Bandido, valentão, marginal.
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Bandido, valentão, marginal.
A única fonte de luz em toda a sala era a televisão, sem emitir qualquer ruído, permitia os personagens de uma série europeia vaguearem entre os cenários criando a ilusão de uma história. O olhar carregado de sono, a cabeça carregada de imagens, o corpo carregado de idade, atirado para cima do sofá, ou melhor deitado, nada via, apenas ouvia. Ouvia os ruídos da casa, os canos a resmungar, o vento a fugir pelas frinchas das janelas, o fumo do tabaco que derretia por entre as narinas. Ao seu lado, velando-o encontrava-se quem já partira, quem já só o sabia vivo, que assistia o arrastar daquele corpo pelo tempo enquanto lhe matava as flores uma e outra vez. De nada lhe valia as reprimendas, de nada lhe valia as explicações, apenas os sorrisos eram capazes de transpor aquela barreira entre a vida e a morte. Vê-lo assim amargurava-lhe a alma. Sabia-o mais forte, mais capaz, mais preparado para lidar com a partida, enganara-se. Como se enganara. Sabia do seu amor, da sua amizade, sabia de tudo isto mas nunca imaginou que as ligações humanas podessem ser inquebráveis, mesmo quando arrancadas pela foice. Agora vivia através da memória dos que a amavam, do seu eterno Jorge, da pouca família e dos amigos. Vivia assim numa manifestação inexplicável, capaz de tocar as emoções impossibilitada de tocar a carne. À sua frente, num movimento súbito, o Jorge caiu no chão, enrolado num sonoro baque, no chão, ainda a rolar protegia a cabeça enquanto olhava em redor. Os pesadelos perseguiam-no de mãos dadas com as memórias. As noites eram cada vez mais conturbadas, onde iria parar o seu pobre Jorge? Viu-o levantar-se e a ajeitar o pijama improvisado assegurando-se que ninguém o tinha visto. Como poderiam? Está sozinho. De passos pesados foi até ao lado dela e beijou lhe a face, não a dela, mas a representação em papel que emoldurada permanecia eternamente na mesinha. A mais bela de todas as fotografias, espelhava a felicidade, ela sorria apanhando-o desprevenido, na surpresa clicou no botão de forma trémula criando um enorme borrão. Estava irreconhecível, mas para quem ama é na memória que imprime todas as cores. #jorge #capanga #memory #lifeisbeautiful #tapago #night (em Praça 1De Maio, Viana Do Castelo) https://www.instagram.com/p/CjaXnDaD_lY/?igshid=NGJjMDIxMWI=
Na varanda, ao fim da manhã, repetia o gesto diário de regar os vasos. Cuidava o melhor que sabia ou podia das plantas que teimavam morrer, mas que substituía com a mesma rapidez. Eternizava assim aquele momento. Um gesto repetido, um gesto planeado, um gesto que re-vivia agora enquanto personagem principal, quando antes era apenas um figurante que tudo via através da janela. Os vasos feitos de uma argila trabalhada abrigavam as sucessivas flores que lhes eram depositadas à sua guarda. O regador de metal que em tempos brilhava aos raios matinais, encontrava-se agora gasto, sujo, baço. Perdido na lembrança ensopava a terra cuidadosamente adubada, abrigo último da esperança, molhando os dedos dos pés que descalços o alertavam do erro obrigando-o a encher mais uma vez o regador que tilintava em protesto. Atrás dele, seguia a memória, que exasperada ralhava nas suas costas - "Estou farta! Outra vez a regar?! Assim morrem-me as flores todas. Casmurro do homem." - impossibilitado de a ouvir, abria a torneira. Na dependência do gesto, na dependência da lembrança, criava a sua própria própria bolsa de ar que tragava com o desespero de um afogado. A aflição de se encontrar em frente ao espelho e ver o Capanga que foi, que era, que apenas ela soube domar e cuidar com amor terno, vivia no seu peito, na boca do estômago como uma leve pressão sempre presente. Precisava de a manter a ela e às malditas flores que teimavam morrer. Fechou a torneira. - "Porra homem! Não soubesse eu o amor que me tens e atormentava-te as noites como atormentas as pobres flores.". #jorge #capanga #republica #retornado (em Baloiço da Serradela - Vieira do Minho) https://www.instagram.com/p/CjX0tIzDt88/?igshid=NGJjMDIxMWI=
#menswear #fw21 a volta da #capanga Posted @withregram • @fendi Close up: pouches and cross-body bags styled as miniature luggage add a defining pop of color. #FendiFW21 Collection by @silviaventurinifendi https://www.instagram.com/p/CKJkufusXG8/?igshid=173mwrgl2mtg0
#Repost @mondosama • • • • • • Presida & Capanga, as vozes mais originais do Breganejo Universotário! #moromente #forabolsonaro #mondosama #capanga #milicia #bozo #bolsominion #bolsonaro #sergiomoro https://www.instagram.com/p/B8jhdePlFwVOEJ2q07yArbn_VyY0e4VDAPh8SM0/?igshid=m7dm3g3s3gbx
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