★ 𝐒𝐚𝐢𝐲𝐚𝐦𝐚𝐧 𝐗1 ›


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★ 𝐒𝐚𝐢𝐲𝐚𝐦𝐚𝐧 𝐗1 ›
cap88 game seru
Capítulo 88
O pai do Ken olhava fixamente pra mim.
Ele parecia estar realmente com muita raiva . . .
"Giles . . . O que houve ?" minha mãe falava espantada.
"Vocês duas . . . Quero as duas longe do meu filho." ele falava respirando fundo.
"Mas . . . Ele sempre foi meu amigo de infância !"
"PASSADO ! O PRESENTE ELE NEM LEMBRA DE VOCÊ ! E É BOM QUE CONTINUE ASSIM !!" ele então berrou comigo.
Minha mãe tomou frente.
"Você sempre nos ajudou muito e sou muito grata a você, mas não pense que pode entrar na nossa casa e gritar com minha filha desse jeito !" Minha mãe berrou de volta.
Eu estava assustada mas empurrei calmamente minha mãe pro lado.
"G-Giles . . . Explica direito, eu e o Ken não nos falamos mais . . . Desde que ele teve a memória apagada."
"Ele me contou que uma menina louca de 1 olho só saiu abraçando ele na quadra." ali eu recordei do que o pai do Ken estava se referindo.
"Sim . . . Eu não sabia que tinham apagado a memória dele . . . Inclusive estava muito assustada com o número de ferimentos que ele tinha . . . COMO PUDERAM MACHUCAR ELE TANTO ?! COMO PUDERAM APAGAR TODA A MEMÓRIA DELE !? FOI A MEMÓRIA TODA !!! " eu estava começando a me exaltar quando ele me interrompeu.
"FOI ELE QUEM APAGOU A PRÓPRIA MEMÓRIA !" nessa hora eu e minha mãe ficamos em silêncio, ambas MUITO assustadas . . . Ken . . . Apagou a própria memória ?
"Giles . . . Como assim ??" Minha mãe estava muito atônita.
"Estavam tentando descobrir o que ele escondia . . . O que eram esses segredos que você e seus amigos estavam envolvidos.
Por varias vezes ele lutou com os agentes pra tentar fugir . . . Os ferimentos foram ganhos assim . . . Ele é bem treinado, e quase conseguiu fugir varias vezes. Tiveram que prender ele em uma sela intensiva.
Quando ameaçaram de usar um dos agentes com telecinesia pra entrar na mente dele . . . Ele atacou um dos agentes que estavam tomando conta dele, roubou o receptor, colocou na potência máxima e . . . Apagou a própria memória." quando ele falou aquilo eu comecei a tremer . . . O Ken fez aquilo por mim, por nós todos.
Ele sacrificou todas as memórias dele, tudo que ele era . . . Pra manter nosso segredo a salvo.
Aquilo me chocou, me desesperou demais e eu comecei a chorar . . . Sou chorona, admito . . . Mas a vida parece que gosta de me fazer chorar também . . .
Nesse momento o pai do Ken pareceu estar sem graça.
Era bom até certo ponto, pois ele chegou totalmente sem tato, e agora, estava mais calmo e gentil.
"Confesso que tentamos recobrar as memórias dele . . Mas . . . Foi em vão. Dificilmente memórias retornam depois que usa-se o Neuralyzer.A porcentagem é baixíssima de pessoas que recuperaram a memória."
"Não existe um aparelho que recupere a memória perdida ?" perguntei aos prantos.
"Existe . . . Mas está em fase de testes faz anos . . . " eu estava feliz de estar tendo uma conversa civilizada com o pai do Ken finalmente . . .
Após um silencio, já com tom mais calmo e um olhar mais sereno ele voltou a pedir.
"Por favor . . . Não se aproxime mais do meu filho . . . Pro bem dos dois . . .
Ele já sofreu demais a vida toda . . . Abusado pelos professores, desprezado pela garota que ele gosta, apanhando pra revelar informações confidenciais e mesmo assim no fim ele se sacrificou pelos amigos. . . Deixe que ele tenha uma vida normal . . . Longe de alienígenas, organizações e essas cosias estranhas . . . "
"Peraí . . . Você sabe dos abusos ?" Eu me espantei.
"Sim . . . E infelizmente, minhas denuncias foram todas em vão . . . Algo sempre as atrapalha e anula toda e qualquer denuncia que eu faça. E eu prometo pra mim todos os dias que vou me vingar . . . " ao ouvir aquilo eu senti um peso enorme . . .Era horrível pensar que o pai do Ken sabia de tudo . . .Pobre Ken.
"Enfim . . . Só vim pedir isso . . . Desculpe a grosseria e o incomodo . . . Não é nada contra vocês, mas . . . Eu precisava pedir isso, pelo Kentin." Antes do pai do Ken ir eu puxei ele e perguntei algo que martelou minha cabeça.
"Você não veio me interrogar ? Descobrir o que o Ken escondia ?" ele então deu um leve sorriso melancólico pra mim.
"Não . . . Se o Kentin fez tanta questão de esconder, é porque deve ser algo que eu não posso saber né ? Vou respeitar a vontade dele . . . Ele lutou pra manter o segredo de vocês, e eu vou respeitar isso.
Eu explodi com ele o suficiente quando soube tudo que ele fez de errado . . . Eu quase perdi meu cargo, mas agora . . . Acho que ambos pagaram o preço." Giles então saiu. Ele estava com os ombros caídos, uma postura que jamais vi vinda dele.
Ele realmente parecia triste. Deve ser um conjunto de coisas. Filho "traidor", pressão dos outros agentes em cima dele, a própria pressão de "cuidar" de mim e da minha mãe . . . Pobre Giles . . . Eu realmente queria fazer algo por ele, de verdade.
E se eu pudesse, sem duvidas voltaria no tempo e mudaria tudo que aconteceu com o Ken . . . Os abusos, minhas atitudes, TUDO . . .
Minha mãe parecia tensa mas tentava passar tranquilidade . . . Subi de volta para meu quarto onde o Armin se encontrava.
Ao mexer na porta reparei que estava trancada.
"Armin ? Não me diga que tá homenageando suas waifus no meu quarto ?!" Eu gritei.
Ele abriu irritado e pálido falou "Não sua ameba ! Eu estava com medo do pai do Kentin subir."
"Porque ele subiria ?" perguntei.
"Sei lá ! Investigação. Não sei pra que ele veio, só sei que ao ouvir os berros pensei que se ele me visse por aqui iria voltar a estaca zero. Provavelmente apagaria minha memória de novo e de novo . . . Daqui a pouco vão torrar meu cérebro."
"Ele veio pra pedir que eu não tentasse contato com o Ken . . . Aparentemente quem apagou a memória do Ken foi o próprio Ken . . . " Eu falei cabisbaixa.
"Como assim ?!"
"Sim . . . Ele queria proteger nosso segredo, e quando soube que iam fazer uma invasão no cérebro dele . . . Ele atacou um agente e apagou a própria memória na potencia máxima. . . ."
Nessa hora o Armin começou a rir sozinho.
"Hey ! O que foi !! ? Não falei nada engraçado !"
"Desculpa . . . É que você falou que iam fazer uma invasão no cérebro dele e eu imaginei aliens invadindo o cérebro dele e atirando lazer." Ali, eu vi a oportunidade de usar o extintor que o Armin me deu . . . NELE MESMO.
E por fim . . . Terminamos esquecendo os problemas e indo dormir depois de brincarmos e jogarmos coisas um com o outro e com o Charlie. . . Isso porque ele disse que ia investigar coisas mas ok.
Charlie tem sido um grande companheiro . . . Eu consigo entende com clareza agora todo o amor que o Castiel tinha por esse cachorro. Ele é fantástico . . .
No dia seguinte, para ir pro colégio o Armin parecia preocupado, ele havia acordado BEM CEDO.
Ele já tinha dormido algumas vezes na minha casa desde então mas, dessa vez ele parecia mais preocupado que o normal.
"Acho melhor eu ir na frente e bem cedo pro pai do Ken não desconfiar de nada . . . " ele falava apreensivo.
"Relaxa. Ele não tá atrás da gente. Além do mais, se quiser eu digo que você é meu namorado."
Armin gritou um "que ?" um tanto quanto agudo e irritante.
"Em que isso iria ajudar ? Você tem cada ideia . . . "
"Oras . . . Acho que você não sabe, mas quem tem relacionamento sério com alienígena é absolvido e pode manter a memória. Porque a pessoa normalmente já sabe, então isso não iria afetar o relacionamento nem a convivência do indivíduo com a organização. Enfim, assim ele sairia da sua cola. Se é que ele tá na sua cola . . . "
"Ah claro. E ele nem vai achar estranho você me namorar e namorar o Nathaniel ao mesmo tempo . . . "
". . . É não tinha pensado nisso . . . Ah qualquer coisa eu falo que nós três temos um relacionamento liberal."
"Não obrigado, deixa nosso menage pra próxima. Vou na frente pra me precaver." Armin então sacudiu meu cabelo de forma irritante, acariciou o Charlie e saiu.
Por eu ter acordado bem cedo por conta da inquietação do Armin, eu pude enrolar, mas o tédio e a ansiedade eram maiores, então logo me arrumei e saí.
Enquanto eu saía algo . . . ou melhor, alguém me puxou.
"O que meu pai queria com você ?" Era o Ken.
Eu estava assustada, não esperava por isso. Ken era a ultima pessoa que eu poderia imaginar vindo até mim.
"D-Do que você está falando ?"
"Ontem eu estava voltando do mercado quando vi meu pai saindo da sua casa . . . O que ele queria contigo ? Foi falar pra você parar de me importunar né ?" Ken dizia com as sobrancelhas franzidas.
"S-Sim . . . Mas . . . "
"Ele tem que parar de me tratar como um bebê . . . " Ken parecia chateado.
Mesmo me partindo o coração eu preferi seguir o que o Giles falou e não tentar nenhuma aproximação com o Ken.
Ele tinha razão, afinal, eu trouxe muito mal pro Ken . . .
Eu então tentei me afastar e ir em frente, estava chorosa como sempre . . . Confesso que detesto essa minha sensibilidade.
Foi quando o Ken me puxou.
"Você está chorando . . . Desculpa . . . Meu pai deve ter sido bem grosso com você . . . "
"Não imagina tá tudo bem !" Eu sorri e tentei sair, mas o Ken não me largava.
"Eu também fui . . . É que você me assustou me abraçando . . . Você me confundiu com alguém . . . ?"
"S-Sim . . . Confundi com um amigo meu que se parece muito contigo . . . Desculpe." e voltei a tentar seguir meu caminho.
"É que eu sou meio traumatizado com essas meninas que ficam se aproximando de atleta . . . Só naquele colégio teve varias. E elas ainda achavam sexy minhas cicatrizes conseguidas no exercito ! Isso me irrita !" É tão engraçado ver que o Ken esqueceu de tudo . . . E que eu sei de tudo mas não posso falar . . .
"Olha, talvez seu pai tenha razão, é melhor não nos falarmos ok. Desculpa de novo." Eu me soltei de uma vez e fui na frente.
Aquilo me partia o coração . . . Virar as costas daquela forma pro meu amigo e infância . . . Mas eu concordava com o pai do Ken, eu trouxe muita coisa ruim pra vida dele . . .
Em alguns minutos ele estava do meu lado de novo.
"O que meu pai falou pra você ? Você parece ter medo de ficar perto de mim . . . "
"Ken, na boa para de me seguir ! Meu namorado não vai gostar nada disso " eu falei tentando afastar o Ken.
"Ah mas eu não to fazendo nada de mais ! Só quero saber o que meu pai falou contigo! "o Ken parecia grosso e não parava de aumentar o passo cada vez que eu aumentava.
"Bom dia Kentin." Nathaniel mais a frente falou sorrindo enquanto se aproximava com a cadeira de rodas.
"B-Bom dia Nathaniel." o Ken pareceu nervoso.
"Nath ! Você veio ! Eu não acredito !" Eu então fui correndo até o Nathaniel abraçar ele.
"Sim . . . Pensei no que você falou ontem e decidi vir . . . O Kentin . . . ?" Nathaniel apontou discretamente pro Ken, logo entendi que ele queria saber se o Ken tinha recordado tudo ou ficado igual o Armin.
"N-Não . . . Depois te explico."
"Ele é seu namorado ? Você namora o de Cristo ?!" o Ken falou espantado.
"S-Sim . . . Porque ?"
"Nada . . . Desculpa perturbar sua namorada. Eu só queria saber o que meu pai tinha dito pra ela. Eu já me desculpei pelo mal entendido da outra vez . . . Desculpe novamente." Ken parecia apreensivo e ele parecia ter um respeito acima do normal com o Nathaniel.
"Tudo bem Kentin, sem ressentimentos. Ela me contou tudo já."
"C-contei ? Ah sim contei . . . Te confundi com meu amigo . . . " eu ria nervosa.
O Ken logo se retirou.
"Tá tudo bem ?" Nath perguntou.
"Sim . . . É que o pai do Ken foi ontem na minha casa pedindo pra eu me afastar do Ken . . . Aparentemente ele aparou a própria memória pra guardar nossos segredos . . . E o Ken viu o pai dele saindo e agora queria saber o que houve."
"Meu Deus . . . O Kentin fez isso por nós . . . ? Estou em sentindo horrível . . . " Nath parecia frustrado.
"Confesso que eu também . . . " Nós continuamos em direção a escola, que estava logo na frente, e Armin, estava no portão.
"Boreal ! Bom dia ! Quanto tempo !" ele dizia debochada mente.
"Engraçado você . . . "
Ele então virou-se subitamente para o Nathaniel.
"Então você é o Nathaniel ?" ele dizia olhando pro Nath e cima baixo.
"Ouvi dizer que éramos amigos né ?" Armin apesar de tudo sorria, ele parecia encantado com o Nath.
"Ouvi dizer que perdeu a memória né ?" Nath respondeu de volta.
"Sim, e eu ouvi dizer que você perdeu o movimento das pernas né ?" nessa hora eu quase bati no Armin.
Mas por espanto, Nath começou a rir.
"Você não muda . . . Podem apagar sua memória que você continua o mesmo."
"Bem, estou começando a achar coisas em comum na gente ! Você perdeu o movimento das pernas, eu a memória. No fim nós dois perdemos algo por culpa da Boreal." Nath ria ainda mais.
"Aliás, todo mundo aqui segue esse padrão, o Ken perdeu a memória também, o Castiel perdeu a vida . . . E vai indo."
"CHEGA NÉ ARMIN ?" Eu empurrei ele.
"Que seja. É muito bom conhece-lo de novo Nathaniel. Espero que sejamos amigos novamente." Armin parecia realmente empolgado com o fato de estar fazendo amizade com o Nathaniel. Não sei bem o que passa na cabeça dele, mas era bom ver aquilo.
Ao entrar tinha vários olhares em nossa direção e pessoas comentando, provavelmente por causa do estado do Nath.
Nathaniel não parecia desconfortável ou irritado, aliás, ele nem dava atenção pras pessoas.
Eu então coloquei a mão no ombro dele e ele sorriu gentilmente.
"Não se preocupe, eu já esperava por esses olhares e comentários. Mas estava cansado de ficar em casa . . . "
Nesse momento a Melody veio até nós assustada.
"N-Nathaniel ?! O que houve ???? Porque está nesse estado horrível ? Porque não está ajudando ele garota ???" ela olhava com fúria pra mim e desespero pro Nath. Aquilo me irritou.
Nathaniel pareceu irritado também, mas respondeu educadamente.
"Bom dia Melody. Sofri um acidente, só isso."
"Meu deus que horrível !! Qualquer coisa que precisar me chame . . . Aliás, vamos, vou te levar pro grêmio." No que ela foi pra trás da cadeira do Nathaniel inquieta e nervosa, o Nath deu meia volta com a cadeira de rodas e olhou fixamente pra ela.
"Obrigado pela ajuda Melody, mas eu não preciso. Aliás, vou por grêmio mais tarde. Agora vou sair com o Armin e a Boreal." nisso ele deixou ela e voltou a se mover.
"Ter gente sempre achando que você é um coitado é horrível." Armin falou.
"Horrível é pouco . . . " Nathaniel completou e seguimos nosso caminho.
Após caminhar até a entrada do colégio o Armin começou a falar.
"Bem . . . Temos nos encontrado sempre no terraço, mas como o Nathaniel está com esse pequeno problema, acho melhor irmos pro esconderijo mesmo. Só vamos evitar falar coisas comprometedoras demais." Armin dizia enquanto apontava pro esconderijo e saia de perto.
"Vai onde ? "
"Procurar o Lysandre e meu escravo, é óbvio" ele então saiu enquanto o Nathaniel olhava confuso pra mim.
"O escravo dele é o Dakota . . . " justifiquei rapidamente. Nathaniel pareceu achar engraçada a situação . . . E o titulo.
Eu e o Nath ficamos lá embaixo da árvore sentados.
Não falávamos nada, só ficávamos em silêncio sentindo a brisa.
"Ken parece ter muito respeito por você . . . "
"É . . . Normalmente é assim. As pessoas me tratam como um filho dos de Cristo e não como o Nathaniel só . . . Sempre me colocam como uma pessoa superior só por minha família ser rica e influente." ele parecia se lamentar, claramente não gostava da situação que ele vivia.
"Bem . . . É a primeira vez que vejo o Armin trata-lo assim. E confesso que eu nunca soube nada sobre sua família."
"É bom saber que se aproximou de mim independente de títulos e status"
"Eu to feliz que você decidiu vir . . . "
"Foi graças a você . . . As coisas que você falou. Não digo que to 100% bem, mas . . . Estou tentando."
Ali demos as mãos, ele não estava com um olhar feliz, mas parecia transmitir muito carinho no olhar, que involuntariamente me fez sorrir.
Nesse momento o Armin chegou com o Lysandre e o Dakota.
Lysandre estava com olheiras e olhava fixo pra nós dois . . . Pude sentir uma hostilidade no ar por parte dos meninos.
Lysandre e Nathaniel se encaravam, Dakota encarava o Nathaniel . . . E Armin . . . Sorria como se nada estivesse acontecendo. Eu conhecia o Armin, aquele sorriso dele era algo como "eba, treta".
"Acho que eu lembro desse loirinho ai . . . "
"É o representante da turma da Boreal, presidente do grêmio e dedo duro que você estava comentando outro dia. Aliás, namorado da Boreal e da família de Cristo." Armin completou, ele parecia estar provocando o Lysandre e o Dakota em um combo . . . É incrível como ele se diverte fazendo pequenas intrigas. Isso nunca vai mudar. Aliás, ele nunca vai mudar independente de memórias apagadas, certeza.
"Ah tá . . . Nossa. Como você faz tanta coisa numa cadeira de rodas ?" ele perguntou sem tato nenhum.
"Cadeira de rodas não impossibilita ninguém de nada. E outra, eu estou assim faz pouco tempo . . . " Nath parecia impaciente.
"Bem . . . Já que estamos reunidos. Primeiramente quero avisar que o Kentin apagou a memória sozinho. Ele queria guardar nossos segredos e com isso apagou a própria memória. Acho que Nathaniel já soube né ?" Nath só confirmou com a cabeça.
Lysandre parecia surpreso.
"Outra coisa que tenho que avisar é que o Nathaniel voltou. E bem, como o grupo tá um tanto quanto diferente da ultima vez, o que me inclui e inclui a Boreal, afinal ela agora é inteligente e eu sou um sem sentimentos concretos por vocês . . . Vamos ter que nos adaptar uns aos outros. Exceto o Dakota, esse aí é um zé ninguém, só é meu empregado mesmo." o Nath começou a rir e o Dake começou a soltar farpas pra cima do Armin.
Confesso que tem sido divertido ver a interação deles, me atrevo a dizer que o Armin está até gostando do Dake. Eu confesso estar gostando amis do Dake. Ele se tornou mais suportavel com a convivência. Mesmo que seja tudo culpa do Armin que "escraviza" ele em troca e manter o segredo, ele tem sido menos chato . . . Insistência continua ? Sim. Mas está mais suportável de todo modo.
Bem, na falta de uma ameba pra atormentar, ele arrumou uma ameba nova. Plausível.
"Por fim, Dakota me entregou um pen drive hoje que contém uma lista de alunos que ele pegou do tio." Armin então plugou o pen drive no note dele e começou a mostrar para nós todos a lista.
"Essa é uma lista padrão de controle de alunos . . . O que tem de mais ?" Nathaniel falou.
"Prestem muita atenção . . . Tem algo MUITO estranho . . . Se uma ameba feito o Dakota notou o erro, vocês vão notar. "
Nós olhamos fixamente quando . . . Parece que todos captaram ao mesmo tempo.
"Porque . . . Só tem alguns alunos ?" eu falei.
"Seria comum essa lista ter ou todos os alunos, ou os alunos separados por turma. Mas ao invés disso . . . São alunos sortidos. Eu, Nathaniel, Alexy, Boreal, e todos os que tem alguma relação direta ou indireta com essa situação toda . . . "
"Tem mais . . . " Nathaniel então apontou para um nome . . . Estava escrito Priya na lista.
"PRIYA ?! MAS . . . AQUELA PRIYA ??"
"Pois é . . . Achei suspeito . . . Não encontrei NENHUM ficha de nenhuma Priya no colégio. Essa Priya simplesmente não existe . . . Só na linha do Nathaniel." o clima ficou com uma tensão enorme no ar . . .
Essa lista . . . O nome da Priya . . . Tudo parecia ainda mais confuso . . .
Então o sinal bateu.
"Acho melhor irmos pra aula . . . Não podemos deixar exposto que estamos juntos e conspirando algo." Nathaniel completou.
"Sim . . . Sinto que vou adorar você." Armin sorria pro Nathaniel.
Ali eu hesitei de ir, e pensei em chamar o Lysandre pra pedir desculpas . . . Sendo que eu tive medo do Nathaniel se irritar ou algo do tipo, então só passei direto pelo Lysandre . . . Sabe, eu me senti mal com aquilo.
No corredor enquanto eu ia pra sala de aula eu chamei o Nathaniel no canto pra falar com ele da situação do Lysandre. Não quero mais esconder nada dele.
Da ultima vez que fiquei escondendo coisas dos meninos deu uma confusão enorme.
"Então . . . Eu falei pra você que o Lysandre escondia sobre seu paradeiro . . . Sendo que . . . Eu quero me desculpar com ele." Nath parecia apreensivo.
"Você faz o que quiser. Não estou te proibindo nem te controlando."
"É que não quero que pense algo errado ou que ache que estou escondendo algo. Hoje da hora da saída eu quero pedir desculpas pro Lysandre . . . Ele errou, mas eu reconheço, eu exagerei. Ele já está sofrendo o suficiente com toda a perda dele . . . Sabia que ele foi jogado no lixo pela mãe ?" eu completei.
"Eu fui jogado pra definhar na terra com minha familia, mas tudo bem. Faça o que quiser." ele parecia incomodado.
"Você tá irritado ?"
"Não . . . Só não consigo aceitar isso que o Lysandre fez . . . Mas se você acha que pegou pesado, tudo bem, vai em frente e se desculpe." Ele então entrou na sala e eu entrem em seguida.
O tempo parecia infinito, eu estava nervosa.
O dia hoje seria só de provas, o que significava que sairíamos cedo. Não tão cedo assim, mas um pouco mais cedo.
Nath acabou entre os primeiros.
Eu tentei enrolar o máximo que pude pra tentar ficar sozinha com o Lysandre mas ele saiu e logo entreguei minha prova também.
Teríamos o intervalo e após o intervalo pegaríamos nossas coisas para ir pra casa. A diretora dizia que queria avisar algo para nós no pátio.
Eu antes de ir a encontro da diretora procurei o Lysandre desesperadamente. E ele estava no pátio, já pra ouvir o aviso da diretora.
Cabisbaixo . . .
Cheguei perto dele pra me desculpar no meio da multidão mas . . .A diretora começou a falar.
"Lysandre . . . Podemos conversar na sala de aula antes de ir ?" ele afirmou com a cabeça e deu um sorriso tristonho . . . Aquilo me partiu o coração.
A diretora só avisou que o colégio entraria em uma pequena reforma nos próximos 3 dias e deu um papel assinado por ela.
Nos próximos 3 dias não teríamos aula.
Após o aviso dela, retornei para a minha sala pra buscar minhas coisas.
Pedi pro Nath ir na frente, ele sabia que eu iria falar com o Lysandre . . . Aquilo me deixou triste, pois era visível que ele não estava satisfeito com o fato de eu ficar a sós com o Lysandre.
Não tiro o direito dele, depois do Lysandre omitir sua vida, é complicado confiar.
Lysandre entrou na sala e ficou por lá, sentado em sua mesa como quem arrumava seus materiais repetidamente, ele estava como eu, esperando que todos fossem embora.
Quando finalmente ficamos sozinhos eu fui até a mesa dele.
"Lysandre . . . Me desculpa por ter sido grossa com você . . . " eu fui mais direta possível.
Lysandre estava em silêncio.
De perto pude ver que seus olhos estavam inchados, o aspecto de seu rosto era de quem mal tinha dormido . . . Ele estava péssimo.
"Eu . . . Sei que exagerei. Eu não devia ter dito aquelas coisas sobre nunca ficar contigo . . . Eu estava com a cabeça quente, desculpe."
"Eu errei . . . Eu reconheço . . . Desculpe . . .Passei dos limites, eu sei . . .
Você tem razão, eu teria raiva se você me escondesse o paradeiro do Castiel." ele falou.
A voz do Lysandre estava rouca. Era a primeira vez aquele dia que eu estava ouvindo sua voz de fato.
"Por favor . . . Não vamos estragar a nossa amizade. Eu realmente não quero isso.
VocÊ é um rapaz maravilhoso e me ajudou muito quando estive sozinha . . .
Mas . . . Não quero que confunda as coisas. "
Lysandre então sorriu enquanto dizia um tudo bem" gentil".
Eu não tinha muito o que falar, e estava muito sem graça.
Então me apressei para pegar minhas coisas na minha mesa e sair da sala.
Foi quando eu senti o Lysandre se aproximando . . . Ele me abraçou.
Não era um abraço malicioso ou algo do tipo. Me chocou, confesso.
Fiquei surpresa . . .
"Por favor . . . Não me abandona também . . . " ele dizia chorando.
Eu estava confusa de como reagir.
Se eu trataria tudo normalmente, se eu abraçaria, afastaria, não sabia o que fazer, estava totalmente perdida.
"L-Lysandre . . . Eu não vou te abandonar."
"Eu escondi sobre o Nathaniel porque eu sabia que ele ia passar a ter toda sua atenção . . . Eu estava adorando ter toda a sua atenção. Já foi insuportável aceitar dividir sua atenção com o Armin . . . " ali eu percebi o quanto o Lysandre era possessivo.
Algo que justifica muita atitude dele. Desde usar o neuralyzer na Rosa e no irmão até fazer planos pra manter o Castiel vivo.
Ele realmente gosta dessas pessoas,mas tudo que ele fez não foi por elas, mas sim por ele mesmo. Pra manter essas pessoas vivas e bem pra ele, não pra elas.
Eu estava dividida entre achar fofo e assustador.
"Lysandre . . . Eu estar com o Nathaniel não quer dizer quer vou te largar de lado."
"E insuportável saber que vocês estão juntos . . . ver vocês e saber que estão juntos . . . Não consigo lidar com isso." Lysandre chorava. Não era histérico, mas chorava bastante.
"VocÊ soube lidar quando eu estava com o Castiel . . . "
"Foi dificil . . . E eu não tinha tido todo esse convívio contigo ainda . . . Eu não vou pedir pra que largue o Nathaniel . . . Somente que não me largue." O Lysandre olhava fixamente pra mim.
Eu o abracei de volta e tentei por na cabeça dele que eu continuaria ali pra ele e que ele não precisava estar em um romance comigo pra sermos próximos.
Lysandre me abraçava de uma forma um tanto quanto intensa, como se não quisesse me soltar mais.
Ele segurava minha cabeça e chorava, era bem triste.
Mas acho que mais vale ele sofrer agora do que no futuro por um relacionamento sem futuro nenhum.
Eu então segurei o rosto do Lysandre fixamente, e olhando pra ele tentei acalma-lo.
Ele parecia uma criança.
Em momento algum ele me desrespeitou ou tentou algo errado, e achei aquilo ótimo.
E eu me admiro com o fato de estar tão próxima do Lysandre . . . Quem diria que um dia eu ficaria com o rosto tão próximo do dele sem vontade de beija-lo por exemplo.
Ele pareceu se acalmar com o decorrer do que eu ia falando . . . Mas nem tudo são rosas . . .
A Melody apareceu na porta.
Do ângulo dela ela provavelmente entendeu tudo errado . . .
E como eu e o Lysandre estávamos muito próximos, abraçados e olhamos MUITO surpresos pra ela . . . Aquilo só ajudou a nos "incriminar"
"Não acredito !!! Só porque o Lysandre anda e o Nathaniel não você vai trocar ele ??" Melody esbravejava na porta.
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Bonus
Capítulo LXXXVIII
- Ah meu Deus! Isso é tão incrível, eu estou tão, tão, tão feliz por você. – Daisy sentia-se esgoelada por sua mãe. Os braços finos, porém fortes de Lily abraçavam seu corpo magro e ela falava há quase cinco minutos de como estava feliz, de como aquilo era incrível. – Ah filhinha... Finalmente hein?
Daisy tinha que admitir que era um pouco aliviante. Ela olhou orgulhosa para o anel em seu dedo, e delicadamente afastou-se de Lily acenando com a cabeça. Finalmente! Finalmente eles estavam onde mais queriam e almejavam, seriam marido e mulher.
- Quando foi? Como foi? O que aconteceu? Conte-me tudo! – Lily puxou-a para o sofá.
Daisy havia convidado não apenas Lily, como também James, para ir ao apartamento do Kensington que ela dividia com Harry. Ele havia saído para resolver os últimos acertos Reais do noivado, já que muito em breve ele teria que voltar para Anglesey, o que não foi uma surpresa, mas Daisy estava tão feliz que não dera a mínima para o fato de que o serviço dele se estendeu até a primeira semana de janeiro e só então ele estaria liberado.
Aquele também, não era só um chá da tarde para contar aos seus pais ‘as boas novas’, mas também uma reunião de negócios, já que a cada dia que passava, o evento que eles estariam promovendo estava mais próximo – e aquele era o dia que Lily e James descobririam não só que sua filha caçula estava se casando, como também descobririam que teriam que trabalhar juntos.
- Ah foi simplemente maravilhoso... Foi no meu aniversário...
- Ah eu sabia! Eu sabia! Eu sabia! Ah aquele menino, ele é tão romântico Daisy... Tão carinhoso... Eu fico tão feliz que você tenha arrumado uma pessoa tão boa e que te trate tão bem como ele, mas enfim prossiga.
- Eu vou. – Ela riu e balançou a cabeça negativamente, enquanto levava a xícara aos lábios e bebericava a água quente com limão preparada. – De qualquer forma, foi no meu aniversário, foi muito romântico. Eu passei o dia inteiro fazendo compras e sendo mimada no Spa, enquanto ele dava conta de tudo. Ele fez um jantar a luz de velas no lugar que nos conhecemos, no clube de polo, jantamos a luz de velas, ele começou a falar um monte de coisas lindas, eu comecei a chorar e daí ele se ajoelhou e fez o pedido. Passamos a noite lá e acho que transamos umas três vezes!
Lily ainda de olhos arregalados e sorridente, analisava seu anel. Daisy a dirigiu um sorriso meio que triste, porque apesar de que ainda havia um anel de noivado e uma aliança no dedo de Lily, ela sabia que sua mãe há muito já não era mais casada com Carl.
Eles não dormiam no mesmo quarto... Quando Carl estava em casa, claro, porque ele estava passando tempo demais na Alemanha tratando de negócios. Ele havia pedido para Lily se mudar com ele e ela recusou, é claro que gerou grandes consequências.
Como ela ainda aguentava ser infeliz daquela forma, solitária, sem sexo, apenas gastando dinheiro com roupas, mas não ter ninguém para dizer que ela estava linda, Daisy não sabia.
- Mãe... – Começou lentamente. – Por que você ainda está com o Carl?
- Ora! – Lily riu e ergueu o rosto para olhá-la. – Daisy, eu já não estou mais numa idade boa... Eu não vou conseguir outro marido, um namorado no máximo. Até porque Carl não é tão ruim assim, ele... Ele é um homem bom.
- Eu sei que ele banca sua academia, sua dieta e seu cabeleireiro, sei que ele é gentil com você, mas isso basta? – Franziu o cenho, confusa. – Basta para você o título de viscondessa Hamilton e um relacionamento meia boca?
Lily deu de ombros e Daisy ficou um pouco impaciente. Ela queria uma resposta, queria entender e também poder saber como sua mãe se sentia, para talvez, futuramente, poder ajuda-la.
- Eu já senti o calor da paixão, eu já estive apaixonada, eu já me casei por amor, tive a experiência de ter dois filhos e... Tive a experiência do divórcio. Eu não quero nunca mais me sentir abandonada como me senti...
- Mãe... Foi há tanto, mas tanto tempo.
- Eu sei, mas ainda é vívido. Eu não quero passar por isso de novo sabe? Eu acho bom que eu não sinta borboletas no estômago toda vez que meu marido passa pela porta do quarto, porque assim, quando ele me deixar de vez não vai doer tanto, mas eu não vou tomar o primeiro passo pra isso. Está bom do jeito que está.
- Está suportável do jeito que está... Mãe, casamento não é isso.
Lily sorriu, muito mais amável do que a vadia de coração de pedra que Daisy havia crescido vendo. Muitas vezes, ela assemelhou sua mãe, na sua adolescência principalmente, a essas trambiqueiras, peitudas de filmes, contudo, sua mãe era boa... Ela podia ter muitos defeitos, ser imperfeita, ser difícil de lidar e ter aprendido a arte maternal um pouco tardia, mas ela merecia ser bem tratada, merecia ser feliz.
- Seu casamento não vai ser assim querida... Eu espero mais do que tudo que você seja tão feliz, quanto meu casamento foi nos primeiros anos. Eu espero que todos os dias você acorde ainda mais apaixonada, que seja uma mãe melhor do que eu fui, que Harry seja um pai melhor que o seu. Eu tenho muito carinho no coração por vocês dois e eu só quero que sejam muito, muito felizes! Sério, eu não preciso de um marido para me fazer feliz, talvez antigamente sim, mas não mais... Você e seu irmão são responsáveis por me fazer feliz todos os dias. Agora, vamos falar de vestidos e estilistas ok?
-x-
Ele sabia por qual motivo Daisy havia o convidado para o chá da tarde, ele sabia que era para dá-lo a grande notícia! Sua filha iria se casar, James estava bem ciente, porque o namorado... Ou melhor, o noivo de sua filha, ao menos tivera a decência de procura-lo para pedir a mão de sua moça.
Flashback
James não estava muito certo, mas imaginou que aquele era o dia que um pai – não importa que tipo de pai – mais temia chegar em sua vida. O dia em que ele tinha que olhar nos olhos de um homem e escutar as seguintes palavras:
- Eu quero me casar com sua filha, senhor.
Ele já imaginava que esse dia chegaria, claro, mas por mais egoísta que soasse, ele rezou muitas vezes para que Harry e Daisy atrasassem aquele momento, que algo acontecesse impedindo-os de apressarem-se tanto. E bem, aconteceu, aconteceu por três anos e meio quase! Mas já não dava mais para atrasar. Ela não era mais uma menina, ela era uma mulher formada e feita de 25 anos.
- Eu a amo senhor, eu a amo mais do que tudo.
Ele sabia que amava, ele não tinha duvidas que aquele cara na sua frente amava sua filha e talvez fosse aquilo que o assustasse tanto. O fato de que Daisy precisava mais do amor dele, do que o do próprio pai. Certo que só nos últimos anos, ele havia se tornado verdadeiramente pai, mas ele era egoísta por querer sua filha mais para si? Por querer que seu amor por ela já fosse o bastante?
- Eu sei que eu não sou o que o senhor quer para sua filha... Sei que você queria que ela se casasse com um cara “normal”, que ela fizesse pós graduação, mestrado, doutorado, que ela se tornasse professora e mudasse para Bristol para criar as crianças e assim você poderia sentir que está compensando a ausência na vida dela, para cuidar dos filhos dela.
Engoliu em seco quando escutou aquilo. O desgraçado agora lia emoções, imaginou e estreitando os olhos para ele, James alertou-o de que talvez ele devesse ser cuidadoso, que ele deveria tomar cuidado com o que estava falando.
Malditos militares... Eles apostam sem medo!
-... Mas a felicidade dela, é ao meu lado. É a mim que ela ama e quer passar o resto da vida, James e é com ela, que eu quero me casar. Eu fiz questão de falar com Nate e também faço questão de falar com o senhor. Tenho a bênção do seu filho, mas tendo ou não tendo a sua, quero que saiba que eu vou me casar com sua filha.
Ele disse aquilo com tanta convicção, com tanta certeza que fez James ter vontade de metê-lo um soco na fuça. Moleque exibido, príncipe dos infernos, playboyzinho... Nunca teve muita paciência para aquele tipinho.
Ele nunca gostou daquele tipinho... James nunca teve certeza, na verdade, se ele gostava de Harry.
Mas Daisy? Daisy o amava...
E se ela o amava... Se era aquele príncipe cachorro, que estava a arrancando de seu abraço protetor, mas que a faria feliz, ele não tinha outra opção.
- Você tem minha benção, a faça feliz ou eu corto seu pinto fora, garoto.
Fim do Flashback
Estava feito, ele percebeu quando a viu sorrir radiante e viu uma reluzente pedra no anelar dela. Ela estava noiva, iria se casar e impossível estar mais feliz que aquilo.
- Desculpe o atraso... O trânsito estava péssimo, como de costume.
- Bem, não é como se eu tivesse qualquer novidade pra contar ao senhor, não é? – Daisy disse significativamente e rindo.
Ele riu amarelo e acenou com a cabeça, a puxando para um abraço. Eles ainda estavam no hall de entrada e ele ainda vestia seu casaco, mas não tinha realmente um lugar certo para abraçar sua filha e deseja-la felicidades, não é mesmo?
- Parabéns querida... Você vai ser muito feliz, eu o disse que caso contrário, cortarei o pinto dele fora.
- Ah pai, muito desnecessário, mas obrigada. Eu serei muito feliz, porque já sou muito feliz.
- Bem, eu fico feliz por você.
Daisy riu e James deu de ombros, ela afagou seu cabelo carinhosamente e fez um sinal para que ele a acompanhasse. Ela havia o dito no telefone que tinha novidades e precisavam falar de negócios, como da novidade ele já estava ciente e realmente não tinha muita vontade de falar sobre aquilo, ele imaginou que talvez devesse falar de negócios, como o evento que estava a cada dia mais próximo – tanto o coquetel como a quermesse.
- Eu não te disse, mas eu consegui um novo patrocinador. – Contou-a. – Um amigo meu vai entrar com dinheiro... Ele é um advogado bastante renomado. Eu acho que você iria gostar dele.
- Isso é ótimo! Eu farei questão de enviá-lo, então, um convite para o coquetel.
- Seria plausível, não foi pouco dinheiro... Acredito eu que maior parte dos patrocinadores realmente queiram ser convidados para o coquetel. A socialite adora fazer graça para os aristocratas...
- Eu não entendo o motivo, já que dinheiro novo não é bem aceito por essa gente.
- São uns merdas, só isso. Mas esse meu amigo não, ele é bem sucedido! Seria de grande proveito para ele se apresentar, então, acho que você entende?
- Não se preocupe doutor Cooper, não vou me esquecer do cavalheiro. Ah sim! Você e aqueles estudantes de medicina, vão mesmo estar dispostos a fazer um mini atendimento médico no evento?
- Com todo o prazer! Eu já lhe disse!
- Explêndido... Harry também achou uma ideia fantástica.
Revirou os olhos impaciente, talvez devesse se acostumar... Aliás! Já havia passado da hora de James ter se acostumado. Aquele pé no saco agora ficaria pelo resto de suas vidas presente em seu cotidiano e provavelmente em tudo que sua filha fizesse.
- Mas então... – Suspirou e se jogou no sofá, franzindo o cenho para o chá e a terceira xícara disposta na mesa de centro. – Minha filha, por quê...
- DAISY! Seu celular está tocando!
De repente, a figura esguia e ruiva de sua ex-esposa apareceu na sala e primeiro James encarou sua filha, que mordeu o lábio inferior nervosamente e então encarou Lily que o olhava, provavelmente, da mesma forma que ele a olhava – com repugnância e confusão.
- O que é que você está fazendo aqui? – Perguntaram em uníssono, e responderam. – Não te interessa!
E eles então encararam Daisy que sorriu amarelo, juntou as mãos na outra nervosamente e disse-os naquela carinha deslavada.
- Er... Voltemos a falar de negócios?
-x-
Ele chegou aquela tarde em casa e foi recebido pelos latidos de Wonka, a musica alta e a visão maravilhosa de sua noiva no simulador de caminhada, enquanto assistia a vídeo clipes na TV da sala. Harry imediatamente sorriu, com a visão daquela bundinha malhada mexendo e com Wonka, embaixo do braço, ele se aproximou lentamente.
- Ah eu adoro ser recebido assim... Minha linda noiva usando leggings de academia, de top e com essa carinha de aborrecida.
Ele a ofereceu os lábios, querendo um beijo e ignorando o fato de que ela estava emburrada. E bem, ela também ignorou porque não só beijou-o como desceu do simulador.
Algo havia acontecido...
- Foi um dia puxado, ainda bem que você chegou. – Ela resmungou enquanto pegava Wonka no colo. – E espero que com boas notícias.
- As melhores de fato. – Ele disse tentando animá-la. – Está tudo conversado, temos uma reunião amanhã e começaremos com o processo de contratação da sua equipe e seus agentes de segurança, vamos anunciar semana que vem certo? Por isso, nada de sair em público com o anel e nós teremos uma entrevista com a BBC...
Os olhos dela se arregalaram e Harry sorriu, enquanto acariciava os braços expostos de sua noiva. Ele alargou ainda mais o sorriso... Sua noiva. Será que ele nunca se cansaria de usar aquele termo? Bem, ele tinha certeza que tanto quanto estava aproveitando o termo noiva, ele aproveitaria o termo esposa.
- Uma entrevista? – Ela repetiu ainda descrente. – Uau...
- Eu sei... É meio surreal, e está tudo bem se sentir assustada. Kate teve toda uma preparação antes, sua equipe vai lhe orientar devidamente e eles vão mandar as perguntas para serem aprovadas pelo Palácio primeiro, ok?
Daisy acenou com a cabeça, compreendendo. Ele suspirou, porque sabia que ela talvez tivesse um pouco de dificuldade com aquela parte – a parte em que ela deixava de ser um enigma para o povo e tinha que se tornar uma pessoa aberta.
Era a primeira vez que o povo iria escutar a voz dela, a primeira vez que eles iriam confirmar ou negar especulações e era primeira vez que eles estariam juntos oficialmente, noivo e noiva. Aquilo era sem sombra de dúvidas promissor, mas também assustador se parasse para pensar. Mesmo ele que já havia dado mais entrevistas do que conseguia se lembrar, sentia-se um pouco assustado.
Ele estaria jogando limpo, estaria permitindo que as pessoas participassem de suas particularidades com sua namorada, sendo que no namoro eles nunca deram qualquer brecha a mídia. Será que aquilo poderia afetar o relacionamento deles?
- Eu vou contar pro mundo inteiro de como o príncipe playboy come na palma da minha mão...
Harry riu e a risada de Daisy misturou-se com a dele, puxando-a pela cintura e escondendo o rosto no pescoço quente e exposto dela, ele agradeceu-a com beijos por ter quebrado o clima. Eles não deixariam nenhum temor afligi-los naquele momento.
- Vai ser fantástico... – Murmurou ela.
- Sim, vai ser, mas só porque é com você que eu estou me casando.
- Ugh, você é brega...
- Eu sei, é porque como na sua mão.
- Hmmmm melhorou...
- Você tinha algo pra falar comigo?
- Sabe o que é? Eu acho que podemos deixar isso pra depois... Eu posso estar precisando de uma mãozinha para me alongar.
Havia um olhar malicioso e sorriso zombeteiro nos lábios dela. Alongar que nada, ela queria era que trepar, Harry sabia e ele, que também não dispensava uma boa foda com sua noiva não pôde negá-la algo como aquilo.
- Vamos lá Cooper, vamos fazer uma abertura.
-x-
Vestindo a camisa dele e com Harry fazendo-a companhia, Daisy preparava o jantar e enquanto ela passava o bife na frigideira, simplesmente despejava em cima de seu noivo – ela nunca se cansaria de repetir aquilo – todo o fracasso da reunião daquela tarde.
Ela estava sinceramente devastada... Ela havia criado esperanças.
- Sabe, eu não entendo qual a dificuldade de serem pais civilizados. Antigamente eles se suportavam, mas agora simplesmente têm vontade de matar o outro! Eu preciso dos contatos do meu pai e preciso da habilidade de Lily para fazer tudo dar certo... Não dá pra eu me virar sem eles, não dá... Por que é que é tão difícil eles conviverem em paz? Por quê?
Harry estava preparando a salada – era a única coisa que ela o deixava fazer, porque honestamente, Harry embora preparasse um café da manhã divino, não era nenhum expert em almoços ou jantares – e tirou os olhos do palmito que picava, levando um pedaço na boca. Ele apontou a faca para ela, e disse descaradamente.
- Eu te avisei.
Daisy bufou e revirou os olhos, porém não o contrariou. Ele realmente havia a avisado de que não daria certo, mas ela tivera esperanças oras! Ninguém pode julgá-la por isso, ninguém pode julgá-la por ter esperado que eles deixassem a infantilidade de lado.
A verdade é que James e Lily só não haviam se matado no momento em que se viram, porque ela estava presente, mas isso não os impediu de trocarem farpas durante toda a reunião. Havia sido uma tragédia!
‘Você está pensando o quê Lily?!’ Era o que James gritava ‘Que patrocinadores e dinheiro caem do céu para você investir numa besteira dessas?! Não precisamos de tanta frescura!’.
‘O dinheiro é para ser usado! Você nem sequer entende disso Jimmy, fique quietinho’.
Eles apontaram o dedo para o outro, ergueram o tom de voz e Lily, é claro, não perdoou Babi – mesmo que ela nem sequer estivesse presente.
‘Mande um olá para a sua baranga... Digo, esposa’.
Era perturbador!
- Daisy, eu não sei porque começou com isso. – Harry balançou a cabeça negativamente. – Olha, seu pai tem os patrocinadores, a verba e o tempo investido certo? Coloque Lily de escanteio e explique a situação, ela vai entender.
Daisy olhou-o descerente e Harry sustentou o olhar e fez uma careta.
- É tem razão... Lily não é a pessoa mais razoável do mundo.
- Pois é e tem James, digo, meu pai... – Alguns hábitos eram difíceis de perder. – Ele me ajudou muito Haz, ele está tão animado com isso. Precisa ver, ele vai oferecer atendimento médico com os estagiários na quermesse.
- Bem, então ele vai ter que se acostumar com Lily o chefiando.
- Ele não vai se acostumar! Ele odeia ser mandado e muito mais pela minha mãe...
- Nossa, não conheço ninguém que é assim.
- Ah cala a boca. – Revirou os olhos, mas riu com a ironia na voz dele. – Eu não posso perder nem um e nem outro. Eu só preciso garantir que eles não se matem.... Juro que se Babi for embora chorando outra vez, não só meu pai vai ficar furioso com Lily, mas Nate e eu também!
Harry balançou a cabeça negativamengte e suspirou. Daisy se encolheu um pouco, porque ela sabia o que ele estava pensando: Que bagunça...
A família dela era essa grande e irrevogável bagunça, enquanto a dele era unida, bem estruturada e perfeita. Ele não tinha que lidar há muito tempo com aqueles dramas de pais divorciados – por motivos óbvios e tristes – e com parentes temperamentais. Todos os Windsor eram tranquilos... Menos Philip, porém era necessário levar em conta de que tecnicamente ele não era Windsor, e sim Mountbatten.
- A coitada da Babi nem faz nada e sobra pra ela... Eu adoro sua mãe, mas ela é terrível. Ela sabe onde machucar a coitada. – Disse Harry.
- Nem me fala... Fico de coração partido porque Babi sequer se defende. Eu acho que ela se sente meio culpada ainda por... Você sabe... Ter se casado com meu pai.
- É normal. – Harry apontou. – Talvez você devesse falar com sua mãe para se portar civilizadamente, nos dois dias... Você sabe como essas barangas podem ser cruéis e Babi é bem, uh... Simples.
Daisy entendeu o que ele queria dizer. Por barangas, Harry se referia as esposas de aristocratas e socialites que estariam presentes no pré-evento, o coquetel. Daisy mesmo fez uma careta, porque ela também se sentia desconfortável no meio daquelas mulheres, mas imaginou que nada se compararia a Babi.
Ela usava saia longa hipster, blusas de mangas bufantes, o cabelo não era nem um pouco liso e ela não estava preocupada em silicone e lipo na barriga – e ela era esposa de um cirurgião plástico. Obviamente ela chamaria a atenção e obviamente aquelas mulheres que não a conheciam, iriam cochichar sobre ela, e Lily cochicharia junto, porque ela simplesmente não perdia uma chance de rebaixar Babi.
- Eu vou conversar com Lily. – Disse firme. – E até porque, mamãe precisa trabalhar esse temperamento. Imagine só no nosso casamento, minha madrasta e madrinha de batismo, deixa de ir porque quer evitar um constrangimento. Acho que tanto eu quanto James ficaríamos arrasados...
- Até eu ficaria arrasado, eu gosto dela. – Disse Harry. – E ela sempre, sempre lança aquele olhar pro seu pai do tipo ‘seja ao menos educado’.
- Ela o mantém na linha mesmo. – Daisy riu e então abaixou o fogo, e então se deu conta de algo. – Oh! Eu acho que nós deveríamos convidar seu pai, Camilla, William e Kate para um jantar em família aqui em casa, o que você acha?
- Eu acho que eu não dispenso nenhuma chance de comer da sua comida querida... Ugh, eu não quero voltar para Anglesey.
- Você tem mais três dias... – Disse ela com carinho. – Não sofra antecipadamente.
- É tem razão... Marque o jantar, mas não esqueça que no fim de semana, vamos estar em Balmoral. Comemoração da família, eles querem fazer o ritual de passagem com você.
Ritual de passagem? Era alguma passagem da Realeza ou era só mais alguma das gracinhas que os primos de Harry adoravam inventar? Estreitando os olhos para ele, Harry riu e a olhou, piscando marotamente.
- O que foi? Está com medo é, franguinha...
- Ah cala a boca.
-x-
Daisy tinha planos de fazer o jantar para a família de Harry no dia seguinte, mas tivera que prorrogar para o próximo, porque ela achou que ao contar a novidade para seus amigos por internet ou celular, se resumiria ao velho ‘parabéns’ e ‘felicidades’ e ‘nos deem sobrinhos logo’, mas é claro que se tratando daquela galera a coisa não era simples assim...
E tudo começou quando Skippy teve a ideia brilhante de que eles deveriam ir comemorar no Boujis – ‘o início’ segundo ele, ignorando os apelos do casal, de que na verdade começara no clube de polo dos Tomlinson.
Acabara sendo uma excelente ideia, já que havia muito tempo desde que eles não sabiam o que era pisar num clube. Eles reservaram um camarote para si e àqueles que podiam beber, pegaram taças do champanhe que Harry havia pedido e se juntaram ao brinde.
- Um brinde a Haisy e que vocês sejam felizes pra caralho! Saúde! – Foram as palavras de Skippy.
Das garotas, Daisy, Elizabeth esposa de Guy, Grace a namorada de seu irmão e Bubbles apenas estavam bebendo, já que Helen, Missy e Zoe que surpreendentemente, havia criado coragem para ir com aquele enorme barrigão de oito meses, estavam todas proibidas. Havia sido uma noite ótima é claro, eles estavam rindo, conversando e se divertindo a beça.
Daisy percebeu em como não era sortuda apenas por ter Harry. Lógico que ele era seu maior prêmio, a melhor coisa que havia acontecido na vida dela, mas... O relacionamento deles foi muito além deles, foi muito além daquele mundinho romântico que eles viviam.
Se eles não tivessem se conhecido, Helen não teria conhecido George, não teria parado de beber e fumar, e não teria virado aquela mãe maravilhosa e preocupada que era, ligando para a babá a cada uma hora para saber como estavam as coisas.
Se eles não tivessem se conhecido, eles não teriam aquele maravilhoso grupo de amigos. Pode até soar brega, mas Daisy não gostaria nunca de perder aquelas pessoas maravilhosas... Ela sempre teve um grupinho de amigos restrito, então, expandi-lo não foi realmente um problema – foi maravilhoso, de fato.
Se eles não tivessem se conhecido, ela tinha certeza que a família dela ainda seria dividida e nenhum deles se falaria, porque então James não teria voltado, Lily não teria se aproximado e ela não teria sofrido o acidente, que havia os unido de uma só vez. É claro que as vezes eles tinham seus momentos ruins, mas que família era perfeita, afinal? Só as do comercial de margarina...
Não era só um relacionamento, só um namorico qualquer. Era uma vida! O relacionamento deles não era importante só para eles, mas para todas aquelas pessoas, porque no coração de Daisy, havia um lugarzinho especial para todos e ela sabia que no coração deles, também havia um lugarzinho especial para ela.
- Ei, por que está quietinha aí no seu canto?
Não era Harry, era Nate e Daisy sorriu para o segundo homem de sua vida. Ela sentiu o braço dele ao seu redor e o beijo que ele a deu na têmpora – ele já parecia um pouquinho alegre.
- Só refletindo... O álcool faz isso comigo. – Disse rindo e dando de ombros.
- Refletindo sobre o quê?
- Sobre a vida. Chega um momento em que todos nós percebemos como estamos velhos... – Disse olhando para o irmão que tinha o cenho franzido e uma careta. – Eu também estou pensando em como sou grata por isso tudo...
- Isso tudo o quê? Champanhe e camarote particular? – Implicou Nate rindo. – Eu também sou pra caralho!
- Ugh, não... Por isso. – Ela apontou para os amigos que faziam círculo ao redor da mesa.
Afastados deles, ela estava escorada nas grades do camarote do Boujis que cinco anos atrás era provavelmente o bar mais badalado da Inglaterra e agora era só mais um barzinho dentre muitos outros. Bem, ela não se importava realmente... Ele continuava sendo incrível para Daisy, por causa de toda a história que ficaria entre aquelas paredes.
Ela se lembraria com carinho do dia em que escolhera Harry, se lembraria de como ele se declarara no quarto e em como ela teve uma noite divertida e foi acolhida pelos amigos dele. De como as meninas entrosaram-na entre si rápido e Skippy fez de tudo para que ela se sentisse a vontade entre eles.
Ela se lembraria também de como eles foram maravilhosos com Walt, Helen e Nate, de como os amigos dela, também se tornaram amigos deles. De como Arthur sempre perguntava quando Walt apareceria para tomarem shots, de como Skippy e Helen podiam implicar o tempo todo juntos, mas se uniam para zombar de George. De como Bubbles nunca, mas nunca iria sossegar, Jake e Zoe eram provavelmente o casal mais engraçado do século e Van e Missy só perdiam na melação para Harry e ela.
Havia um monte de história entre aquele grupinho... Um monte de coisas incríveis que ela queria levar consigo pelo resto da vida.
- Você está me dizendo que é grata por esse bando de bocós, bêbados e que estão cantando ‘We are the champions’?
Daisy olhou-o, encolhendo-se, mas não retirou. Ela na verdade, acenou com firmeza e sorriu, se sentindo tentada a juntar-se com o coro de amigos que estavam com os braços ao redor do outro e cantando em plenos pulmões.
- Sim, eu sou. – Disse a Nate.
Seu irmão sorriu e ela sorriu de volta. Ele então respondeu.
- Eu também. – Ele riu. – Vamos lá, chega de nostalgia por hoje.
- Certo. – Ela aceitou a mão que ele a oferecia, sorrindo.
- Ah e Daisy?
- Sim?
- Se disse pra alguém que eu fiquei nostálgico junto com você... Eu arranco sua cabeça fora, nanica!
-x-
Harry ficou satisfeito quando Daisy não se opôs na ideia de eles irem para Balmoral de helicóptero, sinceramente, ele não se sentia nem um pouco tentado em gastar tempos na estrada dirigindo. Sem falar que eles poderiam dormir até tarde, fazer sexo matinal e arrumar as malas no mesmo dia, porque eles tinham tempo de sobra.
Exceto é claro, quando cochilavam depois do sexo e perdiam a hora...
- Harry sobe o zíper do meu vestido. – Disse Daisy, enquanto calçava os sapatos e parava diante dele.
Rapidamente, ele subiu o zíper do vestido de inverno e a viu colocar então o sobretudo por cima. Andava fazendo muito frio e em alguns minutos o helicóptero pousaria nos jardins do Kensington e eles estariam a caminho da Escócia, onde era mais frio ainda.
- Amor, eu não encontro meu sobretudo de jeito nenhum. – Reclamou com a cabeça dentro de sua parte do armário. – Você o viu?
- Querido, eu já coloquei na mala. Vista outra coisa...
- Daisy! Eu amo aquele sobretudo!
- Por isso o coloquei na mala... Poxa, eu nem pensei na possibilidade de você viajar com ele, desculpa. Agora já era, procure outra coisa. Coloque sua jaqueta.
- Ela não é quente o bastente. – Choramingou um pouco revoltado.
Mas ele também não estava se sentindo animado o suficiente para ir revirar a mala. Daisy iria xingá-lo por fazer uma bagunça e obriga-lo a arrumar tudo de novo e quando ele não conseguisse fazer do jeito idêntico e impecável dela, sua noiva iria desfazer tudo, reclamar e começar a arrumar por si mesma.
Harry passou cabide por cabide, xingando baixo as faxinas de Daisy. Ele estava dando falta de algumas peças de roupas e estava na verdade pronto para xingá-la porque não tinha nada quente o bastante, quando algo caiu em suas mãos.
Ele sorriu porque era um frouxo e imediatamente sua impaciência com Daisy foi embora, por conta do que tinha em mãos. O suéter que ela mesma havia tricotado cinco anos atrás... Início de namoro, presente de dia dos namorados ou natal, ele não estava certo.
Levando o material até seu nariz, concluiu que não estava fedendo ou coisa do tipo, parecia recém lavado. Ele também pegou uma das mangas e conferiu se estava lá, o coração bordado... Deus ele nunca se esqueceria – ‘você tem meu coração na mão’.
Ela era só uma menina... E ele, Harry, deixando que ela fizesse o que bem quisesse dele¹.
Ainda com um enorme sorriso nos lábios, ele colocou o suéter e percebeu que havia ficado um pouco apertado – a cerveja bendita! – mas não incômodo, por isso não tirou. Deixando o quarto, ele sorriu quando a viu se maquiar rapidamente de frente para o espelho e chegou por trás dela.
- Harry, esse suéter velho? Meu bem, eu comprei roupa nova pra você no seu aniversário. – Disse ela, com uma careta. – Ugh, olha isso. Meus pontos eram péssimos.
Ele deu de ombros sorrindo, ele gostava.
- Eu gosto. Eu havia me esquecido dele. Ainda bem que você colocou meu sobretudo na mala, eu vou voltar a usá-lo.
- Hm... – Ela sorriu. – Ele te deixa com uma barriguinha saliente. Você ficou mais gordinho Wales.
- Ugh, eu sei. – Ele revirou os olhos. – Meu pai e William disseram isso mil vezes, no jantar de ontem.
- Era seu terceiro pedaço de lasanha.
- Não é minha culpa que eu esteja noivo de uma excelente cozinheira.
Ela revirou os olhos e sorriu, mas então voltou a se maquiar porque não havia tempo a perder e ele se sentou, sorrindo também, olhando-a e esperando pelo helicóptero que chegaria dentro de minutos.
-x-
Fazia um tempo desde que Daisy havia ido a Balmoral. Se ela não estava enganada, havia sido no verão anterior, ou seja, mais de um ano! Era um local lindo demais para passar tanto tempo longe.
Mas mais do que sentira falta daquele local, Daisy sentiu falta daquelas pessoas. Ela sentiu falta dos churrascos, das risadas, das partidas de pôquer de madrugada e das histórias dos mais velhos. Ela sentia falta até mesmo de galopar pela propriedade e arriscar uns tiros com Philip.
E o melhor... Eles também sentiram falta dela.
- Daisy! Olá!
- Ah você está linda! Meus parabéns a vocês, nós soubemos é claro.
- Daisy mas que saudade, você não pode sumir assim.
- Seremos primas oficialmente agora!
Ela abraçou a todos eles, com muito carinho e afeto. Tanto quanto em seu coração havia um lugar especial para os amigos de Harry, havia também para a família dele. Ela os amava do fundo de seu coração.
E foi quando então a Rainha, que nos fins de semana era apenas vovó Liz, caminhou na direção dela. Daisy sorriu e tal como a Elizabeth, ela abriu os braços e abraçou a mais velha, sentindo as mãos frias dela acariciarem suas costas.
- Seja bem vinda a família querida.
¹ - baseado em musica do Paralamas do Sucesso



