“Engenhos Mortíferos” - Em Análise
Em toda a campanha promocional ao filme, os nomes Peter Jackson, “O Senhor dos Anéis” e “O Hobbit” vêm todos ao de cima. No entanto, qualquer influência ou contributo que qualquer uma dessas referências poderia dar a “Engenhos Mortíferos” é pouco visível.
Visualmente interessante, “Engenhos Mortíferos” não tem muito por onde sobressair. Ao longo do filme todo o seu visual parece semelhante ao de “Mad Max”, ambos pós-apocalípticos e ambos focados em viaturas para meios narrativos. Mas a grande diferença entre os dois é que um deles (“Mad Max”) mostrou motivos para podermos acreditar no porquê de tanta obsessão pelos engenhos rodoviários, enquanto que neste filme o tema é abordado, mas não é explicado nem desenvolvido. Porque há cidades que se deslocam sobre rodas? Como foram estas construídas? Porque são umas enormes e bem desenvolvidas e outras menores e pobres? Estas são perguntas que a audiência normalmente faz para se sentir mais investida na narrativa, no entanto não obtém respostas para as mesmas.
À custa disto, o filme, que começa com o nitro ao máximo, mostrando o potencial que a Weta Digital tem para fazer efeitos especiais extraordinários, perde-se no pacing, pois a narrativa começa a ficar mais aborrecida e previsível.
A própria banda sonora de Tom Holkenborg (melhor conhecido por Junkie XL) também é bastante idêntica à que o mesmo fez há três anos em “Mad Max Fury Road” (e alguns acordes instrumentais também relembram outros filmes). É apropriada ao filme, mas as semelhanças foram uma distração na experiência sonora.
Também a nível narrativo, as personagens pareceram mudar de personalidades apenas porque o argumento assim o ordena, sem qualquer tipo de evolução, o que é estranho pois o argumento foi escrito pelas mentes que nos trouxeram a trilogia “O Senhor dos Anéis” há década e meia. Uma personagem pode num momento ser fria e crua e cinco minutos depois já está a fazer uma longa exposição sobre a sua vida - exposição essa mal merecida.
Tendo em conta onde o final nos deixou, não se sente qualquer entusiasmo em ver uma continuação a esta história (que muito possivelmente irá acontecer dependendo apenas do lucro que fará no box office, pois ainda existem outros livros da saga). Chegou a um ponto narrativo satisfatório onde não necessita de expandir a sua trama, a não ser que tenham como fundamentos expandir a imensa lore que ficou por explicar.
Os atores, mesmo assim, conseguiram trabalhar bem com o material que lhes foi dado. Hugo Weaving será sempre a grande estrela do elenco e a sua interpretação leva a maior parte do filme às costas, mas isso não implica que o resto do elenco, principalmente caras novas, não tenham feito um trabalho decente.
Com uma realização não tão original como esperada, “Engenhos Mortíferos” acaba por deixar imenso a desejar pelo enorme talento envolvido na produção. Podia facilmente ser o franchise de um universo fantástico que teria início nesta década, mas a sua falta de identidade visual e plot-holes acabam por arrastá-lo para, presumo eu, o oblívio.
Classificação: ⭐️⭐️ & ½⭐️
Diogo Correia