Somos Todas Clandestinas (Bárbara Lopes, Jéssika Martins e Tica Moreno, orgs.)
O livro é um apanhado de relatos extraídos do blog anônimo “Somos Todas Clandestinas”, no qual mulheres brasileiras contam como realizaram seus abortos. Ele traz ainda textos introdutórios sobre a realidade da questão do aborto no país.
As histórias são em geral muito tristes justamente por causa da clandestinidade. Não porque seja traumático ou porque se arrependeram, pelo contrário, a quase totalidade sempre esteve muito segura em sua escolha. São histórias tristes porque processos que deveriam ser bem simples e seguros são negados a essas mulheres, porque negam a nós todas autonomia sobre nossos corpos.
Eu custo a crer que ainda somos consideradas tão insignificantes no mundo, a ponto de o aborto ser proibido em diversos países. A proibição do aborto não impede que mulheres abortem, só faz com que seja inseguro e clandestino. No Brasil, pelo menos 1 em cada 5 mulheres já abortaram. Sim, essas mulheres em volta de você, sua mãe, sua irmã, suas amigas… Elas não te contam porque fazem esse processo tão normal na história do mundo ser motivo de vergonha e, inclusive, de prisão. A criminalização do aborto e o estigma social em torno dele faz as mulheres se calarem sobre esse assunto. Mas ele não deveria ser um tabu, ainda mais sendo tão presente na vida das brasileiras.
Uma coisa comum nos relatos é a solidariedade entre as mulheres. Na hora em que uma mulher mais precisa de ajuda, normalmente ela vem de outra mulher, às vezes até desconhecida. O que desmonta também essa noção de rivalidade que tentam incutir nas nossas cabeças. Mulheres, somos nós por nós! O aborto é um direito humano das mulheres e sua proibição é absurda. Seguimos juntas na luta!
















