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"COMIENZA UNA NUEVA AVENTURA BL YAOI" - LOVE BY CHANCE 2 - CAPITULO 01 -...
Capitulo 01
2011, quatro anos atrás / Hospital Valle - São Paulo, Brasil
Uma dor lancinante atingiu minha cabeça em cheio. Eu tinha vontade de abrir os olhos, mas não sabia como o fazia. Este simples ato me exigia muito e por mais que me esforçasse, meus olhos pareciam pesados demais para mim. Com dificuldade consegui piscar uma vez, mas rapidamente os fechei, apertando-os com força. Fazia tempo que não via tal claridade? Acho que sim. Parecia que havia dormido por horas... Muito tempo! Me esforcei para levantar da cama, mas meus ossos pareciam estar atrofiados desse modo há anos. Virei minha cabeça pros lados e pisquei outras vezes. Reconheci o rosto de uma pessoa que estava sentada no sofá.
– Mãe? - minha voz saiu como um sussurro, mas a figura maternal à minha frente, como sempre, muito atenta, pôde me ouvir.
– Meu Deus, eu não acredito! - ela já se encaminhava em minha direção. - Você acordou Isabella!
Seus olhos pareciam marejados, mas minha visão ainda estava um pouco turva por conta da claridade.
– O que aconteceu? - fui o que pude perguntar, o que meu corpo permitiu, já que não estava entendendo nada.
Ela deixou algumas lágrimas escorrerem e sorriu, passando a mão delicadamente pelo meu rosto.
– Vou chamar um médico pra te examinar, vai ficar tudo bem.
Estranhei o seu silêncio diante da minha pergunta, mas quando notei, ela já estava com a mão na maçaneta, erguendo o corpo no corredor, chamando por alguém. Não demorou muito para que ela voltasse para o meu lado, e dentro de poucos instantes um médico de meia idade adentrou a sala.
– A menina Isabella acordou. - ele sorriu, mas não consegui retribuir. - Você é praticamente um milagre diante das circunstâncias.
Ele falava calmo. Percebi minha mãe apertando minha mão com cautela.
– Se lembra de alguma coisa? - o médico perguntou, após chegar meus sinais vitais, o que fez meus olhos lacrimejarem.
– Estava indo viajar… Diego e eu estávamos na estrada… - falei frases desconexas e alguns momentos passaram pela minha cabeça.
• ●
– Não podemos voltar tarde no domingo porque corremos o risco de pegar trânsito. - falei, colocando um CD no rádio do automóvel. – Voltaremos logo de manhã. De tarde eu preciso terminar de ler o contrato da nossa casa. - Diego me olhou e sorriu. Ergui o óculos de sol e depositei um beijo em sua bochecha.
• ●
– O que aconteceu? - minha voz além de entrecortada, agora saiu com um tom de desespero. – Você e seu noivo sofreram um acidente. Um motorista bêbado vinha na contra mão, Diego tentou desviar e evitar a colisão, mas acabou perdendo o controle do veículo que capotou algumas vezes. - o médico fez uma pausa, como se me desse tempo hábil para digerir tudo o que me dissera. - Vocês foram socorridos, vieram para o hospital. Você está desacordada há um mês, e isso não fez seus pais desistirem. - ele ressaltou.
• ●
– Podemos ir pra Fernando de Noronha na nossa lua de mel, se você quiser. – Você jura? - perguntei empolgada, me virando no banco para olha-lo. – Claro. Também sempre quis conhecer lá.
• ●
– E o Diego? - perguntei sentindo somente agora o pulsar do meu coração. – Eu sinto muito, seu noivo não resistiu aos ferimentos. Minha mãe apertou minha mão um pouco mais forte e olhei para o teto tentando em vão controlar as lágrimas que já desciam. Não notei em que momento o médico saiu do quarto, muito menos as palavras que minha mãe me dizia, chorando comigo também, mas sei que senti a dor da perda e irremediavelmente chorei por horas que perdi as contas.
• ●
-- Luan, ficou marcado para amanhã a sua visita ao hospital. - meu pai falou, me chamando a atenção para esse ponto que eu já havia esquecido. -- Tudo bem. - concordei com a cabeça, o agradecendo por ter me lembrado. Continuamos no escritório por mais algumas horas e depois meu pai e eu seguimos para casa. Ficaria de folga nos próximos três dias, e tirando amanhã - que teria o compromisso no hospital -, aproveitaria com a minha família e pediria Priscila em namoro.
Capítulo Um
I'm going through changes - Dulce Maria
O barulho da música de fundo, as pessoas conversando e rindo já estava deixando-me tonta. Eu não era fã número um de bares lotados como este. Não que eu fosse tão esnobe a ponto de não poder me divertir em um lugar assim, mas eu preferia lugares menos lotados e pessoas menos vazias. Meu pensamento voou para a pesquisa que estávamos realizando, era extraordinário, nosso estudo com células tronco estava evoluindo e muito. John, nosso coordenador, estava tão animado. Era magnífica a excitação de sua voz ao explicar todas as etapas de nosso estudo, e o melhor era que havíamos conseguido um enorme patrocínio de uma empresa farmacêutica. O que era sensacional; o dinheiro disponibilizado pela universidade para pesquisas não era de muita ajuda.
Eu ficava imaginando como seria maravilhoso, dizer para um filho ou até mesmo um neto que descobrimos a cura para uma pessoa querida da família que possuía Alzheimer. Graças ao desenvolvimento da terapia celular, com as células-tronco, talvez isto seja possível nas próximas décadas, restaurar células nervosas, ajudar na regeneração de órgãos como o fígado e o coração, e até chegar à cura do diabetes e algumas doenças degenerativas como a de Alzheimer. Isso era incrível, e eu sentia-me uma heroína por participar de algo como isso. Não como a mulher maravilha, em realidade eu estava mais para nerd maravilha.
— Dulce você está me ouvindo? — Indagou Mary, dando um pequeno soco em meu ombro.
— Não. Me desculpe. — Dei mais um gole na bebida, que eu nem sequer sabia o que era, para logo em seguida torcer a cara em desaprovação, ao sentir a bebida queimar minha garganta. — O que é isso mesmo que você pediu para nós tomarmos? Por Deus, é horrível.
— Estava viajando como sempre né? — Suspirou irritada. — Já conversamos sobre isso, você tem que sair e se divertir. — Mary deu um gole em sua bebida, e parecia que estava tomando água, o que causou certo desconforto em mim. Como ela podia beber esta porcaria com tanta facilidade? — É uma Margarita, não reclame.
— Prefiro um café, e a minha cama. — Resmunguei ajeitando o corpo na poltrona, Deus eu realmente preferia minha cama. Este lugar era horrendo, fazia tempo que Mary não me levava a um lugar que eu odiasse tanto como este. – Você sabe que essa não é a minha praia Mary, essa não sou eu. – Resmunguei. – Odeio lugares como este, você sabe.
— Oh é claro que você prefere querida, qualquer um com bom senso pode notar isso a quilômetros de distância. — Ela mexeu com o canudo no copo, franzindo a sobrancelha por causa de uma guerra interna. — Um dia eu vou desistir de te levar para sair, você vive reclamando que quer ser diferente e mudar, mas assim está difícil, pois tudo que vejo é a Dulce que só trabalha e estuda.
— Mary.. — Tentei interromper o sermão, mas foi inútil.
— Você precisa mudar e sabe disso, o que você acha de fazermos um projeto?
— Projeto? — Perguntei curiosa.
— Isso mesmo, projeto mudando a Dulce, vamos sair, comprar roupas novas para você, pintar o cabelo e arranjar uns corpos sarados para nos divertimos que tal? — Mary estava tão animada que nem sequer conseguia controlar sua excitação.
— Não vejo como isso pode ser uma boa ideia. — Tomei mais um gole da minha bebida, e dessa vez já não queimou tanto quanto a primeira vez. — Na realidade, essa é uma péssima ideia. De onde você tira coisas assim?
— Eu vejo isso como uma ótima ideia, na realidade já tenho até uma pessoa em mente. Meu personal é um pedaço de mal caminho, combinaria perfeitamente com você. — Revirei meus olhos, pela milésima vez nessa noite. — Você sabe que gostaria de mudar, quem sabe assim você conquiste algum bonitão. — Ela riu debochando de mim, e eu estava esperando seu golpe de misericórdia em três... dois...
— Melhor dizendo, quem sabe assim você conquiste o Christopher. — Eu sabia, tinha certeza que ela mencionaria ele. Inferno, porque eu mencionara ele mesmo? — Na verdade eu aposto cem pratas, que no final ele vai estar babando ao seus pés.
— Cala boca, Christopher é apenas meu amigo. Nada mais. E que aposta ridícula, quase tanto quanto esse projeto idiota.
— Não venha me dizer, que você nunca pensou em ir para cama com ele santa Dulce. — Puxou sua bolsa, e começou a procurar seu celular. — Não existe mulher no mundo, que olhe para aquele pedaço de mal caminho, e não pense em ir para cama com ele, pelo menos foram essas palavras que você usou para descrevê-lo enquanto divagava bêbada no sofá da minha casa. Ele é um jogador pelo que você me disse, basta se arrumar um pouco e ele estará caidinho por você antes que você perceba.
Será? Oh mas é claro que não, ele não me via assim. Ele nunca ficaria comigo e eu nem sequer parecia de longe com as modelos com quem ele saia. Embora ele tivesse mostrado diversas mulheres que eram seu tipo, cada semana era um diferente. Merda, ele era mesmo um canalha, ele nem sequer tinha um tipo. Seu tipo era mulher, simples assim. Qualquer coisa que andasse sobre duas pernas e tivesse seios, esse era o seu tipo.
— Você está certa, eu acho que topo fazer isso. Mas não será por Christopher.
— Humm, ok eu finjo que não. — Pegou o celular de dentro da bolsa, aproximando-se para mostrar-me algumas fotos. — De qualquer forma, temos Mathew só para o caso de Christopher demorar muito a se tocar.
— E quem é esse? — Como sempre ela estava empurrando algum homem para mim.
— Meu personal, gatissimo. Seu número. – Gargalhou piscando para mim.
Eu até mesmo consegui me animar com a ideia. E fazia quando tempo que eu não ia as compras mesmo? Mais ou menos uns três anos, o laboratório consumia todo o meu tempo, e eu nem sequer tinha encontros, então para que roupas novas?
Ficamos mais de duas horas bebendo e olhando fotos de roupas e cabelos que eu deveria usar. O que me animou, após ver uma foto de uma modelo com cabelo vermelho, eu havia decidido que definitivamente queria aquela cor para mim. Mesmo com muita empolgação, a única coisa que eu conseguia pensar era: como iria acordar no outro dia para trabalhar?
***
Quando o despertador tocou a única coisa que eu queria era quebra-lo em pedaços incontáveis. Eu não tinha certeza se a minha cabeça já havia pesado tanto assim alguma vez na vida. Deus. Era como um inferno. Minha garganta doía e minha boca estava ardendo de tão seca. Era exatamente por isso que eu não bebia, meu organismo não havia sido feito para este tipo de coisa. Rolei sob as cobertas e sai cambaleando da cama. Minhas pernas quase não sustentavam meu corpo enquanto eu me arrastava para a cozinha, peguei a garrafa de água da geladeira e bebi quase toda em um gole. Graças a Deus, provavelmente eram as palavras que a minha garganta pronunciava. Eu chegaria atrasada no café, com a ajuda dos meus dois pés esquerdos chegaria atrasada e com alguma contusão.
Eu não tinha do que reclamar, era muito sortuda de verdade. Mesmo com todas as controvérsias desta frase. Que não combinava muito comigo.
— Que cara é essa? — Christopher perguntou, meia hora depois que eu havia chego ao café sentando-se na mesma banqueta de sempre. Ótimo como se eu precisa de Christopher para me encher o saco hoje. Estava sem um pingo de paciência para as suas piadinhas.
— Cara de ressaca. — Comecei a preparar seu mocaccino, pois era o que ele sempre pedia.
— Dulce certinha Maria, de ressaca? — Perguntou erguendo uma de suas sobrancelhas.
— Por favor, não enche. — Respondi grossa, me arrependendo um segundo depois. — Por que todo mundo se espanta? Sou tão careta assim? — Questionei enquanto colocava a bebida em sua frente. — Vai querer algo para comer?
— Não, apenas não é seu estilo ... — Bebericou um gole do café. Ignorando o meu tom mau humorado. — Humm, sim quero um croissant de presunto.
Entreguei seu croissant, e fui limpar uma mesa que havia sido desocupada. Christopher frequentava o café há mais de dois anos, acabávamos sempre conversando quando ele estava aqui, pois ele não gostava de fazer refeições sozinho. Sempre acabava lhe contando uma coisa ou outra sobre a minha vida, e ele da sua. Não entendia porque ele ainda perguntava algo da minha vida, pois depois de compartilhar meia dúzia de fatos, percebi como era monótona em relação a dele. Christopher Uckermann era um tipo de mulherengo surreal. Era aquele homem que você sabia que deveria ficar a milhares de quilômetros de distância mas acho que nenhuma mulher conseguia. Era um demônio em pessoa.
— Posso perguntar uma coisa? – Questionei enquanto passava o pano no balcão.
— Claro. – Respondeu tirando os olhos do jornal, para olhar os meus.
— Como você consegue ter encontros todos os dias? Digo como isso funciona? – Ele quase cuspiu o café com a minha pergunta.
— Você quer saber como um encontro funciona? – Apenas assenti com a cabeça. – Você nunca teve um encontro?
— Não. — Ele coçou o queixo, pensativo. – Quer dizer, já saí com alguns caras mas nada demais sabe?
— Não tem uma fórmula secreta, é natural. Nunca tinha parado para pensar nisso, por esta perspectiva.
— Mas você agenda seus encontros, como isso pode ser natural? – Questionei, pois ele mantinha relações regulares com mulheres diferentes.
— É diferente, eu saio com várias mulheres mas elas sabem umas das outras. – Deu um gole no café. – Ou sabem que não é nada exclusivo. É apenas sexo, sei lá.
— E você não confunde os nomes? – Ele soltou uma gargalhada.
— Claro que não Dulce, não sou tão sacana assim.
— Vai saber.. — Mordi meu lábio inferior.
— Mas o que aconteceu? Ressaca e agora encontros, o que você está aprontando?
— Nada de mais, só estou tentando fazer umas coisas diferentes. – Respondi enquanto arrumava algumas xícaras no balcão. – Você tem que me ajudar, deixe de ser ruim, você é uma espécie de especialista em encontros, não seja mal.
— Tá bom. Vou te dar algumas dicas, mas não ache que isso irá acontecer com frequência.
— Ok, prometo. – Disse levantando a mão em juramento. - Então qual a primeira regra?
— Nunca ligue, os caras não gostam de mulheres que grudam e pegam no pé deles. Pode ter certeza, se quisermos falar com uma mulher, nós vamos ligar ou vamos mandar uma mensagem.
— Mas nem se for importante ou algo sexual? – Questionei confusa. De onde essas perguntas tinham vindo? Eu nunca falava assim com ninguém, por Deus.
— Sexual quanto?
— Humm não sei, tipo mandar uma mensagem perguntando o que o cara está vestindo? – Meu Deus as palavras simplesmente cuspiam da minha boca. Que merda. Ele quase afogou-se com o café novamente.
— Merda, Dulce você não pensa antes de falar? Tipo mensagens eróticas?
— É eu acho que sim. – O vi dar um sorriso lateral.
— Bem acho que ele não vai se importar se forem destas, só se estiver com outra garota. – Disse pensativo. – Não, ele não ira se importar, nem se ele estiver com outra garota. Droga, isso é excitante. Mas você deve ter um pouco de intimidade para mandar algo assim, se não o cara vai pensar que você é uma vadia.
— Ok então. – Ele estava excitado? Eu tinha feito isso com ele? Ou ele estava apenas tentando ser simpático comigo? – Eu tenho um encontro semana que vem.
— Oh que bom, com quem? – Ele franziu as sobrancelhas, mas foi tão rápido que quase não notei.
— Eu não sei, Mary vive arrumando esses encontros loucos com pessoas que eu não conheço.
— Bom, mantenha-me informado você tem meu número, qualquer dúvida pode me ligar ok?
— Posso mesmo? – Perguntei confusa, e a regra de não ligar?
— Claro que sim Dulce, somos amigos não somos? A regra não se aplica a amigos. — Oh é claro que não se aplica. Christopher levantou-se deixando o dinheiro em cima do balcão e jogando uma piscadela para mim.
— Somos sim. — Fiquei admirando ele sair.
Recolhi o pagamento e separei minha gorjeta.Christopher era sempre generoso nas minhas gorjetas. Desde que começou a frequentar o café, ele disse que as pessoas eram mal educadas e nunca conversavam com ele.
Ele era perfeito, tudo nele era. Lembro-me da primeira vez que ele cumprimentou-me, apertando firmemente minha mão. Deus, lembro de ficar parada igual uma idiota imaginando como seria a sensação daquelas mãos na minha pele, passeando por todo meu corpo. Imaginei como seria ter seu corpo sobre o meu, e comecei a imaginar isso sempre quando o via. Até que me acostumei com as sensações que ele causava em mim, Christopher era um mulherengo de carteirinha, estava acostumado a ter mulheres babando por ele em todos os cantos. Por isso tive que começar a conter o frio que eu sentia na boca do meu estomago todas as vezes que o encontrava, e pouco a pouco meu cérebro foi se acostumando.
Houve uma época que eu era completamente apaixonada por ele, se ele pensasse em me querer eu já estaria balançando minha calcinha em seu rosto. Mas quando ele começou a compartilhar suas aventuras amorosas comigo, um pouco disso perdeu-se, no dia em que ele havia me contado de sua aventura com duas mulheres ao mesmo tempo eu me senti enjoada. E desde então nós eramos amigos, somente amigos.
Acho que na realidade Christopher quase me via como um homem, porque as coisas que ele me contava não eram as quais contamos para qualquer pessoa. Aos poucos fui perdendo minha vergonha com ele. Falava palavrão, fazia perguntas indiscretas como as de hoje mas nunca passou disso. Ele nunca demonstrou nenhum interesse em mim, ou que pensava em mim como além de uma amiga, até mesmo uma irmã mais nova. Afinal tendo todas essas mulheres ao seus pés, não só por ele ser bonito mas também um empresário rico, por que ele iria olhar para uma mulher como eu?
Eu não me via nos padrões das mulheres com quem ele saía, elas eram loiras e magérrimas, ratas de academia e adeptas a cirurgias plásticas. Já eu era morena, um pouquinho acima do peso e com peitos de mais, não que eu os quisesse, ou tivesse pago por eles. Deus, claro que não, se eu pudesse, pagava para me livrar deles. Para mim não serviam para nada, eu odiava meus peitos eles eram desproporcionais ao meu corpo pequeno, queria ter peitos menores e mais funcionais, mas Deus não me deu uma ajudinha com isto.
Christopher era um garanhão, eu queria mudar mas não para ficar com ele. Pelo menos era isso que eu ficava me repetindo, mas esse pensamento estava rondando minha mente, desde que Mary o havia mencionado na noite passada. Não que eu não pudesse me divertir com ele, mas Christopher era do tipo que não se amarrava, que não se prendia. Eu queria um namorado, acho que era o que faltava para mim, sem drama ou complicações, alguém para cuidar de mim.
Saí do meu transe quando meu celular tocou.
— Diga Mary.
— Oi Dul, como você está?
— De ressaca, culpa sua, e você?
— Eu imaginei, eu estou bem. Vamos na academia hoje?
— Ahhh não.. – Resmunguei enquanto terminava de lavar alguns pratos. – Eu estou morta Mary, podemos começar amanhã eu juro que vou.
— Ok vou te dar essa chance, mas pensei melhor e acho que o melhor pra você vai ser malhar, antes do trabalho.
— Você só pode estar louca, seria como malhar as seis da manhã?
— Isto, você vai ver, seu dia vai render mais depois que você começar a fazer certinho, amanhã passo na sua casa para te buscar as seis ok? Beijinhos
E com isso desligou. Malhar? Eu? Às seis da manhã? Mary realmente estava tentando, e eu iria acompanhá-la. Nada que não me fizesse querer matar ela, mas estava me ajudando e eu não tinha do que reclamar. Ela era uma boa amiga, louca, mas uma boa amiga e quando colocava uma coisa na cabeça não havia santo que tirasse.
01, Nando.
Lá estava aquela moreninha toda metida, andava como se fosse dona do mundo, olhava para tudo e todos desafiadoramente. Ninguém podia enfrenta-la, e ninguém o fazia mesmo. Tinham medo da teimosia, do furacão que Maria Bianca podia ser. Eu já a tinha enfrentado tantas vezes que parei de contar depois da décima. Nem mesmo eu aguentava ela. Não só por sua bagunça, mas porque a desejava mais do que qualquer coisa.
Fiquei me perguntando, repetindo a pergunta muitas e muitas vezes: “Quem não era louco por ela?”. O corpo parecia ter sido moldado a mão, cada curva, cada pedaço... O cabelo negro era milimetricamente no lugar desajeitado, os olhos azuis eram hipnotizantes como uma sereia, os lábios eram...
Mas eu nunca assumirei isso a ela, nunca em um milhão de anos. Maria Bianca é tão dona do mundo que me causa náuseas, me irrita essa posse que ela tem das coisas, ninguém é dono do mundo e da verdade, então por que ela tem que ser?
Pensava tudo isso a caminho da minha sala de aula, as crianças para qual dou aula já estavam me esperando, deram bom dia e se ajeitaram, cada um deles com seu instrumento.
– Bom dia! Vamos começar?!
E bagunça começou, todos começaram a tocar juntos sem ordem alguma, eu gostava daquela zona, tinham liberdade para fazerem o que quiserem por pelo menos dez minutos, quando eu era criança não tinha isso, tudo era rígido, dito por leis e horários, e eu odiava cada segundo. Então dava a eles essa liberdade.
Passado os minutos de bagunça, todos silenciavam e aproveitavam aquilo, pensavam no que queriam e pediam uma musica. Cantávamos e tocávamos juntos, depois ensinava algumas notas e estavam liberados.
Aquilo era como um serviço social ao qual meu avô me obrigara a fazer quando decidi me mudar para sua casa, ele não queria que eu ficasse sem fazer nada, então tinha que arranjar algo produtivo para mim.
Não podia reclamar, ate que gostava.
O resto da manha eu ficava na cantina com o Leo ou ajudando alguém da direção, todos me conheciam por conta do meu avô, então como pedido dele, eu não ficava sem fazer nada. Gostava de estar produzindo alguma coisa, mas gostava mais ainda por que estava perto dela.
– Nando! – O Leo me gritou, veio correndo ate mim, e aquela cara me dizia que tinha festa – Vamos?
– Para onde?
– Festa! Na casa da loira hoje.
– De quem?
– Não faz pergunta. Hoje, nove horas.
E assim como chegou, saiu correndo.
Y
Nove e meia. Sexta-feira, casa da Loira.
Uma casa maneira, tinha piscina, muita bebida e muita mulher... E tinha Maria Bianca, claro. Parecia que não perdia uma. Mas eu ignorei a moreninha a festa inteira, era dia de carne nova e nada de brigas, o Leo logo no começo sumiu, então tive que me virar. Passei pelos cômodos da casa e nada me atraia, e quanto mais eu andava, mais eu bebia.
– Vou te esperar no quarto... Vai me encontrar? – Uma loirinha bonita sussurrou no meu ouvido, depois de alguns minutos de papo
– Em três segundos.
Foram os três segundos mais demorados da minha vida. Não encontrava o quarto certo, ate que encontrei um onde estava totalmente escuro, com apenas uma janela aberta, a musica abafou assim que entrei e tranquei a porta, fui ate a janela para ver onde dava.
– Pensando em mim, amor? – Eu disse subindo pro telhado, Maria Bianca estava deitada olhando o céu. Parecia ser a parte silenciosa da casa, não se ouvia nada.
– Hoje não Sampa... – Murmurou
– Ei princesinha, que foi? – Olhei-a, suas bochechas molhadas indicavam lágrimas, ela desviou o olhar, me deitei do lado dela
– Vai embora.
– Não...
– Hoje não... – Sua voz falhou
– Vim em paz.
– Sampa... – Ela soluçou, sem pensar puxei seu corpo para perto do meu e a apertei. Podia sentir seu coração pulsando, ouvir seus soluços e sua respiração falha.
– Princesa... Moreninha... O que você tem? – Beijei seu cabelo, tinha cheiro de xampu infantil. Ela nada me disse, chorou tanto que molhou minha camisa, soluçava e tremia em meu colo.
Se levantou puxando os cabelos para trás prendendo em um coque, passou a mão no rosto tirando todo vestígio de choro e respirou fundo olhando o céu mais uma vez, seus olhos eram suplicantes, parecia estar esperando que a solução dos problemas do mundo caíssem. Ficamos sentados juntos por um tempo em silencio.
– Sampa, por que brigamos tanto? – Ela quebrou o silencio
– Porque é divertido?
Ela sorriu fraco.
– Estou falando serio.
– E eu também. Você pensa que eu não percebo?!
– O quê? – Me olhou confusa
– Que você fica mais feliz depois que fala comigo... Melhor, briga comigo – Ela gargalhou
– E você me quer.
– Do mesmo jeito que você me quer.
Ela me olhou sorrindo, e eu não aguentei, segurei sua nuca e a beijei. Primeiro com força, queria tanto ela que não tinha como ser calmo, e ela retribuía na mesma ferocidade. Depois, a própria tomou as rédeas, segurou meu rosto com as duas mãos e se afastou um centímetro do meu rosto, sorriu bem calminha, passou os lábios no meu como se quisesse brincar, sugou meu lábio inferior e o mordeu e iniciando um beijo calmo, seus lábios macios e carnudos tinha gosto de morango. Sabia o ritmo certinho, desci a mão para sua costa, e a puxei mais para mim que se sentou em meu colo, entrelaçou os dedos em meu cabelo e apertou.
– Então tudo aquilo era desejo reprimido? – Ela riu no meu ouvido causando um arrepio na alma
– Me responda você – Beijei seu pescoço dando uma mordida
Ela desceu do meu colo e voltou a se sentar do meu lado, passei o braço em sua cintura e ela apoiou a cabeça em meu peito.
– Tenho que ir... – Sussurrei em seu ouvido. Não queria estragar o momento, éramos tão instantâneos e impulsivos, se brigássemos logo agora naquele instante nosso...
– Fica comigo essa noite que eu te faço feliz, finge que eu sou seu amor que você sempre quis, amanha é outro dia e a gente vê como fica... – Cantarolou baixinho sorrindo, e por impulso voltei a beija-la, essa noite eu queria ser apenas dela.
Capitulo: 01
Uma semana se passou depois da última festa da qual eu não me lembro nada. Não vi Alice, nem mesmo Alessandra, a preferidinha da minha mãe, não apareceu em casa. E se apareceu, minha mãe deve ter feito voltar para casa.
Hoje, segunda-feira, 7h54 da manhã, estou tendo que aturar uma aula de história tão chata quanto o sermão da minha mãe. Alice babava na carteira ao lado, e a Alessandra, como sempre prestava atenção, extrema, a aula.
– Mabi, tem como você parar com esse batuque? – Alice murmurou ainda de olhos fechados, quando eu fico nervosa ou entediada, tenho o costume de batucar nas coisas, o tique nervoso mais irritante para Alice. Eu batia freneticamente o lápis na carteira, e ela parecia ser a única incomodada;
– Não.
– CACETE! PARA – Ela se levantou gritando, e todos da sala se viraram para ela. O professor Theodor não gostou muito, mas como era um homem de poucas palavras, apenas apontou para a porta e olhou para nos duas.
– Valeu mesmo, Alice.
Eu disse assim que saímos da sala.
– Como se você quisesse estar naquela aula.
Ela riu enquanto caminhava na frente.
– Não é questão de querer. Minha mãe vai saber e vai ser mais um sermão. Ou pior...
– Não fale isso.
– Mas bem que ela poderia não é?
– Ela só promete que vai manda-la para seu pai, mas eu nunca deixaria. Você é minha.
– Cale a boca.
Nos duas rimos. Desde que conheci Alice no primário, nos nunca brigamos sério, sempre perdoávamos uma a outra dois segundos depois. Ela era muito nervosa, falava antes mesmo do cérebro concordar.
– Ficou sabendo? – Ela disse sentando-se na cantina, colocando os pés sobre a cadeira
– Do quê?
– O cara que te ajudou na balada, é amigo do Leo.
– Que cara?
– Mabi, é impossível tu não se lembrar dos bíceps maravilhosos que te carregaram até o carro. I-M-P-O-S-S-I-V-E-L.
Ela soletrou cada letra.
– Alice, não me lembro de nada depois que beijei o Davi.
– Merda.
– O quê?
– Ele está bem atrás de você.
– Quem?
– Os bíceps.
Olhei para trás. A visão do céu.
– Tenho que te avisar de algo. Ele deve estar com raivinha de você...
– O que eu fiz?
– Beijou, e logo depois, antes mesmo que ele pudesse respirar, tascou um tapa...
– Merda...
– Pois é.
O olhei mais uma vez. O cabelo preto liso caia sobre os olhos, não de um jeito que os outros fazem para que caia de propósito. O dele era natural. Tinha lábios finos, alto, moreno, forte...
– Como as coisas são engraçadas, não é? – Ele disse enquanto caminhava em minha direção, não desviou o olhar nem um segundo
– Do que está falando?
– De você. Achei que nunca mais fosse reencontra-la, e em todas as vezes que achei que pudesse revê-la você não estaria sóbria. Então, num dia qualquer, num lugar que jamais pensei que frequentasse, você aparece...
– Quem você pensa que é para falar comigo assim?!! – Me levantei num pulo e fiquei em sua frente, o encarando com raiva
– Mostrando as garrinhas... Desculpe, hoje não vai dar... Não vou poder brincar de tapas e beijos.
– Seu babaca! Acha que pode me tratar assim com que direito?
– Com o mesmo direito que achou que tinha quando me bateu.
Levantei a mão para que pudesse bater novamente, dessa vez com vontade, e mais força. Será que ele não sabia que eu estava agindo inconscientemente? Mas antes que pudesse pensar direito, ele agarrou meu pulso com força e aproximou o rosto bem perto do meu, podia sentir o hálito fresco entrar pela minha boca, meu pulso doía, mas minha raiva era maior.
– Nunca mais tente fazer isso.
– Ou, já chega não é? – Alice interrompeu, eu sentia o sangue ferver em meu corpo, queria espanca-lo, porém, o outro já nem ligava mais, riu ironicamente se afastando de mim.
– A gente se vê por aí, pirralha.
Sem pensar, agarrei o pote de ketchup na mesa e arremessei em sua direção acertando em cheio sua cabeça. Quando voltou a me olhar, seus olhos pareciam fogo. Queria me matar. Eu ri por dentro. Causei alguma coisa.
– Nos vemos por aí.
E sai, não sabia para onde, mas sabia com certeza que era na direção contraria para qual ele iria.
– Uau, o bíceps é bem esquentadinho hein? – Alice falou caindo na gargalhada
– Ainda não achei a graça Alice.
– Então vamos voltar lá. Acho que você perdeu quando ia bater nele.
Fica Por Aqui - Capítulo 01.
Era sexta-feira, último dia da famosa "Semana do Descontrole" na ETEC em que estudava, era o "Dia do Troca", quando as meninas iam vestidas de menino, e os meninos de menina, mas eu não queria participar da brincadeira, enquanto todos estavam fora da sala tirando fotos, sentei no meu lugar, peguei um livro e comecei a ler, e estava completamente concentrada na história, quando alguém sentou na cadeira da frente e ficou me olhando. Fechei o livro e olhei pra frente, era o garoto que eu sempre via conversando com meus colegas de classe, sabia que estava no 3º ano, fazia técnico de Eletrônica, e se chamava Bernardo. Sorri pra ele, porque ele estava usando um vestido xadrez, tomara-que-caia, um pouco curto demais pra sua altura. Ele sorriu de volta, e puta que pariu, que sorriso lindo!
– Por que tu não tá vestida de menino? – Ele perguntou, enquanto eu colocava o marca páginas no livro e fechava-o completamente.
– Ah, eu me esforcei... Não tô parecendo um menino, não? – Respondi, e nós dois rimos. – Quem ia me emprestar a roupa não veio, então...
– Quer que eu arrume uma roupa pra você? – Ele perguntou, levantando.
– Não precisa, não. Obrigada! – Sorri.
– Espera ai, vou la pegar a roupa pra você. – E saiu andando.
– Mas não precisa... – Mas era tarde demais, ele já tinha saído da sala.
Alguns minutos depois ele voltou com um pedaço de pano nas mãos.
– Desculpa, só consegui isso. – Ele me entregou uma camiseta preta.
– Tudo bem, nem precisava. – Sorri, e peguei a camiseta.
– Claro que precisava, entre no espírito do dia do troca! – Ele sorriu – Bom, preciso ir! – Ele acenou, e saiu da sala.
Vesti a camiseta e voltei a ler meu livro por algum tempo, até que minha cabeça começou a doer um pouco, e resolvi ir até o pátio procurar pela Beatriz. Ela estava sentada com mais alguns amigos, e nós ficamos conversando. O Bernardo veio até a mesa e sentou do meu lado.
– Meu, tu tá muito gata! – Disse, rindo ao observar que o vestido estava realmente muito curto pra ele.
– Eu sei, eu sou muito sensual. – Ele disse, levantando um pouco o vestido, mostrando as coxas. Não consegui segurar a risada, e nós rimos juntos.
– Passa o Whats, gata! – Sorri.
– Claro! – Ele sorriu, e cruzou as pernas. Conversamos mais um pouco, o sinal da segunda aula tocou e nós fomos para nossas respectivas salas.
– De quem é essa camiseta? – A Bia perguntou, assim que me viu na sala.
– Do Bernardo.
– Quem é Bernardo?
– O guri que estava sentado do meu lado na mesa, de vestido xadrez.
– Ah ta... Você parecia bem feliz conversando com ele.
– Ele é engraçado...
– Tem certeza que é só isso?
– Ah Bia, qual é? Eu acho ele bonito, mas você sabe que eu gosto do Alexandre.
– Tudo bem, desculpa. – Ela virou pra frente, e a professora entrou na sala.
As aulas seguiram normais e entediantes, até que finalmente a hora do almoço chegou. Encontrei o Alexandre, meu namorado, e sentamos em uma mesa com os colegas dele.
– De quem é essa blusa, mô?
– Do Bernardo.
– Quem é Bernardo?
– Um guri do 3º.
– Ah ta...
– Para de ciúmes.
– Tu tá com a camiseta de outro cara.
– Ah Alexandre, não começa, que saco! – Tirei a camiseta e arrumei a regata que estava por baixo. – Tá feliz agora?
– Tô.
– Idiota.
– Linda.
– Para. – Nesse momento a Gabriele chegou na mesa. – Gabi, faz um favor?
– Diga, Lice.
– Devolve essa camiseta pro Bernardo?
– É aquele que estava conversando contigo de manhã?
– Sim, sim.
– Ok.
– Obrigada. – Sorri e entreguei a camiseta pra ela.
Alguns minutos depois, vi ela passando, e o Bernardo passou logo depois. Corri e fui falar com ele.
– Ei, eu deixei sua camiseta com a Gabi pra ela te entregar. Ela te achou?
– Não...
– Pera aí, vou achar ela, fica aqui.
– Eu vou contigo.
– Tudo bem. – Sorri. – A camiseta é sua?
– É sim. Por quê? – Ele me olhou.
– Seu perfume é bom. – Sorri, e senti minhas bochechas corarem.
– Obrigada! – Ele riu.
– Olha a Gabi ali. – Apontei pra ela, que estava há alguns metros de nós. – GABI! – Gritei, ela olhou e veio andando até nós.
– Garoto, onde tu estava? – Ela perguntou, entregando a camiseta pra ele.
– Na oficina... E depois aqui com a Alice.
– Tão alto, e mesmo assim fica escondido por ai. – Ela disse, riu e saiu andando.
– Bom... Vou voltar ali com o pessoal, tá?
– Tudo bem. – Ele beijou meu rosto e eu voltei pra mesa. Alexandre estava de cara fechada.
– Por que ficou conversando com ele? Era só entregar a camiseta. – Alexandre disse, assim que me sentei.
– Vai começar?
– Vou.
– Então tchau! Quando você parar de ser idiota, nós conversamos. – Levantei e sai andando.
Capitulo 01
-- Bê, vai lá acordar seu papai, meu amor. – digo, enquanto olho no relógio da cozinha. Era quase meio-dia e Luan dormira a noite inteira. Hoje ele estava de folga, porém, sabia que a noite – se ele dormisse demais – não me deixaria dormir de tanto ficar inquieto. Nicole, nossa filha caçula, estava no chiqueirinho montado na sala, brincando e assistindo televisão. Ouvi passos vindos da escada e quando olhei sob meu ombro, notei Luan vindo em minha direção, com Breno no colo. Antes, Luan fez uma parada, pegando Nicole e a posicionando em seu outro braço. -- Bom dia mor. – ele diz, e percebo sonolência em sua voz. Seus olhos estão inchados e seu rosto amassado. Sorrio com a cena. -- Bom dia amor. – ele se aproxima e deposito um selinho em seus lábios. Pego Breno de seu colo e Luan caminha com Nicole para se sentar ao lado do balcão. Ele toma seu café da manhã – apesar da hora – tranquilamente e conversamos normalmente. Ele me fala sobre um futuro churrasco que terá na casa de seus pais, porém não nos aprofundamos no assunto. -- O Nicolas chega hoje? – ele pergunta, fitando-me e ajeitando Nicole na cadeirinha. -- Uhum. O Victor vai trazer ele hoje. Provavelmente de tarde. – digo. Nicolas é o nosso filho mais velho. Bem, ele é fruto do meu casamento com Victor, que durou quatro anos. Porém, quando conheci Luan já estava separada, e com o tempo nos casamos e Luan trata Nicolas como seu próprio filho. Ele tem cinco anos, e por incrível que pareça, relembra em alguns detalhes, o pai de Luan. Ao total, nossa família tem cinco integrantes: Nicolas, o mais velho, com cinco anos, Breno, o do meio, com dois anos e meio, Nicole, a caçula, com um aninho e meio, o Luan, agora com 35 anos, e eu, Fernanda, com 33 anos. Nós morávamos no Paraná por decisão conjunta, já que Luan, logo quando nos casamos, me disse que preferia um lugar mais calmo e reservado, até mesmo para criarmos os nossos filhos. Os pais de Luan moravam em um outro municipio, nada muito longe de nossa casa. A Bruna morava em São Paulo, já que estava casada há poucos mais de um ano com um diretor que atuava mais em peças de teatro, em São Paulo. Minha mãe, continuava morando em Goiás, na casa onde cresci e só sai de lá após os 24 anos, com uma proposta irrecusável de trabalho também em São Paulo. Já meu pai faleceu há quase dois anos, mais velho que minha mãe sete anos; ele tinha um problema cardíaco e depois de uma de suas crises acabou não resistindo. Ele chegou á conhecer todos os seus netos, até mesmo Nicole; ele se foi quando ela tinha apenas três meses. Luan, nesta época, ainda fazia muitos shows, mas por ver a minha situação e por mais um motivo - nossa filha -, ele decidiu diminuir a rotina de shows e não passava mais de três dias longe de casa. Suas fãs entenderam de coração aberto e eu serei grata á elas por todos os meus dias. Durante um pouco mais de um mês, senti uma falta absurda de meu pai, porém minha mãe ficou conosco durante um mês, o que acabou amenizando um pouco a dor. Depois disso, ela nunca quis sair de Goiás. Era um cantinho dela, onde sempre foi acostumada, e além do mais tinha primas e irmãs por lá, porém ultimamente venho tentando convence-la á vir morar no Paraná também; Luan não se opôs a idéia e até preferia assim. -- O aniversário da Bruna tá chegando né? - ele disse de boca cheia e depois colocando um pequeno pedacinho de pão na boca de Nicole. -- Tá sim. Ela vai vir pra cá. É uma boa fazer uma festa pra ela né? - perguntei, abrindo a porta da varanda e vendo Bolota entrar correndo e já fazer festa com latidos ao lado de Luan. Luan, apesar de ser apegado á Puff decidiu dá-lo á Bruna para fazer companhia á ela. Então, sentindo falta de um animalzinho na casa e para fazer a festa dos nossos filhos, ele comprou Bolota, um shih-tzu peludinho branco e caramelo. -- Você podia arrumar isso né amor? A gente podia fazer lá na chácara. - ele sugeriu. -- Eu faço sim. - sorri e segui indo em direção á Nicole e pegando-a da cadeirinha. -- Só vai ir trabalhar na quinta né? -- É, mas eu acho que vou sair daqui na quarta, porque eu preciso passar no escritório de São Paulo. Concordei com um aceno de cabeça, pensando que mesmo o tempo sendo curto, poderíamos aproveitar bastante. -- Hoje eu vou na casa da mãe. Mais tarde... Quer ir? - ele me olhou, pegando uma bolinha do chão e jogando para Bolota. -- Tenho que ficar pra pegar o Nicolas... Pode ir. - eu sorri. Ele me acompanhou no sorriso e logo depois chamou Breno para ir brincar no jardim de casa. Nicole, que estava um pouco enjoadinha e resfriada, ficou no cercadinho olhando os desenhos da TV. Arrumei a casa e cuidei dos meus trabalhos. Tinha algumas plantas para entregar ainda essa semana e eu já imaginva como poderia ser corrido, pois Nicolas iria para a escola, Luan estaria em casa e Breno e Nicole também, afinal, decidi não manda-los para creche, pois em minha mente eu precisava ser uma mãe o mais presente possível, acompanhando-os na melhor fase de suas vidas. Apesar de receber a ajuda da Cida - nossa empregada e grande amiga -, eu sabia que o tempo seria minimo, então eu aproveitaria todo o tempo possivel para adiantar o meu trabalho. Quando olhei no relógio, as cinco da tarde já se aproximava e imaginando que Victor demoraria mais um pouco para trazer Nicolas, decidi ir tomar um banho: -- Amor, vou tomar banho viu? - disse pro Luan, que estava brincando com Nicole no sofa e Breno no tapete da sala. -- Tudo bem amor, vai lá! - ele disse, sem nem ao menos me olhar. Quando se tratava de seus filhos para Luan não existia mais ninguém no mundo. Subi as escadas, escolhi um vestidinho leve e entrei no banheiro. Demorei, relaxando meu corpo, pois agora eu sentia na pele como era dificil cuidar da casa, do marido e dos filhos, trabalhar, se preocupar com a família e ainda ter tempo para si mesma. Quando terminei o banho, me arrumei basicamente e andando pelo corredor, ouvi vozes vindas da parte de baixo. Desci as escadas e me deparei com Nicolas no colo de Luan. Sorri ao notar meu filho estendendo os braços em minha direção. -- Oi meu amor! - o abracei forte. - Tudo bem? Que saudade de você filho! - ele sorria e concordava com a cabeça, me abraçando forte pelo pescoço. - Oi Victor, tudo bem? - me virei pro meu ex-marido e sorri. -- Tudo certinho Fernanda. - ele sorriu também. Percebi Luan colocando a mão em minha cintura e eu sorri com isso. Luan era ciumento em todas as situações, mas ele sabia perfeitamente que minha situação com Victor era totalmete resolvida. -- Olha aqui as malas do Nicolas. - Victor disse, estendendo a mala e Luan a pegando. -- Quer entrar cara? - Luan perguntou, gentil. -- Não, não eu já vou. Filhão dá um abraço aqui no pai. Do meu colo, Nicolas foi para os braços de seu pai, também oferecendo um apertado abraço. Depois de se despedir do filho, Victor disse: -- Vou indo. Tchau gente. Victor se afastou, entrou no carro e foi embora. Provavelmente ele só viria pegar Nicolas daqui á um mês, pois ele morava em São Paulo, mas nem por isso deixava de ser presente. Quando me mudei por conta do meu casamento com Luan, falei com Victor e ele entendeu, prometendo ver Nicolas sempre que pudesse e dizendo que estaria presente caso precisássemos. No fim das contas, ele vem ver Nicolas de quinze em quinze dias ou de mês em mês, já que seu trabalho lhe dava uma condição financeira estaável para isso, o que me deixava feliz, pois não queria ver meu filho crescendo longe de seu pai, apesar de ter a presença paterna de Luan em sua vida. -- E aí filhão? Como foi? - Luan perguntou, sorrindo para Nicolas. Nicolas, após muita conversa entendeu que Victor era seu pai biológico, mas que Luan era o seu segundo pai e estasituação já estava resolvida, e ele amava ter paparicos dos dois lados. -- Foi legal. A gente foi no parque e depois comemos um lanche grandão assim. - ele mediu o espaço entre suas mãos. - Aí, depois, fomos pro hotel do papai, assistimos A Era do Gelo e eu dormi. - ele terminou, sorrindo. Eu o olhava, encantada e cheia de saudades, apesar dele a ver passado apenas um final de semana com Victor, pois amanhã ele já teria que ir pra escolinha. Ele passou no bebê conforto de Nicole e deu um beijinho em sua bochecha. Depois, fez um "toquinho" com Breno e se sentou no tapete da sala para brincar com ele. -- Vai na casa da sua mãe, amor? - perguntei á Luan, sorrindo e o abraçando pela cintura. -- Uhum, vou dar uma passadinha por lá. Quer ir não? - ele disse, depositando um selinho em meus lábios. -- Hoje vou ficar aqui, cuidando das crianças, tá bem? - perguntei. Ele sorriu e me abraçou, logo depois subiu as escadas, pegou a chave do carro e seguiu para a casa de seus pais.