Querida Laís: um ano. Esse é o tempo em que eu e Murilo vamos ter que esperar para namorar. Só não estou tão chateada porque agora com meu novo relacionamento com Deus, pedi para Ele falar através do meu pai se o Murilo é a pessoa certa para mim, então, se Ele acha que depois de um ano as coisas serão melhores para nós, eu aceito.
Sei que o desafio de escrever para a “Laís do futuro” era só para aquele dia, mas eu adorei a idéia e vai ser muito bom desabafar o que eu sinto no papel e um dia poder ver o crescimento que tive. Por isso voltei a escrever para você, ou para mim mesma.
Nessas últimas semanas depois do retiro eu passei há dedicar mais tempo à leitura da bíblia. Foi algo que o Murilo me disse que me impulsionou a ler mais. Ele disse que por ler muito à bíblia, ele conhece muito sobre Deus, e isso o faz mais apaixonado por Ele.
Descobri que Deus deixou vários conselhos muito úteis para serem usados no dia-a-dia, por exemplo, ontem eu li em Provérbios 15:1 que “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.” E esse versículo se mostrou muito útil no meu dia de hoje.
Eu estava na aula de português e como sempre, a Professora Lúcia me pediu para ler o texto em voz alta. Desde cedo meus pais me ensinaram a honrar meus professores, mas parece que para alguns alunos isso é algo antiquado, ruim. Enfim, quando eu comecei a ler, a Carla, que me detesta desde a quinta série começou a fazer chacota comigo. Nós duas sabemos que o meu histórico de discussão em sala de aula com ela, é bem grande. Mas na mesma hora em que senti o desejo de revidar, creio que o próprio Espírito Santo me lembrou desse versículo. O meu coração sentiu-se imensamente feliz de ouvir a voz de Deus em plena sala de aula. Na hora minha melhor resposta foi o silêncio. E como isso foi libertador!
Tem sido muito bom ouvir a voz de Deus e me sinto cada vez mais disposta a fortalecer meu relacionamento com Ele.
A aula da escola bíblica de hoje foi sobre dons e ainda não sei qual o meu dom espiritual, mas Camila falou algo na aula que acalmou meu coração, ela disse: “Deus é sábio. E em Sua infinita sabedoria sabe qual dom Ele pode te dar, afinal, Ele te criou e te conhece. Cada um de nós precisamos entender que Deus distribui dons em Sua igreja de acordo com a vontade Dele. E esse dom vai ter que ser usado com um propósito especifico: edificação da igreja e a glória de Deus. Nem todos terão o mesmo dom, e não existe dom melhor que o outro. Acredito que muitos aqui já pediram para Deus pra falar em línguas. Ou ter o dom de cantar. Ou de ensino. Mas vocês já pararam para perguntar pra Deus sobre qual dom combina com você? Ou com qual habilidade vocês poderão ajudar no crescimento na igreja? Lembrem-se que o dom espiritual é para a glória de Deus, e não para a sua própria glória.”
Depois disso ela leu 1Corítios 12 e falou sobre cada dom.
-Quantos aqui já sabem seus dons? —Perguntou ela e umas quatro pessoas levantaram a mão. Então ela prosseguiu:- Quantos de vocês exercem dentro da igreja esse dom? — Somente duas pessoas ficaram com a mão levantada. – Se vocês sabem, porque não usam os dons para o propósito que vocês os receberam? – Deixou a pergunta no ar e continuou: - E a todos aqueles que não conhecem o dom que vocês carregam, eu digo que não se preocupem com isso! Dons espirituais são bônus na vida com Deus. Atenham-se as coisas essenciais, como a fé, o amor e a esperança. Quando vocês estiverem enraizados nessas três coisas, vocês darão o próximo passo, que é descobrir o dom que Deus te concedeu. Os textos bíblicos para estudarem durante a semana são: 1coríntios 12 e Romanos 12. Deus abençoe e vão em paz!
Dentro do carro vim refletindo sobre as coisas que aprendi na aula e comecei a falar com Deus. “Senhor, Tu sabes o quanto eu desejo ter dons. Mas por muito tempo eu tive uma motivação errada sobre isso. Queria dons para mostrar para as pessoas que os tinha. Mas agora que entendo a função dos dons e talentos, peço que primeiramente que o Senhor trabalhe as coisas essenciais em meu coração, como a fé, o amor e a esperança. Depois disso peço que Tu me mostres onde eu serei mais útil e gere em mim os dons necessários para exercer essa função. Obrigada pela forma que o Senhor vem falando comigo. Obrigada por acalmar meu coração.”
Na hora de dormir, Melissa e eu ficamos conversando no quarto. Ela me contou algo que me deixou abalada.
-O Ricardo vai amanhã pra calourada da faculdade.
-O Rick, seu namorado?
-Sim.
-O que ele vai fazer lá?
- Segundo ele, socializar. Ele disse que não quer ser o careta do grupo.
-E o que você disse Você ‘ta de boa com isso?
-Claro que não, eu ‘to triste com isso. —Nesse momento ela começou a chorar. – Eu disse que não é certo. Que ele não precisa ser igual os amigos da faculdade. Que isso vai levar ele a pecar, mas ele disse que é forte, que só vai se divertir com os amigos.
-E agora?
-Agora ‘ta nas mãos de Deus. Espero que seja só essa vez e que ele perceba que esse tipo de vida não leva a nada.
Essa notícia que Melissa contou me deixou abalada. Ela e o Rick são o casal mais lindo e exemplo lá na igreja, e agora ele começa a se desviar... E se acontecer comigo também? Se o Murilo também não for aquilo que eu penso que ele é?
Eu a observa-a de longe conversando com a Nick. Ela estava repassando as últimas instruções sobre como vim e voltar da escola. Vi ela preparar seu lanche com muito cuidado e carinho.
Abigail é uma das mães mais amorosas que se possa conhecer. Desde que a conheci, sempre a vi doce com os vizinhos, atenciosa com os outros, nunca, jamais a vi levantar uma única só mão para a Nick. Era uma mulher forte, apesar de sua enorme perda. Ter que manter Nick sozinha, trabalhar e ainda ser a pessoa maravilhosa que era. Sim, ela era forte.
Ela entregou a mochila a Nick, que lhe deu um beijo no rosto e saiu pela porta. Eu espero o momento certo, e 1… 2 … 3!
- AH! Sely, que susto que você me deu - Diz ela com os olhos arregalados, ofegante.
Eu havia pulado a sua frente, surpreendendo-a.
- Haha, desculpa pequena - Digo abraçando-a, tentando acalmar as batidas do seu coração que batem incessantemente - Adivinha só?
- Nick… Nick, o que foi? - Abigail sai num rompante pela porta.
- Não foi nada mamãe. A Sely me assustou.
- Ah… Oi Selenia – Abigail acalma-se a me ver ao lado de Nick – Seus pais voltaram?
Desde que me mudei para a casa ao lado, Abigail ficou louca para conhecer “meus pais”. Logo percebi que teria que inventar uma desculpa para estranha ausência de minha família. Por ela nunca os terem conhecido, ou ouvido falar deles.
Então convencia Abigail de que, meus pais eram ambos importantes empresários de comércio exterior, por isso não paravam em casa, viviam viajando para diversos países, indo a diversas reuniões. Mas achavam que a filha não fazia parte das obrigações deles. E também achavam que ela deveria ter uma vida normal. Então a casa deles ficava sob responsabilidade da filha que recebia uma bolada de dinheiro todo mês para suprir suas necessidades, incluindo alimento, casa, carro e escola.
Abigail acreditou sem ao menos questionar. Para ela eu era a adolescente podre de rica, abandonada pelos pais que tentam suprir sua ausência com dinheiro. Para os de mais do bairro, eu era uma importante filha de mafiosos que ficava ali por proteção da família. As teorias sobre minha família ficavam cada vez mais engraçadas,
Abigail mais uma vez parecia decepcionada.
- Mais que pena. Eu adoraria poder conhecê-los.
- A culpa não é deles, acredite.
- Não, tudo bem, eu acredito. Só é uma pena ainda não tê-los conhecido. – Ela sorri amarelo, logo depois diz – Mas o que faz aqui tão cedo?
- Vou para escola junto com a Nick.
Não sei dizer qual das duas ficou mais surpresa. Se era Abigail me olhando surpresa, ou era a Nick com brilho nos olhos.
- Isso é sério, Sely? – Pergunta Nick me olhando de um jeito que faz meu coração doer.
- É isso aí pequena, vou estudar junto com você a partir de hoje.
- Mas e sua antiga escola, Selenia? – Pergunta Abigail intrigada.
- Decidi me mudar para ficar mais perto dela – Digo sorrindo para Nick.
- Oba! Oba! Sely vai estudar comigo!
Nick adorou a ideia. Sua alegria era tanto que fez com que uma pequena lágrima brotasse de meus olhos. Que por sorte ninguém percebeu, pois Nick já me puxava pela barra da camiseta.
- Vem Sely! Vem logo, a gente vai se atrasar - Ela implorava manhosa. Seu tom de voz fez com que eu risse.
- Tá bem, vamos. Até mais tarde Abigail.
- Até, Selenia. Tchau filha, se cuida. – Diz Abigail se despedindo.
No caminho para a escola, Nick conversava alegremente sobre a escola e seu teste para as lideres de torcida.
De longe já dava para avistar o emblema em cima do colégio. O prédio era um pouco rústico, com sua tinta cor de abóbora descascada, um impecável jardim e com um belo e grande campo de futebol, bem ao lado STANFORD HILL, com certeza era um dos melhores colégios de toda a Califórnia.
Estamos passando pelo jardim quando eu paro e me sento em baixo de uma árvore de tamanho e tronco igualmente grande.
- Sely, não! Levanta daí agora!
- Por que Nick? O que aconteceu?
- Não pode sentar aí, não é seguro.
- Como assim não é seguro? - Ela começa a ir direto ao ponto que eu queria.
- Ela vai nos matar!
- Quem vai nos matar?
- Taylor – Diz botando a mão na boca, percebendo que acabara de falar de mais.
- Essa é a menina que te bate? Taylor, é ela? – Digo olhando-a seriamente.
Sem ter muitas opções, pois já havia falado quase tudo o que eu queria. Ela aponta e diz
- É aquela ali a Taylor. E com ela estão suas amiguinhas sem vida própria, que a seguem feito uns cachorrinhos.
- É tudo que eu precisava saber.
Continuo sentada em baixo da árvore despreocupadamente, tirando os fios soltos do meu calção quando apareceu ao nosso lado uma garotinha da mesma idade de Nick, com os cabelos loiros, finos e lisos, presos num rabo de cavalo. Sua franja reta acompanhava a linha de seus óculos que juntos escondiam grande parte de seu rosto branquinho com pequenas sardas espalhadas em torno do nariz.
- Quem é ela? – Aponta para mim, mas sem tirar os olhos de Nick.
- Ela é minha irmã mais velha – Diz alegremente, sem duvidar do que acaba de dizer.
Mesmo de cabeça baixa, escondido por trás do boné, sorrio ao pensar em sua resposta “ela me considera sua irmã”.
- Sely, está aqui é minha amiga Jenna.
- Oi, prazer Jenna – Digo ao olhá-la melhor.
Mesmo parecendo um tanto alarmada ela aperta minha mão.
- Vocês enlouqueceram? – Jenna nos olha incrédula – Se a Taylor as ver aqui, ela vai matar vocês duas.
- Eu disse a ela. Mas quem disse que a Sely me escuta?
- Ninguém vai matar ninguém, relaxem vai ficar tudo bem. – Digo as duas sabendo que é verdade.
Volto a tirar os fiapos de meu calção quando Nick agarra meu braço e o aperta.
- Ela nos viu, está vindo para cá… Eu disse, é tarde de mais.
- Estamos mortas! – Completa Jenna.
Continuo de cabeça baixa, sem me preocupar. Pois não há nada com que se preocupar. Nick se aconchega do meu lado e Jenna faz o mesmo.
Alguns segundos depois vejo um par de botas a minha frente, junto com quatro outros de tênis de marcas.
- Olha Rilly, as pirralhas estão ficando abusadinhas de novo, além de sentar aqui, ainda trazem uma amiga – Ela fala de um modo sarcástico e debochado. Sua risada surpreendentemente parece com a de uma criança que acaba de ganhar uma Barbie.
Nick agarrava-se ao meu braço, tremendo de medo. Jenna no outro. Eu continuava seriamente de cabeça baixa.
- Ei novata, qual é o seu nome? – Perguntou uma delas.
Eu continuava a ignorá-las.
- Acho que ela perdeu a língua – Diz a com tênis vermelho.
As demais riem e apenas concordam. Como Nick havia dito, um bando de cachorrinhas na coleira.
- Mas acho que temos que reensinar as pirralhas as regras deste lugar. Depois cuidamos da muda aí. – Diz apontando pra mim e avançando na direção de Nick. Quando vejo que ela está a poucos metros de Nick, me levanto tão rápido que no meu lugar forma-se um borrão. Pego no colarinho de Taylor e a puxo bem perto. As outras com a minha inesperada reação, ficam sem ação, paradas imóveis com os olhos arregalados.
Olho bem nos olhos dela e digo:
- Se você ousar encostar um só dedo em Nick. Eu juro que se arrependerá até o último fio de cabelo seu!
Sem dar chance de resposta, eu a empurro no chão. Fazendo com que ela tropeçasse duas vezes antes de cair e se estatelar no chão.
Quando enfim suas amigas saíram do transe que entraram quando eu agarrei Taylor, quando pensaram em reagir, o sinal da escola toca, impedindo que elas continuassem. Taylor enfim se levanta, tira a poeira da roupa, aponta o dedo para mim, abre a boca para falar algo, mas no último segundo, desiste.
Saem caminhando em direção a porta da entrada, todas entram, Taylor fica por último, mas antes de entrar ela se vira para mim e passa lentamente o polegar pela garganta, olha fixamente para mim antes de se virar e entrar.
- O que foi isso? – Jenna nos olha incrédula. Depois volta a olhar para a Nick – Sua irmã é demais!
Sorrio com sua resposta.
- Vamos meninas, eu sei que vocês ainda tem aula e… eu também – “Eu acho” – Vamos, não podem se atrasar.
- Ah… Tudo bem – Falam as duas.
Vou andando com elas até a porta de entrada, entramos juntos.
- Bem meninas, vocês sabem as suas salas, eu tenho que ir para a minha também. Vejo vocês depois.
Olho para a Nick.
- Mas e a Taylor? – Ela fica tensa novamente.
- Não se preocupe com ela. Ela não fará mais mal a você – Depois olho no relógio – Vai, você vai se atrasar.
Ela apensas assente e sai correndo e indo em sua sala. Eu agora, sozinha no corredor, não sabia o que iria fazer. “Bem, só me resta ir para aula… Eu acho”
E vou me arrastando pelos corredores até chegar a minha suposta sala e abro a maçaneta.
As próximas duas horas foram as mais entediantes de minha vida, não porque a aula era ruim, mas é porque não faz parte da minha natureza ficar parada, sentada, esperando. Quando enfim a Sr. ª Matilde para de explicar as mil e uma formas de classificar uma cebola, o sinal toca me libertando daquele tédio. Ficar ali fez com que eu me esquece-se de alguma coisa importante, eu só não sei o que, é algo sobre… NICK!… TAYLOR!
- Ah, droga!
Saio correndo pela porta quase atropelando todo mundo, chego até a sala de Nick, quando vejo que ela já está vazia.
- Ahh não.
- Está me procurando?
Ela sai de trás de mim com seus livros pressionados contra o peito.
- Ah você está aí – Sorrio aliviada.
- Sim, onde mais estaria?
- Eu não sei – Digo disfarçadamente.
- Ei, que aula você tem agora?
Pego minha tabela, pois não havia decorado os horários.
- Hã, Educação Física.
- Sério? Eu também, vamos, eu te mostro onde é.
Ela pega minha mão e vai me levando até chegar em um grande ginásio, onde um grupo de meninas estava de um lado e outras se posicionando na quadra.
- Eu já volto, vou trocar de uniforme.
Fui até o vestiário e peguei uma roupa para execícios azul-marinho, que quando vesti até que não ficou tão mal. Volto à quadra e percebo que só falta eu me juntar a elas.
- Eu escolho ela. – Uma garota aponta para mim. Ela usava um aparelho daqueles gigantes, e seu jeito de andar era um pouco desengonçado. Sorriu para mim, o que deixou seu aparelho maior do que já era.
- Oi, sou Samantha, mais pode me chamar de Sam.
- Prazer Sam, sou Selenia – Sorrio retribuindo sua gentileza.
Quando vou para minha posição, vejo que Taylor faz essa aula comigo e está do lado adversário. Quando também percebe minha presença, sorri de forma doentia.
Quando finalmente soa o apito da treinadora, bolas e mais bolas vem em nossa direção, acertando diversas companheiras minhas do time. Taylor faz a maioria dos acertos que são louvados pelas suas fiéis seguidoras. Quanto a mim, me esquivo com facilidade dos arremessos do adversário. Agora só resta eu e Samantha no time. Taylor que acabara de pegar a bola como um gato, vem correndo e acerta em cheio a boca de Sam, quebrando em parte seu aparelho, mas o suficiente para deixá-la muito ferida. Ela cai para trás de bruços, cobrindo a boca, tentando esconder o filete de sangue que escorria de lá. Eu me ajoelho ao seu lado e tento ajudá-la a se levantar. Com a boca ensanguentada e morrendo de vergonha após a humilhação que acabara de passar, ela levante relutante, procurando esconder seu rosto. Ela se livra de meu braço e sai correndo em direção a saída, ainda contendo as lágrimas.
Logo depois que sai, eu me viro e pego a bola “até agora eu havia deixado, mas isso… Isso não vai sair barato”
- Então você quer jogar Taylor? Okay, que comece o jogo.
Com força, arremessei a bola que acerta em cheio sua companheira bem no estômago, que contorce-se no chão.
Taylor a olha e depois volta seu olhar para mim, pega a bola e com toda sua raiva, a joga em minha direção, que passa a centímetros de meu rosto, eu a pego e devolvo eliminando mais uma. E assim vai, uma a uma elas foram eliminadas até que só restam eu e Taylor.
Ela está com a bola quando vem correndo, pula e com toda a sua força joga a bola. Eu a pego e sem dar tempo dela pensar, a jogo com toda força acertando-a no rosto, igualmente como ela fez a Sam.
Taylor é arremessada a um para trás, caí de costas batendo fortemente a cabeça no chão.
- Vitoria! – Grita uma garota na arquibancada, que acabo reconhecendo como uma das minhas companheiras de time – A vitória é nossa.
Todo o meu time vem ao meu encontro, gritando vitória. Milhares de abraços e hurras para mim e meu time. Até que Taylor se levanta, vem marchando em minha direção cerrando os dentes de raiva. Empurra todo mundo até chegar a mim e me acertaria um soco se eu não tivesse me esquivado para o lado, eu a empurro, ela vai tropeçando para trás até encontrar apoio nos de mais que ali estavam para assistir a disputa.
Ela veio novamente para cima de mim, mas foi impedida pela treinadora que a segurou por trás. Ela se debatia enquanto gritava:
- Isso não vai ficar assim! Você vai ver, guarde minhas palavras…
Ela foi retirada do ginásio pela treinadora.
- Ela pirou de vez, não? – Perguntou Nick a mim.
Dou de ombros, não me importo, ela teve o que mereceu.
- Sabe que ela não vai deixar como está, ela vai se vingar – Nick diz engolindo a seco.
- Não se preocupe quanto a isto, vocês duas ficaram bem, eu prometo, quanto a mim, eu dou o meu jeito.
- Espero que esteja certa, que pela cara que ela fez, isso foi a gota d’ água para ela.
- Relaxem meninas, vai ficar tudo bem.
Nick sorri amarelo, não levando fé alguma em minhas palavras, já Jenna sorri empolgada, parece ser a única a ter gostado da provocação à Taylor.
- Vem, temos que ir pro refeitório antes que bata o terceiro sinal.
Nick pedia com os olhos um tanto preocupados.
- Certo.
Digo seguindo as duas até chegar ao refeitório, as duas pegam iogurte, eu encho minha bandeja com frutas e pudim e uma caixinha de suco.
Não pretendo comer tudo aquilo, mas pretendo dar a impressão de que sim. Me sento junto com elas. Comemos as três silenciosamente, Jenna devorou seu iogurte em menos de um minuto, Nick tomava aos poucos, com cara de quem não consegue tomar mais um gole sequer.
Sem sinal da Taylor ou seus cãozinhos de estimação.
Logo depois que terminamos nossas refeições, nos dirigimos para sala de aula. Mais três horas de puro tédio.
Definitivamente assistir aula não é o meu forte. Quer dizer, eu até entendo as fórmulas de química, álgebra e posso até dizer que sei dissecar um sapo. Mas o simples fato de ficar parada no mesmo lugar por mais de horas, simplesmente me leva a loucura.
O meu instinto é ficar ativa, alerta, preparada para qualquer situação, não sentada, tentando entender guerras, da qual eu já “lutei”.
Após ter terminado todas as aulas, vou me dirigindo até a saída onde marcara de encontrar a Nick. Vejo-a balançando seu longo cabelo castanhos escuros. Só de vê-la, já me sinto mais aliviada.
- Pronta pra ir?
- Sim, só estamos esperando a mãe de Jenna vir para buscá-la. – Depois diz com a voz quase num sussurro – Ela tem medo de ir sozinha por causa da Taylor.
Apenas assenti, porque afinal de contas, ela tem razão.
De repente um carro preto para em nossa frente, o vidro abaixa e por detrás dele revela uma mulher loira de óculos grandes e aparentemente desconfortáveis.
– Vem Jenna, vem logo, você tem consulta as 4 horas, ah, oi meninas – Depois se direciona a Nick e a mim.
- Hã, olá – Respondo apenas isto, pois não conheço, nem ao menos sei o nome.
- Estou indo mamãe – Se vira para nós para poder se despedir – Tchau Nick – Depois me olha e sorri feito cúmplice -– Tchau Selenia. Adorei o que você fez hoje, já te disse que sou sua fã?
Dou uma gargalhada curta e tento conter o riso
- Ainda não – E volto a rir.
- Bom, agora você já sabe. Até amanhã.
E sai correndo dando a volta no carro, que assim que ela entra, arranca a toda velocidade.
Olho para Nick com as sobrancelhas arqueadas, surpresa por ver a mulher tão calma no volante, mas assim que tem a oportunidade, pisa fundo no acelerador, arrancando a toda velocidade.
- Então tá né – Dou um risinho – Vem, vamos pra casa.
Nick pega minha mão e vamos andando pela calçada tranquilamente, quando ouço passos atrás de nós.
- Você não acha que iria ficar por assim mesmo, acha? Que viria aqui no primeiro dia de aula e me humilhar como se eu fosse uma qualquer?
- Eu não acho nada. Eu apenas sentei debaixo da árvore com a Nick e você veio em nossa direção nos provocar, eu apensas a defendi – Digo sabendo que era verdade.
- Eu até a ignoraria, mas depois daquela bolada em meu rosto, ah, aquilo nunca, jamais deixaria barato! – Diz me fulminando com seu olhar – Já passou da hora de você aprender sua lição.
Diz pondo fim a conversa, partindo para cima de mim, suas amigas vinham logo atrás. Isso era a última coisa que eu queria, nunca quis que chegasse a esse ponto, mas Taylor estava me obrigando a partir pra ofensiva.
Não podia bater naquelas garotas, um simples soco meu poderia tirar-lhes a consciência, derrubado-as no chão. Além do mais, odiava a ideia de Nick me ver batendo em outras garotas, por isto, tomei a melhor solução que eu poderia ter.
Mantive Nick atrás de mim e logo quando Taylor iria me acertar um soco em meu rosto, eu me viro a tempo de segurar seu braço na metade do trajeto. Torço-o para o lado, fazendo com que ela gritasse de dor. Depois a empurro para manter a distância. Suas amigas pensam em reagir e ajudá-la, mas ficam paralisadas ao ver sua “mandante” estatelada de costas no chão. Taylor mais uma vez se levanta e vem na minha direção, que com a leveza perfeita e flexível como sou, elevo a cabeça abaixo do joelho da perna direita, subindo com a esquerda em sentido horário, acertando em cheio o rosto de Taylor, arremessando-a metro de distância. Que perde a consciência ao encontrar o chão.
- Nossa! Você viu isso?
- Vi sim Jack!
Olho para o lado e vejo que o time de futebol americano acaba de assistir ao embate meu e de Taylor.
Fiz mais do que devia, minha ideia de passar despercebida no colégio não deu muito certo. Tenho que sair daqui agora, antes que eu chame mais atenção do que já fiz.
Enquanto as amigas de Taylor tentam ajudar ela a se recuperar, e o time conversa sobre nossa briga. Eu aproveito a oportunidade, pego pelo braço de Nick, desprendo o skate preto na parte da frente da mochila, subo nele e me abaixo.
- Vem! Sobe nas minhas costas, rápido!
Mesmo amedrontada pela ideia de estar nas minhas costas e eu em cima de um skate, que começa a pegar embalo, ela sobre sem questionar,
Descemos as ruas na maior velocidade, sem se preocupar com carros ou pessoas que por ali andavam. O coração de Nick batia muito forte e rápido, não sabia dizer se era por medo ou emoção de praticamente estar quase voando. Ela apertou fortemente seus braços em volta de meu pescoço e suas pernas entrelaçadas em minha cintura.
Por sorte eu possuía grande equilíbrio, e destreza. Fatores que ajudaram as decidas serem mais leves.
- Nós vamos morrer! – Nick gritava.
Quando olho pra frente, me dou conta do que ela quis dizer com aquilo.
A rua acabara e ali havia um forte cruzamento de carros impossível de se atravessar, mas eu avisto uma placa.
- Perfeito!
Bem no último minuto, eu passo a mão pelo ferro que a sustentava fazendo a curva perfeitamente, sem nenhum arranhão. Posso jurar que escutei um “UFA!” atrás de mim.
O resto do caminho foi tranquilo. Chegando em casa, salto já com o skate na mão.
Nick vai correndo para dentro de casa e quando eu entro, escuto:
- Mãe! Mamãe! A Sely bateu numa menina na escola hoje.
Abigail largou a tigela de chilli e se vira de olhos e boca arregalados.
- Não foi bem assim, eu…
- Ela me salvou mamãe. – Diz Nick acalmando sua mãe.
- Ahh, minha nossa, eu pensei que… Ah, deixa pra lá. - Sorri ao voltar para seu chilli.
Nick vem ao meu lado.
- Sely, hoje foi tudo bem, mas e amanha?
- Amanhã será um novo dia, mais aja o que houver, vou sempre estar ao seu lado. Sempre.
Ela sorri e me abraça.
- Ei, que tal brincar de pic?
- Sim, sim, tá com você.
Diz isso e sai correndo.
Balanço a cabeça, feliz com o dia de hoje. Mesmo sabendo que amanha veremos a Taylor do mesmo jeito. Sinto me mais tranquila ao saber que estarei lá, ao lado de Nick para poder ajudá-la, defendê-la e proteger de todo ou qualquer coisa que queira lhe fazer mal.
Nick agarrava-se ao meu braço, tremendo de medo. Jenna no outro. Eu continuava seriamente de cabeça baixa.
- Ei novata, qual é o seu nome? – Perguntou uma delas.
Eu continuava a ignora-las.
- Acho que ela perdeu a língua – Diz a com tênis vermelho.
As demais riem e apenas concordam. Como Nick havia dito, um bando de cachorrinhas na coleira.
- Mas acho que temos que reensinar as pirralhas as regras deste lugar. Depois cuidamos da muda aí. – Diz apontando pra mim e avançando na direção de Nick
Lua POV: a professora ia falando os grupos,mais eu nem prestei atenção ! tava olhando pro Arthur ! como uma pessoa podia ser tão linda e perfeita à quele ponto ?
Professora: Blanco ! *ela me chamou*
Lua: presente ! -turma riu-
Professora: você fará grupo com Aguiar,Fronckowiak,Rocha,Abrahão & Borges , ok ?
Lua: uhul ! ok ! sem problemas !
Mel POV: ok , eu já podia morrer ? o Chay tava no meu grupo ! oh,que maravilha !
Thur POV: eu,no grupo de Lua Blanco?ah,com certeza esse trabalho ia ser o melhor!
Chay POV: não acredito ! eu no grupo da Mel ! beleeza ! -ele olhou pra ela e sorriu-
Mica POV: de novo eu ia ficar com a Sophia no trabalho ! o que era muito bom ! amo ficar perto da minha princesa !
Soph POV: aaaaaaaaa , eu , de novo com o Micael ! que tudo,eu perto do meu namorado ! e , eu sinto que esse trabalho vai dar o que falar ...
* sinal , imaginem um sinal da escola de vocês,ou qualquer outro ! *