Frame Talks _16, 03.04.2015, 12:45, João Cão
Bom dia Agapi!
Que bonita a Constituição Europeia feita em verso. Eu continuo a gostar muito da ideia da Europa, mas o que se passa no cenário político parece mais aproximar-se duma distopia... A política de recepção aos emigrantes por cá é diferente da política de amabilidade que encontraste em Berlim. Lisboa pode ser muito agressiva para a massa de emigrantes que chega à procura de novas oportunidades. O mercado negro, a opressão e, agora, a falta de emprego torna as coisas ainda mais dificeís. Há um documentário centrado nesta Lisboa quase esquizofrénica: o Lisboetas do Sérgio Tréfaut, feito no início do milénio que dá uma imagem muito realista do que se passa. https://www.youtube.com/watch?v=5pZhh047ibU
De boas políticas de integração, só tenho as boas memórias da gestão do município de Sines, no Alentejo. Como era (e continua a ser) comunista eu tinha muitos direitos. Tinha piscina grátis com a escola e, em casa, todos tínhamos antena parabólica antes de existir TV cabo em Portugal. Na cidade nova de Santo André, a poucos km de Sines, podia ver na TV centenas de canais. Adorava as séries de animação da MTV :) Esta mesma política de gestão cultural foi a que deu origem ao Festival de Músicas do Mundo que agora adoro! É uma área especial. Santo André foi a única cidade construída de raiz em Portugal no século XX. Havia, claro, fluxo de capitais que alimentava estas condições, com o porto e a indústria de Sines.
O Grandhotel Cosmopolis, que mescla factores e instituições em Augsburg, fez-me lembrar o La Paillasse de Paris. Este também é um espaço aberto, um laboratório comunitário. Com o encontro de designers e biotecnólogos já inventaram uns produtos inovadores como uma caneta 'imortal', que só precisa de água para uma colónia de bactérias no seu interior produzir a tinta ou testes de diagnóstico muito mais baratos para o 'terceiro mundo'. Podes ver o sítio deles aqui: http://lapaillasse.org/
Estes espaços de encontro são muito excitantes! De um ponto de vista crítico, já tenho a sensação de que se corre sempre o risco de anunciar falsas 'revoluções' com este entusiasmo... principalmente quando se começa a trabalhar em função dum mercado, em função do dinheiro. A oficina de consumo do Canto do Curió quer ter diferentes valências. O material/imaterial que focaste é muito interessante. A primeira abordagem que tivémos foi com a Inés e focava o aspecto ético e de justiça social do alimento. Havemos de desenvolver uma dinâmica nesse sentido, quando a Inés voltar. Ela fugiu para Atenas e ainda não voltou :) Imagino por lá anarquistas, vinho tinto e muito espaço de inventar futuros.
Sexta-feira, dia 17 de Abril, o Canto do Curió tem uma oficina de consumo para emancipar os sentidos e a comunicação. É um jantar sensorial no espaço do GAIA - Grupo de Acção- Intervenção Ambiental - em Alfama. Há muito espaço para disfrutar a refeição junto com uma dinâmica de jogo surpresa. Vai ser o primeiro teste, só temos lugar para 20 pessoas, começamos a aceitar inscrições segunda-feira. :)
Até já!
Joao












