46. The Beginning of The End
EUA – Las Vegas, Nevada – 2017, 10h36 AM
Point of View Brooke Patterson
Nós pegamos o metrô. Justin preferiu, pois, segundo ele, era muito mais seguro. Essa vida de se esconder a todo minuto não era nem um pouco agradável, mas eu ainda estava ali, embarcando com ele para algum lugar em Vegas do qual não fazia ideia de qual era.
E mesmo depois de ter aceitado minha companhia e ter me levado para fora do hotel como se não pudesse nem sequer olhar para os lados, Justin ainda mantinha sua cara emburrada. E eu poderia reclamar, sim, poderia. E agredi-lo também. Mas eu me senti tão chateada por aquela merda que apenas suspirei e fiquei quieta na minha.
O vagão balançava na maioria das vezes, fazendo os passageiros chacoalharem e esbarrarem uns aos outros. Pelo menos enquanto esteve cheio. Agradeci por, a cada ponto, um trio de pessoas descerem. Justin segurava sua maleta firmemente ao lado do corpo; a outra mão apertando a barra de ferro acima de nossas cabeças, junto a minha.
Fixei meu olhar pensativo em um ponto qualquer. Senti uma queimação ao lado do rosto, nada como fogo. Era apenas um par de olhos castanhos me observando atentamente.
Houve um suspiro longo. E foi como se estivesse arrependido. Abaixei o olhar para os meus pés brevemente, ouvindo o som de conversas alheias em volta.
— Não tô com raiva de você. — ele sussurrou; o hálito quente ricocheteando minha orelha.
Subi o olhar para o seu. Absorvendo a frase por alguns segundos. Deixei os cantos da minha boca se curvarem levemente quando terminei.
Justin inclinou o rosto para mim devagar, e eu fiz com que seus lábios pressionassem os meus. Minha mão livre segurou sua blusa enquanto nos beijávamos, aprofundando apenas um pouquinho.
— Eca. — disse uma voz infantil logo abaixo.
Nós paramos para olhar. Era um garotinho sentado ao lado da mãe que tirava um cochilo. Justin fez uma careta para ele, resmungando quando virou o rosto.
— Ei. — o repreendi, batendo de leve em seu peito; o vagão balançou e tive que me segurar em sua roupa.
— Que tipo de garoto não gosta de beijar uma garota?
— Você não tinha esse tipo de coisa quando era mais novo? — perguntei óbvia.
— Hm, não. — deu de ombros. — Eu queria te beijar. Mas você nunca deixaria.
Eu fiquei olhando para ele mesmo depois que se distraiu olhando para as janelas onde o muro passava rapidamente. Ri pelo nariz, balançando minha cabeça.
— Eu amo... — um novo balanço quase me fez tropeçar, eu cairia se não estivesse segurando a barra acima. Um senhor chegou a esbarrar em mim e me encarar como se eu fosse culpada. — Mas que merda, quando vamos chegar? Odeio metrôs. — bufei.
A voz eletrônica deu um aviso. Justin apontou com o queixo e eu suspirei aliviada por enfim sentir aquele vagão parar. Nós saímos juntos das outras pessoas, não tendo nenhum problema de primeira.
— Me lembre de passarmos em uma farmácia. — Justin murmurou, olhando para baixo quase sempre.
— Não há nenhum policial por aqui. — rolei os olhos. — E eu já sei, tá legal? Não precisa me pressionar. Isso tudo é medo de ter outro bebê? — bufei.
Justin me encarou de canto, brevemente.
— Você reclama como se estivéssemos em um ótimo momento para isso. — bufou também.
Fiquei quieta, aceitando suas palavras. Ele estava certo, não tínhamos tempo para continuar planejando nossa família. Suspirei por pensar em Jackson, devia ter ligado para casa antes de sairmos do hotel.
— Eu não quero outro bebê, okay? — relaxei os ombros. — Eu só... esquece.
Nós andamos uma boa distância sem dizer mais nada. Eu quis mesmo saber que lugar nós estávamos quando Justin chegou a um fim de rua com chão de terra e um conjunto de três estabelecimentos aparentemente antigos demais. Nós paramos naquele local, e eu o vi por a mão sobre os olhos para olhar em volta debaixo do sol.
Cruzei os braços e estreitei meus próprios olhos pela claridade imensa, procurando o que é que fosse, como ele.
— Bizzle? — viramos os rostos para trás ao ouvir a voz logo após a porta daquele bar ter sido aberta com um rangido. — Aí, irmão, até que enfim, achei que não fosse aparecer.
Justin não reagiu como se ele fosse um dos seus amigos, indo até lá e fazendo um toque de mão com o cara. Ele continuou inexpressivo, respirando fundo e olhando em volta mais uma vez.
— Cadê o carro? — perguntou.
— Está logo ali atrás. — o cara deu um passo à frente, porém se manteve na segurança da sombra da varanda do bar. — A grana?
Justin deu alguns passos para trás, sem desviar o olhar. Ele apenas checou da distância em que estava, para o provável veículo que estava atrás das casas, e então voltou a encarar o homem e enfim entregou o dinheiro.
— Boa sorte, cara, está tudo certo? — perguntou o homem após abrir e olhar as notas desalinhadas dentro da maleta.
Justin desceu os degraus sem olhar para trás, deu dois tapinhas fracos em meu braço para que eu recapitulasse a atenção e o seguisse. E foi o que fiz após ouvir as chaves chacoalharem em sua mão.
Nós passamos pela divisão do bar e um mercadinho barato; lá detrás podíamos ver uma extensa estrada e uma vegetação escassa pelos acostamentos. Mas não foi nisso que foquei.
Eu estava morta de calor com todo meu cabelo, mas ainda sim o ignorei para virar meu olhar confuso para Justin.
— O que é isso? — perguntei, pondo as mãos na cintura.
— Um carro? — zombou com toda sua obviedade. — O que mais seria?
— Você deu mesmo todo aquele dinheiro em troca disso? — apontei.
— Cale a boca e entre na porra do carro, Brooke. — estalou a língua, indo até uma das portas, a abrindo.
Verificou os assentos, principalmente o de trás, onde abriu um sorriso satisfeito antes de se colocar para fora outra vez e olhar para mim erguendo uma sobrancelha.
— Olhe, Justin, eu não sou criança, não sou maluca então não me dê ordens. — continuei olhando a lata velha por ali, ignorando sua carranca. — Tenho um pai e nem ele manda em mim, porque mesmo insiste que vou te obedecer?
— Você quer ficar aí queimando ainda mais nesse sol? Tudo bem, eu não vou impedir. — ele tinha apoiado um braço sobre o teto quando sua mão pegou na parte quente, o que o fez se afastar resmungando um palavrão.
Rolei os olhos, andando até a porta do carona.
— Ele sabe que transamos em cima da grana? Talvez desse mais por elas, não? — puxei a maçaneta.
— Talvez. — murmurou, sentando-se e pegando o volante após fechar a porta.
— Eu acredito que ele vá esterilizar no primeiro momento que encontrar rastro de sêmen nas not... aí, meu Deus. — parei de olhar para o banco atrás para voltar a Justin. — Então era por isso?
Ele deu a ré, e nos tirou dali.
— Yeah, você descobriu, B, parabéns. Quer um agradinho? — zombou, pegando a estrada agora.
— Esse carro não tem airbags, gostaria de morrer mais cedo?
— Quer cometer suicídio? Jackson está te esperando em casa, não devia fazer isso com ele. — não desviou seu olhar do caminho em nenhum segundo, mudando a marcha.
Respirei fundo. Balançando a cabeça, ignorando aquilo.
— Porque todas essas armas? — perguntei, inclinando-me para pegar a menor. — Elas custam tanto assim?
— Deixe isso aí, quer que a polícia nos pare? — arrancou a pistola das minhas mãos, jogando para trás e tampando todas com o lençol branco.
Fiz um bico chateado por menos de um segundo, me virando para frente vendo os prédios da cidade nos cercar novamente.
— Não há policiais por aqui. — comentei, o olhando de canto.
Justin rolou os olhos. E fez uma careta entediada sem precisar dizer mais nada para me atingir. Eu mantive minha boca fechada para evitar discussões, mas queria tanto, tanto empurrá-lo pela porta afora.
Quando estacionou em um acostamento, eu nem sequer notei.
— Está com sede? — perguntou ele, tirando a chave da ignição. Umedeceu os lábios e eu sabia disso mesmo sem encará-lo. — Com fome? Quer alguma coisa ou...
Ele resmungou um palavrão e saiu do carro quando não respondi. Suspirei longamente, passando a mão pelo canto do rosto, olhando para a janela. Li um letreiro não muito longe onde oferecia as melhores garotas da cidade. Balancei a cabeça, desviando o olhar para frente. Minutos depois vi uma viatura.
Ela vinha calmamente pela rua. E antes que passasse ao lado do nosso carro velho, Justin chegou aqui. Ele abriu a porta e entrou tão rápido que poderia ter me feito rir se caso não estivesse tão puta. Jogou uma cartela de comprimidos sobre meu colo e enfiou a chave na ignição para ligar.
Peguei um dos remédios e mandei para dentro da boca, engolindo no seco. Apoiei um braço sobre a janela e minha bochecha no punho ao ouvir o ronco do motor. Ah, e também encarei os tiras com um sorrisinho enquanto Justin se focava em dar a ré civilizadamente para sairmos dali.
Cada um foi para um lado, sem apreensões e perguntas.
— Eu preciso... — não esperei Justin terminar de falar.
Sai do carro quando chegamos em frente ao hotel, e andei direto para dentro, passando pelo manobrista que iria até a lata velha e feia. Esperei que aquele elevador descesse de uma vez, impaciente por ter demorado, e não esperei por terceiros. Mas ainda sim, Justin estava aqui, pondo a mão para as portas não se fecharem, entrando com o olhar inexpressivo em mim e o peito subindo um tanto mais rápido.
Retribui apenas isso, não disse nada, como ele queria. Acho que estava correndo por ter estacionado o carro por conta própria. Podia ter ficado em silêncio planejando seus assassinatos ou me questionado sobre aquela ceninha para a polícia.
Mas ele tocou minha mão e empurrou minhas costas para a parede com uma leveza surpreendente. Perguntei-me se sempre seria assim quando entrássemos nesse maldito elevador. Eu o odiava tanto por essa merda.
— Qual é, B, não fique com raiva de mim, estou fazendo isso por você. — tocou meu rosto, me obrigou a encará-lo diretamente. — Já disse que não estou com...
— Não precisa me cortar a cada porra de palavra que falo só porque se preocupa comigo! — o repreendi antes, empurrando seu corpo. — Se é o que...
— Tudo bem, certo, certo. — ele voltou como um cara de pau; imprensou-me novamente, dessa vez para me abraçar. — Eu amo você.
Deixando-me confusa, pois, era um abraço doce e forte demais para uma discussão pela metade. Meu olhar era de confusão enquanto sentia todo o corpo de Justin colado ao meu, seus braços a minha volta. Ele estava armado, pude sentir.
— Você tá certa, tudo bem, não precisa gritar. — sussurrou, acariciando minhas costas; a outra mão subiu e afagou atrás do meu cabelo.
— Qual é o seu problema? — quis saber incrédula.
Mesmo assim ele não me liberou. E eu comecei a achar que, agora, realmente, não estava nada bem. E muito mais do que imaginei, estava sendo escondido de mim. Em um determinado andar, Justin me soltou.
Suspirando aliviado e passando as mãos no cabelo ao me dar as costas. Não entendi exatamente nada, chequei os números acima das nossas cabeças e voltei às sobrancelhas estreitas para ele, querendo uma resposta. Mas eu não teria, então poupei saliva.
Chutei meus sapatos quando cheguei ao quarto, frustrada e irritada por ter sido iludida. Achando que iríamos lá fora hoje e daríamos um passo enorme. Mas ele me enganou, por toda a merda dos dois dias em que estivemos aqui. Como sempre.
Sentei-me a beira da cama, apoiei um cotovelo na perna e enfiei os dedos entre o cabelo, olhando para o chão. O fulminando como se fosse alguém. Tirei aquele momento para pensar, revoltada, porém, me dando por vencida no final.
— Eu vou embora. — avisei, para sua felicidade.
Mas, ao contrário do que esperava ver ali, Justin se virou para mim com as sobrancelhas levemente unidas. Não acreditou no que ouviu.
Eu travei o maxilar e me levantei, indo direto para o banheiro, batendo a porta. Não parei para me ver no espelho, arranquei minhas roupas e fui para baixo do chuveiro, ficando lá por um bom tempo. Quis chorar de raiva por tudo isso, talvez algumas lágrimas escaparam. Mas eu estava tão seca no fim que nem sequer demonstrei nenhuma expressão.
Desliguei o registro e saí, enrolando-me em uma toalha. Quando voltei para o quarto, Justin estava sentado à beira do colchão, as mãos como oração a frente do rosto. Mas ele não pedia por nada, apenas escondia uma expressão pensativa que eu gostaria de ver.
Seus olhos se ergueram para mim, me questionaram alguma coisa. Aquela tática piedosa em sua cara ficou por um fio antes que respirasse fundo e me chamasse com o dedo. E eu até cheguei a ir, os braços cruzados tentando manter dignidade quando parei a um passo e meio de distância, esperando. Justin puxou minha mão para baixo, me fez parar a sua frente, entre suas pernas. Puxou também minha toalha e ela caiu no chão.
Eu não movi um traço do meu rosto inexpressivo, apenas observei suas ações. Ele tocou meus quadris e beijou a região abaixo do meu umbigo, engoli a saliva com mais dificuldade quando ultrapassou mais um centímetro. No entanto, ele não fez nada além de abraçar meu corpo, encostando a testa em minha barriga. Fechando os olhos.
— Você acredita mesmo nas vezes em que falo que amo você? — perguntou, em um murmúrio quase inaudível.
Eu suavizei minha expressão, finalmente. Encarei a cabeceira da cama lá na atrás e mordi o lábio para me repreender de me sentir culpada. Discuti com meu cérebro e bufei, me afastando, passando as mãos no cabelo. Quis prendê-lo, e desisti. Quis sair daqui, e não sabia para onde.
No fim, eu pensei em me trancar no banheiro, ter mais um tempo para aceitar. Mas Justin, ele bateu aqui, não sei se imaginou que eu fosse fazer alguma loucura enquanto estivesse trancada.
Será que ele me achava tão mais insana e egoísta a ponto de me matar?
— O que vai fazer? — suas mãos impediram a porta de ser fechada.
— Quero ficar sozinha. — murmurei, tentando outra vez.
— Saia daí, vamos conversar.
— Não seja infantil, Brooke. — repreendeu, me fazendo cambalear quando abriu aquilo com tudo.
Eu mal consegui formar as palavras quando ele chegou até aqui e agarrou meu braço para me levar para fora e me obrigar a ter uma conversa com ele. Eu apenas me encolhi como se pudesse evitar seus toques. Bem, não foi muito eficiente.
— Me solte, Justin! — gritei, bloqueando a passagem quando pus meus pés um a cada lado da porta, o fazendo parar. — Eu já disse que vou me mandar, qual é a merda do seu problema agora?
Ele reparou em outra coisa ao invés da minha relutância. Ele era tão ridículo.
— Porra. — resmungou. — Eu queria muito estar do outro lado agora, garota.
Eu grunhi entredentes, alto, tentando me livrar dos seus braços que apenas me apertaram mais. Meus pés nunca liberaram o caminho da porta e eu quase desisti, pois, as pernas cansavam.
— J... — gemi, esticando os joelhos para chegarmos para trás. — Eu só quero ficar sozinha por uns minutos.
— Está me deixando duro. — riu, se divertindo às custas da minha nudez para amenizar a situação. — Sabe disso?
— Eu não estou brincando, seu filho da puta! — voltei a rosnar, usando toda minha força. — Me largue! Eu juro que vou matar você!
Sua boca tocou minha orelha.
— Se continuar de pernas abertas, provavelmente. — riu baixinho.
Eu travei o maxilar e escorreguei os pés para baixo, pisando no chão. Foi uma péssima ideia, pois, Justin apertou ainda mais minha cintura, empurrando-me sem ligar para minhas reclamações.
Ou meus tapas em suas mãos.
Eu fui jogada naquela cama.
— Está se comportando como uma criança. — disse ele, muito calmo, sentando-se a beira da cama enquanto eu ainda me consertava no macio.
Fuzilando seu rosto pacífico através de um pouco de cabelo caído em meu rosto.
— Porque tem que ser tão bipolar? — exigi.
Ele riu. Riu de verdade, como se eu tivesse contado uma piada.
— Garota, você é a coisa mais sexy quando está puta. — piscou para mim. — Já te disse isso, não disse?
Eu abri a boca, inconformada por ele estar me confundindo. E então bati no colchão soltando um gritinho irritado, prestes a sair dali mais uma vez.
Sua mão agarrou meu tornozelo. E eu quase caí.
— Pare com isso! — mandei, tentando chuta-lo.
— Você ainda está nua, Brooke. — frisou, subindo a palma da mão ágil por minha coxa. — Quer mesmo brigar comigo nua, B?
E então eu pensei, “não, Brooke”.
— Quero entender porque está fazendo isso comigo. — minha voz soou extremamente mais suave, quase implorativa.
— Você sabe por quê. — ele subiu, e beijou meu pescoço.
— Não, eu não sei. — insisti baixinho. — Eu... eu só quero ajudar você. Consequentemente nós dois.
— Certo. — ele continuou beijando um caminho reto por minha barriga abaixo, e eu engoli em seco assim que passou do umbigo. — Eu odeio sua teimosia.
— Eu odeio você. — sua risada quente me estremeceu completamente ao tocar a região proibida.
Onde ele afastou minhas pernas para se meter.
— Isso não é engraçado... — grunhi, fechando os olhos.
— Não é? — murmurou; sua boca estava lá, beijando minha virilha. — Não seja hipócrita.
— Não... — minha voz falhou, e eu me xinguei internamente. — Não sou...
"Aí, meu Deus", eu sussurrei. Tão baixo que quase não consegui me ouvir. E depois eu o deixei ganhar.
Eu acordei naquela noite com a voz de Justin soando baixinha pelo quarto. Ele falava ao telefone. Meu sono estava leve, porque, dormi o resto da tarde inteira depois de termos pedido comida ao serviço de quarto. E ficado naquela cama fazendo o melhor que sabíamos fazer para nos resolver.
Meus olhos cansados captaram o reflexo de luzes que vinham de fora, batendo na janela. E a sombra do corpo de Justin enquanto ele andava para um lado com o celular na orelha.
— Eu só tô enrolando essa porra por causa dela, Raymond. — dizia ele, passando a mão pelo cabelo enquanto voltava novamente para a direita. — Eu sei, cara, mas eu não... porque porra você acha que saí escondido? Não, não queria que ela tivesse vindo atrás de mim.
Eu não soube dizer se estava me sentindo ofendida ou privilegiada. Sentei-me na cama produzindo um bocejo sem som e esperei uns minutos até espantar a coberta. Caminhei calmamente até onde Justin estava sentado agora, no sofá, após encerrar sua conversa, com o rosto enfiado nas mãos. Cocei os olhos, diminuindo meus passos até parar, abaixando a mão quando ele olhou para mim no escuro.
Observou minhas curvas mal iluminadas, pois, eu ainda não vestia nada. E então ele fez um gesto para que eu me aproximasse. Eu me sentei ao seu lado, encolhendo as pernas para cima, me aconchegando em seu corpo quando abraçou meus ombros.
— Eu te acordei? — perguntou, assim que fechei meus olhos.
— Talvez. — murmurei. — Não consegue dormir?
— Você sabe com o que. — repreendeu.
Respirei fundo, e me estiquei para beijar seu pescoço. No fim do estalo, o toque do telefone residencial ecoou pelo quarto. Ele ficava bem ao lado do sofá, sobre uma mesinha. Olhei para Justin, mas ele não tirou os olhos vagos do chão.
— Deve ser Raymond. — murmurou. — Quer falar com ele?
Eu assenti, e ele esticou o braço até lá, pegando o gancho e o entregando a mim. Coloquei na orelha esperando ouvir uma voz familiar, mas eu escutei várias vozes aleatórias, música no fundo e som de caça-níqueis.
Aliás, eu nem sequer reconheci a voz do cara.
— Te dou duas horas para sair do meu hotel se não quiser adiantar seu enterro e o da sua família, Bieber. — foi curto e grosso. — Isso não é mais um jogo. — ele terminou.