crescer tem um gosto amargo combinado com alívio. é uma curva, que a partir do momento que começa a subir nunca mais para. uma sucessão desorganizada de tudo o que vem e toma nosso tempo, nossa mente, nossos planos. se tornar adulto é isso. fazer tudo o que é preciso, lidar com muita coisa difícil de letra e se apavorar com o mínimo. é enxergar do modo mais cru quem está se tornando dia após dia, tentar entender e melhorar isso a tempo, e é tudo no ao vivo. é ter situações, pessoas, tipos de pessoas, lugares, objetos, tecnologias novas chegando a todo tempo, e tudo ao mesmo tempo que é novo, é mais do mesmo. ser adulto é entender a lei da natureza que nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. é entender qual é o museu de grandes novidades. é entender que a vida, a moda, a tendência, as pessoas, o consumo, o pensamento é cíclico. tudo é cíclicos. você é cíclico. se tornar adulto é precisar deixar o sonho lúdico de lado às vezes e sustentar. é entender que a vida é processo e transição. não é definitivo, é fase, é feita de momentos inteiros que passam e se tornam outra coisa no mesmo capítulo. ser adulto é ter conversas difíceis, é dizer apesar de, é não ter medo de ser mal interpretado porque sabe que na conversa certa tudo se ajusta, e se não se ajustar, a conversa não é certa.
a vida inteira de todo mundo a qualquer fase é efêmera e totalmente mutável. mas na vida adulta a gente é mais constante nessas mudanças. eu cresci junto com o avanço da internet, do mundo, dos ideais. eu acha a revolucionário ser revolucionário. mas todos antes de mim já foram.
tenho medo de crescer mais e ficar amargurada, ficar careta, ter opinião burra, tenho medo de escrever muito errado além dos meus erros de digitação, tenho medo de esquecer da arte, da vida, de ignorar a entrada do sol, de não ser a pessoa que para o carro pra tirar foto, ser a pessoa que quer ter razão, ser a pessoa que nunca mais faz piada.
porque quase todo adulto que vive assim foi um pouquinho do que sou hoje.






