Capitulo 22
Alexia Narrando: Minha cabeça doía, minhas pernas doíam, meus braços doíam, e conseguia sentir o gosto metálico na minha boca. Ouvia vozes e via algumas luzes coloridas. Azul. Vermelho. Branco. Não conseguia abrir meus olhos direito, quem dirá mexer, pois a dor era tanta que eu nem tenho palavras para descrever. Então logo eu apaguei.
Hayley Narrando: Andrew não era de todo ruim, ele conseguia me alegrar e fazia com que eu me esquecesse da péssima amiga que eu era. Ele me fazia ter raiva, pois sabia que ele nunca faria isso com a Alexia, Andrew daria sua vida pela dela.
Andrew : Acorda para a vida, você viaja muito rápido!
Eu : Me perder em pensamentos já virou costume.
Andrew : Você viu a Alexia por aí ? Todos já foram liberados e ela ainda não apareceu por aqui.
Eu : Ela e o Nick devem estar juntos, já que ele também não apareceu por aqui.
Andrew : Faz sentido – Continuamos a conversar e logo o sinal tocou, pegamos nossas coisas e fomos para a sala, mas não antes de conseguir avistar a Bianca e a Dia conversando, e isso é fora do comum, pois Dia odeia a Bianca. – Parece que a monstrinha cresceu e resolveu dar uma trégua.
Eu : Muito estranho, a Dia nunca dá uma trégua.
Andrew : Eu é que não vou me meter, tenho problemas demais com uma loira, imagina com duas.
Eu : Ei, eu não sou problemática.
Andrew : Não disse seu nome, mas deve ter seus motivos para achar que eu estava me referindo a você.
Eu : Odeio quando você quer dar uma de espertinho – disse revirando os olhos.
Andrew : E eu adoro quando você revira os olhos – ele deu um sorriso e senti minha bochechas esquentarem na hora – Também gosto de ver o efeito que eu causo em você – revirei os olhos de novo e pude ouvir sua risada. Entramos na sala e nos sentamos, vi que a cadeira do Nick estava vazia e sua mochila também não estava ali.
Eu : As coisas do Nick não estão aqui. – cochichei para que só Andrew ouvisse, e logo ele já estava olhando para a cadeira da Alexia, e podemos ver sua mochila sobre a mesa, mas a pergunta que nós dois nos fazíamos era: Onde Alexia estava ?
Como se nossos pensamentos pudessem ser ouvidos, ela entrou pela sabe e disse que estava passando mal. Pegou suas coisas rapidamente e saiu da sala sem falar nada, olhei para Andrew e a preocupação estava estampada em seu rosto.
Eu : Fica calmo, ela só esta passando mal. Coisa de mulher.
Andrew : Lexi não tem essas coisas, conheço ela e sei que tem algo de errado.
Eu : Quer que eu vá atrás dela ? Acho que ainda da para alcançar.
Andrew : Não, se aconteceu alguma coisa é melhor dar um tempo para ela. – Assenti e fiquei quieta.
Não demorou muito e as aulas do dia tinham chegado ao fim, eu e Andrew saímos juntos e ele ia me deixar em casa. Paramos em frente ao banheiro e eu fui fazer minhas necessidades, quando voltei o Andrew estava com o celular na mão e chorava muito.
Eu : Ai meu deus, o que aconteceu ? – ele só conseguia chorar e eu peguei o celular da sua mão, a última chamada tinha sido do pai da Alexia. – Droga And, me fala o que aconteceu.
Andrew : Ela sofreu um acidente – ele chorou mais e eu não sabia o que fazer, então fiz a primeira coisa que me veio a cabeça: abracei ele.
Eu : Vai ficar tudo bem, agora nós temos que ir. Vamos atrás dela – ele assentiu e nós fomos até onde o motorista dele nos esperava, entramos no carro e ele ainda estava em estado de choque. Chegamos ao hospital e vimos o pai da Alexia andando de um lado para o outro, as lagrimas ainda caiam de seu rosto e assim que viu o And veio até nós.
Mauro : Meu garoto – abraçou ele e os dois choravam juntos. Em um canto mais reservado da sala eu pude ver o Nick, com os olhos vermelho e encolhido em uma cadeira.
Eu : Nick – ele olhou para mim e não sabia o que aquele olhar carregava, eram tantos sentimentos e não conseguia entender eles – Vai ficar tudo bem, ela vai ficar bem.
Nick : A culpa foi minha – foi só isso que ele disse – Foi tudo culpa minha, como sempre.
Eu : Você não teve nada com isso, não foi culpa sua.
Nick : Foi sim, se ela não tivesse me visto transando com a Bianca no banheiro ela estaria bem, estaria viva.
Eu : Droga Nick, ela não vai morrer, ela vai ficar bem. Vocês vão se resolver e tudo vai ficar bem. – Me sentei ao seu lado e o abracei.
Ficamos em silencio por um tempo, até que eu olhei para a porta e vi todos os pesadelos, as coisas já não estavam boas e ele só ia piorar tudo. Seu rosto mostrava ódio, preocupação e desespero. E para o meu azar, não fui só eu que notei sua presença.
Nick : O que esse bandido está fazendo aqui ? – sussurrou por entre os dentes e eu fui a primeira a me levantar.
Eu : Fica sentado que eu resolvo isso. – Fui até o Mase e quando ia encostar nele, ele explodiu.
Mase : Não encosta em mim Hayley, só quero saber como ela está, ONDE ELA ESTÁ ?
Nick : Como você sabe o nome dela ?
Mase : Ela não te contou ? – ele olhou para o Nick, que logo me encarou, mas voltou a olhar para o Mase. Naquele momento eu gelei, sabia que ele ia contar que estava compactuando com os planos dele. – Isso não importa agora, só vim buscar a Alexia – fez menção de que iria invadir o hospital, mas o Nick o segurou pelo braço.
Nick : Você só tira ela daqui passando por cima do meu cadáver.
Mase : Ótimo, faz muito tempo que eu estou querendo te matar, não vou ter problemas para passar por cima do seu cadáver. Agora me solta.
Mauro : O que está acontecendo aqui ?
Nick : Ele quer levar a Alexia, ele é um bandido.
Mauro : Minha filha não vai a lugar nenhum.
Mase : Você pode tentar me impedir, mas sua filha vai vir comigo.
Nick : Não vai mesmo, todos aqui vamos proteger ela.
Mase : Você ? Protegendo ela ? Poupe-me, ela está nesse hospital por sua culpa, porque você é um moleque que não vê o valor que ela tem, não consegue nem segurar o pinto dentro das calças por algumas horas. Você é um merda e ela esta aqui por causa de você, se estivesse onde ela devia estar nada disso estaria acontecendo, e eu não estaria prestes a perder o amor da minha vida. – Uma lagrima caiu do rosto dele, mas logo foi secada com o peito da mão.
Mauro : Menino, não importa quem você seja ou o que você ameace fazer, minha filha não vai sair desse hospital com você.
Mase : Okay, ela pode não vir comigo, mas eu vou entrar naquela sala agora e não vou mais sair dela.
Mauro : Ela esta em cirurgia, bateu com a cabeça muito forte. Espere com a gente que logo vamos ter noticias da minha princesa. Agora eu não quero mais confusão nesse hospital, minha filha pode morrer hoje e vocês estão brigando.
Mase : Não existe essa opção, ela não vai morrer.
Mauro : Não sei quem você é, mas sei que você não é Deus, não controla essas coisas.
Nick : Ele está longe de ser Deus.
Andrew : Cala a boca Nicolas, você está longe de ser um anjo. – Todos se calaram e se sentaram menos o Mase. Ele foi até a recepção e falou algo com a enfermeira que eu nem tinha notado que estava ali, e pude ver a expressão da moça e notar que ela era bem familiar. Dois homens de preto entraram e falaram com o Mase, e logo foram para o corredor. Mase se sentou mais afastado de nós, e logo depois eu pude ver um dos homens sair com um corpo coberto estirado sobre a maca, e o outro veio logo em seguida com um homem em uma cadeira de rodas. Eles passaram pelas portas e ninguém tentou impedi-los. Fui até o Mase e sentei-me ao seu lado.
Eu : Quem eram aqueles ?
Mase : Trabalham para mim, ia fazer uma viajem de negócios e diminui os seguranças da Alexia, foi a oportunidade perfeita para me atingir. Estava indo resolver esse problema, mas parece que eles estavam um passo a frente.
Eu : Eles quem ? Do que você está falando ?
Mase : Não foi um acidente, queriam matar a Alexia para me atingir, e eles quase conseguiram, mas meu homens chegaram bem rápido e conseguiram controlar a situação, mas ela já estava ferida. Só que eles não vão parar, eu tenho que sair daqui para contornar essa situação, mas não vou sair daqui sem ela.
Eu : Vai estar colocando a sua vida e a dela em perigo se não sair daqui, ela vai ficar bem.
Mase : Até quando ? Até virem outros caras para matar ela ? A única forma de deixa-la segura é se ela ficar comigo.
Eu : Você tem que sair daqui, nós vamos cuidar dela. Resolve isso logo e volta para ela.
Mase : É, você tem razão. Vou entrar em contato com você, quero noticias rápidas. Promete que vai cuidar dela ?
Eu : Claro que eu prometo, ela vai ficar segura conosco. – ele assentiu e foi até a porta do hospital. Voltei para o meu lugar e me sentei.
Nick : Por que você estava de papo com aquele marginal ?
Eu : Só estava fazendo algumas perguntas, você sabe que eu sou curiosa – depois desse nosso pequeno diálogo, Nick não abriu mais a boca.
Depois de algum tempo, o médico adentrou a sala de espera e olhou na direção do senhor Mauro com uma expressão péssima. Assim como eu, todos devem estar esperando a última noticia que queríamos ouvir.
Mauro : Doutor, como esta a minha filha ? – perguntou o pai desesperado, com o coração na mão.
Doutor : Eu sinto muito, senhor – o médico nem terminou de falar e o pai da Alexia já tinha desabado no chão aos prantos – Sua filha não morreu, fique tranquilo quanto a isso. A cirurgia foi um sucesso. – todos nós suspiramos aliviados, e logo o senhor Mauro já estava de pé.
Mauro : Como ela está ? Deixe-me vê-la.
Doutor : Aí que vem a péssima notícia, logo após a cirurgia pedi ao enfermeiro que levasse sua filha para um outro quarto. Quando fui ao quarto ver como ela estava, encontrei o quarto vazio, sua filha sumiu.
Andrew : Ninguém desaparece assim, ela estava desacordada, como ela saiu andando pelos corredores e ninguém à viu por aí ?
Doutor : Já pedimos para verificarem as câmeras, mas ainda não temos um explicação para isso.
Nick : Ela não passou por aqui, tem que ter alguma outra saída. – foi aí que uma luz acendeu na minha cabeça.
Eu : Só se ela passou por aqui sem ser vista – todos olharam para mim com um ponto de interrogação na cabeça, mas a mesma luz que acendeu em cima da minha, acendeu na cabeça do Andrew.
Andrew : Mase – a expressão do Nick se fechou e todos acompanhamos o doutor até a sala de vídeo. Pedi para colorarem nas câmeras da recepção, bem no momento em que um dos capangas no Mase passou com um corpo coberto e na maca. – Só pode ser ela. Mas como eles passam pela recepção com um corpo e ninguém fala nada ?
Doutor : Vamos chamar a enfermeira que estava na recepção – ele saiu pela porta e nós ficamos esperando na sala de vídeo. Logo o doutor voltou sozinho e fiquei sem entender muita coisa. – A enfermeira sumiu, o nome dela não estava na escala. A moça que fazia a escala anterior disse que ela era uma novata, mas ninguém a conhece.
Nick : Ela não brotou naquela recepção, olhem essas câmeras.
Mauro : Vocês são uns incompetentes, como um paciente some e um enfermeira que ninguém conhece aparece na recepção. – os seguranças procuravam nas filmagens a tal enfermeira. Vimos o exato momento em que as enfermeiras trocavam de turno, mas a desconhecida estava de costas para a câmera. O Mase foi até o balcão e conversou com a menina, mudaram o ângulo da câmera e aproximaram.
Andrew : Ella, essa safada ajudou o Mase a sair com a Alexia daqui, era tudo um plano. – sabia que aquele rosto era familiar, só não reconheci, pois o cabelo estava escuro e bem mais curto.
Mauro : Temos que ligar para a policia, não sabemos o que esse menino é capaz de fazer.
Nick : Não vai adiantar, ele já deve estar bem longe.
Mauro : Eu não vou deixar ninguém tirar a minha filha de mim.
Alexia narrando : Sede. Era o que eu mais sentia naquele momento. Também sentia um aperto forte na minha mão. Queria abrir os olhos, mas eles estavam muito pesados, e depois de muito lutar eu consegui abri-los.
Mase : Meu amor, vai ficar tudo bem, eu disse que ia proteger você.
Eu : Água – consegui dizer com a voz muito arrastada, pois minha garganta estava muito seca. Ele encheu um copo com água e me entregou, bebi devagar para não me engasgar. – Onde eu estou ?
Mase : Você sofreu um acidente, meus inimigos tentaram te matar, eles te acharam de alguma maneira. Mas agora vai ficar tudo bem, você vai ter um pequeno surto mas eu fiz isso para o seu bem.
Eu : Fez o que ?
Mase : Eu meio que te peguei emprestada sem pedir, e agora estamos indo para um outro país. – tenho certeza que arregalei os olhos.
Eu : Como assim estamos indo para outro país ? Você é maluco ?
Mase : Eu tive que te tirar daquele hospital, já estavam indo atrás de você e dessa vez iam conseguir te matar.
Eu : E meu pai ? O Andrew ? Como eles ficam ?
Mase : Ficam sem você, mas ficam seguros. Se você voltar para lá, não vai colocar só a sua vida em risco, mas a deles também. Vou resolver isso o mais rápido possível, e depois te levo para casa. – coloquei a mão na cabeça e respirei fundo.
Eu : Preciso falar com o meu pai, não posso sumir assim do nada. Me leva de volta para casa, não posso ficar aqui.
Mase : Você vai voltar para casa, eu deixo você ligar e avisar, mas não posso colocar a sua vida em risco, não aguentaria perder você. Já tive muitas previas de como seria isso e posso dizer que não foi uma experiência boa, não vou perder você para sempre.
Eu : Tudo bem, eu fico aqui por enquanto. Mas quando eu quiser voltar para casa, você me deixa ir.
Mase : Tudo bem, mas enquanto a gente estiver aqui, você promete me olhar de uma outra forma ?
Eu : Como assim de uma outra forma ? – ele se aproximou de mim e eu conseguia sentir sua respiração perto do meu rosto.
Mase : Desse jeito – e senti seus lábios nos meus, foi um singelo selinho, mas que serviu para virar minha vida de cabeça para baixo.
Eu : Você não pode bagunçar a minha vida desse jeito, droga. Você trás essas coisas de volta e eu não sei lidar com esses sentimentos.
Mase : E você acha que eu sei lidar ? Fico tão confuso quanto você, mas eu escolhi saber, eu quero saber até aonde nós conseguimos ir.
Eu : Nós sabemos como isso termina.
Mase : Não sabemos não, porque nunca teve um final. Nós sempre escolhemos fugir um do outro, mas isso não dá mais certo para mim. Eu quero você, e isso é a única coisa que importa agora. – droga, eu sentia a droga das borboletas no meu estomago. Sentia a voz da minha cabeça dando lugar à voz do meu coração. Ele batia tão rápido e tudo o que o Mase disse parecia fazer sentido. Então todo esse conflito interno se silenciou e eu ouvi certas palavras saindo da minha boca.
Eu : Nós vamos tentar, mas se não der certo eu não quero perder você. Porque de todas as pessoas que vieram você foi a única que ficou.
Mase : Tudo bem. – e ele deu aquele sorriso que só ele sabia dar.
Eu : Quero que você me prometa algo também.
Mase : Pode perguntar e pedir o que você quiser, menos a lua, uma estrela talvez eu consiga – sorri com a sua brincadeira.
Eu : Uma estrela cairia bem. – foi a vez dele sorrir.
Mase : Okay, vou mandar o pessoal roubar um foguete – revirou os olhos entrando no papel e eu comecei a rir.
Eu : Nem tentando você consegue ser o mocinho.
Mase : Você já pensou na possibilidade de eu não gostar do mocinho ? Venhamos e convenhamos que todos amam os vilões, ainda mais quando o vilão se apaixona – minhas bochechas coraram e eu sorri.
Eu : Sempre preferi os vilões.
Mase : Ganhei meu dia – nós rimos – O que você queria que eu prometesse ?
Eu : Não importa o que aconteça, você promete que nunca vai desistir de mim ?
Mase : Eu prometo, e você não precisa nem pedir. – ele chegou perto de mim e me deu mais um beijo. Logo depois me deu um celular e eu entrei em contato com o meu pai, avisei que precisaria ficar um tempo fora, mas que eu voltaria assim que desse. Ficamos um bom tempo no celular e acabei dizendo que estava com o Mase e que nós íamos ficar bem, mas ao invés de ouvir meu pai gritando comigo, eu ouvi a voz do Nicolas : Só queria te dizer que eu estou indo embora, não é para você me procurar, porque eu canse disso tudo.
Mesmo estando puta da vida com ele aquilo mexeu comigo. Porque eu sabia que escolhendo um, eu perderia o outro, e eu amava muito os dois. Me sentia como uma criança que acabou de perder o brinquedo favorito (Não que o Nicolas fosse um brinquedo, é apenas um metáfora), o brinquedo novo era ótimo, mas a saudade do antigo sempre estaria ali, intacta. E foi aí que eu percebi que os dois mereciam mais do que uma menina complicada como eu, e egoísta o suficiente para prender um deles nessa confusão de sentimentos que sempre esteve em volta de mim.
Até a próxima temporada.
Meus amores, chegamos ao fim da primeira temporada e eu queria agradecer a todos que acompanharam a historia até aqui, vocês são uns fofos e nada disso estaria acontecendo sem vocês. Desculpa a demora para postar os capítulos, sei que vocês querem me matar, e peço que continuem sendo pacientes comigo. Amo todos vocês e espero que acompanhem a segunda e última temporada (que ainda não tem previsão para sair). Deixem seus comentários, eles podem interferir na próxima temporada.














