com @christopherd-amato em dueto surpresa
Ela não entendia — não de verdade — que tipo de obsessão ele tinha com ela. Se fosse pelo fato de não dar a atenção que ele queria, bem, havia muitas outras que dariam. Com mais facilidade, com mais doçura, com menos espinhos. Mas não. Ele continuava voltando. Como se aquela indiferença calculada fosse algum tipo de convite. Como se cada olhar atravessado dela dissesse “tente de novo”. Catarina ajeitou os óculos escuros no rosto e caminhou pelo caminho de pedras cercado por lavandas, como se estivesse cruzando um campo minado. A luz do sol refletia no mármore da mansão e nas taças de espumante e vinho que desfilavam por mãos impecavelmente cuidadas. Tudo era bonito demais, perfeito demais, incômodo demais para ela.
Aquela cena de jardim requintado — com mesas cobertas de linho branco, convidados sorridentes e crianças correndo sorridente — contrastava violentamente com o humor dela. Não era um lugar onde se sentia à vontade. Era claro demais. Aberto demais. Exposto demais. Ela odiava a exposição. E odiava ainda mais estar ali para ele. Mas havia ido. Contra sua vontade, contra seu bom senso, contra a promessa que tinha feito de não se meter com homens como ele. Homens que sabiam brincar com a tensão. Homens que liam os silêncios como convites. Homens que sabiam que ela estava atraída mesmo quando fingia não estar. Ela havia dito que iria provar à ele de uma ver por todas que não estava ali para ele.
Parou a poucos metros da entrada do jardim e olhou em volta com um certo desprezo entediado. Já podia sentir o olhar dele. Sabia que ele estava observando, esperando, quase vitorioso por ela ter aparecido. Mas ela não daria esse gosto. “Aqui estamos, Christopher,” ela disse, abrindo os braços para o evento como se apresentasse uma peça que não tinha pedido para estrelar. Rodopiou no jardim com um gesto leve, carregado de sarcasmo. “Você tem seu encontro. Espero que saiba fazer o melhor proveito dele.” Ela podia até ter aceitado estar ali com ele, mas não iria facilitar nada para ele.
Se ele queria um sorriso doce, teria ironia. Se esperava conversa mole, teria silêncios calculados. Estava ali porque decidira encarar aquilo de frente, não porque queria. E certamente não para agradá-lo. O salto afundava levemente na grama a cada passo — uma lembrança de que aquele cenário não combinava com ela. Estava deslocada. Mas isso nunca a intimidou. Ela sabia se portar mesmo nos lugares onde não pertencia. Seguiu em frente, os olhos atentos a tudo, menos a ele. Não precisava olhar para saber onde ele estava. Sentia. Como se o corpo soubesse antes da mente. Cada passo mais perto deixava a pele mais viva, os sentidos mais aguçados.
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