E vi Olivia e ele deitados em uma micro cama como aquela, estavam apenas dormindo mas aquilo já foi o suficiente para que minha vontade de estar no lugar dela aflorasse em minha pele e a vontade de mata – lo estava brigando com minha vontade louca, queria mata – lo por ele ser o culpado, sim. Olhei para eles novamente e mais uma vez me senti mal por querer o marido da francesa dos olhos claros que aparentava ser fraca e precisava mais dele do que eu, que já tinha a quem amar e com certeza iria ser amada, sai e me sentei na cadeira que tinha ali e fiquei de cabeça baixa, até tia Rê aparecer do além e me assustar e me tirar de um poço de lembranças.
- Como está minha neta e sua mãe? – perguntou se abaixando até mim.
- Dona Regina – falei com a mão no coração- está tudo muito bem, e a sua família, como vai?- sorri devolvendo o carinho que ela daria em minha mão-
- Está tudo ótimo, estava até o acidente, na verdade- deu um risinho- e você não acha que já se fez sofrer de mais por hoje? – falou olhando em direção ao quarto se referindo ao casal que lá estava.
- Como? – a olhei confusa e depois de alguns minutos que fui olhar para o mesmo lugar que ela – Há Dona Rê voltei para ver ele mais eles estavam dormindo então resolvi esperar, fiz mal? – ela assentiu- por quê?
- Você sabe, ele está casado e tentando te esquecer e você também, fará mal para os dois – me olhou com dó.
- Já estamos em vidas diferentes, tudo bem, temos um elo muito forte, mas podemos e devemos seguir nossas vidas, casar assim como ele fez e aparenta está feliz com ela.
- Ele não te esqueceu, sempre pergunta de você, da Anninha – me olhou com um olhar diferente.
Senti medo do olhar dela e sabia que ela estava certa, David havia me confessado hoje pela manhã, mas todo aquele mel e saudade já não fazem mais sentido.
- É normal de um pai que não está presente fisicamente, não? – falei mais pra mim acreditar do que para ela.
- Sabemos que não, não se faça de boba, meu anjo – sorriu docemente, mesmo sorriso de David e isso fez com que eu ficasse a admirando
- Nunca tinha notado você sorri como David, espero que a Anna venha com o sorriso de vocês – ri fraco.
- Fugindo dos assuntos, tudo bem – riu ela, estava tão na cara? – vou atrás do medico pra saber se hoje David já volta para casa. – sorriu e foi –
- Essa mulher é maluca – passei a mão pelo pescoço e ri lembrando as coisas que ela falou – sua avó é doida, filha – fiz carinho na minha barriga -
Esperei a dona Rê, que não volto suponho que esteja conversando com o medico e perguntado os cuidados que tinha que ser tomado.
- Está tudo bem? – perguntou a francesa.
- Te acordei – botei a mão na boca –
- Não, claro que não, quer entrar? – falou me dando espaço –
- Não, não quero acorda – lo, fale pra ele que estive aqui e se precisar de algo só ligar, vou para casa, essa menina está pesando.
Sai do hospital e fui em direção a uma sorveteria antes de ir para casa, Anna estava impaciente estava com vontade de tomar sorvete, comprei e fui para minha casa e minutos depois já estava arrependida de não ter ficado no hospital, mais Anna não deixaria, iria começar a me machucar.
Se você acha que não tenho mais noticias de David Luiz, você está certo. Não me ligaram e nem sequer um e-mail, exceto Dona Rê que liga para perguntar da Anna, mas quando tocava no nome de David ela fala que tinha que ir não sabia o que havia acontecido, tentava ligar no celular dele e dava caixa postal, ter noticias dele eu tinha, pelos jornais, mais confesso estou louca para vê - lo estou de sete meses, Anna estava com pressa de vir ao mundo, chutava como nunca.
- Cansei, vou à casa da Dona Rê – falei sozinha.
Coloquei um casaco, estava ficando friozinho, entrei no carro imaginando do por que isso.
Cheguei lá, apertei a campainha, quem atendeu foi dona Rê.
- Olha quem está, que saudade menina, ta quase né? – acariciou minha barriga.
- Está sim, essa apresada- ri – Por que isso, hein Dona Rê?
- Isso o que? – se fez de desentendida.
- Você sabe, sem noticias dele, fiquei preocupada.
- Entre, minha fila – me deu espaço- nem eu sei direito, querida. Assim que entrei no quarto, ele nem me deixou falar nada e já soltou `` não quero que você dê noticias minhas a Betina, ela quer assim, assim vai ser ´´.
- Eu quero? Como? Ele está aí? – perguntei um pouco alto.
- Está sim, no quarto, vá lá.
Fui em direção ao quarto de Dona Rê, bati na porta e ele demorou um pouco e isso me ajudou para respirar umas duas vezes e querer sair correndo dali umas vinte vezes, mas quando fui pensar em desistir mais uma vez, ele abriu, me olhou assustado.
- O que você está fazendo aqui? Você não queria ficar longe de mim? Pra deixar eu ser feliz com minha mulher, estou te respeitando, apenas quero saber coisas sobre minha filha – olhou nos meus olhos.
- Primeiro: Por que você olha nos meus olhos só quando estamos discutindo? Isso é horrível, Moreira. Segundo: Quero que você seja muito feliz, mas não que queria ficar longe de você, quem te falou isso?
- A Olivia, no hospital, me falou que você esteve ali para isso, para dizer que me queria longe, e era isso que iria fazer até minha filha nascer, depois daria um jeito, mas falaria com você apenas o necessário, vai falar que ela estava mentindo?
Ela não foi capaz disso, nunca pensei que ela seria tão baixa a esse ponto, francesa maluca, fora da casinha, era apenas a face que ela tinha de ser fraca, deprimida, sim aqueles olhos verdes são capaz de enganar qualquer um, juro que se ela estivesse aqui, agora, meteria a mão na cara dela. Não deu outra ela só esperou eu voltar a mim para aparecer ali.
- Atrapalho? – perguntou ela...