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@thedailylolla
O jardim vai mudar um bocado esse ano. A grama vai sair de cena e ser substituída por... cascalho. Pedregulhos. Areia grossa. Eu não sei exatamente como chamar “gravel” em português, mas sei que “chão de pedrinha” era o nome mais comum na minha infância - e que essa é uma decisão pouco ortodoxa nesse país obcecado com grama. Que sim, desde que bem cuidada é bonita, natural, ecológica, etcétera e tal. Mas deixa eu explicar aqui rapidinho porque não é a melhor opção pra minha casa.
Em primeiro lugar, somos preguiçosos. Jardinagem é uma tarefa árdua, que consome facilmente 2h do seu dia na “alta estação”. Sim todos os dias. É preciso regar as plantas, alimentá-las, arrancar ervas daninhas, podar flores, varrer folhas, remover galhos caídos, treinar trepadeiras, colocar terra preta em volta de raízes, remover pragas (lesmas, larvas e infestação de insetos), enfim... E além de tudo isso, aparar a grama semanalmente. Arrastar um cortador a diesel super pesado e limpar a sujeira. Ninguém aqui curte essa tarefa, até porque a nossa grama não é exatamente “grama” e sim um mix de ervas daninhas com mato. O carvalho, por mais bonito que seja, suga toda a umidade da terra e ao redor dele a grama resseca e se transforma em palha. E onde faz sombra durante a maior parte do dia a grama vira um tapete de musgo - que eu até preferiria, se ele crescesse em todo o quintal uniformemente. E quando chove por dias seguidos vira tudo uma sopa de lama.
Fora que grama atrai insetos, e por mais natural e eco-friendly que isso seja eu sou cria de cidade e não aprecio andar em cima de bichinhos e/ou ser mordida por eles. Outro dia fui atacada sem dó por alguma espécie de mosquito e fiquei apavorada depois que a coceira se transformou em HEMATOMAS gigantescos pela minha perna. O meu corpo inteiro coçava e eu cheguei a considerar antihistamínicos.
Em suma: chega dessa vida.
As áreas plantadas permanecem, mas o gramado será removido. O super bônus é que vou poder me livrar do cortador de grama trambolho que no momento vive no meu barracão ocupando um espaço precioso. Finalmente vou poder terminar de pintar, colocar piso, energia, iluminação e deixar bonitinho como eu sempre quis.
Por pouco a obra não acontece: o primeiro orçamento que recebemos quase me fez desistir. Fiquei chocada com o valor, considerei fazer sozinha (impossível) e já estava me conformando com o matagal quando o segundo orçamento (feito por outra empresa) chegou e pasme, quase QUATRO vezes mais barato.
Ainda não temos data prevista para o começo da obra, mas estou felicíssima porque the ball is rolling e ainda esse ano terei um jardim limpo, organizado e stress free. Eu não tenho o menor problema com cuidar das plantas, mas vai ser muito mais prazeroso fazer isso sem ter que abrir caminho pelo mato sendo picada por insetos ou chafurdando em lama. Can’t wait.
“Stay in Peace” Brixton, London
Where the streets all have names.
Portas coloridas + temporada das rosas = ♥
Tarde brasileira em South Wimbledon. O restaurante estava mais pra café; minúsculo e informalíssimo. Daria nota 6 pra comida; bobó meio ralo, croquetes com “casca” e a tradicional Brahma rala. Mas subo pra 7 por causa dos coraçõezinhos (no ponto) e a caipirinha puxada na cachaça, como deve ser. Cafezinho também ótimo, e minha sobremesa (curiosamente um bolo de chocolate) também não desapontou. Voltaria, mas trocaria os meus pedidos para testar o pastel e a linguicinha com aipim.
Paramos o carro embaixo de uma árvore com minúsculas florzinhas brancas e na volta percebi que ela estava carregada de bumblebees. Mesmo em pânico consegui algumas fotos e vídeos, mas quando fui entrar no carro notei várias mortas pelo chão. Bumblebees costumam formar casais para toda a vida e juntos cuidam dos bebês nos ninhos. Pensei nos possíveis bebês-abelha órfãos esperando os pais voltaren pra casa e fiquei triste.
Here is London, giddy London Junho 2021. Tão bom ver a cidade voltando à vida. E sem turistas. Que são necessários e é preciso que voltem, claro - mas por ora, enquanto ninguém está olhando, eu vou dizer que sim, está mais agradável sem eles. Especialmente, lamento reconhecer, aquela demografia à qual pertenço. Não ter que escutar velha loira de gilet branco de pele em pleno verão gritando com atendente dentro da Lilywhite’s e reclamando que não tem guaraná no restaurante? Não consigo achar ruim.
Na falta de uma sandália em cor que combinasse com o vestido tirei do fundo do baú (literalmente; tenho um bauzinho no quarto onde guardo sapatos fora de estação) essas sandálias com salto plataforma. Compradas, se não me engano, numa filial da Taco na galeria Alvarenga, do lado da rodoviária de Caxias. Na época eu ainda morava no Brasil e minha mãe, imbuída do espírito de mulher brasileira cujo traço de personalidade mais cultivado é ser pequenininha e delicadinha, me obrigava a comprar sapato 37 (quando eu calço 38/9).
Foram muitos anos de bons serviços prestados até o dia 12 de Junho de 2021, quando eu acabava de sair de um restaurante com planos de bater uma perna em Notting Hill e depois pegar um black cab pra encontrar amigos em Highgate. Nada disso aconteceu porque eu tropecei no ar e quando olhei pra baixo a plataforma de uma das sandálias tinha se partido ao meio. Me arrastei mancando a minha indignidade até a estação de metrô mais próxima, onde respectivo comprou um pacote superfaturado de durex na WHSmith, remendou minha vergonha como pôde a fim de que eu conseguisse chegar em casa.
A parte chata é que eu tinha esquecido o quanto a sandália, apesar de meio pequena, era bonitinha e confortável de usar. Estava curtindo um deja vu da adolescência pensando que ia rolar um revival e ela ia ser a sandália do verão da perestroika, mas “life has a funny way of sneaking up on you when you think everything’s okay and everything’s going right”, innit Alanis?
Foi pro lixo na manhã seguinte.
Shaking like a mechanical thing with an electric love in her eyes
“Onde você comprou essa sandália de tio barrigudo do zap? Nas Lojas Havan?” - diz meu amigo, depois de seis meses sem me ver. Missed you too, motherfucker.
Mais um fim de semana ensolarado de verão se vai e com ele 900 fotos de britânicos no instagram fazendo churrascos que consistem de hambúrguer queimado com abobrinha no espeto e coleslaw congelado. Não participo da editoria “mudar pro país dos outros pra falar mal dos costumes” mas é preciso dar nome aos bois - e esse boi aí, sinto informar, passou do ponto.
Quando eu era adolescente todas as minhas amigas queriam passar em concurso e ser funcionárias de banco porque “elas usam um monte de correntinha de ouro e sapato bom”. Eis como o jovem periférico 90s definia sucesso profissional.
I have 99 hobbies, mas conferir *um por um* quem viu meus stories no instagram ain’t one. Não vai mudar minha vida saber quem “visualizou” outra foto da minha roseira/copo/pé. Lista de views é como uma festinha dada em minha homenagem, mas eu tive preguiça de sair e fiquei em casa. Para conteúdo “sensível” (nudes/fofocas/ostentação/maconha/memes depressivos) existe o close friends. Mas no fundo quase ninguém é assim tão fascinante, e ninguém liga.
Às vezes não bate uma falta de saco de existir num mundo em que não te contempla em quase nada? Viver pra comer, dormir, cagar, planejar gastar dinheiro com coisas que logo perderão importância e assistir gente passando vergonha - ou passar você mesmo. É só isso mesmo, né? Ok.
How I wish you weren’t here Tivemos que cortar as photinias red robin na frente da casa antes que ela fosse engolida pelas plantas. Agora eu tenho um dining room iluminado novamente, mas em compensação o lado de fora voltou a ser visível - perdas e ganhos. Aqui dentro prefiro se possível não ter que me dar conta da existência humana. A casa não dá frente direta para a rua e thank fuck, ninguém além do carteiro passa pela minha janela, mas estou considerando colocar persianas pra deixar a luz entrar porém filtrando a indesejável visão do mundo exterior.
Em melhores notícias, é tempo de cerejas. Pelo menos no supermercado. Frescas, gordas, brilhantes e doces, aquele tom de vermelho sangue que faria um esmalte perfeito. Comi algumas sentada no jardim observando o banco de madeira que precisa terminar de ser pintado, o deck que precisa ser varrido, as plantas que precisam ser podadas, o barracão que precisa ser terminado e percebi que não sei mais relaxar direito. As cerejas, no entanto, estavam deliciosas. Joguei as sementes no jardim, sabendo que não vão crescer.
Essas petúnias listradas aceleraram a multiplicação e eu me arrependi de não tê-las plantando num vaso maior. Elas não duram mais que um ano e quando terminar a longa floração só vão servir como adubo para outras plantas, mas a beleza efêmera e exagerada terá cumprido sua missão.
E por falar em unha. Ontem quebrei a minha no talo, ou melhor, abaixo do talo - aquele jeito desgraçado que era melhor ter quebrado logo o dedo e usar gesso por um mês do que passar vários dias sem poder encostar em NENHUMA superfície sem sentir a dor do parto. E por falar em dor, cólica. Muita. Sábado trabalhou duro pra ser perda total, mas entre perdas e ganhos falhou: estava linda demais a cidade ontem. Linda, linda.
A saudade que eu estava do Harry’s. ♥
“Whether it’s setting in fall transplants, sowing seeds, planting daffodil bulbs, or planting a sapling, Ms. Hepburn’s oft-quoted remark is spot on. By taking up gardening, we initiate a relationship with nature and the future.”
They lasted well over a week and were never droopy, I’m impressed.
S P R I N G Rolezinho primaveril. Forsítias e magnólias em flor; cerejeiras e camélias prestes a desabrochar. Derby veio visitar; é o gato ruivo do vizinho que uns tempos atrás parecia obcecado com a nossa casa até que descobrimos que os donos estavam viajando e o bichinho estava apenas se sentindo só. He’s too cute. Diesel hates his guts. :)
I am going to miss spring wear.
Going to bed with Neil Gaiman.
One down. ♥