços. A Escola oferecia uma grande variedade de atividades extras além da usual grade escolar, desde lições de dança até desenho, música e pintura e foi justamente nessa época que a garota descobriu ter uma grande paixão pelas artes. Gostava especialmente da dança e caiu de amores pelo ballet, que a ajudou muito a tirar da cabeça o acúmulo de lembranças e visões de vidas que não eram suas. O fato da sua professora elogiar sua postura dizendo que Maddie tinha linhas elegantes só a deixou ainda mais entusiasmada a continuar.
Contudo, quando estava prestes a ingressar em seu quinto ano, a família Davinier precisou se mudar para a Inglaterra por conta de uma oferta de emprego irrecusável para Bertrand. Foi a contragosto que Madeleine deixou a sua antiga escola e todos os seus amigos e desfazer-se da França chegou a provocar nela uma dor quase física. Ela nunca irá se esquecer da casa em que moravam na França, porque a mãe costumava levar ela e a irmã a passeios pela cidade e lhe mostrar aonde seus antepassados viveram, contando-lhe histórias sobre mulheres de fibra que enfrentaram de tudo. Desde pequena, era perceptível o quanto ela, a irmã e a mãe eram inseparáveis. Aonde Adelaide estivesse, Sienna e Maddie a seguiam como duas sombras, fosse ajudando-a a cultivar flores, plantas e ervas mágicas no jardim, fosse auxiliando-a nos afazeres domésticos. Quando chegaram a nova casa em Yorkshire, na Inglaterra, as duas irmãs plantaram juntas boa parte das mudas no jardim, seguindo à risca as orientações da mãe e tentando tornar aquele pedaço de terra o mais similar possível a antiga casa em Lasle-sur-Tarn.
Acostumar-se a um novo país e uma nova cultura não foi fácil. Ainda que estivesse tendo aulas de inglês, Maddie sempre acabava voltando para o francês quando estava distraída e o sotaque ainda era forte demais para que as pessoas lhe entendessem com clareza. Logo ingressou em uma nova escola de magia, Hogwarts. A menina estava extremamente nervosa a respeito do assunto, receosa de que talvez não fizesse amigos ou não se adaptasse ao lugar. Havia sido uma boa aluna durante os anos em Beauxbatons e tinha notas excelentes, mas o que havia aprendido na França seria suficiente para que conseguisse acompanhar as aulas na Inglaterra? As duas instituições tinham enfoques diferentes na educação de seus estudantes, afinal, então certamente existiriam certos tópicos ensinados a alunos menores do que ela do qual Maddie nunca ouvira falar, assim como o inverso também poderia acontecer. Felizmente, a transição foi a melhor que poderia esperar. Selecionada para a casa de Rowena Ravenclaw, a menina de estatura um pouco menor para a sua idade não se sentiu deixada de lado por um instante sequer e a casa azul a acolheu de braços abertos.
Possui uma caixa repleta cadernos e pergaminhos, arquivos que mantém na segurança de uma pequena bolsa de mão com um feitiço indetectável de extensão feito por sua mãe. Não é incomum que suas colegas de quarto a encontrem acordada no meio da madrugada, sentada em sua cama na companhia de pena, tinteiro e pergaminho e iluminada apenas por uma vela flutuante. Algumas até tentaram descobrir sobre o que tanto Madeleine escreve, acreditando que a garota mantém uma espécie de diário. Davinier, no entanto, se diverte conjurando diversos feitiços de proteção, vendo suas colegas de casa exibindo uma bizarra coloração verde berrante no rosto logo pela manhã, fruto de suas tentativas de burlar os encantamentos que protegem seus preciosos manuscritos.
Não há como negar que há escuridão em Madeleine. É como se ela possuísse uma alma antiga ou tivesse vivido milhares de vidas antes desta e isso a tenha deixado mais sábia e madura do que a maioria das pessoas de sua idade. Talvez seja consequência da visão, um dom que a fez ver coisas demais, coisas que não deveria e que a marcariam para sempre. É quieta e reservada e só se pronuncia quando realmente acha que deve ou quando sabe exatamente o que dizer, mas o faz com comentários certeiros e, quando desafiada, até ferinos. Está sempre com uma expressão controlada no rosto e um pequeno sorriso nos lábios como se soubesse exatamente o que se passa a seu redor, como se conhecesse a todos como a palma da sua mão ou soubesse todos os segredos que as pessoas tentam guardar a sete chaves. Apesar de ser bastante calma e equilibrada, pisar em seu calo é definitivamente a pior decisão que alguém poderia tomar, porque Maddie é vingativa e nunca esquecerá aquilo que fizeram a ela, encontrando a oportunidade perfeita de dar o troco no momento certo. Possui uma aparência bastante delicada, quase ingênua, mas a verdade é que é bem mais forte do que aparente e irá suportar muito mais do que as pessoas imaginam que ela seria capaz. Uma áurea solitária parece segui-la aonde quer que vá porque mesmo que esteja cercada de sua família ou de seus amigos e colegas de Hogwarts, sempre vai se sentir um pouco solitária. É extremamente protetora de seus pais e seus irmãos e faria qualquer coisa para mantê-los a salvo, tanto que seu maior medo é encontrá-los em suas visões. Ah, suas visões. Madeleine sente tanto medo delas que chega a ser perturbador. Seu maior medo é perder a si mesma em meio ao seu dom, afogar-se em meio as visões e aos flashes.
Maddie e seus vestidos de veludo azul marinho, negro e carmim, lábios e bochechas rosadas, delineador e máscara nos cílios longos e espessos. Maddie e suas saias de cintura alta, lingerie rendada e meias na altura das coxas. Maddie e seus vestidos de gola Peter Pan, sapatos oxford, suas jóias simplistas e colares de pérolas. Maddie e suas boinas, sapatos altos e seus amados chás com bolinhos. Ela é misteriosa e ela ama isso.