Coluna (20/10 – 04h40)
A Grandeza do Futebol – Por Henrique Mendes
O futebol de fato proporciona coisas únicas nas nossas vidas, coisas que somente um apaixonado por futebol consegue compreender. Aquele sentimento de acordar de manhã, e lembrar que naquele dia tem jogo e que o seu time vai jogar, a apreensão de estar chegando o momento da partida decisiva, a raiva quando o seu time perde, mas o orgulho quando ele vence.
As lágrimas na vitória, e também, nas derrotas. Se sentir inútil quando você não pode fazer nada pelo seu time em declínio, ou então o orgulho, de sentir o seu coração pulsando no ritmo das arquibancadas.
Pois bem, na última rodada do campeonato brasileiro, tivemos o prazer de acompanhar o futebol apresentado entre Fortaleza x Flamengo, jogo disputado e cheio de polêmicas, mas que chama a atenção não somente pelo futebol bem disputado entre as equipes comandadas por Rogério Ceni e Jorge Jesus, mas sim por uma imagem incomum que partiu da torcida do Fortaleza, uma crítica direta aos nordestinos que abandonam os times de sua região para torcer veemente para os milionários clubes que dominam o futebol brasileiro, no caso em debate, o Flamengo.
No protesto, um cristo redentor com a camisa do Flamengo é erguido, ele também carrega um chapéu de cangaceiro (representando o Nordeste brasileiro), e para a surpresa de todos, a camisa do Flamengo se desmancha, revelando a camisa do Leão do Pici. Uma imagem clara, direta, aos tempos em que o sinal das grandes emissoras de TV no Nordeste capitavam apenas o Rio de Janeiro, que fez o clube rubro-negro conseguir tantos torcedores na região e assim, popularizar a fama de “Time do Povo”. Um protesto emblemático, já que o Fortaleza é um clube de representatividade extrema no Nordeste brasileiro, que passou por dificuldades inimagináveis nos últimos anos e se reergueu, confrontando clubes e derrotando-os de igual para igual, o que pode ser observado na vitória deste sábado (19/10), contra o Grêmio de Renato Gaúcho, semifinalista da Libertadores da América.
“Temos Time para Torcer”, e sim, de fato eles têm. Dificilmente existem torcidas tão apaixonadas quanto àquelas do Nordeste brasileiro, e não corrompendo ou julgando aqueles que torcem para os pré-julgados times ”grandes” das maiores metrópoles brasileiras, mas protestos como esses nos fazem refletir por um momento, fugindo do clubismo, como seria se fosse o contrário?
Afinal, a grandeza dos clubes é apenas uma mentirosa afirmação criada na cabeça dos envolvidos? Eliminando todos os quesitos impostos como torcida e títulos, o que seria de você, leitor, se o seu clube passasse pela mesma situação do Fortaleza, em uma região de pouca expressão no futebol nacional, com a mídia bombardeando fatos sensacionalistas e notícias apenas sobre os grandes clubes da capital paulista e carioca?
O futebol proporciona sentimentos incríveis, inesquecíveis e inimagináveis. Mas eles são mentirosos?
O Fortaleza diz não. O Nordeste diz que não. E diz isso em uma clara mensagem para o Brasil e para as grandes indústrias futebolísticas. Prevalece a crítica, mas fica o questionamento. O que torna um time “grande”, afinal? Ou seria melhor dizer, quem faz um time ser “grande”?



















