A Alícia estava me tratando tão bem, dizendo coisas tão bonitas e fazendo de tudo pra que me sentisse melhor e por isso, a única coisa que eu conseguia pensar era no quanto ela era bonita. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo comigo, é claro que eu achava outras garotas bonitas, mas não do jeito que eu estava achando ela.
Enquanto ela falava eu só conseguia olhar pra sua boca. Porra, o que estava acontecendo comigo? Eu nunca havia me sentindo dele jeito por uma menina! Deixei um sorriso fraco escapar enquanto a ouvia dizer que o Gabriel não merecia meu sorriso e nem minhas lágrimas, que eu conheceria pessoas melhores que ele e que eu ficava mais bonita com um sorriso no rosto. Mas espera... Nós não éramos amigas e, mesmo vendo sinceridade nas palavras dela, senti que ela só estava dizendo aquilo por obrigação, sabe? O amigo idiota dela me magoa e aí ela tenta consertar as coisas.
— Alícia... Você não precisa falar essas coisas só pra... – Não consegui terminar de falar.
Ela simplesmente me puxou pra um abraço forte e confortável, e eu simplesmente esqueci que ela estava fazendo aquilo por obrigação, eu precisava de um abraço, então eu iria aproveitar.
Me aninhei em seus braços e a ouvi dizer que ela estava dizendo a verdade enquanto a sentia mexer em meu cabelo. Seu colo ela tão bom, tão aconchegante, tão... Acolhedor, que naquele momento eu só consegui pensar, de novo, no sentimento estranho que estava se aflorando dentro de mim.
— Fica comigo... – Pedi, mas ela aparentemente entendeu errado.
E então, sem medo de me arrepender, eu me soltei de seus braços e a encarei com nossos rosto próximos, tão próximos que nossas respirações se misturavam e eu já sentia o cheiro de seu hálito. Era um cheiro de álcool, mas era bom, e, sem pensar em mais nada, eu a beijei.
E nossa, eu gostei! Gostei muito, aliás. Ela levou um certo tempo até retribuir o beijo, com certeza não estava esperando, mas quando ela retribuiu eu percebi que seu beijo era bom, muito bom. Seus lábios eram grossos, mas tão macios...
Minhas mãos pousaram em sua nuca e arrastei uma delas até seu rosto, acariciando o mesmo devagar. Nossas bocas se encaixavam bem e nós tínhamos uma ótima sintonia. Ora ou outra, sua mão que estava no meio dos meus cabelos, puxava meus fios com um pouco de força, me fazendo arrepiar e alguns sorrisos involuntários escaparem.
Quando nossas bocas se desgrudaram minha respiração estava pesada e eu estava um pouco sem ar. Nos encaramos por alguns segundos enquanto eu arrumava meu cabelo que estava um pouco bagunçado e percebi que ela ainda me olhava um pouco assustada, mas havia também um pouco de desejo em seu olhar. E sabe o que havia no meu? Tudo, menos um pingo de arrependimento.
Mas de alguma forma senti que não devia ter feito aquilo, como disse, não por arrependimento, mas sim por medo de ela achar que eu a usei pra descontar minha raiva ou pra atingir o Gabriel.