Carnaval de 1993, Avenida Guararapes Centro do Recife, Desfile do Galo da Madrugada.
Photo Fernando Silva.
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Carnaval de 1993, Avenida Guararapes Centro do Recife, Desfile do Galo da Madrugada.
Photo Fernando Silva.
CAMISA 93
ENREDO: TALISMÃ CLASSIFICAÇÃO: CAMPEÃ DO DESFILE DE SÃO PAULO Apresentando um tema sobre crendices e patuás, a escola da Barra Funda fez o melhor desfile de 1993, sendo campeã ao lado da Vai-Vai. Muito caprichadas, as fantasias do carnavalesco Augusto de Oliveira conseguiram bom efeito ao amanhecer. E vale lembrar que Talismã também era apelido de uma grande figura do carnaval de São Paulo: Octávio da Silva, que não só no Camisa, mas também em outras agremiações, destacou-se por criar enredos, elaborar trabalhos plásticos de muito bom gosto e por compor lindas melodias para as escolas. Portanto, o verso "guardo em mim a energia da luz do meu Talismã" pode muito bem ser entendido como uma homenagem ao artista. Belo desfile!
NENÊ 93
ENREDO: PRIMEIRO DESEJO CLASSIFICAÇÃO: 4º LUGAR Apresentando um enredo sobre a saúde e fazendo críticas ao sistema hospitalar, a tradicional escola da Zona Leste enfrentou com garra os problemas com seu carro abre-alas e fez um desfile que lhe rendeu o 4º lugar entre as doze escolas que compuseram o Grupo Especial de São Paulo em 1993, ficando atrás do Camisa e da Vai-Vai (campeãs), da Rosas de Ouro (vice) e da Mocidade Alegre (terceira colocada).
VILA ISABEL 93 (1ª parte)
ENREDO: GBALA, VIAGEM AO TEMPLO DA CRIAÇÃO CLASSIFICAÇÃO: 8º LUGAR Segunda escola a desfilar, a Vila fez um desfile contundente, apresentando, na minha opinião, o grande enredo do ano. Criado pelo carnavalesco Osvaldo Jardim, o carnaval da Vila foi, sobretudo, um canto de amor à humanidade, muito doente àquela altura. Cantando o belo samba de Martinho, a escola passou e empolgou, mas com pequenas falhas provocadas pela chuva e também pela falta de maiores recursos financeiros, a Vila acabou classificada em um injusto 8º lugar.
VILA ISABEL 93 (2ª parte)
ENREDO: GBALA, VIAGEM AO TEMPLO DA CRIAÇÃO CLASSIFICAÇÃO: 8º LUGAR
UNIDOS DA PONTE 93 (2ª parte)
ENREDO: A FACE DO DISFARCE CLASSIFICAÇÃO: 14º LUGAR
ROCINHA 93
ENREDO: TRISTÃO E ISOLDA, UMA ÓPERA NO ASFALTO CLASSIFICAÇÃO: 6º LUGAR NO GRUPO A Quinta escola a desfilar na sexta-feira, a Acadêmicos da Rocinha levou à Sapucaí uma visão carnavalesca da ópera de Richard Wagner. Seus pontos altos foram a comissão de frente e o abre-alas. Com poucos componentes e cumprindo o regulamento que previa apenas quatro carros alegóricos, a Rocinha acabou tendo dificuldades para passar com clareza o seu enredo, mas fez um carnaval correto e com bons momentos de criatividade.
"VILA DO MARTINHO"
Oriundo da escola de samba Aprendizes da Boca do Mato, Martinho ganhou seu primeiro samba na Vila Isabel em 1967. Com “Carnaval de Ilusões”, o compositor iniciou uma série de conquistas que se estendeu até 1970, tendo alcançado com “Yayá do Cais Dourado”, em 1969, o seu maior sucesso nesse período. Em 1972, Martinho assinou novamente o samba da Vila. “Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade” foi sua última composição cantada na Avenida Presidente Vargas.
Depois de oito anos sem vencer a disputa, Martinho, em parceria com Graúna e Rodolpho, assinou o clássico “Sonho de um Sonho”, samba mágico e poético que impulsionou a Vila em uma de suas melhores exibições e que a fez alcançar um inusitado segundo lugar entre as grandes escolas, já na Rua Marquês de Sapucaí.
Na inauguração da Passarela do Samba, em 1984, Martinho compôs um dos seus sambas que mais me emocionam, para o enredo “Pra Tudo se Acabar na Quarta-Feira”, cuja letra transcrevo abaixo:
A grande paixão
Que foi inspiração do poeta é o enredo
Que emociona a velha-guarda
Lá na comissão de frente
Como a diretoria.
Glória a quem trabalha o ano inteiro
Em mutirão
São escultores, são pintores, bordadeiras,
São carpinteiros, vidraceiros, costureiras,
Figurinista, desenhista e artesão
Gente empenhada em construir a ilusão...
E que tem sonhos
Como a velha baiana
Que foi passista,
Brincou em ala,
Dizem que foi o grande amor de um mestre-sala.
O sambista é um artista
E o nosso tom é o diretor de harmonia
Os foliões são embalados
Pelo pessoal da bateria
Sonhos de rei, de pirata e jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira...
Mas a quaresma lá no morro é colorida
Com fantasias já usadas na avenida,
Que são cortinas, que são bandeiras
Razões pra vida tão real da quarta-feira.
É por isso que eu canto...
Imagem do desfile de 1984
E veio o ano de 1987. Com “Raízes”, o compositor voltou a revolucionar o gênero samba-enredo ao conceber, em parceria com Ovídio Bessa e Azo, uma obra sem rimas, mas cheia de poesia. No ano seguinte, Martinho não foi o autor do samba, mas o enredo campeão “Kizomba, a Festa da Raça” foi de sua autoria e inspirado em um evento anual promovido por ele mesmo.
Desfile campeão de 1988
Dezessete anos depois de sua última composição vitoriosa na Vila (“Gbala, Viagem ao Templo da Criação”, de 1993), Martinho voltará a ter um samba de sua autoria cantado no carnaval de 2010. Por sua décima obra musical vitoriosa em Vila Isabel, agradecem os sambistas e os amantes do carnaval, pois no centenário de Noel Rosa a presença da poesia está garantida.
Marcelo Guireli