Pelo Caldeirão, aquele não é LEE PACE? Ah, não… É muito pior! Trata-se de ITZAK, e embora costumasse pertencer à CORTE INVERNAL, atualmente é um mero PATRULHEIRO/INFILTRADO na Corte dos Sonhos. Por ser um GRÃO-FÉERICO nem aparenta ter 342 ANOS, mas ele não me engana… É melhor mantermos um olho em TEMPEST, em tempos de guerra qualquer um pode se tornar inimigo.
TO THE PEOPLE WHO LOOK AT THE STARS AND WISH
Apesar de sua idade e todos os anos que levou se preparando, Itzak ainda toma por prioridade o combate corpo a corpo, optando por usar uma espada empunhada quando enfrentando um inimigo, o encarando de frente, saboreando o peso do aço sob a mão e a visão privilegiada do embate quando travado de perto. Não é qualquer estranho a seus poderes naturais, contudo; quiçá aquele que mais use, para fins de extrema necessidade, seja a cura através de gelo, para auxiliar aqueles que por vezes necessitam de sua ajuda, ou a si mesmo. Apenas em casos de extrema precisão vem a explorar sua manipulação de tempestades, usando-a como estratégia em dados casos, quando assim o vê essencial. No entanto, mesmo que use de quando em quando todas habilidades especiais que possui, ainda investe cegamente na sua força, qual conquistou com tamanha aplicação e sabe não lhe falhar nunca, uma vez que todo o resto ainda necessite um pouco mais de aplicação para dominar com proficiência, como assim deveria ser.
✰ Glamouring
✰ Cura através de Gelo
✰ Manipulação de Tempestades
TO THE STARS WHO LISTEN
✰ Tivesse ele nascido num berço afortunado, teria possuído meios de, tão facilmente, vir a ser um grande guerreiro, quiçá líder. Era certo que os pais lhe pressionavam para que galgasse seu caminho a beirar as margens da perfeição, desenvolvendo suas habilidades como se nada mais pudesse plantar um sentido em sua vida senão aquela busca por conhecimento e evolução da própria pessoa. O feérico tinha grandes habilidades já quando novo; antes mesmo de seus poderes despertarem em si, Itzak antepôs o treinamento físico e militar, aprendendo mesmo o básico que fosse para que tivesse alguma ciência do combate corpo a corpo, importante mesmo para aqueles que, como ele, podiam desenvolver poderes mais práticos, se assim os pudesse chamar. Gastava parte de seu tempo se dedicando a extensas leituras, tediosas de fato, mas que traziam conhecimento do seu povo e de outros, assuntos que lhe contavam muito, de extrema importância, ao seu ver. Fatigava o corpo e a mente, dia após dia, calejando as mãos e esgotando o emocional, chegando ao fim do dia pego por total exaustão, o que o induzia a um sono perigosamente profundo, que não era, todavia, nem de perto suficiente para prover o descanso que lhe era essencial. Passava horas a fio em busca de melhoramento, não importava quanto de fato já tivesse conquistado; fosse por meio de treinar suas habilidades físicas ou expandir o conhecimento que, supostamente, necessitava ter, seguia insistindo naquilo que havia se tornado seu objetivo principal. Em pouco tempo Itzak possuía talentos que se destacavam, que eram, sem dúvidas, admiráveis, porém tal conquista vinha com um preço, uma vez que se privava em todo dos lazeres da vida, possuindo de pouca a quase nenhuma vida social saudável, nenhum contato fora de seu próprio mundo, nada que pudesse lhe distrair de todos aqueles esforços que fazia. Não se importava, no entanto, uma vez que tudo aquilo lhe subia à cabeça, fazendo-o acreditar que de fato era e podia ser ainda mais grandioso, o que lhe presenteava com um ar pretensioso, quase arrogante, qual mascarava destramente com um falsa modéstia quando assim julgava propício. Onde possuía grande conhecimento com uma espada em mãos, ainda lhe faltava a perícia nos poderes que foram se manifestando ao longo dos anos; parcialmente satisfeito com aquilo que havia adquirido, colocou de lado todo o resto para se dedicar primeiramente aquele poder que pertencia à sua raça, qual foi o primeiro a despertar. Com o passar dos anos, entretanto, com a manifestação dos outros poderes, aquela arrogância começou a tomar novas proporções, porém de pouco fora quebrada e estilhaçada por aqueles mesmo que, tão ferozmente antes, a haviam incentivado.
✰ No íntimo carregava a vontade dormente de que tudo tivesse sido diferente, era uma vontade desconhecida até mesmo para ele, qual se escondia no profundo de sua mente e não se manifestava, mas lá residia; talvez pudesse o destino tê-lo colocado num meio diferente, mas este havia lhe posto sobre os braços de pais ambiciosos, rigorosos e impassíveis, estes quais já tinham seu futuro planejado desde seu primeiro respirar. E carregava sobre as feições o peso daquele viver com pais de natureza como aquela, que exigiam do garoto o seu máximo mesmo quando este ainda tinha muito a aprender. Não interessava quanto conquistava, quanto aprendia e quanto se esforçava para receber a afeição dos genitores, eles nunca estavam suficientemente satisfeitos com seus desempenho. Em constância repetiam que não desejavam criá-lo para se tornar uma decepção, mas moldá-lo para tornar grande, poderoso, para que conquistasse tudo aquilo que havia para ser conquistado… Itzak, mesmo que desejasse o mesmo, ainda era capaz de enxergar o exagero na ambição, via-se talvez incapaz de atingir tais méritos de fato, falhava em ver como poderia tornar-se aquele modelo que os pais, tão avidamente, desejavam, mas jamais recuava, jamais defrontava-os. Itzak não conhecia outra vida, não conhecia outros meios. Havia sido criado por pais que não o viam como um mero filho, mas porventura um modo de mostrar a outrem que possuíam algo de valioso, era tão só um objeto, alguém que era moldado para não possuir vontades próprias, tampouco desejos, que vivesse apenas para alcançar e exceder as expectativas daqueles que haviam lhe dado a vida. Desconhecia afeto. Sabia apenas daqueles olhares indiferentes que recebia quando realizava algum novo feito e este era visto com menosprezo; conhecia apenas palavras duras que, vez após vez, lhe censuravam, ordenavam-lhe que tirasse aquele sorriso pretensioso do rosto e buscasse melhorar, mais e mais. Insistia em acreditar que era sim bom o bastante, mas quanto mais seguia tentando, sua confiança em si mesmo se abalava. Aquela súbita frustração que invadiu sua vida logo passou a desfazer-se em ressentimento para com seus pais, o nascimento de sua irmã mais nova sendo o catalisador para tal sentimento. O mais velho acompanhou de perto enquanto a caçula crescia e se tornava, de alguma forma, a protegida dos pais, recebendo todo aquele afeto e atenção que deveriam ter sido direcionados a ele. No decorrer dos meses, se deixava afundar naquele oceano que lhe engolia, lhe envenenava; sentia-se traído, sentia-se desprezado. A vaidade, a necessidade de aprovação lhe cegaram, lesando seu senso e razão. Em tão pouco viu-se tomado por um sentimento que jamais imaginara capaz, algo que lhe preenchia por dentro, que clamava por algo… Por algo que ainda não sabia reconhecer. Itzak afastou-se cada vez mais da família, alimentando aquele ódio frívolo e permitindo que tal tomasse o melhor de si, que o fizesse ver o mundo por uma nova perspectiva, apontando a ele um rumo que, a ele parecia, muito mais proveitoso. Dali em diante, retomou seus estudos e treinos com o mesmo afinco, mas não mais para provar um ponto aos genitores, mas para alimentar aquela ira crescente que se alastrava, que corroía, porém que um dia encontraria sua devida libertação.
✰ Quando a oportunidade se apresentou, Itzak a considerou com minúcia, era, afinal de contas, uma oportunidade a ser considerada de perto, pesada como assim tinha de ser. Juntar-se ao Lorde Negro soava, sem dúvidas, ominoso, mas o feérico não o considerava apenas pela causa, mas talvez por mera veleidade, para provar a si mesmo aquilo que podia granjear juntando-se à Lorde Negro. Contudo, por fim a aliança então se fez, Itzak tornando-se um dos seguidores do Lorde Negro, acompanhando-o de perto durante os anos até sua total ascensão, pronto para seguir seus passos. Quando a invasão se iniciou, o feérico acompanhou almejante, aguardando pelo dia em que seu lar seria o alvo. Ali, sua personalidade havia metamorfoseado, não mais portava quaisquer traços de personalidade daquele seu eu mais jovem, havia amadurecido e adotado um caráter completamente dissemelhante do de outrora. De postura calma, trazia no olhar tal estabilidade e calmaria que se opunha àquelas mesmas tempestades que controlava, tão selvagens e inconstantes; ao primeiro ver, o grão-feérico poderia de fato parecer um homem de caráter digno e probo, mas em verdade, era leal apenas a si mesmo e a mais ninguém. Lutou com afinco, todavia, brandia sua espada no campo de batalha e explorava seus poderes à mercê de seu novo senhor, usando de tais para dizimar terras e almas, fazer de ambos prisioneiros. Nos campos de batalha se encontrava, era onde se sentia vivo e livre, onde alimentava seu ego, onde punha em prova a personalidade gélida que era conhecido por ter. Não se mostrava piedoso, nem mesmo para com aqueles que lhe encaravam com suplícios nos olhos marejados, havia há muito se barrado contra aqueles apelos, no propósito de não cair na graça de tais emoções, pois elas não possuíam mais um lugar em sua vida. Uma verdade que se solidificou no dia em que invadiram a Corte Invernal. Naquele dia sim deixou-se ser inundado por uma emoção, esta que colocava sobre seus lábios um sorriso doentio; uma emoção que, por toda vida, permanecera acesa, incendiária. O feérico fez sua busca pessoal, traçando todo o caminho para o antigo lugar qual costumava chamar de lar. Adentrou-o como se apenas estivesse retornando à casa, mas não encontrou nada, apenas um local vazio, cheio somente de lembranças quais ele buscava repelir. Era inevitável negar a súbita decepção que havia se posto, mas nem mesmo ela durara por muito; Itzak deparou-se com os pais sob a mira de um inclemente feiticeiro apenas alguns minutos mais tarde… O feérico os mirou com um olhar imperturbável e jamais sequer hesitou, ali se estendeu, a ver ambos perecerem ante a seu olhar, seu interior se preenchendo com uma satisfação que sabia não dever estar ali, porém que já não mais podia afastar.










