O último livro lido em 2018 foi esse romance sombrio da Han Kang, na controversa tradução sobre a qual comentei aqui uns posts atrás. Se eu tivesse que definir este livro, diria que é um livro sobre abuso e trauma. Não à toa, ele flerta com elementos muito comuns no terror: os sonhos, o sangue, a loucura. Temos uma protagonista silenciosa, que nunca conta a própria história e nunca diz o que está pensando. Uma mulher sem qualidades, aos olhos de seu marido, que acha isso conveniente. De repente, ela toma a decisão de se tornar vegetariana, em uma época em que isso ainda era visto como algo peculiar - o livro foi publicado pela primeira vez em 2007. Essa decisão, aparentemente aleatória e inofensiva, gera uma reviravolta na vida da protagonista e em todos à sua volta. Aos poucos vamos descobrindo que se tornar vegetariana está ligado a algo muito mais profundo e inconsciente: o profundo horror a tudo que é animal, violento, sanguinário. Este horror está diretamente ligado à uma vida subalterna, submissa a homens agressivos e abusivos, que exigem, espancam, estupram. Se tornar vegetariana é a primeira decisão tomada por conta própria, uma reivindicação de liberdade. Essa ousadia vai ser castigada com mais violência. E abandono. Ao mesmo tempo, vai também libertar. E contagiar. . "A vegetariana", pra mim, é o retrato de como uma sociedade patriarcal adoece as mulheres até o ponto em que elas se desconectam da própria humanidade para se conectar a algo mais profundo e primitivo. Pode ser que eu esteja viajando aqui, mas se você ler o livro, vai entender. Recomendo. #hankang #avegetariana #leiamulheres #deborahsmith #thevegetarian #literaturasulcoreana #coreiadosul #leituras2018 #literatura #livros #leituras #ebook #bookstagram https://www.instagram.com/p/BsJaEcvAxoy/?utm_source=ig_tumblr_share&igshid=1iothi9lgo05n