o cravo e a rosa 🌹

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o cravo e a rosa 🌹
🎶 🎵.
"Meu amor, as palavras que me diz, eu preciso sempre ouvir, pra poder viver feliz...♪"
O casamento de Catarina e Petruchio - Black | W h i t e
Fanfic Catruchio, escrita por Maiara Resende - O Cravo e a Rosa CAP 15
Capitulo 15
(Por Petruchio)
Eu quase que engasguei quando perguntei aquilo pra Catarina. Temia pela resposta que eu sabia que ia detestar.
- “Então Catarina, teve ou não teve?”
- “Se eu tive algo com ele?” – Catarina saiu de cima do meu peito e deitou na cama, com o cotovelo apoiado na cama, e a mão no rosto. Ela me olhava como quem não fazia idéia do que falava. Ela tava tentando me irritar. E tava conseguindo.
- “Isso. Teve ou não?”
- “Pelo jornalista Serafim?”
- “Ele mesmo.” - falei irritado e respirei fundo.
Catarina voltou a se sentar e colocou a mão no queixo, como se tivesse pensando na resposta pra pergunta mais dificil do mundo.
- “Você fala de um que tem bigode? E usa um chapéu e paletó?”
- “É Catarina! Ocê sabe bem de quem eu tô falando.” – eu já alterei um pouco o tom da minha voz.
- “Ah...- ela parou um pouco pra me olhar – Não conheço não. É amigo seu?”
Eu bufei irritado e prensei o travesseiro na minha cara, Catarina tinha conseguido me irrita.
Assim que descobri meu rosto, e revelei minha expressão emburrada, Catarina caiu na risada. Ela ria, ria, ria e ria. E eu sem entender o porque daquele riso todo.
Catarina colocou a mão na barriga e tentou falar entre as gargalhadas.
- “Ai, minha barriga!” – foi a única ela conseguiu falar.
Eu me preocupei na hora, meu pai do céu, será que estava acontecendo alguma coisa com o bebê?
- “Catarina, que que foi? Ocê tá sentindo alguma coisa? O bebê tá bem?” – perguntei colocando a mão na barriga dela, beirando um desespero.
Ela tirou minhas mãos de cima de sua barriga, e continuou rindo. Ela respirou fundo, e parou um pouco de rir.
- “Claro que não, Petruchio!” – Ela falou entre um sorriso de quem estava segurando a risada.
- “Mas ocê num disse que tava sentindo dor na barriga? Pode ser sério Catarina!”
- “Deixe de ser bobo! Eu falei que minha barriga doía, mas era de rir, Petruchio! – ela lançou um sorriso pra mim - não tem nada de errado com o bebê. Até ele deve ter rido junto comigo.”
- “Arriégua, eu tomei um susto.” – eu coloquei a mão no peito. Catarina se sentou na minha frente e colocou meu rosto entre suas mãos, e me beijou.
- “Está tudo bem. E não, respondendo sua pergunta, eu nunca tive - ou senti - nada por aquele molóide do jornalista Serafim. Nem sequer simpatia. Ele foi só mais um dos pretendentes lastimáveis que papai me arranjou.”
-“Eu sabia.”
- “Ah claro, sabia sim. Sua reação foi de alguém que sabia bem do que estava falando.” – ela me provocou e voltou a se deitar no meu peito.
- “E você?” – ela perguntou depois de poucos segundos em silêncio.
- “Eu o que?”
- “Ah, eu e você sabemos que você já teve aí, suas aventuras e tudo mais... Mas em alguma dessas vezes, você sentiu alguma coisa assim, por alguma outra mulher?” – Enquanto Catarina falava, parecia que ela estava tentando escolher as palavra certa.
- “Sabe que eu nunca que tinha parado pra pensar nisso? É uma boa pergunta. Deixa eu pensar...”
Catarina prestava bastante atenção a resposta que eu daria, ela parecia até que um pouco ansiosa. Era a minha vez de provocar.
Comecei a contar nos dedo, para ela pensar que o que eu contava era o número de mulheres.
- “O que você está fazendo?” – ela me olhou confusa.
- “Espera um pouco que eu tenho qui faze as conta...”
- “Contas? Que contas?”
- “Ué, ocê não perguntou se eu já tinha sentido alguma coisa assim por outra mulher? Intão, tô fazendo as contas.”
- “Petruchio, a única coisa que você vai contar é o número de vezes que eu vou acertar você com aquela jarra.” - Ela já estava ficando mais irritada, se tivesse sobrado algum vaso aqui no quarto – se ela não tivesse quebrado todos - ela já tinha quebrado na minha cabeça.
- “Viu como é bom provocar?”
- “Sem graça. Eu sabia que era brincadeira sua.” – ela tentou parecer que não se importava.
- “Agora ocê que deixa de ser boba – eu abracei ela mais forte - Eu nunca que um dia senti por outra mulher, o que eu me sinto por ocê, Catarina. Nunca. E ocê sabe disso.”
- “Eu sei. Só queria testar uma coisa.”
“Testar que ocê morre de ciúmes por mim?” – olhei pra ela.
- “Não. Que você sabe contar até cinco.” – Catarina não abaixava a crista de jeito nenhum.
- “Catarina...”
- “Tá. Eu sinto... Só um pouco... E nem precisa estufar o peito não tá? Mas só porque você é meu marido, nada mais natural.”
- “Só um pouco?” – insisti
- “Sim, só um pouco. – Ela parou por um instante e eu a olhei - Tá, e mais um pouco.”
- “E eu morro de ciúmes de ocê, sabia?”
- “Eu também. Muito. E não pense que eu gosto não, viu? – ela me abraçou mais forte – Só sinto isso porque eu amo você, e...porque você pode ou não ser o homem da minha vida. Mas não espalha pra ninguém.” – Catarina falou com bom humor.
- “Tá certo, eu não vou. Mas só se ocê prometer não contar pra ninguém uma coisa.”
- “O que?” – ela ficou curiosa. Eu aproximei a boca do seu ouvido.
- “Eu amo você.” – eu sussurrei. Ela sorriu.
- “Seu segredo está a salvo comigo. – ela voltou a se repousar no meu peito – Eu também te amo, te amo muito.” – ela disse contra meu pescoço e depois me beijou.
Eu nunca que me senti tão feliz na vida.
Voltamos a nos aninhar no abraço um do outro e adormecemos.
(...)
Fanfic Catruchio, escrita por Maiara Resende - O Cravo e a Rosa CAP 14
Captulo 14
(Por Catarina)
Depois de horas (que mais pareceram longos dias que se arrastaram no calendário) de espera, voltei pra fazenda com Petruchio. Não demorou muito para que chegássemos, e também, eu dormi o caminho inteiro, só acordei quando Petruchio me chamou para que eu descesse do carro.
Quando chegamos à porta da frente, me prontifiquei a ser a primeira a entrar, mas Petruchio não me deixou, e eu fiquei sem entender o por quê, mas ele não quis me explicar, ele só pegou as malas e levou para dentro e me pediu pra esperar do lado de fora. Fiquei pouco tempo sozinha, mas esse pouco tempo me deixou irritada, e juntando com a minha ansiedade, o resultado não seria nada bonito. Eu não via a hora de voltar pra casa, estava tão ansiosa, esperei dias e dias pra que isso acontecesse, e Petruchio me faz uma coisa dessas? Isso é maldade.
Fazia alguns minutos desde que ele havia entrado (ou será que era só coisa da minha cabeça? Petruchio poderia estar lá por meros 10 segundos, pra mim seria o equivalente a uma hora inteira de espera) Fiquei olhando para o campo aberto e escuro a minha frente. Mesmo que eu estivesse a poucos centímetros da porta, fiquei um pouco aflita por ficar ali sozinha. Realmente estava muito escuro. Minha nossa. Não que eu estivesse com medo, imagina. Eu, Catarina Batista Petruchio, com medo de escuro? Faça-me o favor. Mas e se aparecesse alguma coisa e me atacasse nesse fim de mundo? Por Deus... uma fera....ou uma onça, talvez? Há, se bem que esse seria o meu menor problema, afinal, Petruchio vive me chamando de fera, de onça... se aparecesse alguma das duas, seria como um chá da tarde com duas amigas. Eu dou conta.
Minha paciência estava se esgotando, decidi que se ele não voltasse, eu entraria em casa, Mas foi só o tempo de concluir esse pensamento, que Petruchio chegou, já sem as malas, e me pegou no colo. Me sacudi por conta do susto, e confesso que quase gritei, eu estava um tanto distraída. Depois do meu breve momento de pavor, eu soube o que ele estava fazendo, Petruchio me pegou no colo pra compensar a vez que ele não me carregou pra dentro de casa quando casamos. Foi um gesto tão bonito, e cheio de significado, da parte dele. Eu não acredito que ele se lembrou de uma coisa tão boba assim. Bem, boba seria à alguns tempos atrás, quando eu ainda não era perdidamente apaixonada por esse homem, ou se eu não fosse agora uma mulher grávida, com as emoções a flor da pele, e que á alguns dias atrás chorou porque havia acabado o bolo de chocolate. Naturalmente, quase comecei a chorar, mas eu não poderia, não na frente dele, então segurei minhas lágrimas e o beijei.
Ele me levou no colo até a cozinha, e preparou um jantar para nós. Dá pra acreditar nisso? Não. E isso não é a melhor parte, além de ele ter tido todo esse trabalho arranjando tudo para a minha volta, foi ele quem havia preparado tudo. E sozinho! Petruchio arrumou a mesa para nós, com direito a vela e flores, e estava linda. Apesar de todo o encantamento, surpresa, e o quão maravilhada fiquei com a surpresa, confesso que fiquei um tanto apreensiva quando chegou a hora de sentarmos pra comer o jantar. Só Deus sabe qual seria o resultado daquele jantar. Seria esse como Petruchio havia dito mais cedo, “o melhor jantar que eu teria na minha vida”, ou ficaríamos viúvos ao mesmo tempo até o final do jantar. Mas aquela parecia ser realmente uma noite de surpresas, apesar de ser a primeira vez que Petruchio fez algo assim na vida, estava tudo muito bom. Não era possível. Eu deveria estar sonhando mesmo, só isso explicava.
Petruchio e eu conversamos durante todo o jantar, contamos coisas que aconteceram durante todo o tempo que ficamos separados. Discutimos sobre o nome do bebê, claro que não chegamos a um acordo, então encerramos esse assunto antes que saísse outra discussão boba.
Falamos sobre praticamente tudo, sobre as primeiras impressões que tivemos um do outro quando nos conhecemos, a primeira impressão que Petruchio teve a meu respeito não foi nenhuma surpresa, assim como a minha a seu respeito. Rimos bastante, fazia muito tempo que eu não me divertia daquele jeito. Era fácil estar com Petruchio, era confortável, era natural. Eu sentia como se eu estivesse no lugar que eu deveria estar.
Sempre achei que o tempo passasse mais rápido quando estávamos nos divertindo, mas parecia que até o tempo estava do nosso lado, e nós o usaríamos com sabedoria. As horas demoraram a passar. Acabamos de jantar, e Petruchio se levantou e trouxe uma pequena travessa a mesa, fiquei curiosa pra saber o que era, quando ele levantou o pano que cobria a pequena travessa de barro eu vi que ele realmente havia tirado aquela noite pra me surpreender. Ele havia se arriscado até a fazer uma sobremesa rápida para nós, ele preparou um doce de abóbora. Comemos os dois o tal doce, e estava delicioso. Petruchio devia estar trapaceando, não era possível que ele quem havia feito aquilo tudo. Mas por outro lado, é até bom que tome gosto por cozinhar, assim eu escapo das aulas de culinária forçadas.
Resolvi retribuir as gentilezas e depois que acabamos a sobremesa, levantei-me e fui passar um café. Que, aliás, era uma coisa que eu havia descoberto recentemente que eu sabia fazer muito bem. Era a prova de erros. Perfeito. E nós precisávamos de algo que nos mantivesse acordados e dispostos, eu havia dormido no caminho, e Petruchio ainda não. E a noite estava apenas começando...
Passei o café e eu e Petruchio o tomamos enquanto continuávamos nossa conversa.
- “Eu senti muito sua falta.” – ele disse colocando sua mão sobre a minha.
- “E eu a sua. – eu respondi colocando minha mão por cima da dele, e a beijei – você me surpreendeu hoje. Cozinhando, luz de velas, sobremesa...”
- “Ocê que me surpreendeu.” – ele disse sem me olhar.
- “Eu? Por quê?”
- “É que foi a primeira vez que eu te vi fazendo um café e o café sair bom.” – ele disse rindo.
- “Que seja. Mas você tem que admitir que meu café é infinitamente melhor do que o seu.”
- “Ah é?” – ele disse simulando despeito.
- “É sim – eu me debrucei sobre a mesa – Mas tem uma coisa em que você é muito melhor do que eu.” – eu não deixei que ele respondesse, e o puxei pela gola da camisa e o beijei. – “Isso. Melhor de todos.” – eu disse depois que nos separamos.
- “Eu num sei não...sabe que eu ainda tô na dúvida? Deixa eu ver – Petruchio colocou a mão no meu pescoço me beijou– “Não... ocê é muito melhor.” – ele disse entre um sorriso.
- “Empate?” perguntei me divertindo.
- “Empate.” – ele concordou.
Nos levantamos da mesa sem dizer nada. Petruchio me puxou pela cintura, e eu entrelacei meus dedos em seu cabelo enrolado. Fomos nos beijando até o quarto, e quando chegamos na porta, Petruchio me puxou, e me pegou no colo de novo.
- “Sabe que eu estou até começando a gostar dessa coisa de ser pega no colo?”
- “Se ocê quiser eu faço isso todos os dias.”
- “Ótimo, não vou ter que andar mais pra lugar nenhum. Se quiser um copo de água toco um sino e você vem e me leva até a cozinha.” – eu disse entre beijos.
- “Tá certo, só que agora eu vou te levar é pra outro lugar, se ocê não se importa.” – Não importaria quantos anos se passariam, eu sempre ficaria encabulada toda vez que Petruchio falava, e olhava pra mim, daquele jeito. Me sentia uma menina.
Petruchio me deitou na cama e começou a beijar meu pescoço, o que me deixou toda arrepiada e com a respiração pesada com o mais simples toque de suas mãos quentes na minha pele. Ah como eu esperava por essa noite! Como estava com saudades do meu grosseirão.
Enquanto ele ainda estava beijando meu pescoço, e eu - já hiperventilando de uma maneira absurda - comecei a desabotoar sua camisa com certa dificuldade, enquanto ele desfazia as amarras do meu vestido e me beijava com urgência e desejo. Eu mal conseguia respirar. Beijei cada canto de seu peito que era descoberto por cada botão que eu desabotoava. Foi coisa de pouco tempo até estarmos despidos e começarmos a nos amar e a nos perder no toque do corpo um do outro.
(...)
Já depois algum tempo, estávamos deitados na cama, exaustos e tentando recuperar a respiração. Eu me levantei e coloquei minha camisola e disse para que ele colocasse ao menos uma calça, porque do jeito que privacidade era uma coisa que quase não tínhamos naquela fazenda, preferi evitar que alguém entrasse no quarto pela manhã procurando por Petruchio e desse de cara com... bem, nós dois, e em uma situação nada respeitosa.
Voltei pra cama, e deitei no peito nu de Petruchio, e ele me abraçou com um braço, e eu senti sua mão passear pelas minhas costas. Sorri. Sentia-me muito bem, realizada, leve e com muita, mas muita, vontade de beijar Petruchio de novo. E não perdi tempo, e assim o fiz.
- “Eu estava com tanta saudade de ficar assim com você.” – Eu disse enquanto beijava a boca de Petruchio, desci para seu pescoço e parei em seu peito, e voltei a encontrar seu olhar.
- “Eu também tava com muita saudade de ocê, meu favo de mel. De senti o cheiro do seu cabelo, de sentir essa sua pele macia, mais macia que uma pétala de uma flor contra a minha.” – ele disse e passou as pontas dos dedos por toda a extensão da minha nuca, e descendo pelas minhas costas, fazendo com que eu me arrepiasse de novo.
- “Essa foi a melhor noite da minha vida.”
- “Não, essa aqui foi só uma das melhores noites da sua vida que ainda tão por vir.”
Eu continuei fitando seu rosto.
- “Ocê sabe que...Todas melhores noites, e dias que eu já tive na vida foram os que eu passei com ocê.“
- “Eu também digo a mesma coisa.” - eu disse. Mas uma coisa invadiu minha mente, e eu não consegui impedir que ela saísse pela minha. – “E as noites que você passou com a Marcela?”
Fiquei com vontade de me enterrar num buraco depois de ouvir a maior baboseira que eu já havia ouvido sair da minha boca, mas foi mais forte do que eu, eu tive que perguntar.
- “Arriégua, Catarina! Ma’ocê tinha que falar na Marcela, e justo agora?” – Petruchio não gostou nada. Ele tirou o braço que estava em volta de mim.
- “Tá bom tá bom...eu errei. Me desculpe. Foi sem pensar.” – me desculpei na mesma hora. Eu queria pelo menos uma vez não ser traída pela minha língua cumprida.
Petruchio me olhou por um instante, e respirou fundo e voltou a me abraçar.
- “As noites que eu tive com a Marcela...Catarina, eu não faço nem questão de me lembrar. E ocê também não devia se preocupar com isso, isso é passado. Tudo o que aconteceu entre eu e a aquela víbora foi só um erro da juventude... Era só diversão, não tinha sentimento no meio, nem nenhum significado. E eu nunca que quis nada com ela.”
- “Nunca?” – eu perguntei.
- “Ma’nunquinha. Pra que que eu havia de quere alguma coisa com ela se eu tinha uma onça brava me esperando?”
- “Acho bom mesmo, se não eu nem desfazia minhas malas e ia embora agora mesmo.” - fiz um charme e ameacei sair da cama.
- “Ah mas ocê num vai a lugar nenhum.” - Ele me puxou e me beijou. – “Ocê ainda tem ciúme da Marcela, Catarina?”
- “Claro que não. Perguntei por perguntar.”
- “Eu vejo como que ocê franzi a testa sempre que ouve falar no nome de Marcela.”
- “Você deve estar louco, porque eu nem sequer me lembro da existência daquela sirigaita. – eu desconversei – e quem é você pra falar de ciúmes, Julião Petruchio? Quantas vezes você não jogou o pobre jornalista Serafim por uma janela, e o expulsou de casa a pontapés porque sentiu ciúmes? ”
- “Mas não foi por ciúmes. Foi porque aquele jornalistazinho é muito do atrevido, e faltou com respeito, isso sim. Mas ocê nunca que sentiu nada por ele, então não tem porque eu senti ciúmes.”
- “Não sei. Senti?” – provoquei, e vi o exato momento em que a expressão de Petruchio mudou. Atingi o ponto fraco. Era hora de me divertir um pouco pra variar.
- “Arri, claro que não.”
- “E como é que você sabe?” – cruzei os braços.
- “Ora, sabendo... ocê nunca que teve nada com aquele jornalista, Catarina.” - Me diverti vendo o quão enciumado Petruchio estava.
- “Pode ser que sim, pode ser que não.” - Decidi me divertir mais um pouco, e me fazer de desentendida, pra aumentar sua reação.
(...)
Fanfic Catruchio, escrita por Maiara Resende - O Cravo e a Rosa CAP 13
(por Petruchio)
Pegamos alguns doce na cozinha levamos até o carro, pra Cataria comer no caminho, e fomos nos despedir de Bianca, Dr. Batista, Joana e as crianças.
- “Tchau Catarina, eu vou sentir a sua falta aqui em casa.”- disse Bianca abraçando a irmã.
- “Eu também vou sentir sua falta, mas não nós não vamos deixar de nos ver, amanhã mesmo Seu Calixto vem pra buscar a carroça, e eu venho entregar o carro.”
- “Mas vocês não vão ficar pra jantar?” - Bianca parecia desapontada.
- “Não Bianca, já vamos indo. Já está escuro, e é melhor que voltemos agora antes que fique tarde demais pra pegarmos a estrada. Jantaremos na fazenda.”
- “Ah, mas se a madrinha vai voltar hoje pra fazenda, eu quero ir também.” – Buscapé apareceu do nada. Arriégua, ma’ tinha que ser aquele alma penada pra querer atrapalhar.
- “Ahhhh, mas hoje num vai mesmo.” - eu disse já um tanto frustrado. Eu não podia perder minha noite com Catarina.
- “Mas por que eu não posso ir hoje?”
- “Amanhã logo pela manhã eu venho lhe buscar, Buscapé.” - disse a Catarina tentando convencer o pestinha.
- “Ah madrinha, mas eu quero ir hoje.”
- “Hoje não dá, Buscapé. Amanhã.” – percebi que Catarina também estava perdendo a paciência,
-“Mas por quê?” – Buscapé insistiu.
Catarina começou a me olhar, como que pedindo ajuda pra achar uma desculpa pra dar ao Buscapé.
- “É que num tem lugar no carro. - eu disse – tem muita mala pra levar, e elas ocuparam todo espaço dos banco.”
- “Mas eu sou pequeno, madrinha, eu me espremo nos bancos de trás.”
Catarina estava prestes a perder a estribeira, quando Bianca resolveu ajudar.
- “Buscapé, deixe de ser teimoso. Catarina já disse que vem amanhã. E outra, já está tarde pra você ficar por ai dentro de carro. Daqui a pouco chega hora de você dormir.” – Santa seja Bianca, que salvou minha noite!
Buscapé fez que ia tentar argumentar de novo, mas aceitou.
- “Tá bom...mas amanhã a madrinha vai vir me buscar mesmo né?”
- “Já disse que venho, Buscapé. Venha cá – Catarina abraçou o afilhado – comporte-se. Até amanhã.”
Catarina abraçou de novo a irmã.
- “Obrigada pela ajuda.” – Catarina disse ainda abraçando a irmã.
- “Não foi nada. – Bianca se afastou – Agora andem, vão logo antes que fique ainda mais tarde.”
Finalmente entramos no carro e tomamos nosso rumo. Mesmo com o carro balançando quase tanto quanto a carroça, pra lá e pra cá, Catarina pegou no sono antes que chegássemos na metade do caminho. Ela encostou a cabeça no meu ombro, toda enrolada no meu terno - que em cima dela mais parecia um cobertor de tão grande - e assim ficou até que chegássemos a fazenda. A viajem de volta não demorou quase nada. Estava uma noite muito boa, nem muito quente, nem muito frio. Dava pra contar todas as estrelas que tavam brilhando no céu, como que fossem um sinal de boas-vindas a mim e Catarina. Eu nunca que tinha visto elas brilharem tanto assim. Acho que a partir de agora, era assim que eu ia vê tudo; com mais cor, com mais brilho, e mais beleza, e tudo por causa da moça miúda que agora dormia agarrada na minha camisa. Pensei em acordar Catarina pra que ela visse as estrela, mas ela dormia tão tranquila, que decidi deixa ela dormi. Sempre que dava, eu olhava pra ela. Tão, tão bonita a minha Catarina. Sorri ao pensar nisso...minha Catarina. Minha. E eu era dela.
Quando a gente tava já perto de chegar na fazenda, eu chamei Catarina:
- “Catarina... Catarina – eu beijei sua testa - ...a gente já tamo chegando, favo de mel.”
- “Mas já? Nossa foi rápido.” - Catarina abriu um olho só, se espreguiçou um pouco, e soltou um longo bocejo, antes de voltar a se aninhar do meu lado. - ”A festa foi muito divertida.”
- “Foi mesmo”... – eu concordei - Seu pai até que é um sujeito bem gente boa. Nunca que ele me tratou tão bem quanto hoje. Parecia que era meu amigo de longa data.” – Catarina levantou pra me olhar.
- “Ele é sim... mas o nome disso é “simpatia pós 5 taças de licor seguidas”. – Catarina riu – “Mas ele gosta de você.”
Eu sorri. Catarina voltou a se recostar no bando do carro.
- ” Sabe que eu não via a hora de ir embora daquela festa...” – ela disse entre um sorriso.
- “Eu também. Tava com tanta saudade de te ocê assim pertinho...só nós dois.”
- “Pois pode voltar a se acostumar, porque é assim que vai ser pro resto da vida. Você não vai se livrar de mim de novo.” – ela falou, e soltou um riso tímido. Catarina não era de muito de sorrir ou rir toda hora, então casa vez que ela sorria ou ria pra mim, era a coisa mais preciosa do mundo, era até como se uma daquelas estrela que tava brilhando lá no céu caísse, e iluminasse todo o rosto dela.
- “E quem disse que eu quero? Ocê é que nunca mais vai se ve livre de mim...”
- “Acho bom.” – ela me beijou rapidamente. Ambos sorrimos.
Avistei a estradinha que dava com a entrada da fazenda e acelerei o carro. Já era hora!
- “Lar, doce lar...” – eu disse enquanto entrava a fazenda.
Parei o carro na entrada, e desci pra abrir a porta pra Catarina, e depois tirei todas as mala de dentro do carro. Eu num sei pra que tanta coisa. Catarina parecia que tava indo se mudar pra lá hoje. Ela insistiu pra me ajuda a pegar as mala, mas eu disse que não. Mas se não insistisse não ia de se Catarina, então ela levou uma bolsa de mão e uma mala pequena na outra.
Chegamos até a porta em silencio pra não acordar ninguém. Coloquei mão na maçaneta da porta e abri com cuidado, Catarina achou que eu tava dando passagem pra ela entra primeiro, mas não deixei ela passar.
- “Num entra ainda, Catarina...espera um pouco aqui fora.”
- “Mas como esperar aqui fora, Petruchio? Está maluco?”
- “Só espera.”
- “Mas por que?”
- “Ocê já há de saber.”
- “Eu hein...o que você está aprontando, Julião Petruchio? Eu conheço essa sua cara.”
- “Eu já volto.” – eu disse, e deixei Catarina na porta.
Eu peguei as malas e fui levar para o quarto. Coloquei a ultima mala que faltava no canto perto do guarda roupa, quando escutei Catarina me chamar da janela.
- “Ande, Petruchio, o que você quer? Eu não vou ficar aqui plantada a noite toda!”
- “Já tô indo, minha onça!” - Larguei as malas no quarto e fui ao encontro da minha fera. Ela tava ficando um pouco irritada por conta da espera. Catarina deve de ser a pessoa mais impaciente que tem nesse mundo.
- “Ahh, mas finalmente... – ela disse com as duas mão na cintura – Por que você não me deixou entrar?”
- “Por causa disso. “ – eu peguei Catarina no colo.
- “Petruchio, o que você está fazendo?” – ela se debateu por um instante, por conta do susto.
- “Eu tô te pegando no colo.”
- “Eu sei, eu estou vendo. Mas por que você me pegou no colo?”
- “Ahhh, é que... eu lembro que quando a gente caso eu... num peguei ocê no colo quando foi pra gente entrar em casa. E já que a gente vai começar tudo de novo, tudo do zero...eu achei que dessa vez a gente devesse de começar do jeito certo.” – Eu disse, enquanto ainda segurava Catarina firme nos meus braços.
Catarina não disse nada, ela só suspirou, e colocou meu rosto entre suas mãos e me olhou, pra logo em seguida me encantar com mais um dos seus sorrisos. Ela me beijou ainda no meu colo. Diferente dos nossos últimos beijos, aquele era um beijo delicado, demorado mas sem urgência, um beijo tão doce quanto mel.
- “Te amo...” – ela disse depois que nossos lábios se separaram.
Eu nem consegui dizer que a amava também, porque quando eu menos me dei conta, os lábios de Catarina estavam novamente prensados contra os meus.
- “Seja bem-vinda de volta, Dona Catarina Batista Petruchio.” – eu disse, enquanto me concentrava pra equilibrar Catarina e a bolsa que ela carregava, e tentava entrar em casa com o pé direito pra dar sorte.
Fui com Catarina no meu colo até a cozinha, e a coloquei no chão.
- “Ora, ora...mas quem diria...”
- “O que?”
- “Eu nunca pensei que um grosseirão feito você, seria capaz de um gesto de cavalheirismo.” – Catarina disse enquanto dava a volta na mesa e tirava suas luvas.
- “E eu nunca pensei que um dia ia conseguir pegar uma onça braba no colo e viver pra contar história.” – eu ri e ela jogou uma de suas luvas em mim.
- “Engraçadinho... Está bem, vamos parar com essa conversa, e vamos arrumar nosso jantar...e...Petruchio?”
- “Que foi?”
- “Nós ficamos tão ocupados pensando no jantar e em tudo, mas esquecemos da coisa mais importante: o que será o jantar? Eu, mal cozinho, e você muito menos, o que vamos fazer? A única que sabe o que fazer aqui é a Neca, e ela está dormindo uma hora dessas.”
- “Ah, e ocê acha que eu não me preparei?” – eu disse enquanto colocava lenha e tentava acender o fogão.
- “Como assim?”
- “Eu andei vendo a Neca e Dona Mimosa na cozinha esses últimos tempo... e aprendi uma coisa ou outra, e me arrisquei e fiz o jantar. É só aquecer.” – consegui acender o fogo, e joguei mais algumas lenha.
- “Você? Cozinhando??” – ela colocou novamente as mãos na cintura – “Céus..Isso ai não vai me matar, não é?”
- “Pode fazer piada, mas esse há de ser o melho jantar que ocê já teve.”
- “Eu não duvido. Só o fato de ser acompanhado de você, pra mim já é o melhor de toda a minha vida.” – Catarina disse tímida – “Você não precisa de ajuda?” – ela estava sentada em um banquinho perto da mesa, me observando com curiosidade.
- “Não, ocê pode ficar ai sentadinha, que esse é o meu jantar pra ocê.”
- “Ser pega no colo antes de entrar em casa, ter minhas malas carregadas, e ter um homem na cozinha, e coznhando jantar pra mim. Se isso não é progresso, olha... eu não sei o que é.” – ela debochou.
- “Ocê não se acostuma não, que amanhã eu quero é ver ocê aqui na cozinha.” – brinquei.
- “Há...pois vai esperando.” – Como Catarina era turrona.
- “Sabe que esses dias eu senti uma vontade de comer aqueles suspiro que ocê faz? A Neca até tento fazer igual, mas não ficou tão gostoso quanto o seu.”
- “Você está elogiando meu suspiro só pra eu vir pra cozinha. Acha que eu sou boba?” – Catarina falou e eu não aguentei e ri.
Coloquei as panelas pra esquentar, e uma travessa com carne assada que Neca tinha feito. Estendi uma toalha na mesa, e peguei umas velas de dentro da gaveta, e coloquei num candelabro de prata que foi deixado pela minha mãe, e só era usado em ocasiões especiais. Acho que era a primeira vez em anos que aquele candelabro ia se usado.
- “Velas?” – ela disse desconfiada.
- “Arri, eu disse que ia ser um jantar romântico, não disse? E não ia de ser um jantar romântico sem vela.”
Catarina sorriu. Ela me observou enquanto eu tentava acender a velas com um fósforo, mas eles ficavam quebrando sempre que eu tentava riscar, então Catarina pegou da minha mão e acendeu as velas ela mesmo.
- “Petruchio – Catarina voltou a questionar - Mas pra você ter tido todo esse trabalho todo preparando esse jantar antes, você deveria ter certeza de que eu voltaria...”
- “Eu sei.” - respondi enquanto colocava os pratos, os talher e os copo em cima da mesa.
- “E o que te deu a certeza de que eu voltaria? Eu poderia muito bem ter te mandado embora da minha casa e decido me casar com o jornalista Serafim” – ela me provocou.
- “Eu bem que achei por um minuto que ocê num ia volta...mas quando eu te vi atrás de mim quando eu tava indo embora, eu tive certeza de que ocê me amava.”
- “Convencido. E quem disse?” – antes que ela terminasse de falar eu puxei ela pela cintura e a beijei de novo, Catarina mal fez força pra se desprender do meu abraço, como acontecia normalmente, e retribuiu o beijo.
Ficamos abraçados por um bom tempo, meus braços firmes em volta da cintura da Catarina, enquanto as mãos dela passeavam pela minha nuca, e pelo meu cabelo. Só nos desgrudamos quando fomos interrompidos pelo cheiro de queimado que vinha de uma das panelas. Corri feito doido pra apagar a chama do fogão, enquanto Catarina ria.
- “Pelo menos isso explica um dos motivos porque só mulheres ficam na cozinha, olha pra isso...quase que incendeia a casa.” – ela se divertia.
Por sorte, foi só o susto, não tinha queimado nada. Coloquei a mesa, e sentamos.
- “A mesa está tão bonita.” – Catarina olhou encantada.
- “Ah... ainda não.” – eu me levantei da mesa e fui até a cozinha. Voltei com um vasinho de vidro transparente alto, com uma rosa e um cravo dentro, e coloquei no centro da mesa. –“Pronto, agora sim...”
- “O jantar do Cravo e a Rosa.” – ela disse entre um sorriso, e eu não consegui conter o imenso sorriso de felicidade que se formou no meu rosto.
Começamos a comer, e a aproveitar a companhia um do outro. Enfim tivemos um tempo a sós. Só nós dois, como devia de ser.
(...)
Fanfic Catruchio, escrita por Maiara Resende - O Cravo e a Rosa CAP 12
Capitulo 12
(por Catarina)
A festa de noivado estava linda. Apesar de ocasionalmente notar alguns olhares tortos direcionados a mim e a Petruchio vez ou outra, estava tudo indo perfeitamente bem. Bianca finalmente conseguiu noivar com o professor, e eu finalmente consegui Petruchio de volta.
Brindamos, bebemos, dançamos e comemoramos a noite inteira. Apesar de aquela ser normalmente uma ocasião de pura formalidade, a festa estava muito animada e com uma atmosfera de descontração. Até eu, que normalmente não me aventuro nesse tipo de evento social, estava me divertindo bastante. Papai, sempre com um copo de licor em uma mão e um charuto em outra, conversava com seus amigos e colegas, enquanto as mulheres, amontoadas nos sofás e poltronas, conversavam empolgadas sobre fatos corriqueiros do seu dia-a-dia, e sempre que tinham chance, colocavam em dia a fofoca da semana. Dinorá também estava entre o pequeno grupo de mulheres, ainda que meio calada e deslocada por conta de tudo o que havia acontecido, mas ela parecia estar se divertindo, e vez ou outra acenava pra mim.
Bianca estava linda e radiante. Era notável que ela mal conseguia conter a felicidade de estar noiva. Ela andava pra lá e pra cá da sala de estar, exibindo orgulhosamente o anel de noivado que pousava delicadamente em seu dedo. Não era lá um anel dos mais extravagantes, mas era lindo. Professor se recusou que papai o ajudasse a comprar o anel, ou que Bianca usasse um dos anéis de mamãe, ele quis compra-lo com seu próprio dinheiro, e assim o fez. Homens e esse orgulho bobo. Mas devo dizer que admirei a atitude do meu futuro cunhado. Nunca tive dúvidas que ele jamais esteve interessado em Bianca por conta de dote, ou por causa do dinheiro de minha família, mas ainda assim, ele nunca me faltou com provas de que ele era um homem integro honesto e mais do que digno e merecedor do amor de Bianca.
Conversava com algumas velhas amigas da família, enquanto Petruchio conversava com papai, professor e outros cavalheiros. Ele gesticulava animado, quase que derrubando sua bebida. Falava de como pretendia ampliar o negócio dos queijos por conta própria, e escutava atentamente as dicas financeiras de meu pai. Petruchio falava alto demais. E a risada? Céus. A risada de Petruchio parecia um trovão de tão estrondosa que é. Mas como eu a adorava. A risada dele era daquelas que contagia quem está por perto, quando Petruchio ri, você não podia evitar, mas rir também. E eu adorava ouvi-la. Qualquer sinal de alegria do Petruchio era motivo de alegria minha.
Fui chamada a atenção inúmeras vezes pelas amigas com quem conversava, pois não conseguia me concentrar completamente no que quer que seja que elas estavam debatendo. Distraía-me facilmente pela voz de Petruchio atrás de mim. Queria tanto ficar a sós com ele.
Professor Edmundo voltou a se posicionar nos primeiros degraus da escada, com uma taça em mãos, ele agradeceu a todos pela presença, e propôs mais uma dança, antes do jantar ser servido.
Aproveitei que a atenção de todos estava voltada para o professor e fui até Petruchio para chama-lo para ajudar a arrumar minhas malas. Falei baixo só para que ele ouvisse:
- “Petruchio...- olhei em volta - ...Vamos aproveitar a oportunidade para arrumar minhas malas.”
A música começou a tocar, e todos dançavam entre si. Puxei Petruchio pra baixo da escada perto da sala de estudos para conversamos melhor
- “Ma’eu nem acredito que ocê vai voltar pra fazenda.” – ele disse com um sorriso bobo no rosto, fazendo com que eu me derretesse na mesma hora. Segurei as duas abas de seu terno, e depois afaguei seu rosto.
- “Eu também nem acredito que eu vou voltar a ficar junto de você. Estou tão feliz.”
- “Eu também, favo de mel...” – Petruchio passou a mão em meu cabelo. Ah, que saudade eu estava dos seus carinhos! Olhei em volta, ainda estavam todos entretidos com a dança e a música, e não resisti, e fui contra algumas normas sociais, me inclinei e beijei Petruchio. Ele, é claro, tentou prolongar o beijo por mais alguns instantes, mas eu o afastei. Se alguém nos visse estaríamos perdidos. Como se já não estivéssemos em maus lençóis por conta do nosso pequeno espetáculo de mais cedo, não podíamos nos dar o desfrute de cometer mais um deslize.
- “Não Petruchio...” – disse enquanto tirava suas mãos da minha cintura – “Você tá muito assanhado hein.” – disse com um sorriso sugestivo no rosto. Petruchio me respondeu da mesma maneira, me olhando do jeito que só ele sabe.
- “Ocê desculpa, Catarina... é que eu tava com tanta saudade de abraça ocê, de beija ocê..e mais ainda de sentir esse seu perfume...” – Petruchio mais uma vez ultrapassou o limite, e quando menos me dei conta ele estava fungando meu pescoço. Santo Deus! O quão mais poderia me segurar!
O empurrei mais um a vez, mas dessa vez o encarei séria, e ele entendeu o recado.
- “Nós teremos muito tempo pra namorar quando voltarmos pra fazenda.” – disse com as mãos em seus ombros.
- “Ocê tá certa...Então vamo logo vê esse negócio das mala e de tudo mais, que eu não aguento mais esperar.” - ele pegou minha mão e se direcionou a escada, mas eu o parei antes que chegássemos ao primeiro degrau.
- “Petruchio, está doido? - Agora falava baixo, porque estávamos novamente rodeados de pessoas - você não pode subir junto comigo, vai ficar estranho, as pessoas vão comentar. E além do mais, não seria de bom tom.”
- “Catarina, mas a gente não tá fazendo nada de errado...a gente é casado, e todo mundo tá cansado de sabe disso.”
- “Eu sei...e eu não ligo para o que os outros pensam, mas se subirmos juntos a pessoas podem pensar errado de nós, e eu não quero tirar ainda mais a atenção do noivado de Bianca.”
- “Ocê tem razão.– ele disse por fim – Tudo bem, intão o que que é que eu faço?”
Pensei por um momento, precisava de uma solução rápida.
- “Olha, enquanto eu subo você fica aqui, e conversa um pouco com seu tio Cornélio pra disfarçar... e, veja – apontei para um casal que estava se despedindo para ir embora da festa – papai irá acompanha-los até a porta daqui a pouco, e quando isso acontecer, você sobe. Seja rápido, mas discretamente, ainda tem muita gente na sala. Não deixe que ninguém o veja subindo para meu quarto. Seria um escândalo.”
- “Tá bom, eu vou ser discreto. Vô esperar um tempo aqui e intão eu subo. Mas agora que a gente tá junto de novo depois de tanto tempo, vai ser difícil ficar longe de ocê.” –Petruchio falou, enquanto me lançava aquele olhar de novo.
- “Ora, nós já ficamos tantos dias longe um do outro...esperar mais uns 5 minutinhos não vai ser tão difícil assim.”
-“Ocê que pensa.” – A cada palavra que saia da boca de Petruchio, era mais um pedaço que mim que estava totalmente entregue aos seus encantos. Petruchio tinha de um charme tão absurdo que devia ser contra lei.
- “Espera aqui, aguarde pela deixa e suba, certo?“ – ele fez que “sim” com a cabeça, e antes que eu saísse de perto dele, lhe dei um rápido beijo e murmurei um tímido “Eu te amo” e saí encabulada. Eu ainda tinha que me acostumar a dizer aquilo sem que fosse a coisa mais difícil do mundo. Mas se bem que com a ajuda de Petruchio aquela se tornaria uma tarefa fácil em pouco tempo. Meus “Eu te amo” ditos a ele, haviam se tornado tão fáceis e naturais com respirar.
Subi, peguei as malas debaixo da minha cama e comecei a guardar meus vestidos. Não demorou muito para que quase todas as roupas estivessem nas malas, já que eu não havia desfeito nem metade das malas que havia trazido quando fui embora da fazenda. Eram apenas alguns vestidos (que nem ao menos me dei o trabalho de dobrar), alguns pares de sapato , uns chapéus e algumas luvas. Parecia muita coisa, mas perto de tudo o que eu ainda tinha guardado no nosso velho guarda-roupa na fazenda, aquilo não era nada.
Passou-se algum tempo desde que eu havia subido e nada de Petruchio aparecer. Claramente já havia passado mais de 5 minutos, por que será que ele se demorava tanto?
Estava em pé, tentando juntar as mangas de um longo casado, quando fui surpreendida por Petruchio atrás de mim, cheirando o meu pescoço. Meu coração disparou – eu não sabia se pelo susto, ou devido ao fato de que minha cintura agora estava envolta nos braços fortes de Petruchio, ou pelo toque de seus lábios quentes sobre meu pescoço, - me arrepiei da cabeça aos, me virei e nós beijamos. Como era boa a vida novamente, enfim!
Petruchio me ajudou a tirar todos meus vestidos do armário. Faltava pouco para terminar de arrumar tudo, mas Petruchio não me ajudava mais, ao invés de dobrar e colocar os vestidos nas malas, ele continuava a me abraçar e beijar meu pescoço. Não havia quem conseguisse se concentrar com uma distração dessas.
- “Petruchio, pelo amor de Deus, pare....pare – eu me desprendi de seu abraço e olhei para porta - Nós estamos no quarto de Bianca. Temos que esperar até chegar na fazenda. Comporte-se.” – tentei me recompor e me abanei com um dos chapéus que estava em cima da cama.
- “Táa... – Eu podia ver como aquela demora estava deixando Petruchio ansioso. Eu também estava, mas alguém precisava ter juízo, e esse alguém – infelizmente – era eu. Petruchio não sabia, mas ele estava dificultando as coisas pra mim daquele jeito. Dá pra imaginar o quão difícil estava para manter todo o meu juízo intacto com toda aquela tentação?
Ele acariciou meu rosto e me observou por um instante.
-“E se... – ele voltou a abraçar minha cintura - a gente fosse embora agora pra nossa fazenda, e chegando lá, a gente preparava alguma coisa pra jantar, só pra nós dois? Todo mundo deve de tá dormindo a essa hora.”
- “Só nós dois? Parece tentador.” – eu coloquei as mãos em seu peito.
- “Só nós dois. Vai se um jantar romântico, pra eu compensar o jantar que eu estraguei com a armação da Dinorá e tudo mais que aconteceu, e pra comemora a vida que a gente vai recomeçar junto.”
- “Gostei. Está bem, combinado. – eu sorria feito boba - Mas como nós vamos passar com todas essas malas por todo mundo sem sermos notados?.”
- “Hmn...e se eu descesse e colocasse a carroça debaixo da sua janela e ocê me atirasse as mala pela janela?”
- “Ótima ideia! Mas eu acho melhor pedir a papai que nos empreste o carro.”
- “Arri, mas por quê? A carroça já tá lá embaixo.”
- “Ora Petruchio, por que já está tarde e escuro, e será melhor irmos com o carro do que com aquela carroça velha caindo aos pedaços.” – Petruchio emburrou a cara – “E além do mais... com o carro chegamos lá mais rápido.” – sorri pra ele, que me respondeu com um sorriso ainda maior.
- “Tá bom, se é assim... – ele riu depois de entender o real significado por de trás do meu sorriso - “Eu vou então lá pra baixo agora, e quando ocê tive pronta, ocê me alcança as mala.”
- “Ah, mas primeiro temos que pedir o carro a papai.”
Eu não estava acreditando no que íamos fazer. Jogar malas pela janela no meio da noite, durante uma festa de noivado cheia de convidados. Eu já joguei muitas coisas pela janela, mas malas nunca. Desci as escadas com Petruchio e fui falar com meu pai, que nos emprestou o carro de bom grado. Algo me dizia que ele estava feliz por não ter mais que aguentar meus ataques e intermináveis crises de choro por conta da gravidez, mas eu não o culpava.
Eu subi de volta para o meu quarto para apanhar as malas, enquanto Petruchio esperava debaixo da sacada que dava com o jardim que ficava atrás da casa. Comecei a atirar as malas, com certa dificuldade por causa do peso, quase acertando a cabeça de Petruchio várias vezes. Assim que terminei de jogar todas as malas, desci para falar com Petruchio.
- “Já foram todas. Vamos nos despedir dos mais chegados e já podemos ir.” – anunciei animada. Petruchio me olhou fundo nos olhos.
- “Ao nosso novo começo.” – ele disse antes de me dar um beijo apaixonado.
- “A nós.”- eu disse dessa vez, e também o beijei.
A viagem de volta seria longa, mas eu estava bem preparada pra enfrentar a estrada; com alguns doces e petiscos que havia pegado da cozinha, um ombro em que eu poderia me encostar, mãos quentes para me aquecer, braços fortes para me confortar, e um grosseirão pra eu chamar de meu.
(...)