A maneira como a tristeza se escondia por trás dos sorrisos, gritando por entre os refrões das músicas, enquanto passava despercebida pelas vozes e tons. Era sempre tão harmônico. Era sempre tão romântico como ela me apunhalava pelas costas enquanto beijava-me. E, ao dizer isso, não significa que eu gostava de como ela me matava pouco a pouco, mas tenho que reconhecer a sua elegância e a sua classe em destruir as coisas, ou devo dizer... as pessoas? Ela arrancava os ponteiros do relógio, rasurava as folhas e os espelhos com frases suicidas, gostava de prender a minha respiração enquanto eu falava. A tristeza tem essa mania insuportável de parecer sempre presente, enquanto na verdade o seu sistema é planejado e ela dorme na maior parte do tempo. Ela também é a primeira a nos abandonar. E, engano seu pensar que ela é amigável, pois ela sempre vai ser um amigo falso, arrogante e venenoso. Ela sempre, vai te fazer sentir como se você fosse a pior pessoa do mundo, mesmo você sendo a mais incrível. Ela mente, mas ela também é talentosa em atuar para fazer tudo parecer culpa nossa. Ela escreve poesias felizes, escondendo-se por entre os versos duvidosos que os leitores não conseguem interpretar. O verso triste não está na poesia errada, a poesia feliz é que está no verso errado, camuflando a real essência de tudo. É apenas um pedido de socorro que é bonito, mas que não deixa de ser desesperador."