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YOU ARE CRAZY! Até hoje não sei se comprei esses fones porque eles são engraçados ou se comprei por causa da carinha triste de sofrido do cidadão na embalagem. You are crazy! E ele lá, desconsolado. Isso é bullying! Comprei por empatia, para mostrá-lo que ele não é louco sozinho. ♥
Chegamos. I’m dead. Três noites sem dormir decentemente. Um vôo sem muita turbulência (jantar sem a menor graça, mas: BOLO DE LIMÃO ♥), uma aeromoça que não me deu jornal (mas deu um exemplar para o passageiro do meu lado… será que ela pensou que eu não tinha cara de quem sabia ler inglês? risos), doze horas de sufoco porque eu obviamente não consigo dormir (e de novo não consegui me entender com o foot rest da poltrona) mas quando desembarquei e vi aquele céu BEM CINZA meu coração se aqueceu em resposta ao frio que certamente devia estar fazendo lá fora. Hello, Home. :) A saia da foto, ainda sem bainha e com a lateral descosturando, foi feita pela minha mãe. Que ficou toda triste no aeroporto e eu fico triste por ela. Só posso imaginar o quanto é difícil. Meu pai também não me pareceu muito feliz quando me despedi dele, minhas malas já feitas em casa, para ir me vestir e esperar o seu Luís chegar com o táxi. Eu disse que em breve ele estaria aqui conosco novamente, pintando paredes como da última vez. Ele respondeu “Deus te ouça” e nessa hora eu quis que de fato Deus existisse e ouvisse. Deixei o velho em bom estado. Tenho no celular, que é pra não esquecer, as fotos de quando ele ainda estava no hospital: magro, sem os dentes, debilitado depois da dieta zero, falando com dificuldade, os braços (exibindo os hematomas da queda quecausou sua internação) presos com tiras de gaze nas grades da cama para evitar que arrancasse as sondas. Tudo muito triste. Depois de receber alta os primeiros dias em casa foram difíceis; medo, frustração e irritação de todas as partes. Deve ter sido uma experiência complicada pra ele ser lavado e ter as fraldas trocadas pela família. Carregá-lo do colchão (colocado no chão a fim de que ele não caísse) para a cadeira de banho e vice-versa foi mais complicado do que eu esperava: ele estava magro, mas ainda assim pesava muito. Não ficava de pé e nem conseguia segurar nada com as mãos. Fora o gênio forte do velho, que se manifestava mesmo quando ele mal conseguia falar, e que fez com que ele ouvisse de mim uns bons berros para que cooperasse e criasse noção. Desses, só me arrependo de um, quando eu já estava no meu limite físico e mental; o resto foi salutar. Aos poucos ele foi ganhando equilíbrio, mas por alguns dias falou algumas coisas sem o menor sentido - como se estivesse confundindo sonhos ou delírios com a realidade. Cheguei a pensar que ele não se restabeleceria, mas até isso passou. Hoje ele está lúcido, andando bem, aprumado, descendo as escadas (com a nossa ajuda) para ir até a rua cortar o cabelo, comendo bastante (como sempre…) e querendo muito melhorar logo e retomar a rotina. No máximo sinto um certo medo da parte dele de que não vá se recuperar totalmente e temo que se torne deprimido caso isso demore. Mas em menos de um mês ele saiu de uma cirurgia no cérebro e voltou a ser um senhor de 80 anos que dá 500 pedaladas matinais na sua bicicleta ergométrica. Eu estou confiante que ele vai sair dessa. Lembrei que há um mês achei estranho minha mãe ter ido me buscar no aeroporto sem meu pai, e de novo achei estranho ter ido me levar sem ele. Cheguei cedo demais e tive que aguardar 50 minutos até a hora do check-in (que eu fiz online, mas ainda precisava despachar duas malas e imprimir a passagem), por isso liberei minha mãe para voltar pra casa com o taxista. Fiquei conversando com uma senhora brasileira (a primeira da fila; chegou mais cedo ainda) que morava em Bath e ficou surpresa ao me ouvir dizer que em condições normais eu prefiro vir ao Brasil no inverno. Jamais entenderei a atração que as pessoas sentem por 40 graus de umidade e suor, mas whatever. Eu estava voltando para pegar o finzinho do outono e para um inverno que promete ser rigoroso. :) Hoje jantamos chili con carne e eu comi até entortar. E agora tenho tanta coisa pra fazer que nem sei por onde começar. - Desfazer as malas e lavar roupa. - Arrumar a casa (depois de um mês sem uma boa faxina). - Achar as árvores de Natal no meio das caixas da mudança. - Comprar enfeites novos. - Comprar e montar os armários do closet. - Fazer costuras atrasadas. - Assistir uns filmes, because I’m worth it. Bem, essa lista já é um começo. Mas antes de qualquer coisa o que eu realmente preciso é de uma boa noite de sono. Câmbio, desligo.
Me perguntaram se eu não ia falar da minha visita relâmpago ao Brasil e eu considerei a idéia por algum tempo - sem muito tesão por me lançar à tarefa de elaborar uma longa e tediosa lista de reclamações, decepções e irritações - até que me fizeram outra pergunta (“você acha que vai voltar?”) e então eu achei que devia escrever alguma coisa. Eu costumava ir ao Brasil basicamente por causa dos meus lugares preferidos e das minhas lembranças deles. Mas tem aquele ditado que fala que a gente nunca deve voltar aos lugares onde foi feliz, porque não somos mais a mesma pessoa que viveu aqueles momentos e corremos o risco de ver a mágica acabar. Pode ser traumático. A idéia seria fazer novos momentos, em novos lugares, viver novas felicidades; mas um dos problemas que vêm com a idade é o cinismo. Era fácil ver graça nas coisas antes porque eu acreditava nelas. Hoje em dia é como se eu enxergasse a vida através de uma janela suja, depois de anos e anos de chuva + poeira, embaçando a visão. Às vezes parece mais simples parar de forçar a vista na janela, abrir uma gaveta e pegar um álbum de fotos onde o passado foi arquivado em cores fidedignas e eu posso ver com clareza. Não que a vida esteja ruim; muito pelo contrário. As coisas não ficaram mais feias do lado de fora, eu é que perdi um pouco da capacidade de ver. Só que ficar eternamente olhando pelo espelho retrovisor pode até ser gostoso e quentinho e reconfortante (a proverbial segurança do que é conhecido e que, por já ter sido vivido, não traz mais surpresas ruins) mas não é muito saudável ou enriquecedor. Não quero ficar revivendo o passado com o mesmo entusiasmo de quem planeja uma viagem de férias. Não vou arrancar essas fotos do álbum, mas não quero mais que elas sejam o meu “padrão de qualidade” para fazer fotos novas. O que me faz feliz hoje não é necessariamente o que me fazia feliz ontem, e eu preciso aceitar isso. Nem vai doer, vai ser um peso deslizando dos ombros até espatifar no chão. Quem sabe então sobre tempo para limpar aquela janela. Aí eu não sei mais porque volto para o Brasil. Para ver meus pais, claro, mas eles podem me visitar aqui e o fazem. E então fico sem resposta, porque lá as pessoas me decepcionam, porque a presença de algumas delas me faz mal, porque o lugar é inseguro, porque a TV aberta é ruim (e os livros são caros e as tarifas de celular são absurdas e a internet lenta), porque quase tudo está custando mais do que vale, porque muita gente que fazia a viagem valer a pena pra mim já foi embora, porque eu nem me sinto mais tão em casa ali. Foi chato não ter tido tempo de ver alguns amigos. Estou me desculpando com eles. Mas não tinha clima pra ir bater perna pela cidade deixando meu pai deprimido em casa porque não podia sair, sem contar que eu precisava estar lá pra ajudar a minha mãe a cuidar dele. Mas enfim, os planos de visita foram realocados para o inverno de 2015, dependendo muito do que estiver acontecendo por aqui e do meu estado de espírito. Se eu sentir que não devo e nem quero estar lá, não estarei.
Começou a temporada de loucura natalina coletiva na bretanha. Eu adoro Natal, mas tenho preguiça dessa histeria classe média de “fazer o Natal” - basicamente comprar presentes para TODAS as pessoas com quem elas um dia já esbarraram na vida. O comércio agradece, só que eu, uma mulher normal que só precisava de uma simples prateleira, sofro com filas quilométricas e falta de estoque (“só em janeiro, senhora… esse item está sendo muito procurado nessa época do ano…” what, uma PRATELEIRA??) porque todo mundo resolveu que a casa tem que estar perfeita para a chegada de Santa Claus. Ou melhor, para a chegada da família que virá em peso esvaziar pratos, garrafas e falar mal de tudo depois. Ho ho ho. Não ia ter prateleira, mas fui assim mesmo para a Ikea comprar armários para o closet e acabei tendo uma surpresa agradável. Chegamos por volta das seis e meia, com fome e nos encaminhamos para o restaurante, onde eu tristemente planejava pedir as almôndegas com salada, mas sem batata. Havia um furdunço diferente na entrada e notamos a presença de lindas moças usando longos vestidos brancos com uma fita vermelha servindo de cinto e coroas de flores na cabeça. Uma delas usava uma coroa de velas acesas e foi quando eu me dei conta de que estávamos diante de uma celebração de Santa Lucia - tradicionalmente comemorada na Escandinávia (a Ikea é sueca).
Fomos informados de que o restaurante estaria funcionando de forma diferente naquela noite, e que pela bagatela de cinco libras poderíamos participar de um bufê especial. Compramos os tickets, entregamos para uma das Santas Lucias e ganhamos um sacolinha de brindes (contendo bolas e velas natalinas) + um copo de uma bebida de maçã com gosto de especiarias, como cravo, canela, noz moscada, etc.
Escolhemos uma das mesas decoradas com festão, toalha de fios dourados, bolinhas de natal e luminárias made by Ikea - com a tag ainda afixada, just in case you wanted to buy it. Como chegamos cedo não tivemos que esperar muito na fila do bufê. À disposição vários tipos de entradas (frios diversos, ovos recheados com caviar, salmão defumado, salame de carne de rena, queijos, peixes em molhos variados, etc), saladas, pães (incluindo o delicioso pãozinho de Santa Lucia, levemente adocicado, feito com açafrão e passas), algumas escolhas de pratos principais (inclusive as minhas queridas almôndegas), sobremesas e café.
O evento também incluiu entretenimento ao vivo: as Santa Lucias cantando músicas natalinas acompanhadas de um rapaz simpático ao violoncelo. Algumas das músicas foram cantadas em sueco. Lindo.
E tudo isso por CINCÃO, Adalberto. Gotta Love Ikea. ♥
Comprei meus armários (que serão entregues hoje; na verdade a entrega foi marcada para o dia seguinte à compra, mas eu não estava disponível) + uma sheep skin para a frente da lareira + um banquinho para o banheiro + flores novas para a cozinha + um casal de BODES de pelúcia que eu estava querendo desde outubro, risos. Noite excelentíssima, que fez com que eu finalmente me sentisse na contagem regressiva para o Natal. :)
Os antiquários e bric-a-bracs em Lewes costumam ser mais baratos dos que se encontram em Londres (lógico) e quase sempre estão instalados em imóveis antiguinhos e bastante charmosos. Um dos meus preferidos tem vários andares (um só de livros e revistas, outro de louças e têxteis) e fica bem no centrinho. Andando mais um pouco você chega a um galpão de antiques com dois andares e um pequeno pátio externo; esse costuma ter peças inusitadas (que a gente imagina na casa de um visconde excêntrico), estátuas de santos variados e objetos de jardim.
Esse maluco com uma coruja branca linda na mão pedia doações para uma caridade dedicada a aves.
LEWES AT CHRISTMAS Tradição não-oficial de natal: ir a Lewes, uma pequena cidade escondida entre colinas pertinho de Brighton e cheia de antiquários/flea markets.
CHRISTMAS LIGHTS Não era pra ser uma tour natalina turística, mas a gente estava por ali e eu fiz umas fotos.
Regent street, South Molton street, Oxford street, fachada da Marks & Spencer, vitrine da Penhaligon’s, terminando com uma pint no The Running Horse.