"Question for Valentino, ... if you had to pick 3 riders, who would you choose to drive [you in] the ambulance, who would be the nurse and who would do [your] surgery?"
press con / Aragón 2017
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"Question for Valentino, ... if you had to pick 3 riders, who would you choose to drive [you in] the ambulance, who would be the nurse and who would do [your] surgery?"
press con / Aragón 2017
You can count on me like one, two, three, I'll be there @Brossi
Folhas preenchidas pela metade e mãos doloridas quase travadas. Era tudo o que tinha até aquele momento. Sentia uma pequena afinidade com aquela lauda cheia de linhas, assim como suas palavras estavam organizadas em apenas uma metade da folha, ela também se sentia apenas pela metade. Infelizmente, ou felizmente, aquele não era o momento de pensar sobre isso. Estava ali para resolver sua atividade de biologia e apenas isso, não era a hora de pensar o porquê de não receber mais mensagens. Fechou os olhos por um momento, tentando recobrar a sanidade que perdera naqueles minutos de angústia. Precisava de foco, era preciso concentração para absorver aquelas leis e teorias para então, responder as dúvidas que nasceram naquela pesquisa. Apoio o queixo na mesa e ergueu o livro, encarando na realidade o número da página que marcava. Só queria esquecer seus pensamentos paralelos e se ligar apenas a Darwin e a Lamarck, duas criaturas que nunca teriam os mesmos problemas adolescentes que ela.
Deitou novamente o livro sobre a mesa e rodou o lápis entre os dedos. Era oficial, não conseguira levar aquilo a diante, precisava se distrair um pouco, antes que seus milhares de questionamentos a levassem a loucura sem volta. -- Que tal uma pausa? -- Arrumou a postura na cadeira e virou o corpo na direção da parceira de laboratório. A ruiva parecia tão enfadada quanto ela. Também quem não ficaria assim depois de três horas seguidas mergulhadas em teorias diversas sobre a evolução dos seres vivos? Pelo menos não era matemática. Os matemáticos tinham um sério problema, todos eles precisavam de acompanhamento psiquiátrico. -- Nós duas merecemos, não? -- Indagou um pouco mais animada. Levou uma mão aos cabelos, embrenhando os dedos na bagunça de fios negros, jogando-os para trás, afastando qualquer mecha teimosa de seu rosto. Assim era melhor. Agora podia olhar sem problemas para a ruiva ao seu lado. Pouco sabia da garota, tudo o que sabia era que se chamava Katherine Rossi, que as duas eram da mesma turma de biologia, que seriam parceiras de laboratório - incluindo trabalhos teóricos - até o fim do semestre. E isso era tudo. Ou seja, nada.
A outra garota era um tanto difícil de lidar. Não que fosse rude ou algo do tipo, pelo contrário. Com Mich, a menina sempre fora gentil, desde o momento em que se conheceram. O problema era que Katherine não falava muito, não de si. Tinha medo de perguntar demais para Kath e a garota se sentir desconfortável, mas sabia que se a ruiva lhe desse chance, elas seriam boas amigas. Sentia dificuldade em arranjar assunto, as resposta sempre eram impessoais demais e curtas, nunca deixavam espaço para uma continuação longa ou então, Kath sempre precisava resolver alguma coisa. O único assunto que fora um pouco mais duradouro era sobre redes sociais, a colega de turma parecia saber muitas coisas sobre e se dar muito bem com a tecnologia de comunicação. Conteve suas piadas sobre os macacos desde o inicio do estudo, temia que Katherine não achasse graça e se isso acontecesse criaria um clima tenso sem necessidade, afastando ainda mais a possibilidade de cativar a amizade da garota.
Juntou os materiais, marcando as páginas dos livros e cadernos, mantendo o cuidado de não perder nada do que já tinha reunido. Puxou sua cadeira para mais perto da de Katherine, assim poderiam conversar sem perturbar os outros da biblioteca, isso se daquela vez conseguisse tirar algo da ruivinha. -- Então, Weasley... -- Não conteve um risinho ao fazer menção a narrativa de J.K Rowling, atribuindo o apelido literário as características físicas da garota. -- Você gosta de Harry Potter? -- Poderia perguntar qualquer outra coisa, mas já que aquele fora sua abordagem, por que não usá-la?! Não poderia saber se acertaria ou não. Esperava que sim, nunca fora tão difícil acertar em um assunto. -- Por favor, por favor, diga que sim! -- Juntou as mãos em frente ao peito com os olhos brilhantes e pedintes, com os lábios projetados para frente em algo que poderia classificar como um beicinho manhoso. Rezava aos Céus para ter puxado uma conversa interessante para Katherine.
Sabia que deveria existir uma história por detrás daquela desconfiança com o mundo de Katherine e se pudesse fazê-la ver e entender, diria com todas as letras para ela não se preocupar. Mich estaria ali por ela. Não se conheciam por muito tempo, mas não a deixaria sozinha, nem mesmo que ela não a pedisse. Ela conseguia reconhecer histórias passadas e pessoas que ainda caminhavam lado a lado com as cicatrizes do tempo. Conseguia se preocupar com o mais desconhecidos das pessoas e quando sabia que podia ao menos interferir na vida de alguém que estava sozinho, fazia de tudo para lhe afastar a solidão. Se Katherine a permitisse, afastaria as coisas ruins de seu passado.