castelos de areia e construções de pedra
Eu não sou tão madura quanto tento demonstrar. Nem tão forte, nem tão pé no chão, nem tão inteligente, muito menos tão segura. E dá medo pensar nas situações das quais não tenho nenhum controle que podem jogar minha verdadeira identidade, assim de repente, na cara de todo mundo onde serei exposta.
E todos saberão a verdade sobre o que eu sou. Ou melhor, não sou. Nada. Uma fraude.
Não é um medo racional, eu sei. Nem fundamentado em nada. Todo mundo quebra, todo mundo enfraquece, todo mundo é e deixa de ser alguma coisa pelo menos uma vez na vida (ou por semana), mas expor as fraquezas, expor as falhas, expor as mentiras que contamos na frente do espelho para nos inspirar a sobreviver só mais um dia, dói. E como dói. Mas esse momento sempre chega.
A onda que derruba a casa fundamentada na areia.
Você não sabe qual é a minha onda, eu também não sei qual é a sua, mas todos nós temos uma.
Ela vem e leva tudo. Leva minha suposta força. Minhas vigas frouxas, minhas construções mal planejadas. Porque sou fraca e nada que vem de alguém fraco pode subsistir.
Mas a onda vem com um propósito. Sabe, passar a vida se apoiando em máscaras, mentiras na frente do espelho e aparências não faz bem pra ninguém. Então a onda vem, derruba tudo, e nos alerta para a necessidade de encontrar algo forte para nos apoiar.
Mas se somos todos pessoas fracas e falhas, quem poderemos encontrar?
Existirá uma pessoa forte o bastante para suportar sozinha as ondas da vida?
Todos sucumbimos em nossas próprias falhas um dia. Nos mascaramos, lutamos contra a maré, tentamos construir coisas boas com nossas próprias mãos e dizemos que vai durar, que temos o controle, que o amanhã está certo porque planejamos o suficiente e calculamos todas as probabilidades. Mas no final, quando a onda vem certeira, não existe homem ou mulher forte.
Um Deus que trouxe à existência todas as coisas com o Seu falar, que sustenta toda a existência do universo com Seu ser, que dá ao mar seus limites e chama as estrelas pelo nome. Um Deus qual não há onda, nem vento, nem catástrofe nenhuma que O abale, mas que abala até mesmo a mais alta das montanhas e o mais profundo vale com o som da Sua voz.
A onda que me derruba machuca, mas é necessária, pois me aponta para minha própria fragilidade e incapacidade. Ao mesmo tempo que aponta para minha completa dependência a esse Deus.
E muitas vezes com a onda, Ele vem dizendo que não preciso mais da viga frouxa, nem da casa na areia. Posso fazer morada na rocha.
Ele é Aquele que conhece minhas fraquezas e falhas, conhece minha verdadeira identidade, e mesmo assim me amou com amor eterno. Ele vê meu eu nu e cru e isso não O assusta, nem O surpreende. Pelo contrário, Seu poder se aperfeiçoa nas minhas fraquezas, pois quando admito que não sou nada, Ele mostra que Ele é tudo.
E chama do nada à luz. E faz de mim Sua criação, Sua habitação, Sua filha.
Então não preciso mais mentir sobre mim mesma, não preciso mais esconder as cicatrizes, nem as fraquezas, nem viver com medo.
Seu amor lança fora o medo.
E de repente, sei quem eu sou.