Nadando contra a correnteza
Hoje li um livro chamado ‘’Pedidos de uma suicida’’ da autora Ella Ferreira, e embora eu seja uma pessoa que sempre está pensando sobre tudo e questionando as coisas, eu cheguei a uma conclusão: não temos pensamentos próprios. Enquanto meus olhos passavam por todos aqueles pensamentos da personagem, foi ficando ainda mais evidente essa afirmação. O ser humano tem algo inexplicável que beira ao insano.
Ultimamente estou vendo as pessoas comentando ‘’nenhuma experiência é individual’’, e isso é um fato. Quando encontramos alguém fazendo algo que seria considerado anormal, pensamos ‘’puxa! Mas essa, sim, é um experiência individual’’, só que, ao pensar assim, devemos imaginar o porquê aquela pessoa se colocou naquela situação específica. Para sentir algo diferente? Para ir contra a correnteza? E como é se sentir indo contra a correnteza? É bom, é divertido? Eu posso dizer que não. Essa necessidade de nos encontrarmos em lugares que outras pessoas jamais poderiam acessar pelo simples fato de querer ser único, é exaustivo. Você já tentou nadar contra a correnteza no sentido literal? Cansa para caramba. Eu nunca tentei. Não sei nadar. No entanto, posso afirmar que no sentido figurado da coisa, eu já tentei nadar e não foi nada satisfatório.
A personagem Kay deve ter tentado nadar contra a correnteza e se cansado, afinal de contas, acabamos assim; acabamos vendo que não existe propósito algum. Tudo é lindo, mas vai só até aí. Nada além disso. E enquanto tentamos procurar uma razão, enquanto tentamos ser importantes para além do que o nosso corpo aguenta, nossos braços se cansam e o nosso corpo afunda, porque a correnteza é violenta demais. Saber a sua importância e o seu limite é algo que todos nós, como indivíduos, deveríamos aprender. Nem tudo é sobre você e nem tudo você precisa aguentar, às vezes acenar e relaxar a cabeça no travesseiro, pode fazer bem. Ou não. No final, sempre estaremos a milhão, não importa o que eu ou você falemos.
♉︎ A.Z














