Godric and Bryr just hanging out

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Godric and Bryr just hanging out
It's a scene and we're out here in plain sight (POV Brydric)
— Você está escutando? — Bryce perguntou, franzindo o cenho ao seu lado.
Cedric piscou, sendo obrigado a sair de seus pensamentos para tentar voltar a prestar atenção no que a ruiva dizia. Ele tamborilou brevemente os dedos no volante.
— Hm… — Murmurou. Não fazia ideia do que ela falava. Nos últimos segundos, ou minutos, dirigia com a mente focada nos acontecimentos da semana.
Ignorava chamadas e mensagens de Lucien desde a discussão e, ao mesmo tempo, checava o celular constantemente à espera de uma nova resposta de Celeste. Apesar de seu aviso sobre não se comunicarem, ele tinha digitado e enviado as palavras “Tem certeza?” na conversa dos dois, recebendo um mísero e direto “Sim” como resposta.
Ainda não parecia real. Eles sempre voltavam a se encontrar, nunca resistiam ao chamado que os puxava um para o outro. Talvez estivesse em negação — provavelmente estava — mas o último beijo que trocaram e a pressa com que Celeste fugira serviam de prova de como era difícil se afastarem. Ela voltaria.
— Eu estava dizendo — Bryce retomou a fala, revirando os olhos — que pesquisei algumas fotos suas para poder me preparar. Não quero ninguém nos analisando demais nas redes sociais e achando que temos um relacionamento de fachada. Muito menos a Matriarca.
Cedric ergueu uma sobrancelha.
— Que tipo de fotos?
— De beijos, Cedric. Óbvio.
Ela puxou o celular do bolso do casaco e desbloqueou a tela. Em dois segundos, mostrava pra ele algumas fotos em que estava envolvido em beijos públicos — e alguns privados, com cliques feitos através de janelas de carros ou estabelecimentos.
— Acho difícil não compararem nossas fotos com essas, então você vai me beijar de verdade.
— O quão de verdade? — Tinha certeza que ela não queria um beijo como os que trocara com Celeste na última vez que se viram. Seu peito apertou com a memória, mas ele o silenciou com uma inspiração lenta.
— Não enfie a língua na minha boca, pelo amor dos deuses, mas não vou morrer se ela encostar em mim. — Bryce mostrou uma foto específica para ele, com Alice. Era romântica o suficiente e tinha sido essa que a imprensa havia usado para noticiar o namoro dos dois. — Algo como isso parece bom.
Cedric achou graça da forma com que ela se expressava, como se discutissem dados de campanha. Aquele era um beijo relativamente casto, com nenhuma língua aparente, mas os dois se envolviam com os braços e tinham pequenos sorrisos impressos nos rostos. Lembrava-se bem daquele dia e das consequências de terem sido flagrados por um fã.
— Eu não sou ator, você sabe né? Não podemos improvisar?
— Não precisamos fazer exatamente igual, é só um material de inspiração. — Ela sorriu, finalmente também parecendo achar graça na conversa.
— Certo. — Ele riu suavemente.
Cedric deu seta para estacionar e diminuiu a velocidade do carro lentamente, logo parando em frente ao lounge escolhido para o que planejavam. O local era famoso o suficiente, com um público jovem e rico variado. O uso de celulares era liberado, mas a checagem de segurança ainda se fazia completa. Atrás deles, o carro de seus seguranças também estacionou.
-
Alguns dos olhares sobre os dois eram descarados, mas a maioria dos presentes fingia que não os via no terraço. Para aqueles que sorriram com animação na entrada, Cedric devolvera o gesto com um sorriso ou aceno próprios, mas o Misfits costumava receber famosos, então seu público raramente o incomodava. Dessa vez, também permaneceram respeitosamente afastados. Os celulares, contudo, já tinham sido virados para os dois algumas vezes. Exatamente como queriam.
Uma música eletrônica suave tocava baixa, mas alta o suficiente para Bryce e Cedric poderem conversar em murmúrios, evitando abrir a boca demais quando o assunto fosse os entregar. Já tinha sido vítima de leitores labiais suficientes online para cair nesse problema novamente.
Em determinado momento, Bryce se aninhou em seu corpo como se estivesse se protegendo do vento, e Cedric a envolveu com o próprio casaco de lã, apertando a ruiva contra si sobre o banco externo. Ela soltou uma risadinha que ele soube ser nervosa, e o mago prendeu uma própria na garganta.
A Bondurant ergueu os olhos para ele e sussurrou, entre dentes:
— Pronto?
Cedric tocou seu queixo com a luva, ajustando o ângulo de sua cabeça cuidadosamente. Foi ela quem se aproximou, porém, com os lábios entreabertos e repuxados em um sorriso que quase dava conta de esconder seu embaraço.
It’s insane how things can change like that (POV Brydric)
— Eu aceito. — Bryce anunciou, enquanto se sentava no sofá. A ruiva estava vestida como se estivesse pronta para uma reunião de negócios e também se portava como tal. Seu olhar se mantinha decidido e direto nos olhos escuros de Cedric. — Vou ser sua namorada de mentira.
Uma frase estranha demais para ser dita de forma tão séria.
— Não achei que você fosse aceitar. — A surpresa na voz do Bondurant se mesclava ao contentamento que sentia com a notícia. Bryce era sua melhor opção, se não a única possível.
— Por algum tempo eu também não, pra ser sincera. — Ela passou os dedos por uma mecha dos cabelos cor de cobre, parecendo hesitar um pouco, ainda que apenas por uma fração de segundo. — Mas é um bom negócio.
Ele não conseguiu ignorar a similaridade entre esse momento e aquele em que Celeste havia, também, aceitado uma proposta sua, essa de natureza oposta à platônica que existia entre ele e Bryce. Ao envolvê-la em uma nova teia de mentiras, sentia-se como uma figura mitológica clássica, daquelas que faziam acordos duvidosos que mais tarde pegavam os humanos envolvidos desprevenidos. Bryce não era tola, contudo, e Cedric tinha plena consciência de que ela o pediria algo valioso em troca.
— Você tem certeza, Bryce? — Buscou confirmação.
— Sim. — A erguida de sobrancelhas de Bryce pareceu dizer “Está duvidando da minha palavra?”. — Você não?
— Tenho. — Ele cruzou os braços em sua poltrona. — Só não quero que você se arrependa no meio do caminho. Eu sei que você não gosta da ideia de mentir pra Matriarca.
— Tudo bem, Cedric. Eu pensei bastante sobre isso, pode ficar tranquilo. Não tomo decisões impulsivas. — Bryce sorriu e Cedric a acompanhou, permitindo-se sentir o alívio de finalmente ter uma resposta à proposta feita na beira do Lago Bleu. Tinha esperado a semana toda por aquele veredito e a mãe havia lançado indiretas em sua direção duas ou três vezes. — Mas não vou participar de um pedido de casamento falso, isso termina antes de um noivado.
— Sem problemas, eu não planejo ir tão longe.
— E… caso precisemos nos beijar, não quero sentir sua língua. — A ruiva não se esforçou em censurar a expressão de ligeiro nojo em sua face.
Com isso, o sorriso do herdeiro aumentou e se transformou numa risada baixa.
— De acordo.
Ela assentiu devagar e aos poucos o nojo deu lugar à Bryce de momentos antes, decidida e profissional.
—Também vou querer algumas coisas em troca.
— Justo. E esperado… — Cedric relaxou os braços. Sua relação com Bryce era majoritariamente profissional, ainda que a convivência os tivesse forçado a se aproximar como amigos durante a campanha. Sabia que ela pretendia seguir carreira política, com foco em campanhas e trabalho interno, mas seu conhecimento sobre suas ambições terminava aí. — O que seriam essas coisas?
— Eu quero acesso ao nível de influência que você tem. Caso você ganhe ou chegue perto de vencer as eleições, já vou ganhar alguma visibilidade, mas é importante que eu conheça as pessoas certas. Não só em Victoria. Eu sei que é cedo pra mirar em liderar uma campanha maior, então quero ter acesso a Conselheiros enquanto isso. — Ela mirou o chão por alguns segundos, pensativa, e depois voltou a olhá-lo. — Quero que você me insira nesse mundo de forma que, mesmo depois de eu “terminar” com você, eu ainda esteja nele.
Cedric sorriu, estudando a mulher à sua frente. Nunca conheceria aquele nível de ambição, tão baseada em esforço. Herdaria todas as posições políticas de sua vida naturalmente, seguindo a ordem decidida séculos antes dele ter nascido, como se fluísse sobre um rio. Teria que estar intimamente envolvido em campanhas e na governança sempre que ganhasse, mas não precisaria provar seu valor a ninguém além da própria família.
— Feito. — Ele ergueu a mão em sua direção, para fechar o acordo, e Bryce a apertou com firmeza.
— Quando começamos? — Ela perguntou, sempre eficiente.
— Não quero te apressar, mas… Pra mim, o quanto antes, melhor. — Ele não gostaria de ter que continuar desviando das indiretas da mãe e o ideal seria que ela soubesse dos dois por fontes externas, assim como havia sido com todos os seus affairs. Nada poderia fugir muito de seu padrão de relacionamento, para evitar suspeitas. Levaria algum tempo, então, para que a família e o público começassem a levar a sério a relação.
— Na quarta-feira tenho a noite livre…
Os dois sorriam lentamente, como se o que planejavam fosse mera travessura.
— Combinado, então. Posso dar a dica para um paparazzi?
A ruiva piscou, como se não esperasse a pergunta, mas fez que sim. Cedric lançaria um rumor inocente. Os tabloides diriam: Cedric e Bryce Bondurant jantam juntos. É um encontro romântico? Platônico? O herdeiro finalmente está considerando suas opções Bondurant? E a mãe logo entraria em contato para saber mais. Ele diria que estavam se conhecendo melhor, mas que ela não colocasse muitas expectativas — como diria também caso aquele fosse um encontro real.
— Como você acha que vai ser a reação do público? — Bryce perguntou. Ela falava como se estivesse questionando as pesquisas de intenção de voto, mas Cedric notou a ligeira queda no volume de sua voz. Era uma preocupação real.
— É impossível saber de fato, como você provavelmente imagina, mas… Acho que vão ficar muito curiosos sobre você. — Notícias e postagens em redes sociais trariam fotos e informações sobre ela para aqueles que não eram obcecados pela família e cada pessoa poderia formar sua própria opinião sobre a vida dos dois. — Descobriram o endereço da minha ex namorada em dois dias, então caso você precise posso te ceder seguranças.
— Não precisa. Já tenho direito, como Bondurant. Só nunca foi… necessário ainda. — Nada daquilo parecia muita novidade para Bryce, cujo cenho havia se franzido levemente. — A opinião pública é positiva para você se casar. Imagino que isso se reflita bem nas pesquisas, qualquer porcentagem a mais é decisiva.
— É o que dizem. — Ele respondeu, sem emoção. Tal assunto era como um disco riscado dentro do Casarão Bondurant. — Vão te tratar como se fosse do círculo interno, prestar mais atenção em tudo que você faz.
— Entrevistar pessoas próximas dispostas a vazar qualquer coisa. — Ela continuou, o olhar vagando pela sala, preso aos futuros possíveis.
— Seja bem vinda. — Cedric zombou, suspirando e pousando a mão sobre o peito da dela, pousada sobre o joelho. — Obrigado. Vou te dar tudo que você quiser por isso.
Bryce riu suavemente e respondeu com uma brincadeira, que Cedric levaria a sério mais tarde:
— Começando por passeios na sua ilha privativa, espero.