Coluna (01/11 – 16h57)
AI-5, nunca mais! – Por Henrique Mendes
O ato inconstitucional número 5 foi sem sombra de dúvidas um ponto chave na ditadura militar. Há alguns dias eu estava querendo fazer um texto relacionado a isso graças a morte do grandiosíssimo jornalista Vladimir Herzog, após ser convocado para esclarecer sobre suas supostas atividades clandestinas em querer levar o comunismo em massa para a cidade de São Paulo, convocação que levou o jornalista a ser mais um dos suicidados nas mãos do regime militar.
Pouco tempo depois, tivemos a entrevista de Eduardo Bolsonaro, na qual ele diz mais uma vez que – para conter a esquerda no Brasil – pode ser necessário um novo “AI-5″, reafirmando mais uma vez o seu flerte com a ditadura, período de trevas na história do Brasil e que nos mancha de vergonha até os dias de hoje.
Mas o fato é que o flerte misteriosos dos Bolsonaro com a ditadura militar não é algo de hoje, existem milhares de evidências que na realidade isso vai muito além da declaração infame do presidente na câmera homenageando o torturador Ustra, ironizando o fato de ele ter violentado a presidente Dilma Rousseff. Só este ano, podemos lembrar de Jair Bolsonaro ironizando também a morte do pai de Felipe Santa Cruz, ao dizer que os mortos na ditadura não passavam de “balela”, e que os arquivos eram inexistentes. Ou então, falando mais especificamente do filho mais novo do presidente, quando Eduardo enalteceu o documentário antidemocrático “1964: O Brasil entre armas e livros”, que ameniza o período sombrio na nossa história e mais uma vez reafirma a mentira de que o golpe militar de 64 foi para conter a ameaça comunista que ascendia na época.
Uma breve mensagem a Eduardo Bolsonaro, e a todos os membros de sua família que terem a ousadia de enaltecer este período: “Balela”, é a ideia de comunistas estarem em ascensão no Brasil. “Balela”, é a ideia dos militares terem feito isso por vontade própria, mesmo depois de diversos indícios de pressão americana no Brasil, inclusive depois da operação “Brother-Sam” ter ido à público.
Um breve questionamento ao presidente, Aracelli Crespo foi uma mentira inventada pelos esquerdistas?
Aracelli foi morta após ter ficado dois dias em cárcere privado, sofrendo torturas, e sendo estuprada constantemente. A menina tinha oito anos. Foi desfigurada com ácido para dificultar o reconhecimento. Um de seus sequestradores era filho de Dante de Brito Michelini, que gozava de grande influência no regime militar e, embora tenham sido condenados em um primeiro momento, os acusados sairiam impunes após a sentença ser anulada nas instâncias superiores.
De acordo com Bolsonaro, ela foi uma "balela”.
De acordo com muitas outras pessoas, o regime deveria retornar porque era bom pra economia do Brasil, mesmo sendo o período em que a dívida externa do Brasil mais aumentou.
De acordo com todas essas pessoas, o regime deveria voltar por livre e espontânea vontade dos militares, mesmo após o fato que todos os mortos, sequestrados, torturados foram feitos apenas por insegurança pífia dos americanos em um dos países da América virar comunista graças à Guerra Fria que estava em ascensão.
Números desconhecidos de mortos, sequestrados e torturados graças a decisões de meia dúzia de engravatados. Você tem certeza que na ditadura, existia segurança nas ruas?
Coloque todos na conta dessas pessoas que apoiam e passam pano para o regime sanguinário e atos como o AI-5. Que Eduardo sinta da pior forma que ser o deputado mais votado da história não apaga a vergonha de ter em seu histórico dezenas de mortes, torturas e estupros. Que ele pague pelo que disse de maneira democrática, para que ele se lembre que seu flerte com a ditadura nunca mais irá assombrar os corredores do nosso Estado.
Pela memória de Vladimir Herzog, AI-5, nunca mais!










