Por muitas vezes me pego a pensar. O que de fato é a felicidade, se existe uma fórmula secreta para alcança-la. Depois de muito refletir a respeito, cheguei a uma conclusão.
Felicidade, é o combustível que nos move, tudo que planejamos e fazemos, é para alcançar tal sentimento, trabalhar, amor, socializar com pessoas novas. Tudo faz parte dessa busca inconsciente. Algumas lacunas vão surgindo durante o desenrolar dos pensamentos acerca desse tema tão complexo, como por exemplo: Será possível alcançar tal sentimento de forma permanente?
Muitas vezes somos levados a repetir alguns clichês acreditando que sim, como por exemplo: -Se eu fosse rico, seria muito mais feliz ou - dinheiro não trás felicidade, mas ajuda!- será mesmo!?-
Se isso verdade fosse, não existiria tristeza entre pessoas da alta sociedade, na realidade é tudo uma questão de perspectiva. Do que me adiantaria ter todo o dinheiro do mundo, sem ter amigos para compartilha-lo? ou de que adiantaria ser milionário, mas, estar em uma cama desenganado pela medicina? No segundo caso, nada adiantaria… Alguns engraçadinhos diriam que dinheiro pode comprar amigos, que jamais estaria só. A resposta pra isso seria: Se este é seu conceito de amizade, creio que sua pobreza vá bem além da material!
Esse tipo de “amigo” o deixaria sem pestanejar caso perdesse tudo. Enfim… o que quero dizer; é que muitas pessoas que possuem riquezas materiais, muitas vezes almejam ter à saúde que um homem sem dinheiro algum possui, ou uma amizade sincera acima de qualquer interesse financeiro, amizade essa que uma pessoa com muito dinheiro dificilmente encontraria.
A verdade é que, podemos encontrar à felicidade em diversas coisas, como na conquista de uma namorada nova, no nascimento de uma criança, na vitória de seu time de futebol favorito, na eleição do seu partido favorito nas urnas, entre muitas outras coisas… Isso tudo com certeza trás felicidade, porém, não de forma permanente. Com uma reflexão um pouco mais cuidadosa, veríamos que a conquista de uma namorada, pode terminar em traição e com corações partidos. A criança que nasceu irá crescer e dar trabalho aos pais; seu time de futebol favorito uma hora perderá, seu representante político eleito pode vir a desapontar todo o país. Com isso entendemos que a felicidade é um sentimento transitório, assim como tudo em nossas vidas é feita de marés, com altos e baixos.
Não há uma receita mágica para se alcançar, ela está escondida em determinadas eventualidades de nosso dia a dia, servida em pequenas doses, como numa roda de bebida com amigos. Assim, sua busca se torna essencial para continuar em frente.
Thomas Jefferson, em 1743, na proclamação de independência dos Estados Unidos, foi cuidadoso ao dizer que todo cidadão americano teria direito a vida, liberdade e a busca pela felicidade. Nota-se sua genialidade ao citar “busca pela felicidade” não simplesmente à “felicidade”. Naquele tempo, a mais de duzentos anos a trás, ele já reconhecia que a felicidade é algo que se busca, mas não se alcança, pelo menos não de forma permanente.
Também existe a felicidade baseada na ignorância, que em minha opinião é a mais duradoura de todas, independente de ser baseada em falsas verdades. por exemplo: quando um trabalhador ganha um aumento, ele pode ser bem informado e saber que aquilo já era um direito dele por lei, ou que é apenas uma manobra da empresa pra você não sondar emprego em outros lugares que paguem melhor, ou que você ainda ganha uma mixaria em relação ao mesmo empregado de outro estado. Já um ignorante vai ficar simplesmente feliz, sem nem mesmo imaginar o por que, somente acreditando na boa vontade do patrão.
Em nossa realidade, com o mundo tão desenvolvido, seja pela tecnologia que nos prende em frente a celulares que nos conectam com o mundo todo, ou a correria de nosso dia a dia, que devido ao auge do capitalismo selvagem nos prendemos a falsas realidades, seja na frieza das relações virtuais ou na correria do trabalho (no meu caso, na procura de um hehe), se esquecemos que SER, é mais importante do que TER, tornando-se assim, robôs sem alma, esquecendo de nossa verdadeira natureza, que é ser, fisicamente, mentalmente e espiritualmente livres. Como se pode experimentar a felicidade frequentemente em uma realidade dessas? a resposta é bem simples, não se pode!
Cada vez se torna mais comum ver matérias nessas revistas de grande circulação do tipo: “Depressão, a doença do século XXI”. De fato jamais tantas pessoas sofreram desse distúrbio como hoje em dia, e o motivo é bem óbvio, acabamos por nos tornar maquinas, programados para produzir e consumir, tudo se tornou chato e repetitivo. A beleza que o músico tinha em compor, o amor do poeta em suas escritas, foram trocados pelo pagamento a vista!
Não se estuda a arte pela sua beleza e o dom em faze-la, nem história para se tornar um ser melhor. O que fazemos é estudar aquilo que está em alta no mercado de trabalho, para somente ganhar dinheiro. Como disse Dalai Lama: “Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido”. Sabias palavras de um homem a frente de seu tempo, tudo isso nos torna seres depressivos.
Vou aproveitar que cheguei a este assunto e falar um pouco à meu respeito e meu ponto de vista referente a depressão.
Tenho tendências depressivas desde muito pequeno, refletidas numa saudade inexplicável de algo que não sei o que é. Me lembro que aos 12 anos, aproveitava as noites estreladas para subir o mais alto possível em uma árvore que se encontrava no terreno de meu avó para admirar a via láctea, munido com um disc-man que havia ganho de minha mãe no último aniversário. Suspirava ouvindo o disco The Wall do Pink Floyd, mais precisamente a música Don’t Leave me now, maravilhosa canção depressiva que ia além das barreiras linguísticas. A tristeza sempre foi a minha mais fiel companheira, embora eu nunca tenha tido grandes motivos para te-lá. O sentimento era (Hoje em dia lido melhor com isso), como se estivesse longe de casa, como se de fato não pertencesse a este mundo. Esses sentimentos costumavam se manifestar mais fortemente próximo de meu aniversário, curioso com esse associação, certo dia questionei um velho sargento que era comandante de um pelotão quando servi o exército em 2009 sobre isso, ele era inclinado ao espiritismo, mais precisamente à Umbanda e, até então, eu tinha um certo preconceito com esse tipo de crença, mas perguntei por mera curiosidade. Depois de ouvir o que eu tinha a falar, ele limitou-se em dizer que eu me aproximava da idade em que fiz algo em outra vida e, que eu viveria esta mesma situação novamente a título de teste.
Desde então, a “deprê de meio de ano” só aumentava, e descobri que na verdade ela perdurava até meados de agosto. Neste ano a coisa estava tão séria, que eu já não queria mais escrever nada, nem estudar, nem se quer jogar Diablo (Meu jogo de vídeo game favorito desde criança e até hoje rs).
O pior era não saber ao certo o porque estava deprimido. Depois dessa conversa com este homem, que com poucas palavras me fez pensar a ponto de encontrar sentido naquilo que sentia, passei a estudar e me interessar mais por assuntos que tocam espiritualidade. Hoje em dia, entendo que a saudade que eu sinto em determinada época do ano, é de meu verdadeiro lar, aliás, nosso verdadeiro lar, onde todos nós um dia iremos retornar, para um plano mais sútil que esse, junto de nosso criador, e lá sim compreender o verdadeiro significado de felicidade e a experimentar de forma duradoura!.