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Capítulo 86
Capítulo LXXXVI
“O perdão em uma relação tem apenas efeito anti-séptico. Cura, mas não remove a cicatriz”, Harry não tinha certeza de onde havia escutado aquilo, mas lembrou-o de algo de sua infância.
É normal que entre irmãos haja sempre uma grande competição e dentre Will e ele não podia ser diferente. Quando se é o caçula, você sente uma necessidade constante de se igualar ou ultrapassar seu irmão mais velho, não se trata de orgulho, mas sim da conquista de seu próprio lugar, para que as pessoas olhem pra você e te conheçam por quem você é e o que você faz e não por outros meios – no caso dele, irmão do futuro Rei.
Eles eram novos, eram meras crianças. Dizem que temos que enxergar o mundo com os olhos de uma criança, contudo, Harry estava seguro em dizer que aos seis anos de idade, ele já não era tão puro quanto deveria ser.
Capítulo 86 - Pega Ladrão!
Eu me lembrava mais ou menos do nome do hotel. Era alguma coisa parecida com um sobrenome, ou sei lá. Essas coisas de gente rica sempre tem o sobrenome estranho de alguém. Parei uma mulher que tava passando na rua pra perguntar, mas ela me ignorou. Nem reparei se era bonita, mas devia ser. Tem menina na rua que nem olha pra tua cara pensando que vai ser xavecada, mesmo que tu só queira saber as horas. Era melhor perguntar pro cara que tava consertando a calçada. Ele disse que não tinha certeza, mas achava que era alguma coisa parecida com "Makasaud", que um colega dele trabalhava lá de vez em quando. Vamo nessa.
Eu tava com pressa demais pra ficar parado esperando um táxi, então fui andando. Sempre que passava um táxi, eu gritava e acenava, mas os caras nunca paravam. Eu também não pararia pra um cara esquisito e sem camisa tipo eu. Devia ter pensado nisso antes de sair de casa. Eu já tinha andado uns três quarteirões quando encontrei um ponto de táxi. Dois caras tavam parados lá, conversando. Deviam ser dois taxistas. Eu: Preciso ir até o Makasaud. Eles olharam pra mim e depois se entreolharam, meio que jogando a zica um pro outro. Cara, eu só quero me livrar desse Crystal. O cara com o bigode maior fez sinal pra que eu entrasse no carro, mas não parecia muito feliz. Entrei e, umas duas esquinas depois de ligar o taxímetro, aqueles papos de táxi começaram. Taxista: Calor, não é? Olhei pro meu peito sem camiseta. Eu: É. Silêncio. Taxista: Esse Makasaud é o hotel, certo? Eu: É. Percebi que ele tava me olhando pelo retrovisor. Eu: Eu vou encontrar com um cara lá na frente, não vou entrar desse jeito. Taxista: Hm. E mesmo se fosse entrar, cara. Me deixa. O táxi foi ficando cada vez mais caro do que eu imaginava. É bom que aquele viado do Yago pague, porque eu não trouxe nem o celular.
O cara parou na porta do hotel e eu pedi que ele esperasse no carro, que logo eu voltava pra pagar a viagem. Olhei no relógio do carro, e ainda eram 9h30. Acho que, em dezoito anos de existência, eu nunca fui tão pontual. Desci do carro e logo todos os olhos daquela rua escrota me fitaram. Não é todo dia que uma madame e seu poodle penteado vêem um maluco sem camisa e com as maiores olheiras do mundo atravessando a entrada do hotel Makasaud. Até pararia pra dar bom dia praquelas dondocas só pra aterrorizar, mas tava com pressa. Os seguranças, que pareciam armários e geladeiras com braços, nem se preocuparam em olhar pra minha cara. Eu tive que ir até um deles perguntar pelo Yago. Segurança: Por favor, retire-se. Quê? Eu: Eu vim pra falar com o Yago, dono da cobertura. Segurança: ... Eu: Não sei se ele é dono, mas teve uma festa dele aqui. O viado grandalhão não me olhava nem fodendo. Eu: Foi no fim de semana agora. Todo mundo que saía daquele lugar idiota me encarava com a pior cara do mundo, como se eu tivesse lá pedindo esmola pra alguém. Eu: Cara, é sério. Eu marquei de encontrar com ele hoje. Segurança: Bom dia, senhora. Ele cumprimentou a mulher que entrou, me ignorando completamente. Eu: Mano. Eu não to zuando. Segurança: O senhor está atrapalhando a entrada do hotel. Eu: Eu tenho uma encomenda pro Yago. Segurança: Então deixe-a comigo. Isso, Thomaz. Imbecil. Fala pro segurança-geladeira que tu tem uma droga mundialmente proibida dentro do teu bolso. Seu chapado do caralho. Preciso parar de falar comigo mesmo. Eu: Eu sei que tu não vai entregar, seu idiota. O jeito era irritar o cara pra que ele pelo menos percebesse que eu tava ali. Quem sabe, se eu arranjasse uma treta com todo mundo, eu chamasse a atenção pro Yago ficar sabendo que eu tava ali. Eu: Fica recebendo ordens desse bando de idiotas. Tu deve ser o mais idiota de todos eles.
Não tava funcionando. Acho que esses seguranças já devem estar acostumados com caras troxas tipo eu inventando histórias pra entrar no hotel. Pior que eu não tava inventando. Ouvi o taxista buzinar. Virei pra ele e pedi que ele esperasse mais um pouco. Eu: Tá vendo, cara? Eu não viria de táxi até aqui pra inventar isso. Segurança: Eu ainda to sendo educado contigo. Retire-se. Eu não quero generalizar, mas odeio todos, TODOS os seguranças. Do mundo inteiro. Eu: Não posso me retirar. O Yago ia pagar meu táxi. O segurança simplesmente tirou uma nota de cinqüenta reais do bolso e me deu, sem mais nem menos. Tipo "pronto, agora tu pode vazar daqui". Não queria atrapalhar a vida do taxista, que foi muito brother por ter me trazido até aqui com essa cara nada confiável que eu to, então fui levar os cinqüenta reais pra ele. Ainda pedi pra que ele ficasse com o troco. Acho que eu ainda tava bêbado. Quando o segurança me viu pagando o taxista e voltando, percebi uma mínima demonstração de algum sentimento por parte dele. Acho que ele tava muito a fim de me dar um tapa no meio da fuça. Parei na frente dele de novo. Eu: E agora, tu vai me deixar entrar? Ele ficou me ignorando por muito tempo. Eu continuei falando com ele sem ter resposta nenhuma, até me dar conta de que faltavam poucos minutos pras 10h. Eu: Falando sério, eu precisava encontrar com ele às 10h! Segurança: ... Eu: Se eu não encontrar o cara às 10h, vão me matar. Segurança: ... Eu: Vão me matar mesmo. Literalmente. Sério. Eu já tava parecendo o Fred com essa faladeira. Ele que tem mania de continuar o assunto mesmo quando tu não responde. Já perdi a conta de quantos monólogos dele eu já tive que ouvir. Às vezes o Fred me pergunta uma coisa, depois ele mesmo responde, ele mesmo conclui e ainda me agradece pela opinião. Muito idiot... Ei! O Fred! Como eu não pensei nisso antes?
Estufei o peito e tentei fazer uma pose que tirasse a atenção do meu visual Sid Vicious depois de uma semana acordado. Eu: Olha, eu não gosto muito de falar disso, mas to vendo que não vou ter outra saída. Silêncio. Eu: Vou ter que ligar pro meu pai vir me liberar. Ele me olhou de canto. Eu: Não tá me reconhecendo, né? Eu sou filho do Daniel Johnson. Segurança: Hm. Eu: Frederico Maia Johnson. - apontei pra mim mesmo. Ele olhou cada centímetro meu. Segurança: RG? Eu: Que deselegante, cara. Segurança: Não posso deixar qualquer um entrar, amigo. Eu: Qualquer um? Não acredito que vou ter que ligar pro meu pai, que tá ocupado pra caralho, pra tu me liberar. O segurança não queria me liberar, mas dava pra ver que ele tava em dúvida. Eu sei mentir muito bem. E não é qualquer um que sabe o nome do filho do dono da rede JD de hotéis. Eu sei. E sei mais um monte de coisas que ele resolver perguntar. Eu: Meu nome é Frederico Maia Johnson, o da minha mãe é Malu Maia, meu pai é o Daniel Johnson, que mora em Londres e é sócio da família Dixon. Ele franziu a testa. Olhei no relógio de pulso que ele tava usando. 9h53. Eu: Cara, eu sou o filho do Daniel Johnson e não vai ser tu que vai me segurar na porta desse hotel idiota. O outro segurança, que tava do lado esquerdo da porta, olhou direto pra mim. Segurança2: Johnson? Os dois se entreolharam. Se eu quero fingir que sou um rico otário, tenho que agir como um. Eu: EU VOU MANDAR FECHAR ESSA PORRA SE ESSA PORTA NÃO... Os dois abriram a porta pra mim como se eu fosse o próprio pai do Fred, e não só o Fred. Sorri. Eu: Obrigado. Segurança2: Tenha um bom dia, senhor Frederico. Deu pra perceber que o outro segurança não engoliu a minha história, mas agora eu já tava dentro, foda-se. Andei calmamente até metade da recepção, depois saí correndo igual um maluco até o elevador.
Na porta do elevador, tinha um monte de engravatados e senhoras com cabelo de laquê. Sinto que tô no ambiente errado... Só um pouco. A porta metálica do elevador se abriu e todo mundo entrou. Me deixaram meio isolado num canto e teve até gente que se afastou um pouco quando me inclinei pra apertar o botão que levava pra cobertura. Eu coloquei as mãos pra trás e fiz cara de paisagem como se nada tivesse acontecido. To descalço, sem camisa, bêbado e todo arrebentado, mas fiz de conta que não. Ah, e também to com uma droga que dopa até cavalo dentro do bolso, mas de boa. Fiquei lá quietinho com o peito estufado. Aquela porra de elevador parava em quase todos os andares. Ia demorar uma vida até chegar ao 24º, onde ficava a cobertura. Quando, finalmente, todos os idiotas desceram em seus andares, eu me senti à vontade pra surtar. Eu: Chega logo, caralho. Chega logo. Tava até falando sozinho. E por que esse elevador não tem relógio, caralho? Pra me deixar louco? Só pode. Às vezes eu sinto que o universo conspira numa de "vamos foder o Thom". Mas isso seria muito egocêntrico. Com certeza o universo tem coisas melhores pra se importar além de mim. A porta do elevador se abriu antes que meu coração explodisse de nervosismo. Passei no menor vão que consegui, porque esperar a porta se abrir por inteiro me faria perder tempo demais, e tempo é dinheiro. Ou tempo sou eu me fodendo, nesse caso. Pra minha surpresa, ou não, o Yago tava parado no meio do corredor com um celular na mão. Ele sorriu quando me viu. O cara era o maior clichê de moleque rico da face da Terra, desses que usam o suéter sob os ombros, camisa pólo, bermuda e sapatos de golfe. Yago: Foi a encomenda mais pontual que já recebi. Ele estendeu a mão, eu tirei o saquinho do bolso e dei pra ele. Minha respiração tava ofegante pra caralho. Era como se eu tivesse corrido por quilômetros. Mas só tava nervoso.
Ele ficou analisando o saquinho. Posso ter brisado nisso, mas parecia que os olhos dele tavam brilhando. Fiquei parado, tentando recuperar minha respiração. Yago: Crystal Death? - ele levantou o olhar pra mim. Fiz que não com a cabeça. Devia ser só um Crystal qualquer, não exatamente o Death, que era o mais foda. Nem o Rod deve ter Crystal Death em casa, imagina o Felipe. Yago: Beleza. Apoiei as mãos no quadril e fiquei olhando pra ele com cara de bosta. Não era a intenção, mas senti que minha cara tava muito ruim. Foi sem pensar. Yago: Não precisa ficar puto comigo. Eu: Estamos acertados? Ele travou me olhando, depois abriu um sorriso, enfiou a mão no bolso e tirou uma carteira. Sinceramente, eu não tava esperando receber pagamento nenhum por isso, mas não vou reclamar. Yago: Tu é um cara legal. Logo te liberam pra vender, e eu quero ser teu melhor cliente. Disse enquanto procurava alguma coisa dentro da carteira. Fiquei só olhando. O moleque simplesmente tirou um bolo de notas de cem, lindas e azuis. Nem contei quantas eram na hora. Ele deu uns dois passos até mim e me entregou algumas. Peguei e abri um leque com elas. Eram cinco. Quinhentos reais na minha mão, de uma hora pra outra. Eu não conseguia tirar o olho delas. Acho que nunca segurei tanto dinheiro junto. Ele fuçou a carteira de novo e me entregou um cartão preto com letras metalizadas, escrito "Yago Waldvogel", seguido do número do celular. Yago: Pode me falar quando tiver. Sempre vou comprar. Sempre. Engoli seco, acenei com a cabeça pra ele e saí fora. O elevador ainda tava parado lá, então entrei e logo desci. Eu ainda tava meio acelerado por conta daqueles quinhentos reais não esperados. Coloquei todas as notas no bolso e fiquei quieto esperando chegar até o térreo.
Pessoas normais da minha idade demoram o mês inteiro pra ganhar 500 reais. Como eu consegui colocar tudo isso no bolso de uma só vez? Minha ficha ainda não tinha caído. O elevador parou no segundo andar antes do térreo. Quando a porta se abriu, tinha um segurança parado. Segurança: Aí está o senhor. Eu: Opa. Cumprimentei. Sou filho do Daniel Johnson, um cara educado. Preciso agir como tal. O problema era que o segurança não tava me olhando com uma cara muito boa. Ele segurou a porta pra que ela não se fechasse, sacou um radinho do bolso e começou a falar. Segurança: Encontrei o sujeito. Tenho a leve impressão de que meu plano de me passar por Frederico Maia Johnson não durou tempo suficiente. Eu é que não vou ficar parado aqui pra saber. Saí correndo do elevador feito um louco e dei um tapa no rádio do cara. Segurança: EI! EEEEEEEEI! O corredor era muito maior do que eu gostaria. Vai demorar até eu conseguir achar uma saída, e não vai dar pra eu ficar fugindo pra sempre. Não deu pra pensar muito, só corri, corri e corri. É foda correr tanto quando tu fuma todos os dias. Acho até que já sei como vou morrer. O segurança continuou berrando atrás de mim, mas tava longe de conseguir me acalçar. Acho que ele perdeu tempo demais tentando recuperar o rádio que caiu no chão. Sem contar que eu devo ter uns vinte anos a menos que ele. Finalmente, encontrei uma porta diferente das outras. Era grande e pesada, com cara de porta de escada. Acertei! Empurrei com todo corpo e desci as escadas surtado pra caralho. Pulava de quatro em quatro degraus pra poder chegar logo até o térreo. Ainda dava pra ouvir o segurança gritando comigo no andar de cima.
Era uma escada bem esquisita pra um hotel chique daqueles. Era tudo de cimento, mal acabado, tinha um cheiro estranho e iluminação ruim. Só os funcionários deviam passar por lá. Tive certeza quando encontrei uma porta e, no desespero, abri pra poder ir embora, mas dei de cara com um depósito cheio de coisas dos faxineiros, tipo vassouras e baldes. Segurança: Tenho certeza que ele desceu as escadas! Procura por aqui. Ouvi uns caras falando sobre mim num tom mais alto do que eu gostaria. Eles deviam estar bem perto, e eu não tinha pra onde correr. A primeira idéia que eu tive foi de entrar naquela porra de depósito cheirando a produto de limpeza. Me sentei do lado de um balde, no único lugar em que eu cabia, e fechei a porta. Fiquei lá alguns minutos, ouvindo passos de gente correndo pelas escadas. Aquele cheiro de água sanitária tava me matando. Enfiei o rosto no meio dos joelhos pra poder espirrar, esperando que o cara não ouvisse nada. Rádio: Na escuta? Chamaram o cara pelo rádio. Pela altura do som, deu pra perceber que ele tava bem em frente ao depósito. Segurança: Ninguém aqui. Rádio: Vai ver no banheiro dos funcionários. Olhei pra trás pra ter certeza de que não tinha nenhuma privada por perto, mas eu tava cercado de aspiradores de pó inofensivos. Ouvi passos do cara subindo as escadas. Era a hora. Abri a porta bem devagar com o pé, já segurando uma vassoura na mão, caso precisasse me defender. Que idéia estúpida. Não ouvi mais barulho nenhum, então saí correndo de novo à procura de outra porta pra sair daquela porra de lugar. Até que to tendo algum trabalho por esses quinhentos reais. Caras normais da minha idade não ganham quinhentos reais por dia, mas também não precisam bancar o fugitivo num hotel cinco estrelas.
Desci mais uma leva de escadas até encontrar outra porta. Quando eu tava prestes a abri-la, uma mulher toda de branco saiu de lá de dentro. Quase tive um surto, mas a mulher pareceu mais assustada do que eu. Mulher: Ah!!! Eu: Ô! Oi. Reparei que ela tava segurando uma bandeja cheia de talheres. Olhei o que tinha na sala atrás dela. Era uma cozinha. Desviei dela e entrei na cozinha antes que ela resolvesse me denunciar pra alguém. Passei esbarrando em todos os cozinheiros, e acho até que estraguei o prato de alguns, mas não parei pra ver. No fundo da cozinha, tinha uma porta de bang bang, que eu abri de uma vez. A porta dava numa parte do restaurante do hotel. Tava todo mundo sentado de boa, comendo ou esperando o prato chegar. Passei meio abaixado, acho que ninguém me viu. Os caras tavam ocupados demais fazendo social uns com os outros pra perceber a minha presença. Se eu continuar nesse ritmo, quietinho e abaixado, consigo chegar até a saída numa boa e... Garçom: SEGURANÇA, SEGURANÇA! Ô, viado filho de uma puta! Se ele não fosse tão maluco e precipitado, juro que daria uma parte dos meus quinhentos pra ele calar a boca. Burro do caralho. Tudo bem que ele não ia adivinhar que eu tenho tudo isso, mas burro mesmo assim. Nem vi mais nada na minha frente, só voltei a correr como se o capeta tivesse vindo me pegar. Saí empurrando pessoas, malas, cachorros brancos e peludinhos, garçons com bandejas, foda-se. Aquela galera parecia de porcelana, então ninguém tentou me parar. Consegui chegar até a entrada principal, por onde eu também passei correndo pra caralho. Ouvi uns caras gritando atrás de mim, mas nem prestei atenção. Quase fui atropelado umas três vezes no estacionamento, mas os carros sempre paravam bem em frente aos seguranças, atrapalhando tudo. Atravessei a rua que tava com o sinal aberto, mas ainda não foi dessa vez que morri atropelado. Corri uns dois quarteirões, sempre virando as esquinas. Quando já não aguentava mais, entrei em uma lanchonete.
Apoiei as costas no balcão e fiquei fitando tudo que acontecia lá fora, na rua. Vai que os caras resolvem passar por aqui. Mas sinceramente, acho que eles já desistiram de me pegar faz tempo. Eu nem sabia que conseguia correr tanto. Sei lá, mas eu, se fosse segurança de um hotel desses, não perderia meu tempo correndo atrás de moleque na rua. Devem ter pensado exatamente isso. Sem contar que eu não saí carregando uma maleta cheia de dinheiro, nem seqüestrei uma pessoa. Quero dizer, eu to só de calça. E com quinhentos contos. Garçonete: Pois não? Levei um susto com aquela gorda esquisita falando comigo. Ela tinha uma voz meio grossa que me deixava na dúvida se ela era mesmo uma mulher ou um cara gordo de cabelo comprido. Tanto faz. Disse que não precisava de nada, só estava tomando um ar, mas a garçonete sem sexo definido me olhou com uma cara de quem não gostava muito de pessoas que paravam na lanchonete dela pra "tomar um ar". Ela queria mais era que eu tomasse um café. Saí de lá quanto antes. Senti um alívio muito bom enquanto andava bem calmo pela rua, meio sem destino. Eu digo sem destino porque não fazia idéia de como voltar pra casa. Nem acredito que consegui entregar o Crystal pro cara e me livrar disso tudo. Agora, finalmente, meu trabalho no Z Club pode começar sem problemas. Já tive uma estréia boa com o show do Dudu na quinta-feira. Se continuar assim, logo ganho a confiança dos caras e começo a ganhar quinhentos reais todos os dias só vendendo Crystal. Que vida boa. Falando nisso, porra, eu tenho quinhentos reais! O que eu to fazendo andando a pé? Fiz sinal pra um taxista que tava passando na rua e, pra minha surpresa, ele parou. Passei o endereço da república e ele não me fez muitas perguntas durante o caminho, só aquelas normais tipo o que eu tava achando daquele calor todo.
Cheguei na república e cumprimentei o porteiro, que me olhou com uma cara feia. Esse brother me odeia e eu nunca fiz nada pra ele. Eu também não gosto de muita gente que nunca me fez nada, mas não odeio. Esse cara me odeia. Ouvi um barulho meio louco quando cheguei no hall do apartamento, mas diferente de hoje cedo, quando o Matt tava tendo um surto. Parecia mais barulho de almoço em família. Um barulho que eu não ouvia há bastante tempo, aliás. Na última vez em que almocei em família, meus pais ainda eram casados e fomos obrigados a ir na festa de casamento de uma prima da minha mãe. Eu tinha uns oito anos ou sei lá, e só consigo me lembrar do meu pai reclamando de tudo. Realmente, a família da minha mãe é meio estressante. Da parte do meu pai, nem conheço quase ninguém. Meu pai tem só um irmão, que eu não vejo há muito tempo. Minha vó morreu antes de eu conhecê-la e meu vô não gosta muito de receber visitas. Bem diferente da família da minha mãe.
Abri a porta e dei de cara com a mesa posta. Fred, Matt, Luc, Sick Boy e até a Vicky, todo mundo sentadinho em frente aos pratos e talheres. O Matt parecia bem melhor, aliás. Foi impossível não fazer uma cara estranha quando vi aquilo. Luc: Oi! Todo mundo tava conversando empolgado demais pra perceber que eu tinha chegado. Só o Luc falou comigo e a Vicky abriu um sorriso pra mim. Cheguei até a mesa e percebi que eles tavam discutindo alguma coisa de alguém famoso. O Sick Boy me apontou uma cadeira vazia, do lado do Matt. Me sentei, achando tudo meio estranho ainda. Eu: E aí. Bati no ombro do Matt, que me olhou. Eu: Ainda tá vendo coisas? Matt: Não. Só to com dor de cabeça. Preciso dormir mais. Eu: Que bad, cara. Tu assustou todo mundo. Matt: Eu sei. Foi mal. Ainda não sei o que aconteceu. Eu: Deve ter sido alguma coisa que tu usou enquanto tava sozinho ontem. Matt: Acho que sim. Ele pareceu meio desapontado, mas depois sorriu. Matt: Sorte que tua amiga tava aqui.
Olhei pra Vicky, que tava do lado oposto da mesa entre o Fred e o Luc. Ela tava menos arrumada do que o normal, mas não tanto. Aposto que tava usando salto mesmo sendo domingo. Mas que bom que ela veio pra ajudar o Matt. Sorri pra ela. Eu: Legal ela ter vindo pra te ajudar. Matt: Quem? Eu: A Vicky, ué. Matt: Ahn? Eu nem sei como a Vicky veio parar aqui. Ela já tava na sala quando eu voltei ao normal. Eu: Então de quem tu tava faland...? Do nada, saiu uma mina da cozinha segurando uma tigela enorme de macarrão com luvinhas de cozinha. Eu nem sabia que tinha esse tipo de viadagem por aqui. Porra! Era a mina de ontem! Digo, de hoje, sei lá. A que tava vestida de gatinha e tinha cara de drogada. Ela ainda tava com cara de drogada, mas tava sorrindo, usando luvas de cozinha e servindo meus amigos. Hein? Gatinha: Eu ia colocar carne no molho, mas lembrei que tu virou vegetariano, Luc. Eu tava com uma cara impossível de descrever, sem entender porra nenhuma. Ela deixou o macarrão no centro da mesa, fez piadinha com o Luc, e... Tipo... Quem é essa mina, velho? O que ela tá fazendo na minha cozinha?! E desde quando o Luc é vegetariano? Vicky: Tu é vegetariano? Luc: Faz pouco tempo. Vicky: Que legal! Eu também. Fiquei olhando pra mina com uma cara estranha até ela voltar pra cozinha. Todo mundo parecia bem de boa com a presença dela e começou a se servir. Fred: Eu também. Matt: Cala a boca, tu não é vegetariano. Fred: Sou sim. Matt: Desde quando? Fred: Ah, cuida da tua vida. Tu tem que concordar com tudo que eu digo depois do perrengue que a gente passou contigo. A mina voltou com um banquinho que ficava na nossa cozinha e se sentou na ponta da mesa. O Sick Boy conversou qualquer coisa com ela que eu não consegui entender. Na real, eu não tava entendendo bosta nenhuma.
Quando todo mundo já tinha terminado de se servir e ficava discutindo sobre qualquer coisa, eu ainda tava olhando pra mina esperando alguma resposta pro que tava acontecendo. Matt: Quer que eu te sirva? Essa doida aproveitou pra fazer amizade com todo mundo enquanto eu tava fora ou o quê? Matt: Thom? Eu: Oi. - acordei da brisa. Matt: Tu vai almoçar? Eu: Acho que sim. Ele me olhou meio estranho, depois colocou uma concha cheia de macarrão no meu prato. Fiquei quieto durante o almoço todo prestando atenção no assunto idiota de todo mundo. Ninguém nunca fala nada que presta enquanto come. De vez em quando meu pai tentava discutir sobre política ou futebol comigo na hora do almoço, mas eu fugia pra sala com o meu prato assim que podia. Vicky: Alguém vai na festa da faculdade terça-feira? Matt: Tem festa terça? Vicky: Tem sim. O tema vai ser Las Vegas. O pessoal do DA que tá organizando. Matt: Tá explicado. Aqui a gente só fica sabendo das festas da Atlética, por causa do Felipe. Vicky: Vocês saberiam dessa se fossem mais vezes pra aula. Legal o tema da festa. E concordo com a Vicky. A gente saberia se fosse pra aula algum dia. Sick Boy: Las Vegas? Bem louco. Vicky: Acho que vai ser muito boa. Fred: Só vou se tiver o Elvis e uns caça níqueis. Matt: Tu vai de qualquer jeito. Fred: Verdade. A gatinha que agora tinha virado cozinheira se levantou perguntando se alguém queria água, que ela ia buscar na cozinha. Assim que ela saiu, a Vicky já me cutucou. Vicky: Gostei dela, Thom. Eu: Hm. E o que eu tenho a ver com isso? Luc: É. A Lu é de boa. Às vezes o Luc usa algumas gírias do jeito errado, então não tinha conseguido entender bem o que ele tava querendo dizer.
Vicky: Tá aprovada. Tá o quê, velho? Sick Boy: Ô, Lu! Luiza! Mudei de idéia, quero água sim. Então o nome dela é Luiza. Legal uma hora saber o nome da guria que cheirou comigo, pegou um cara pra me dar carona, depois deu pra mim e agora fez macarrão pra todo mundo. Ahn. Ela voltou com um copo pro Sick Boy. Eu terminei de comer e fui tomar um banho, porque aquilo tudo tava ficando louco demais pra mim. Quase dormi no chuveiro, mas foi bom. Eu tava precisando. Quando saí, ouvi as vozes do Matt e do Fred na sala. Acho que todo mundo já foi embora. Passei no meu quarto pra vestir uma roupa e depois fui pra sala falar com eles. O Fred tava deitado no chão olhando pro teto e o Matt tava sentado no sofá. Fred: Quantas vezes tu acha que espirra no mês? Matt: ... Quê? Fred: Espirros. Matt: O que tem? Fred: Quantas vezes? Quando eu acho que o Fred já brisou o suficiente... Matt: Eu não sei. Eu: Ei. Fred: Já tentou espirrar de olho aberto? Eu: O que essa mina tava fazendo aqui? Os dois se entreolharam. Fred: Eu que te pergunto. Tu que trouxa ela pra cá. Matt: Ela não é amiga do Luc e do Sick Boy? Fred: Deve ser. Mas o Thom que tá comendo. Eu: Eu não to comendo. Fred: Então passa pros brother. Eu: Que escroto, mano. Fred: Foi mal. Ela cozinha bem e tem peitão. Não resisti. Eu: Nem é tão grande assim. Fred: Ahh, vai ficar desprezando só porque já comeu, é? Matt: Quem comeu quem, cara? Pra mim ela era uma amiga do Sick Boy e do Luc que tinha vindo pra cá pra me ajudar. Fred: Hmmm então o senhor é o centro do mundo. Matt: Não... Achei que fosse isso. Nunca vi ela. E aí os dois ficaram discutindo de onde teria surgido a mina. Só pioraram as coisas ao invés de me ajudarem.
Quando eu já tava sentindo a voz dos dois perfurando meu cérebro com aquela discussão idiota, ouvi um barulho na porta de alguém que tava chegando. Felipe: Opa. Ele acenou com a cabeça e passou direto da sala pro quarto dele. Tive uma sensação muito estranha e muito ruim quando o vi. Tipo um frio na barriga misturado com nervosismo e mais um monte de coisas bizarras. Devo ter ficado branco na mesma hora. Isso acontece quando tu faz uma coisa errada e encontra alguém que tava envolvido nisso. Se ele descobre que eu peguei o Crystal, fodeu. Se ele descobre que eu quase peguei a mina dele então... Fred: Que cara é essa, Thommo? Eu devo ter ficado mais branco que o normal na hora. Decidi mudar de assunto antes que ele começasse a fazer um monte de perguntas e eu acabasse confessando. Sem contar que o Matt é a pior pessoa que pode estar por perto numa hora dessas. Ele percebe meu nervosismo de longe. Eu: E a Vicky, hein? Ele olhou pro Matt, depois voltou a olhar pra mim. Fred: O que tem? Eu: Tu que chamou ela pra cá? Fred: Não. Ela apareceu aí. Eu: Ah. Tá bom. - respondi com ironia. Fred: O quê? Tu acha que fui eu que chamei?! Ele deu ênfase ao "eu" e apontou pra si mesmo, meio inconformado comigo. Dei de ombros. Fred: Há! Deu uma risada debochada e jogou o corpo pra trás. Fred: Eu queria pegar ela, Thommo. Já peguei. Essa pica não é mais minha.
Tentei tirar sarro, mas realmente, eu conheço o amigo que eu tenho. Acho que o Fred consegue fazer uma guria ter certeza absoluta de que ele tá apaixonado por ela, pra depois agir feito um idiota. Por isso ele é o Fred. Ele continuou rindo e logo tentou começar um outro assunto, mas o Matt insistiu. Matt: Ela veio do nada? Sem ninguém chamar? Fred: É, ué. Matt: Hm. Silêncio. Matt: Deve ter vindo atrás do Dudu. Fred: Foda-se. Alguém quer uma cerveja? Eu disse que sim e o Matt fez uma cara de enjôo. A ressaca dele devia estar fodida. O Fred foi até a cozinha e eu perguntei pro Matt se ele já tinha vomitado alguma coisa. Ele respondeu que só não tava vomitando ainda porque já não tinha mais nada dentro dele. Eu, hein. Fred: Pensa rápido! Eu fico puto quando fazem essa brincadeira imbecil de "pensa rápido". Funciona assim: o idiota lança alguma coisa em ti e te pede pra pensar rápido pra tu pegar o objeto no ar. Eu fumo maconha todos os dias há muito tempo, velho. Eu não penso rápido. Ao invés de tentar segurar o que jogam, eu me escondo pra não levar uma lata de cerveja na cara. Eu já levei, e posso dizer que dói pra caralho. Mas, pra variar, o Fred só tava enchendo e não jogou coisa nenhuma. Se sentou e rolou a latinha no chão até mim.
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Capitulo 86
Manu Narrando -Você? O que você tá fazendo aqui? -Perguntei -A gente precisa conversar Manuella.. -A gente nada, você precisa conversar Pedro! Eu não tenho nada pra dizer.. -respondi irritada e fui em direção ao meu quarto mas ele me puxou pelo braço fazendo a gente ficar colado um no outro, ficamos nos olhando -Me escuta então! -ele falou com a respiração ofegante -Fala! -eu disse e sentei no sofá, indiferente -Eu.. eu.. Eu te amo Manuella! Desculpa por tudo, a gente sempre foi assim, a gente começou errado, a gente briga e depois acaba em beijo, você tem medo de sofrer e se esconde, a gente é completamente diferente.. mas… mas a gente se ama! E um amor assim não acaba por bobeira, eu sei que aconteceu muito coisa mais vamos apagar tudo isso e recomeçar? -Ele sorriu -Já falou? Posso ir? -eu continuava indiferente -Porra Manuella! Não é possível que você não se importe nem um pouco, que foi? Você não me ama mais? Esse acidente apagou de vez o pouco de sentimento que você tinha? Que foi em Manuella? Me diz! -Ele pegou no meu braço e começou a me mexer, me olhando nos olhos, parecia irritado, colei o corpo dele no meu e o beijei. O beijo foi lento, apaixonante, então eu parei. Empurrei ele pra longe de mim e fui pro meu quarto. Na verdade fiz aquilo só pra ele calar a boca, e ele ficou lá com cara de paisagem olhando por nada. Me senti bem, renovada, finalmente eu tinha esquecido ele, aquele beijo me fez perceber que agora eu não fingia não ter sentimentos, eu realmente não sentia nada. Diego Narrando Fui até a casa da Manu e encontrei o pedro sentado no sofá, olhando pro nada. O que ele fazia ali? Não entendi porra nenhuma. -Pedro? Tá bem? - perguntei na tentativa de uma resposta mas não ganhei nem um simples sorriso -Pedro! -falei novamente -Ela tá diferente com você também? -Ele perguntou -Ela quem Pedro? Diferente como? -A Manuella, Diego! Ela tá diferente sabe.. antes ela fingia não ter sentimentos, agora ela realmente não tem! Ela não é a mesma, eu sinto isso! -É.. eu também percebi que a Manuella tá estranha! Ela disse que queria focar no trabalho dela e tudo mais! Ela tá diferente mesmo! Mas vai ver isso é só um choque por causa do acidente, só uma fase, vai passar! -Eu disse -Espero que você tenha razão... -Mas então.. ela tá ai? -perguntei -Tá no quarto! Eu vou indo depois eu tento falar com ela de novo! -Ele disse e saiu Eu fui em direção ao quarto, a casa parecia deserta. Aonde todos tinham ido? Eu não tava entendendo mas nada, agora a Isa com o Pedro, a Ro com o Thomas, e o Lucas? o Pedro Lucas sofrendo por causa da Manu e eu completamente confuso com esses casais trocados. Abri a porta do quarto, a Manu tava jogada na cama lendo um livro qualquer. -Posso conversar contigo? -Porque todos tão com essa mania de conversar hein? -ela pareceu não gostar da ideia -Será que é porque as vezes é necessário? -Pra mim não é.. -ela mexeu os ombros e continuou a ler -Manu você tá diferente, você mudou e pra pior! Eu não sei o que aconteceu, esse acidente tá te afastando cada vez mais da gente.. Fiquei ali com ela durante meia hora, eu até tentei dizer mais ela nem quis ouvir, ficou prestando atenção no livro, parecia mais interessante que nossa conversa. Sai de lá pra não me irritar mais.
Sofi Narrando
(Gente desculpem o sumiço da Sofi, é que meu pc ta com problema e sem previsão de arrumar ): )
- É, tipo um encontro. - ele riu baixo e eu também - E aí, quer?
- Err... - porque eu tava tão feliz? - Aceito.
-Nossa serio? - ele ria
-Serio, porque? - eu já não estava entendo nada, peguei um copo de agua e sentei na mesa
-Sei lá, achei que você não ia aceitar.
-E porque eu não aceitaria? - eu estava tremendo,
-E porque você aceitaria?
-Talvez porque você é perfeito. - ele riu
-Eu, perfeito? Onde? - ele levantou e se olhou. E so então eu percebi que ele tava sem camisa , meu Deus que corpo era aquele? Claro que não era um Thomas, mas, ele não ficava muito atrás não.
-Sofi? - ele fazia gestos na minha frente - Planeta Terra, chamando, ultimo avião, vamos, todos a bordo
-An, ah desculpa, - a baba tava quase escorrendo no canto da boca- Pronta para embarque capitão.
- Então vamos - eu tinha falado de brincadeira mas ele levou a serio,se virou e me colocou nas costas dele, e nós saimos acordando todo mundo
Bryan: Posso saber o que é isso?
Kauê: Eu. Sofi. Nas minhas costas. Acordando vocês. Mais alguma duvida?
Bry: Palhaço, to vendo, mas porque tu ta fazendo isso? E ...
Eu: Oi Bryan, eu também to fazendo tá?
Bry: Ah tá bebe desculpa me esqueci, porque VOCÊS VIERAM ME ACORDAR A ESSA HORA?
Eu: Porque já tá tarde. - depois olhei no relogio, ainda era 9 horas da manhã, tava cedo de mais na verdade
Bry: Tá, já acordaram agora da pra sair? - e ele empurrou agente pra fora do quarto - me deixem durmir mais um pouco, porque vocês dois não vao an ... - a avó dele tinha levantando também, com a nossa bagunça - porque vocês não vão comprar alguma coisa pra comer?
Kauê: Boa ideia, vamo?
Eu: Bora.
Compramos alguma coisas pra comer, voltamos pra casa, todos já estavam de pé, tomamos café, e a avó do Bry disse pra gente que tava acontecendo uma feira ali perto, o pessoal foi, mas eu e o Kauê não, eu não estava afim e ele disse que não foi porque eu não fui, então ficamos vendo desenho, e conversando. Meu celular tocou era a Isa
Eu: Alô?
Isa: Oi.
Eu: Oi, tudo bem? Aconteceu alguma coisa?
Isa: Não, quer dizer, sim.
Eu: O que?
Isa: É que...
Eu: O que foi Isa?- ela tava me deixando nervosa
Isa: Eu to com vontade de conversar, e a clima aqui com as meninas tá meio tenso porque a Manu já brigo com o pedro lucas de novo.
Eu: An pode ser depois? É que agora eu to ocupada.
Isa: Tudo bem. Bj
Eu: Tchau, bj.
Eu desliguei e voltei pra sala.
Kauê: Quem era?
Eu: Intereça?
Kauê: Quanta estupidez
Eu: KKK bobo.- e nós continuamos assistindo tv até eles chegarem.