Fanfic Catruchio, escrita por Maiara Resende - O Cravo e a Rosa CAP 14
Depois de horas (que mais pareceram longos dias que se arrastaram no calendário) de espera, voltei pra fazenda com Petruchio. Não demorou muito para que chegássemos, e também, eu dormi o caminho inteiro, só acordei quando Petruchio me chamou para que eu descesse do carro.
Quando chegamos à porta da frente, me prontifiquei a ser a primeira a entrar, mas Petruchio não me deixou, e eu fiquei sem entender o por quê, mas ele não quis me explicar, ele só pegou as malas e levou para dentro e me pediu pra esperar do lado de fora. Fiquei pouco tempo sozinha, mas esse pouco tempo me deixou irritada, e juntando com a minha ansiedade, o resultado não seria nada bonito. Eu não via a hora de voltar pra casa, estava tão ansiosa, esperei dias e dias pra que isso acontecesse, e Petruchio me faz uma coisa dessas? Isso é maldade.
Fazia alguns minutos desde que ele havia entrado (ou será que era só coisa da minha cabeça? Petruchio poderia estar lá por meros 10 segundos, pra mim seria o equivalente a uma hora inteira de espera) Fiquei olhando para o campo aberto e escuro a minha frente. Mesmo que eu estivesse a poucos centímetros da porta, fiquei um pouco aflita por ficar ali sozinha. Realmente estava muito escuro. Minha nossa. Não que eu estivesse com medo, imagina. Eu, Catarina Batista Petruchio, com medo de escuro? Faça-me o favor. Mas e se aparecesse alguma coisa e me atacasse nesse fim de mundo? Por Deus... uma fera....ou uma onça, talvez? Há, se bem que esse seria o meu menor problema, afinal, Petruchio vive me chamando de fera, de onça... se aparecesse alguma das duas, seria como um chá da tarde com duas amigas. Eu dou conta.
Minha paciência estava se esgotando, decidi que se ele não voltasse, eu entraria em casa, Mas foi só o tempo de concluir esse pensamento, que Petruchio chegou, já sem as malas, e me pegou no colo. Me sacudi por conta do susto, e confesso que quase gritei, eu estava um tanto distraída. Depois do meu breve momento de pavor, eu soube o que ele estava fazendo, Petruchio me pegou no colo pra compensar a vez que ele não me carregou pra dentro de casa quando casamos. Foi um gesto tão bonito, e cheio de significado, da parte dele. Eu não acredito que ele se lembrou de uma coisa tão boba assim. Bem, boba seria à alguns tempos atrás, quando eu ainda não era perdidamente apaixonada por esse homem, ou se eu não fosse agora uma mulher grávida, com as emoções a flor da pele, e que á alguns dias atrás chorou porque havia acabado o bolo de chocolate. Naturalmente, quase comecei a chorar, mas eu não poderia, não na frente dele, então segurei minhas lágrimas e o beijei.
Ele me levou no colo até a cozinha, e preparou um jantar para nós. Dá pra acreditar nisso? Não. E isso não é a melhor parte, além de ele ter tido todo esse trabalho arranjando tudo para a minha volta, foi ele quem havia preparado tudo. E sozinho! Petruchio arrumou a mesa para nós, com direito a vela e flores, e estava linda. Apesar de todo o encantamento, surpresa, e o quão maravilhada fiquei com a surpresa, confesso que fiquei um tanto apreensiva quando chegou a hora de sentarmos pra comer o jantar. Só Deus sabe qual seria o resultado daquele jantar. Seria esse como Petruchio havia dito mais cedo, “o melhor jantar que eu teria na minha vida”, ou ficaríamos viúvos ao mesmo tempo até o final do jantar. Mas aquela parecia ser realmente uma noite de surpresas, apesar de ser a primeira vez que Petruchio fez algo assim na vida, estava tudo muito bom. Não era possível. Eu deveria estar sonhando mesmo, só isso explicava.
Petruchio e eu conversamos durante todo o jantar, contamos coisas que aconteceram durante todo o tempo que ficamos separados. Discutimos sobre o nome do bebê, claro que não chegamos a um acordo, então encerramos esse assunto antes que saísse outra discussão boba.
Falamos sobre praticamente tudo, sobre as primeiras impressões que tivemos um do outro quando nos conhecemos, a primeira impressão que Petruchio teve a meu respeito não foi nenhuma surpresa, assim como a minha a seu respeito. Rimos bastante, fazia muito tempo que eu não me divertia daquele jeito. Era fácil estar com Petruchio, era confortável, era natural. Eu sentia como se eu estivesse no lugar que eu deveria estar.
Sempre achei que o tempo passasse mais rápido quando estávamos nos divertindo, mas parecia que até o tempo estava do nosso lado, e nós o usaríamos com sabedoria. As horas demoraram a passar. Acabamos de jantar, e Petruchio se levantou e trouxe uma pequena travessa a mesa, fiquei curiosa pra saber o que era, quando ele levantou o pano que cobria a pequena travessa de barro eu vi que ele realmente havia tirado aquela noite pra me surpreender. Ele havia se arriscado até a fazer uma sobremesa rápida para nós, ele preparou um doce de abóbora. Comemos os dois o tal doce, e estava delicioso. Petruchio devia estar trapaceando, não era possível que ele quem havia feito aquilo tudo. Mas por outro lado, é até bom que tome gosto por cozinhar, assim eu escapo das aulas de culinária forçadas.
Resolvi retribuir as gentilezas e depois que acabamos a sobremesa, levantei-me e fui passar um café. Que, aliás, era uma coisa que eu havia descoberto recentemente que eu sabia fazer muito bem. Era a prova de erros. Perfeito. E nós precisávamos de algo que nos mantivesse acordados e dispostos, eu havia dormido no caminho, e Petruchio ainda não. E a noite estava apenas começando...
Passei o café e eu e Petruchio o tomamos enquanto continuávamos nossa conversa.
- “Eu senti muito sua falta.” – ele disse colocando sua mão sobre a minha.
- “E eu a sua. – eu respondi colocando minha mão por cima da dele, e a beijei – você me surpreendeu hoje. Cozinhando, luz de velas, sobremesa...”
- “Ocê que me surpreendeu.” – ele disse sem me olhar.
- “É que foi a primeira vez que eu te vi fazendo um café e o café sair bom.” – ele disse rindo.
- “Que seja. Mas você tem que admitir que meu café é infinitamente melhor do que o seu.”
- “Ah é?” – ele disse simulando despeito.
- “É sim – eu me debrucei sobre a mesa – Mas tem uma coisa em que você é muito melhor do que eu.” – eu não deixei que ele respondesse, e o puxei pela gola da camisa e o beijei. – “Isso. Melhor de todos.” – eu disse depois que nos separamos.
- “Eu num sei não...sabe que eu ainda tô na dúvida? Deixa eu ver – Petruchio colocou a mão no meu pescoço me beijou– “Não... ocê é muito melhor.” – ele disse entre um sorriso.
- “Empate?” perguntei me divertindo.
- “Empate.” – ele concordou.
Nos levantamos da mesa sem dizer nada. Petruchio me puxou pela cintura, e eu entrelacei meus dedos em seu cabelo enrolado. Fomos nos beijando até o quarto, e quando chegamos na porta, Petruchio me puxou, e me pegou no colo de novo.
- “Sabe que eu estou até começando a gostar dessa coisa de ser pega no colo?”
- “Se ocê quiser eu faço isso todos os dias.”
- “Ótimo, não vou ter que andar mais pra lugar nenhum. Se quiser um copo de água toco um sino e você vem e me leva até a cozinha.” – eu disse entre beijos.
- “Tá certo, só que agora eu vou te levar é pra outro lugar, se ocê não se importa.” – Não importaria quantos anos se passariam, eu sempre ficaria encabulada toda vez que Petruchio falava, e olhava pra mim, daquele jeito. Me sentia uma menina.
Petruchio me deitou na cama e começou a beijar meu pescoço, o que me deixou toda arrepiada e com a respiração pesada com o mais simples toque de suas mãos quentes na minha pele. Ah como eu esperava por essa noite! Como estava com saudades do meu grosseirão.
Enquanto ele ainda estava beijando meu pescoço, e eu - já hiperventilando de uma maneira absurda - comecei a desabotoar sua camisa com certa dificuldade, enquanto ele desfazia as amarras do meu vestido e me beijava com urgência e desejo. Eu mal conseguia respirar. Beijei cada canto de seu peito que era descoberto por cada botão que eu desabotoava. Foi coisa de pouco tempo até estarmos despidos e começarmos a nos amar e a nos perder no toque do corpo um do outro.
Já depois algum tempo, estávamos deitados na cama, exaustos e tentando recuperar a respiração. Eu me levantei e coloquei minha camisola e disse para que ele colocasse ao menos uma calça, porque do jeito que privacidade era uma coisa que quase não tínhamos naquela fazenda, preferi evitar que alguém entrasse no quarto pela manhã procurando por Petruchio e desse de cara com... bem, nós dois, e em uma situação nada respeitosa.
Voltei pra cama, e deitei no peito nu de Petruchio, e ele me abraçou com um braço, e eu senti sua mão passear pelas minhas costas. Sorri. Sentia-me muito bem, realizada, leve e com muita, mas muita, vontade de beijar Petruchio de novo. E não perdi tempo, e assim o fiz.
- “Eu estava com tanta saudade de ficar assim com você.” – Eu disse enquanto beijava a boca de Petruchio, desci para seu pescoço e parei em seu peito, e voltei a encontrar seu olhar.
- “Eu também tava com muita saudade de ocê, meu favo de mel. De senti o cheiro do seu cabelo, de sentir essa sua pele macia, mais macia que uma pétala de uma flor contra a minha.” – ele disse e passou as pontas dos dedos por toda a extensão da minha nuca, e descendo pelas minhas costas, fazendo com que eu me arrepiasse de novo.
- “Essa foi a melhor noite da minha vida.”
- “Não, essa aqui foi só uma das melhores noites da sua vida que ainda tão por vir.”
Eu continuei fitando seu rosto.
- “Ocê sabe que...Todas melhores noites, e dias que eu já tive na vida foram os que eu passei com ocê.“
- “Eu também digo a mesma coisa.” - eu disse. Mas uma coisa invadiu minha mente, e eu não consegui impedir que ela saísse pela minha. – “E as noites que você passou com a Marcela?”
Fiquei com vontade de me enterrar num buraco depois de ouvir a maior baboseira que eu já havia ouvido sair da minha boca, mas foi mais forte do que eu, eu tive que perguntar.
- “Arriégua, Catarina! Ma’ocê tinha que falar na Marcela, e justo agora?” – Petruchio não gostou nada. Ele tirou o braço que estava em volta de mim.
- “Tá bom tá bom...eu errei. Me desculpe. Foi sem pensar.” – me desculpei na mesma hora. Eu queria pelo menos uma vez não ser traída pela minha língua cumprida.
Petruchio me olhou por um instante, e respirou fundo e voltou a me abraçar.
- “As noites que eu tive com a Marcela...Catarina, eu não faço nem questão de me lembrar. E ocê também não devia se preocupar com isso, isso é passado. Tudo o que aconteceu entre eu e a aquela víbora foi só um erro da juventude... Era só diversão, não tinha sentimento no meio, nem nenhum significado. E eu nunca que quis nada com ela.”
- “Nunca?” – eu perguntei.
- “Ma’nunquinha. Pra que que eu havia de quere alguma coisa com ela se eu tinha uma onça brava me esperando?”
- “Acho bom mesmo, se não eu nem desfazia minhas malas e ia embora agora mesmo.” - fiz um charme e ameacei sair da cama.
- “Ah mas ocê num vai a lugar nenhum.” - Ele me puxou e me beijou. – “Ocê ainda tem ciúme da Marcela, Catarina?”
- “Claro que não. Perguntei por perguntar.”
- “Eu vejo como que ocê franzi a testa sempre que ouve falar no nome de Marcela.”
- “Você deve estar louco, porque eu nem sequer me lembro da existência daquela sirigaita. – eu desconversei – e quem é você pra falar de ciúmes, Julião Petruchio? Quantas vezes você não jogou o pobre jornalista Serafim por uma janela, e o expulsou de casa a pontapés porque sentiu ciúmes? ”
- “Mas não foi por ciúmes. Foi porque aquele jornalistazinho é muito do atrevido, e faltou com respeito, isso sim. Mas ocê nunca que sentiu nada por ele, então não tem porque eu senti ciúmes.”
- “Não sei. Senti?” – provoquei, e vi o exato momento em que a expressão de Petruchio mudou. Atingi o ponto fraco. Era hora de me divertir um pouco pra variar.
- “E como é que você sabe?” – cruzei os braços.
- “Ora, sabendo... ocê nunca que teve nada com aquele jornalista, Catarina.” - Me diverti vendo o quão enciumado Petruchio estava.
- “Pode ser que sim, pode ser que não.” - Decidi me divertir mais um pouco, e me fazer de desentendida, pra aumentar sua reação.