– É seu, não é? - eu perguntei baixo, tentando manter a fúria contida dentro de mim, evitando falar alto demais, já que estava no banheiro do andar de cima, buscando saber, antes que dona Renata contasse mais sobre a gravidez de Isabella.
– Claro que não. - a voz de Lucas soou mais estressada do que ele pretendia. - Tira isso da sua cabeça, cara. É o melhor que você faz. - ele aconselhou, e eu passei a mão no cabelo, bagunçando-o, confuso com toda a história.
– Ela não se relacionava com ninguém, pelo que eu saiba. De acordo com os meses, provavelmente, o último cara foi você. - eu sabia que ele estava escondendo alguma coisa.
Eu mantive a nossa amizade, mesmo que mal balanceada, mantendo contato com ele após a viagem á Londres. Eu o conhecia o suficiente para, ao menos, desconfiar.
– O mesmo período que eu fiquei lá, você também ficou. Até mais do que eu. Eu não sei de nada depois que fui embora. - ele soltou, bufando do outro lado, tão desconcertado quanto eu. - Ainda não sei o porquê de tanto interesse sobre o assunto, Luan. Mas se quiser um conselho, a Isabella está cuidando da vida dela, faz o mesmo, irmão. - Lucas encerrou a ligação em seguida, com uma calma surpreendente, me fazendo lavar o rosto na água gelada da pia, confuso demais.
Não podia fazer Lucas desconfiar de nada. Não podia deixa-lo pensando sobre qualquer tipo de interesse da minha parte em Isabella. Eu não perguntaria mais nada á ele sobre ela. Lucas já havia me dito o suficiente para me deixar inquieto demais em relação aos acontecimentos dos últimos meses.
Ao longo dos últimos sete meses, eu me limitei á sair de casa. Nos últimos três meses, com a mudança da estação, me permiti fazer exercícios físicos condizentes com o meu novo porte físico, no parque próximo da minha casa, sentindo os leves raios de sol alimentarem minha pele de maneira saudável.
Somente no sexto mês pude descobrir o sexo do bebê, e me emocionei deitada na cama confotável do hospital ao saber que poderia preparar o enxoval e comprar os detalhes para se esperar um bebê nos tons de azul e amarelo.
Assim, minha saga começava normalmente durante a noite, buscando através de site de móveis, passando horas em frente ao computador, pesquisando os melhores preços. A companhia agradável do meu filho tornava tudo mais leve, quando uma ponta de desespero começava á percorrer meu corpo.
Eu mesma preparei o enxoval, embora minhas colegas de trabalho insistirem para eu fazer um chá de bebê no estilo inglês. Eu não aceitei, alegando nem ao menos ter parado para pensar no nome da criança que chegaria em breve, no entanto, recebi presentes e diversas fraldas, sendo que só me emocionava sozinha, no conforto do quarto de hóspedes ao lado do meu, onde eu improvisei ser o quarto da criança.
Meus pais e Lucas falavam comigo regularmente, e, em dias bons, eu contava os preparativos para receber o pequeno. Vi meu corpo se adaptando á sua forma, ganhando uma nova moldura, e saindo satisfeita do consultório médico que cuidava de perto do meu pré natal, sabendo que corria tudo bem com nós dois.
Não recebia notícias de Luan fazia muito tempo, embora perguntasse sempre á minha mãe por Priscila. Não tinha coragem de perguntar á Bruna como o irmão estava e nem ao menos de pronunciar o nome do meu cunhado em conversas com minha mãe.
Minha rotina de trabalho diminuía gradualmente, conforme minha barriga crescia. Não havia muito o que se fazer, á não ser esperar pela chegada do pequeno garoto.
Ocupava boa parte do meu tempo embalando em caixas transportáveis as roupas que não mais me serviam, pequenos objetos que não tinham muita utilidade, á não ser preencher a casa vagamente vazia.
Quando adentrei a trigésima oitava semana de gestação, sendo aconselhada á me manter em repouso até o parto se aproximar, eu me vi com medo, sem ninguém para me auxiliar quando a bolsa estourasse no meio da noite, como eu pensava.
Minha mãe não poderia largar o meu pai e meu irmão - ainda jovem -, vindo até aqui, retirando verba de onde possivelmente fará falta. Eu não poderia facilitar as coisas assim, mesmo que eu quisesse, preferindo imaginar os dias depois do nascimento quando, possivelmente, estaria no Brasil, segura e satisfeita.
Enquanto isso, tentava manejar a manada de emoções que se diversificavam facilmente, sabendo que me manter tranquila e relaxada era a melhor opção no momento, tanto para mim quanto para o bebê.
No entanto, em uma tarde em que estava contabilizando todas as despesas, sendo elas já pagas ou as que viriam futuramente, ouvi a campainha tocar e suspirei, antes de me esforçar para levantar da cadeira, seguindo á passos lentos, segurando minha barriga, me dirigindo até a porta.
Abri a mesma, sentindo a claridade me ofuscar levemente e o sol, intruso, formar sombras no carpete da sala.
Sorri, reconhecendo a mulher que estava á minha frente, antes mesmo de retirar os óculos escuros.
– Meu Deus! - ela exclamou, olhando diretamente para a minha barriga e sorrindo abertamente para mim quando os seus olhos encontraram os meus.
– Eu sei, estou enorme! - brinquei, acariciando minha pele esticada até o último para suportar meu bebê que acabara de mexer.