No meio da correria desse nosso novo mundo, onde temos que estudar para trabalhar, e trabalhar para não morrer, nada me dá mais gosto do que sentar num banco, ao lado da minha avó, e ouvir suas histórias... Minha avó, que começa a causar preocupação na família, pois às vezes não se lembra o que comeu no almoço, ou se almoçou, é a mesma pessoa que sente prazer em fuçar na sua memória e buscar uma resposta para as minhas perguntas: “Vó, como a senhora conheceu o meu avô?”; “Vó, por que vocês foram morar lá naquelas terras?”; “Vó, de onde você e o vô vieram?”.
É maravilhoso entender porque minha avó casou-se com o meu avô, e não com outro homem, entende? Você entende como o destino é lindo? Lindo, porque eu só estou escrevendo essas palavras, graças ao meu avô que foi trabalhar naquelas terras vizinhas às terras da família de minha avó, e se meu bisavô não tivesse comprado as terras para meu avô e seus irmãos irem trabalhar, meus avós não teriam casado, minha mãe não teria nascido, e eu não estaria aqui. O destino pode ser doloroso para quem tenta entende-lo também, afinal, caso a primeira mulher do meu bisavô não tivesse morrido, meu bisavô não teria casado com a minha bisavó, e nem minha avó chegaria a me contar as histórias que me contou hoje, porque o destino não teria permitido que ela nascesse, já que meu bisavô teria outros filhos com outra mulher, mas nunca teria a filha Maria, minha avó, que nasceu da mulher Emília, minha bisavó.
Acho que não cabe a nós discutir com o destino, cabe a nós apenas buscar os motivos que nos fizeram estarmos aqui hoje, e entender quão valiosa é a nossa vida. Se estamos aqui, façamos valer a pena aos sacrifícios do destino, ele queria que estivéssemos aqui. Temos uma dívida com o destino, e a melhor forma de pagar é oferecendo o melhor de si para esse mundo, só assim o investimento do destino valerá a pena, só assim as vidas passadas vão ter valido a pena, só assim a sua vida vai valer a pena.