Criolo cantarolou sobre o fato de não existir amor em sp e depois de muito tempo ouvindo isso e acreditando nisso, resolvi ter a brilhante ideia de perguntar a alguém que fosse paulista sobre o fenômeno. Não sei bem se foi a melhor ideia que eu poderia ter naquele momento, mas aconteceu. E a resposta que eu obtive: "não existe amor em lugar nenhum. A vida é grana, amor, não se engana." Resolvei criar uma retórica da resposta. Me desculpem os incrédulos, mas acredito fielmente que existe amor, em qualquer lugar, aqui, em Sp, no Japão, no raio que o parta! Porque o amor, no fim das contas é a mistura de todas as experências que você já teve. E é claro que, se você teve experiências ruins relacionadas ao amor, você tende a duvidar da existência dele. Mas não é regra. Existem pessoas que, embora tenham passado por maus bocados, ainda estão firmes a respeito desse sentimento tão estranho. Pra definir estranho cataloguei diversos sintomas do amor: afeto absurdo, ira, vontade de chutar quando a pessoa não te responde, vontade de ir cuidar da pessoa quando ela diz que não está bem, o silêncio, a fala incessante, o vislumbre por um futuro infinito ao lado do alguém, o medo de deixar ir e a possibilidade de ter que ir embora, o ficar, o adeus, a partilha e o egoísmo, o ciúme, a depravação, o desejo, a excitação, a calma e a fúria, a presença e a falta, o querer demasiado e o deixar de querer, o tudo e o nada, o início e o fim, entre tantos outros. E se por ventura vocês me verem por aí, tentando um amor, ou algum sentimento próximo do amor, me chame e me faça acreditar que ele não exista! Caso não consiga, venha comigo e tente experimentar a possibilidade de acreditar novamente. E de novo, e de novo, e novamente. Até que por fim, tenha se dado a possibilidade de ser feliz, amando alguém, um bicho, um livro, uma vista, o abstrato, ou a melhor parte, amando a si mesmo. Aconselho a começar por esse.
“C-i-a-m-o”, Maykon.













