Com base nas entrevistas realizadas de forma oral e datada neste documento, bem como com base nas investigações feitas nos setores administrativos competentes do Instituto Federal da Bahia Campus Camaçari, é possível declarar a falta de dados a respeito da quantidade de docentes negras atuantes na rede de ensino médio Federal brasileira. Além disso, diante de uma pesquisa mais ampla e teórica, constata-se a mesma situação nas escolas estaduais de ensino médio, não havendo, em nenhum meio de pesquisa, dados ou informações a respeito da docência da mulher negra no nível médio.
Os dados que mais se aproximam do objetivo deste documento estão estabelecidos em um artigo escrito por Angela Ernestina Cardoso de Brito, graduada em serviço social pela UNESP. Nesse documento, ela especifica a quantidade de mulheres negras como professoras em algumas áreas do conhecimento, como estão detalhadas na tabela 1. Entretanto, esses dados são de uma esfera superior, a Universidade, que não foi parâmetro principal desta pesquisa, porém serve como exemplo para revelar que há possibilidade de contabilização de docentes, não só neste ambiente, mas também em outros.
Percebe-se que mesmo em uma cidade considerada a mais negra fora da África, como apontou o site do G1 em 2018, o número de professoras negras ainda é muito baixo quando é feito um contraste entre número de docentes totais, brancas e negras. Nesse sentido, nota-se que os cursos revelados, apesar de apresentarem notas de corte altas, não são tão elitizados quanto Medicina, Engenharia, entre outros. Isto indica que esses cursos que estão no topo da pirâmide social são ainda mais difíceis de serem alcançados pela população negra.
Diante desse cenário, é de suma importância salientar a dificuldade que as estudantes encontraram em achar professoras negras dentro do campus, bem como entrevista-las. Situação que dá mais um indício da baixa quantidade de docentes negras no Campus Camaçari. Dessa forma, foram contabilizadas apenas duas entrevistas.
Além desses pontos, é importante frisar a falta de redes de apoio para as mulheres negras da docência. Existem movimentos negros dentro da esfera federal, porém são amplos e abrangem todos os indivíduos negros. Entretanto, a mulher negra possui demandas mais específicas, que poderiam ser atendidas de forma melhor, compreendidas e reveladas se houvesse um grupo concreto voltado para isso.
Tabela 1- Distribuição de professores(as) por raça/cor conforme a área do conhecimento e curso. Ano 2016-2017.
Fonte 1- Artigo de Angela Ernandes