Tirinha 145

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Tirinha 145
Capítulo 145
Capítulo 145 - Festa do Fred Parte 2
Pela cara da mina, ela tava mesmo a fim de discutir. Eu também sempre to a fim de discutir, às vezes fico torcendo pra terem uma opinião diferente da minha só pra dar início à treta. E quando digo treta, também é no bom sentido, como quando alguém não concorda com o que tu acha sobre política, ou sobre música, ou qualquer outro assunto que dê margem pra discussões (muitas vezes saudáveis). Me divirto indo contra os outros. Mas essa mina... Ela tava a fim de "treta" no mais puro sentido da palavra mesmo. Pena que eu tava achando tudo engraçado demais pra argumentar. !: Vai ficar rindo? To falando contigo. Eu: Não, foi mal. Hahaha! É que eu... Eu não consigo parar de rir. Simplesmente. Não consigo. HAHAHA! Não dá! Por algum motivo, ela não encarou aquilo como apenas um cara bêbado numa festa que perdeu a noção do que tem graça. Algo nela me dizia que ela enxergava minha risada como uma ofensa pessoal. E pode crer que não era. Mas fica difícil explicar quando tu cisma que tua hora de morrer chegou, e que vai ser de tanto dar risada. !: Olha pra mim. Vê se eu to rindo. Eu: Mano... Hahahaha! Pega tua cerveja. Foi mal. Foi muito mal. Eu saí da frente da geladeira com certa dificuldade, limpando as lágrimas que escorriam no canto dos meus olhos com o pulso. O Luc tentava não rir, mas também ficava difícil pra ele com um idiota feito eu do lado. Eu: Olha como meu pulso é fino. HAHAHAH! OLHA ISSO! Luc: Thom... Hahaha. Vamos pra lá. Eu: OLHA ESSE PULSO, CARA! Eu não sei dizer a razão até agora, mas naquele momento eu achei que fazia muito sentido mostrar meu pulso fino pra uma guria que queria me matar. Eu: OLHA ISSO! HAHAHAHAHAHAHAHAH! Cadê o Matt? Chama o Matt. Eu vou perguntar se eu tenho algum problema. !: Tu tem vários problemas. - ela abriu a geladeira. E naquela hora eu cismei que a guria tava enchendo meu saco de graça. Eu já tinha deixado bem claro que eu tava bêbado, o que livra qualquer pessoa de ser totalmente responsável por seus atos idiotas, pedi desculpas, saí de frente da geladeira... E ela ainda tava querendo brigar. Eu: Eu to achando que tu é que tem algum problema comigo. Ela pegou a Heineken na geladeira calmamente, fechou a porta e me encarou de cima a baixo. Era uma guria magra, mas com estrutura grande, "ossos largos", por assim dizer. Com certeza o diâmetro do pulso dela era maior que o meu. Ela tava usando uma camiseta de número três vezes maior com uma estampa descolada, shorts jeans, meias que tampavam toda a canela e tênis. O cabelo escorrido ia até o meio da cintura. Não era feia, mas não fazia muito meu estilo. Ainda mais depois de parecer tão chata. Eu tenho um pouco isso: às vezes a guria nem é tão gata, mas tem alguma coisa que me faz achar graça, tipo ser legal pra caralho. Essa não era uma dessas. !: Acho que sim. Eu levaria um pau dessa mina, tinha consciência disso até bêbado, mas meu orgulho falou mais alto. Ele sempre fala. Fechei a cara e tava pronto pra perguntar o que ela tava fazendo na festa do meu melhor amigo sem eu nunca tê-la visto na vida, mas duas almas caridosas fizeram o trabalho da pacificação por nós. Isso mesmo, não só uma, como duas almas caridosas. Uma delas, é claro, era o Luc. Ele entrou na minha frente e foi me levando pra trás dizendo coisas que eu não entendi, mas que tinham um tom baixo e calmo. Na frente da guria treteira, entrou uma outra guria, que parecia bem mais frágil pela estrutura corporal, mas bem mais forte de consciência. ! 2: Bru, relaxa. A gente tá na festa do cara. - falou a pacificadora pra treteira. "Bru". Claro que a mina chata ia se chamar Bruna. !: Ele que é folgado pra caralho! ! 2: Tu já pegou tua cerveja, não pegou? Sucesso! - ela bateu palmas de forma irônica, meio que parabenizando a amiga por ser uma idiota. - Vamo lá fora. !: E a festa nem é dele! ! 2: Nem é tua. Vamos fumar. Cadê meu isqueiro? A Bruna versão hip hop tirou um isqueiro do bolso e pareceu ter se distraído com aquilo, tanto que saiu andando sem nem olhar pra trás. Eu continuei parado olhando as duas saírem enquanto o Luc tentava me impedir de me mexer, como se eu fosse fazer alguma coisa. Eu tava anestesiado demais pra fazer qualquer coisa. Luc: Pronto? Passou? Senti meus olhos secarem e me lembrei de que precisava piscá-los. Minhas pálpebras se fecharam e abriram como se fosse preciso girar uma manivela pra que aquilo acontecesse. Devagar... Bem devagar. O Luc ficou falando enquanto eu piscava, mas só ouvi o final da frase, quando me dei conta de que ele tava conversando comigo. Luc: Tu ia fazer o que, meu? Bater na guria? Tá doido? Eu bateria se a amiga dela não fosse tão, tão bonita. Luc: Hein?! Percebi que eu só tava respondendo dentro da minha cabeça. Eu: Quem é aquela mina? Luc: Que mina, Thom? Tu ouviu alguma coisa que eu falei? Eu: A baixinha. De regata preta. Luc: Ela é do teu tamanho, cara. - ele olhou pra trás. Eu: Eu sou baixo. Fiquei olhando enquanto ela ia embora. Até o jeito como ela andava era bonito, trançando as pernas fininhas, dando tapas amistosos nas costas da amiga briguenta. O cabelo bem preto num corte reto até o ombro, uma parada meio Cleópatra. A pele negra e brilhante. O vão que formava no meio das pernas finas e terminava num shorts jeans curto até demais. O piercing no nariz. Luc: Nunca vi essa mina. Eu: Nem eu. E ela saiu pela porta da sala segurando um cigarro já aceso. Eu: Nem eu. Luc: Tu já disse isso. Mas ei, tu precisa te acalmar. Toma uma água. Eu: Tu viu que ela tinha um piercing aqui? - coloquei os dois dedos dentro do nariz. Luc: No... Como chama? Septum? Eu: É. No septo. Aqui a gente fala "septo". Luc: Não vi. Eu: Ela é amiga do Fred? Cadê o Fred? O Luc apontou pro mesmo lugar onde eu tinha visto o Fred antes: em cima do sofá no canto da sala, dançando com mais quatro gurias. O Damian Marley tinha dado lugar às músicas de uma rapper britânica que o Fred curtia. Pelo visto todo mundo sabia cantar a música, menos eu. Eu: E o Matt? Cadê o Matt? Minha brisa tava pesada, mas ela deu uma trégua pra eu me lembrar de que o Matt tava passando por uns dias ruins. Ficava preocupado em deixá-lo sozinho. Queria estar por perto para ter certeza de que ele tava se divertindo, por mais difícil que fosse. Luc: Eu vi ele passando por aqui, mas agora não sei onde ele tá. Eu: Faz pouco tempo? Luc: Foi mais ou menos na hora que tu tava discutindo com a guria. Eu: Eu não discuti com ela. Abri a geladeira pra pegar uma cerveja pra mim. Quando vi o interior todo verdinho de garrafas e latas de Heineken, meu coração acelerou. Tem umas cenas da vida que ficam na tua cabeça pra sempre, e essa vai ser uma dessas. Luc: Beleza então. Hahaha. Eu: Quer uma? - perguntei já estendendo uma cerveja pra ele. Luc: Quero, né? O Luc tem essa mania engraçada de falar "né?" quase que o tempo todo. Ele acha que é uma expressão muito característica da nossa língua, e se sente um perfeito nativo quando a pronuncia. Abrimos as cervejas e ficamos bebendo enquanto conversávamos sobre a vida. Senti que a cerveja deu uma aliviada na minha brisa de erva tensa, por incrível que pareça. Depois de conversar com o Luc sobre cervejas, a correria pra conseguirmos o open bar de Heineken, a exposição de arte que ele tinha conseguido participar na semana passada, uns amigos novos que ele fez na festa de um tal de Knor, chegamos no assunto do Matt. O Luc não sabia se ria ou chorava sobre a guria ter botado fogo nas coisas do Matt. Eu: Pior que o Tomate ainda deu carona pra gente pegar as cervejas da festa de hoje. Luc: Hahahaha! O Matt falou alguma coisa? Eu: Ele já entrou no carro pedindo desculpa, segundo o Fred. Não deve ser fácil entrar num carro que nem é teu riscado com o teu nome seguido de um palavrão. Luc: HAHAHA! Coitado. Que menina desequilibrada. Tipo, quando tu fica com raiva, dá mesmo vontade de fazer umas coisas assim, mas tu não faz, né? Hahahaha! É isso que separa os surtados dos não surtados. Eu: É foda. To preocupado com ele. Espero que ele tenha sumido pra riscar algum item da lista do Fred. Luc: Lista do Fred? Eu: Não te contei disso? Depois de tudo isso, o Matt ainda foi atrás da ex namorada dele num bar ontem. Luc: A guria de óculos? Como ela se chama... Larissa? Eu: Isso. Luc: Eles terminaram faz tempo, não faz? Eu: Mais ou menos. Ele parecia bem com isso. Pelo menos por fora. Fato é que ele foi atrás dela num bar ontem, mas chegou lá e encontrou a guria com outro cara. Luc: Puuuutz. - ele encostou a latinha gelada na própria testa. Eu: Foda. Mas pediu também. Luc: Pediu? Como assim pediu? Eu: Porra, ir atrás da guria assim? Ele nem sabia o que tava rolando na vida dela. A chance de encontrar a mina com outro cara era grande. Luc: Parece alguém que eu conheço. Eu: Mas eu não tenho juizo. O Matt tem. Luc: Hahahah. Tá certo, Thom. Eu: Foi foda. Acho que ele tá mais na bad por isso do que pela maluca que destruiu o guarda-roupa dele. Luc: Imagino que sim. Um móvel tu conserta mais rápido do que um coração estragado. Eu: "Estragado" não é um adjetivo que a gente costuma usar pra "coração" aqui. Luc: Faz de conta que eu faço poesia. Eu: É. Fica estilo. Coração estragado. Luc: Hahahaha. Ei, não é tua amiga? O Luc apontou pra um ponto atrás de mim, e eu olhei pra ver quem era. Logo reconheci o cabelo loiro da Vicky, que parecia um peixe fora d'água naquele lugar. Eu: Caralho, a Vicky. Ela veio mesmo. Luc: Qual o problema dela vir? Eu: Não sei. Ela não tem cara de quem sairia de casa numa segunda-feira pra vir numa festa na casa do Fred, se é que tu me entende. Luc: Até aí, o Matt também não tinha cara de que ia agir feito um bucetão. Eu: HAHAHA! Não é bem nesse contexto que a gente usa a palavra "bucetão", mas ficou bom também. Poesia, certo? Luc: Tu vai comprar meus livros ainda. Acenei pra Vicky, que me viu rápido, e veio andando na nossa direção com um sorriso. Pareceu que tínhamos a resgatado. Ela me cumprimentou com um abraço e deu um beijo no rosto do Luc. Eu: O que tu tá fazendo aqui? Vicky: Ah... Me chamaram, eu vim. - ela sorriu e deu de ombros. Por cima da cabeça dela, pude ver o Fred ao fundo dançando com incontáveis gurias em cima do sofá, segurando uma garrafa de Absolut. Eu: Certo. Luc: E aí... - ele tossiu antes de continuar. - Se inscreveu naquele curso? A Vicky demorou um pouco pra responder, até sacar do que o Luc tava falando. Vicky: Ah! Nossa, tu lembra disso. Não, ainda não. - ela riu parecendo sem graça com a boa memória dele. Eu: Que curso? Vicky: Ah, é besteira. Tu vai achar besteira. - ela riu mais ainda. Luc: Quer uma cerveja? Ela fez que "sim" com a cabeça. Pelo visto, tinha acabado de chegar. Quando o Luc abriu a geladeira pra pegar a cerveja pra ela, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi "caralho, agora ela vai ver o Fred pegando sete gurias ao mesmo tempo bem atrás de nós". Não que isso fosse algo surpreendente vindo do Fred, mas até onde eu sei, a Vicky tá ficando com ele. Não seria legal ela ver aquela cena. Mas quando olhei pra trás pra assistir a novela que seria tudo aquilo, o Fred brotou do nosso lado, sozinho, segurando dois drinks azuis. Fred: Pediram um Lagoa Azul aqui? Ela abriu um sorriso de orelha a orelha quando o viu. Pulou em cima dele como se fosse cair de um precipício e o pescoço dele fosse a única coisa capaz de salvá-la. Ele a abraçou de volta e deixou respingar o líquido azulado no chão. O Luc ficou segurando as duas cervejas e olhando, petrificado, enquanto eles se amavam do nosso lado. Peguei uma das latas da mão dele e abri. Eu: Valeu. Luc: Por nada. Ela e o Fred saíram abraçados enquanto ele apontava pra todos os cantos da casa, provavelmente mostrando os detalhes da festa com orgulho pra ela. Luc: É, cara. Eu: Sim. Luc: Esse mundo tá no fim mesmo. Eu: Largou as noventa e nove gurias dançando no sofá pra pegar uma só no chão. Luc: Já to vendo o meteoro chegando no planeta Terra. Eu e o Luc pegamos mais umas cervejas na geladeira e decidimos ir pro lado de fora da casa, onde devia estar melhor pra respirar. A festa já tava bem lotada, e ninguém tava nem aí sobre fumar lá dentro ou lá fora. Acho que era por isso que a casa do Fred tinha um cheiro permanente de cigarro. Lá fora, encontramos o Gab conversando com uns caras da pista, e fomos até lá. Ele me agradeceu mais umas trezentas vezes por tê-lo ajudado a fugir, mesmo sabendo que a mãe dele descobriria mais cedo ou mais tarde, e que ele estaria fodido. "Mesmo assim, tu é o melhor irmão do mundo, cara", ele repetiu umas mil vezes. Claramente já tava bêbado. Aproveitei desse amor todo do Gab pra fazê-lo buscar cerveja pra mim o tempo todo, e até que deu certo. Em uma hora eu já tava com a ponta do nariz dormente. E nada do Matt. Eu tava começando a ficar preocupado com aquilo. Naquele período do lado de fora da casa, encontrei uma galera, troquei ideia com uns caras que eu não via fazia tempo, conheci pessoas novas, e nada do Matt. Eu: Quando tu disse que foi a última vez que tu viu o Matt mesmo? Luc: Lá dentro. Ele passou do nosso lado. Eu: Depois tu não viu mais? Luc: Não que eu lembre. - ele limpou com a mão a cerveja que escorreu no canto da boca. Onde tá esse porra? Ele costuma sumir nas festas mesmo, é normal, mas com as coisas que aconteceram nos últimos dias, eu ficava com receio de onde ele poderia estar ou o que ele poderia estar fazendo. O Luc percebeu minha aflição quando comecei a olhar pra todos os lados à procura do Matt. Luc: Tu acha que ele foi embora? Eu: Eu prefiro que ele tenha ido embora do que encontrar ele desmaiado no banheiro. Luc: Hahah. Conhecendo bem o Matt, tem mais chances de ele ter ido embora do que enchido a cara. Ele não faz muito o tipo autodestrutivo. Eu: Não sei, de verdade. Ele anda fazendo umas coisas que não costumava fazer. Luc: Talvez ele esteja só de boa num canto, conversando com alguém. Espera um pouco. Se ele não aparecer, tu liga pra ele. Eu: É, pode ser. Luc: Ele vai se sentir sufocado se tu ficar correndo atrás dele o tempo todo. Eu: Pode crer. E eu sei que ele me deixaria de boa se eu estivesse na bad. - suspirei. - Só não quero que ele se sinta sozinho, tá ligado? Luc: Tu já tá bebasso, né? Eu: Se pá. Hahahaha! Luc: "Não quero que ele se sinta sozinho". Hahaha. Eu: Não, mas é real. Uma coisa é tu escolher ficar sozinho, seja pra pensar ou pra recuperar as energias. Outra é tu se sentir sozinho, deixado de lado. Luc: Tenho certeza que ele sabe que pode contar contigo. Eu: É, sei lá. Fiquei pensando naquilo enquanto o Luc conversava com os outros caras na roda. Queria tanto que essa bad do Matt passasse logo. Eu tenho esse problema de ficar ansioso em fases ruins da minha vida, e to fazendo o mesmo com o Matt. Quando alguma merda acontece comigo, eu fico na bad, até curto um pouco da fossa, fico remoendo, relembrando, sofrendo... Mas não dura muito tempo. Depois de alguns dias, ou mesmo horas, parece que eu me sinto na obrigação de ficar bem. Não me permito ficar triste. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. É bom porque me recupero rápido das bads, mas ruim porque eu não respeito o "período de luto", como dizem. E às vezes, se tu não respeita esse período, a bad não passa. Tu pensa que ela passou porque tu se sente bem, mas no fundo, ela ainda tá lá, porque tu não esperou tempo suficiente pra que ela passasse. Sei lá. É o que o Luc sempre me diz, pelo menos. Fato é que eu espero que a bad do Matt passe logo, mas como ele é um ser mais evoluído que eu, vai viver esse período de luto e ficar na bad o tempo que for preciso. Só espero que não seja muito tempo. A vida é tão curta pra tu ficar se martirizando. Luc: Relaxa, Thom. Tu tá muito em choque. Ele tá bem. Se não estivesse, já teria procurado tu ou o Fred. Eu: É... Acho que sim. Luc: Ei, é open bar de Heineken, lembra? - ele abriu um sorriso. Eu: Hahah! Pode crer. Nenhuma outra coisa que ele dissesse teria me deixado tão feliz. Eu: Bro, tu pega outra? Gab: Nossa, cara... Já fui cinquenta vezes. Eu: E vai mais cinquenta, pô. É o irmão mais velho que manda nessa porra. Fabinho: Hahaha! Larga de ser folgado, Thommo! Ô, Gabs, nem vai! Irmão mais velho que manda é o caralho. Obviamente o Fabinho era o caçula de quatro irmãos na casa dele. Dei risada e resolvi entrar pra buscar minha própria cerveja. O Gab já tinha sido útil por bastante tempo. Luc: Traz uma pra mim também. Eu: Beleza. Ric: Descola uma pra mim também, Thom. Eu: Tenho duas mãos só, vão se foder. Ric: Ahhhhhh! HAHAH! Eu: É isso aí. Hahaha! Saí mostrando o dedo do meio, mas ia trazer a cerveja dele. Sempre cabe mais uma embaixo do braço. A festa tava tão lotada que já tava se formando uma pequena fila pra entrar na casa. Porra, odeio quando as festas do Fred ficam assim... Mas ele curte pra caralho. Minha sorte é que eu conheço essa casa como ninguém - talvez até mais do que o Fred, e resolvi dar a volta pra entrar pela porta da cozinha, onde deveria ter menos gente. No caminho, passei por vários conhecidos, mas a maioria das pessoas eu nunca tinha visto na vida. Pelo jeito, a notícia da festa se espalhou mesmo, e o tal do Amaral não devia ter ficado nem um pouco feliz com isso. Quando vi o Dudu e a galera dele sentados na grama, tive certeza disso. Até a galera da WA tinha colado em peso. Como eu imaginei, tinham menos pessoas em frente à porta da cozinha, mas ela também não tava vazia. Alguns empurrões depois, consegui entrar. Seria muito complicado ir até a geladeira que tava na sala, então resolvi arriscar na geladeira da cozinha mesmo. Era open bar de Heineken, caralho, devia ter alguma coisa lá. Uma guria passou e derrubou catuaba na minha blusa, mas eu tava bêbado demais pra me importar. Talvez eu fique puto amanhã quando acordar fedendo a álcool. Quando cheguei perto da geladeira, tinha uma guria fuçando o congelador. A porta do congelador tava tampando o rosto dela, então ela não ouviu quando pedi licença pra passar. Achei melhor esperar ela terminar de fazer o que estivesse fazendo. Depois de alguns segundos, a guria tirou as mãos de dentro do congelador segurando duas garrafas de vodca importada, e fechou a porta com o ombro. Era a guria bonita amiga da que queria arranjar treta comigo. Quase que por instinto, levei meio que um susto quando a vi. Sei lá, fiquei surpreso. Não sei explicar. Ela, vendo minha reação, me encarou. Eu: Foi mal. Licença. Ela não esboçou nenhuma reação com o que eu disse, só desviou de mim pra passar e apoiou as duas garrafas na pia. Fiquei intrigado com o quanto ela me ignorou, e fiquei olhando enquanto ela tentava abrir uma das garrafas com as mãos. Olhei tanto que reparei num fio que saía do meio do cabelo dela e ia até um bolso do shorts. A guria tava de fone de ouvido? Que maluca. Pro meu azar, não tinha nenhuma Heineken na geladeira da cozinha. Eu teria que ir até a geladeira lotada da sala se quisesse umas latinhas. Mas antes, não podia perder a oportunidade de perguntar por que alguém usaria fones de ouvido numa festa. Limpei a garganta antes de falar. Eu: Tu tá de fone? Ela nem me olhou, provavelmente porque não me ouviu, e continuou tentando abrir a garrafa. Eu: Ei, tu tá de fone? - insisti, dessa vez acenando. Guria: Oi? - ela tirou um dos fones pra me ouvir. Eu: Tu tá...? Bom, deixa pra lá. Aquela pergunta ficaria um pouco idiota depois daquilo. Era óbvio que ela tava de fone. Ela deu de ombros, colocou o fone de volta e retomou a missão de abrir a garrafa. Ameacei sair dali, mas continuei intrigado. Alguma coisa me mantinha lá, com vontade de falar com aquela mina. Eu: Tu tá ouvindo música ou sei lá? Guria: Oi. Foi mal. O que tu disse? - ela tirou o fone de novo. Eu tava me sentindo um mala fazendo aquilo, mesmo bêbado. Odeio quando to de fone e alguém fica insistindo em falar comigo. Eu: Tu tá de fone de ouvido. Numa festa. Eu tinha que perguntar. Guria: Por que tu tinha que perguntar? Fiquei sem ter o que responder, olhando pra cara dela. Percebendo o desconforto que rolou depois daquela pergunta, ela tentou consertar. Guria: É... To ouvindo música. Prefiro minhas músicas. OK. Não tenho palavra melhor pra definir minha expressão facial nessa hora. Fiz cara de "OK". Mas como ela não colocou o fone de volta, enxerguei aquilo como uma abertura pra continuar conversando. Ou talvez ela só estivesse sendo educada. Não consegui distinguir na hora. Eu: Tá bem alto teu som, na real. To ouvindo daqui, mesmo com a música da festa. Guria: É pra não ouvir. - ela apontou pra própria cabeça. - Pra não ouvir minha cabeça. Mano. Que mina estranha. Acho que to apaixonado. Eu: Ah... - tive que dar risada. - Falou. Ela sorriu pra encerrar o assunto e voltou a tentar abrir a garrafa de vodca. Percebi que ela tava tendo uma certa dificuldade. Eu: Tu quer...? Guria: Não, valeu. Eu: Posso te ajudar a abrir, de boa. Guria: Não precisa. Continuei olhando enquanto ela tentava abrir, sem sucesso. Acho que ficamos um minuto naquela situação. Sem perguntar nada, peguei a garrafa da mão dela, e abri. Guria: Valeu. - ela riu, sem graça. Eu: Não que eu seja forte pra caralho, mas tu não parece ter muita força no braço. Guria: Acho que não. Ela finalmente tava parecendo mais à vontade em falar comigo. E ficava ainda mais bonita daquele jeito. Eu: Eu vim pegar uma bebida pros meus amigos, mas não tem nada que preste nessa geladeira. Posso pegar um pouco da tua vodca? Guria: Pode. Pode sim. Abri o armário pra pegar uns copos plásticos que eu sabia que o Fred tinha guardado. Eu: Tu trouxe duas só pra ti? - joguei um verde pra saber se a amiga maluca dela poderia aparecer a qualquer momento. Guria: Não. Uma é da minha amiga. Eu: Hm. Tirei os copos plásticos do armário e comecei a enchê-los. Guria: Mas ela sumiu. Eu: Normal. Guria: O quê? Eu: Os amigos sumirem. Guria: É, ela faz isso com frequência. Some. Terminei de encher os três copos e fechei a garrafa. Guria: E não só em festa. Na vida mesmo. Eu: Eu perdi um amigo hoje também. Mas ele só some em festa mesmo, na vida não. Ela sorriu, sem assunto. Eu: Só quando ele começa a ficar com alguma guria. Aí ele some. Guria: Típico. Eu: Mas durou pouco. Só até ela botar fogo no armário dele e riscar um carro com o nome dele. Guria: Típico. Sorri também. Eu: Agora ele tá em algum lugar lamentando isso. Mas não sei onde. Guria: É... Típico. Ela estendeu um dos copos pra mim, e eu entendi que deveria encher o dela também. Guria: Mas se ela fez isso, ela é quem deveria estar puta com alguma coisa, certo? Por que ele tá na bad? Eu: Ah, é que aconteceram outras coisas. A ex dele apareceu com outro ontem. Ela assentiu com a cabeça. Eu: Escrota pra cacete. Guria: Tu acha ela escrota por isso? Eu: To ligado que não faz sentido, mas fico puto de ver meu amigo na bad, e foi por causa dela. Guria: Ela não fez nada de mais. Eu: Ela que terminou com ele. Tudo bem que o motivo... Guria: O motivo não importa. Terminar um namoro nunca é um problema. Parei pra ouvir o restante. Guria: Alguém tem que ir embora primeiro. Eu não sei se foi o álcool, se foi a erva hidropônica, se foram esses dias malucos com o Matt... Mas quando aquela mina disse aquilo e me olhou, foi como se ela me enxergasse por dentro. Dei um gole na vodca pura encarando os olhos bem pretos dela, que pareciam dois buracos sem fundo. Não dava pra enxergar nem a pupila. Proximo post: 24/08 Galera, aproveitando, queria pedir um milhão de desculpas pelo atraso (de novo). Eu atrasei nas últimas duas semanas porque esses posts são muito importantes pro desenrolar da história, então eu quis escrever bemmmm dahora, li e reli mil vezes, mudei umas partes, e só postei quando tava 100% satisfeita hauah Pra compensar, o post de semana passada e esse tão bem grandes!! :D desculpa de novo e o post de segunda-feira vai sair na segunda-feira, fiquem tranquilos! já decidi oq vai rolar com toda certeza e agora é só postar. AGUARDEM FORTES EMOÇÕES HAUAH e vão me falando o que vcs tão achando nas redes sociais!! Ultimo recado: DOMINGO (23/08) vai rolar ENCONTRO PQOGSPN no RIO DE JANEIRO! Vai ser as 15h lá pelos arredores de Copacabana, que é onde fica meu hostel. Assim que eu souber onde vai ser o encontro, eu aviso vcs! Fiquem espertos lá no evento do facebook e no Twitter. Valeu amo vcs e desculpa a crise de criatividade das últimas semanas kkkk Espero que estejam curtindo tudo! :D adios