starter com @notyourbambina
L'ARTIGIANATO DELLA NONNA NICE: oficina de crochê, tricô, macramê ou costura e bordado.
Se tinha uma coisa que Scarlet com certeza odiara era essa parte de artesanato e coisas manuais. Só de assistir uma pessoa ou outra fazendo aquilo já caía sobre si uns 50 anos a mais, precisando de uma bengala para se locomover. Além de toda aquela bobagem de "evento romântico" quando ninguém sequer sabia o que era romance de verdade além da teoria.
Estava prestes a sair quando deu de cara com Catarina. De todo aquele grupo, ela era a que menos conhecia. Sabia uma coisa ou outra sobre, mas também não tinha dado importância alguma em saber mais sobre a mulher. Só estavam presentes em todas as rodas de rituais, e isso foi o suficiente para se aproximar. Já estava ali mesmo, então que mal faria tentar... Algo? Dos males, parecer uma idosa justo com quem mal falava era o menor deles.
Também perdida ou veio por conta própria para tricotar? - Se aproximou sendo o mais direta possível, sem "olá" ou questionar se estava tudo certo. - Como anda sua busca, Catarina? Está tão perdida quanto todo mundo? - Gesticulou como se estivesse a guiando para um dos lugares vazios que mostraram para ambas. Era a chance de, talvez, se o destino colaborasse, descobrir um pouco mais uma sobre a outra, e quem sabe, ter alguma resposta finalmente.
Catarina já tinha visto de tudo em Khadel, mas aquilo ali — círculo de tricô, novelos espalhados como se fossem artefatos sagrados — definitivamente subia alto no ranking das atividades que ela preferiria evitar. O cheiro de lã misturado com expectativa piegas a fazia pensar que, se existisse um inferno particular, o dela teria exatamente esse cenário. Estava prestes a dar meia-volta quando a voz direta de Scarlet a interceptou. Sem rodeios, sem cortesias — o tipo de abordagem que Catarina respeitava mais do que um “oi” falsamente simpático. Catarina soltou um suspiro curto, quase imperceptível, antes de responder. "Tricotar não está nem entre os meus últimos recursos de sobrevivência," disse, caminhando ao lado dela. "Só achei que se alguém fosse ter um colapso nervoso com uma agulha na mão, talvez eu pudesse assistir de camarote."
Sentou-se com a elegância quase displicente de quem sabia exatamente onde estava e, mais importante, por que estava ali. Não para fazer amizade, nem para participar de terapias coletivas disfarçadas de passatempo. Mas porque, às vezes, era preciso entrar no teatro pra entender onde estavam escondidos os segredos do roteiro. "E não. Não tô perdida," completou, agora com os olhos presos nos movimentos ansiosos de um grupo mais adiante. "Tenho exatamente a mesma quantidade de informações que eu preciso." Pegou uma agulha, apenas para girá-la entre os dedos como se fosse um cigarro aceso ou um detonador adormecido. Nada nela parecia confortável ali — e ainda assim, ela não se movia. Porque até o desconforto podia ser útil. "E você, Scarlet?" virou-se com um arquejo leve de sobrancelha.
@khdpontos
















