Não sinto vontades de me socializar.
Virei vazio.

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Não sinto vontades de me socializar.
Virei vazio.
tento sempre escrever bonito, mas agora não sei o que eu sinto. simplesmente não tem empolgação, não fico animada. sei que tem paz, uma tranquilidade que talvez eu nunca tenha experimentado.
mas uma felicidade de tirar o folego e sorrir de doer a bochecha? há tempos que não sinto.
isso é um grande peso e minha familia vai dizer que é falta de deus. mas sei que não. porque nesses momentos, até da tristeza sinto falta, de quando não queria levantar, de quando me afundava e ninguém mais levantava.
acho que eu sentia tudo intenso demais, eu sentia muito o tempo todo, a flor da pele dos 18, 20 anos.
e agora tudo acalma, meu ascendente fala alto, sou da terra, e o cancer na lua não influencia tanto. talvez só pros textos, pro amor, pro carinho. mas eu não quero mais loucura.
(pois é, se minha familia lesse isso ia achar com mais convicção que é falta de deus)
mas apesar de tudo, sei que tudo caminha pra onde deve ir. e eu tenho muito pra mudar, porque as vezes acho que felicidade é coisa de gente tapada, nem é. Ou se é, eu quero ser tapada, lezada, otária
ainda preciso amar mais, ainda preciso estar mais presente, ainda preciso parar de tentar ser descolada, ainda preciso parar de por tanta gente dentro de tanta caixa.
eu preciso parar de sentar na cadeira mais longe, e colocar o pé no chão desse mar.
mas eu sei que não é o fim da vida, resolver isso é tempo, não tenho pressa, quero viver ate os 65 e no máximo 70.
ainda tenho 23. tá tudo bem.
O que aconteceu entre nós amor? Um dia já fomos tanto, quer dizer, não tanto a ponto de sermos um do outro, mas sempre estava aqui, falando, me ouvindo, me zoando, me irritando. Todos os dias, sem falhar um sequer, durante quase o dia inteiro eu vivia você. E você me vivia, eu creio. Não é possível que tu não estivesse inteiro. Mas agora, agora não há nada. Há um vácuo maior do que todas as galáxias entre nós. Do tudo viramos nada. De uma hora para outra tu não me suportava mais, e eu morria de medo de tu me odiar, não podia. Pra não confessar o que eu sentia eu dava bola para suas grosserias e fazia o mesmo, e aí o medo de tu sumir veio, e por morrer de medo eu sumi primeiro, e aí amor, o vazio começou. Agora somos estranhos, é estranho, por que eu sei muito de você, e ninguém vai te decifrar como eu, sinto vontade de rir quando as outras falam de você com tanta convicção, mas elas não sabem nada. Não me orgulho disso, eu queria esquecer como te decifrar. Para que esse vazio passasse. Pra ser inteira de novo, mesmo que me falte você, todos os dias, me chamando de bobona.
Ele: Você está apaixonada por mim,então?
Naquele momento o mundo parou,o que eu ia fazer ? Eu nunca conseguiria dizer a verdade, porra de orgulho.
Falei a primeira coisa que veio a cabeça, a mais idiota.
Eu: Você tá doido, por que eu estaria?
E então você mudou de assunto, e eu perdi a melhor chance da vida de ser feliz.
bomba-relógio
meus olhos doem por dentro e não sei se isso passaria depois do derramamento. eu viro e me reviro na minha empatia e encontro na periferia um olhar mais alagado que o meu. eu os quero enxugar; daria-lhes meu trapo orgânico. sou ninguém para consertar o todo mas sei que o todo não é ninguém para se consertar sozinho.
agir por impulso: bobeira emocional (esta, onde me escondo quando opto pela imparcialidade pensada)
dói. só, dói. se ajo certo, estou errado. não tolero, mas não falo. não me tanjo, sou tão fraco. não me sinto, sou tão vago. palavras em silêncio são meros ecos enrustidos na minha boca seca dormiria no barulho mais anormal de uma situação ajustada mas nada se encaixa. tudo se afasta. sou de nada
nada mais de mim.
O erro não está nas atitudes das pessoas. O erro está em mim, ao aceita-las.
Rebeca Araújo
Preciso te ver de novo.