● two corpses we were, two corpses i saw ┈ caim and bella. ❞
Diante da conjuntura atual do acampamento, o tempo denotava lentidão quando todos desejavam que ele transcorresse rapidamente. Era comum ver a exaustão de batalhas levarem homens e mulheres ao chão e muitos destes feridos. O conceito de que todos dentro daquele acampamento eram irmãos e irmãs, uma família, havia se infiltrado dentro da mente de todos naquele momento, fazendo com que lutassem com garra para defender os seus. Fora assim que Caim se interveio entre uma mulher-dragão e uma semideusa cujo rosto era conhecido em sua memória; presente em vários momentos. Poderia dizer que Belladonna fosse a única pessoa capaz de fazer com que ele se sentisse confortável dentro de uma conversa que o estimulava a falar e não o deixava desconfortável com uma presença humana. A foice do semideus era manuseada com a mesma destreza de um espadachim quando uma taque o obrigava a defender de algum golpe da dracaenae, pois nem escudo nem armadura completavam sua vestimenta de guerra, diferentemente do monstro que trajava uma armadura completa que o cegava diante da luz solar que iluminava o acampamento naquele momento. Pelos deuses, como ele desejava a noite.
O vão entre a armadura e o corpo da mulher-dragão brilhou para ele enquanto bailava em investidas mal sucedidas. Tentou furar o bloqueio pela primeira vez com a ponta da foice bem articulada, todavia, o erro levou-o direto para o chão em um contra-ataque veloz de alguém que manuseava espadas tão bem quanto ele havia aprendido em suas aulas. Porém, ele havia se defendido e deixado sua guarda baixa por um segundo; uma distração que ele pagou quando a cauda da dracaenae o levou ao chão, batendo suas costas no solo não tão macio pela grama deteriorada por corpos que caiam e se levantavam. Foi preciso que o cabo da foice fosse usado de escudo precário para sua defesa. Rolou de lado quando tentaram atingi-lo na cabeça, sentindo o mental frio passar rente aos seus fios negros. Aquele monstro iria pagar sua próxima ida ao cabelereiro, disso ele não abriria mão. Caim se recompôs rapidamente, embora seu corpo reclamasse do cansaço por batalhas árduas. Era dia. Ele não poderia se recuperar durante o dia tanto quanto poderia durante a noite.
Já chega!, pensou o semideus quando girou em sua própria rotação, fazendo com que a ponta da lança entrasse na fissura que separava o corpo reptiliano da armadura humana, fazendo com que ele trouxesse o monstro para frente – sendo agraciado pela surpresa de seu ato, desmontando a ação do adversário. Quando o corpo da dracaenae veio, ele empurrou com o pé a parte de baixo, utilizando sua força para estourar a armadura. Funcionou e, embora ele desejasse que a armadura saísse por completo, ele não tinha força para tanto. Por fim, então, ele terminou com a batalha quando sua foice encontrou o ponto vital do monstro que eclodiu em uma poeira roxa e malcheirosa. Caim sorriu, mas se esqueceu de outros monstros. Não viu quando uma cobra – o rabo de uma quimera – o mordeu, lançando-o alguns metros a esquerda de sua posição, onde ele bateu a cabeça em uma pedra. A inconsciência era, na verdade, um ato covarde. Em meio a uma batalha, ninguém poderia se dar ao luxo de desmaiar mesmo que os céus caíssem sobre os ombros. Mas o que ele poderia fazer se era apenas humano, no final das contas?
@belladonnathorn












