Frequento os mesmos lugares que os animais selvagens. Onde passo, vejo suas pegadas e é claro que eles sentem meu cheiro e sabem que também ando ali. Piso onde as onças pisam, onde os porcos fuçam, onde muitas criaturas também passam. Bebo água das mesmas fontes e, eventualmente, as limpo para que a água flua melhor pra todos nós. Meu teto também é feito de copas de árvores e até de pedras. Meus ouvidos são igualmente atentos, mas menos que os deles só porque sou humana. Humana de corpo, com uma alma selvagem que tem as matas como berço e habitat mais familiar nessa vida de agora. Sei lá eu das outras vidas.
Nos meus dias não há trânsito fluindo (ou não). Há, sim, muita água gelada passando no meio de pedras que estão ali sabe Deus há quanto tempo, e o mais incrível é que essas águas nunca param de fluir, e pra mim isso é milagre. Milagre dos milagres. Entra dia, entra noite, e as cachoeiras continuam vivas. Durmo, acordo, e os rios estão lá, do mesmo jeito que estavam ontem.