Trago comigo a estranheza de não pertencer a nada. Todos os dias, sinto como se não fizesse parte desse planeta, como se o acaso que me colocou aqui tivesse cometido um terrível engano. É um tipo de dor, a dor de não me encaixar em absolutamente nada. Não sinto como os outros, não vejo o mundo como os outros, não acredito nos padrões e regras que as pessoas seguem em suas vidas e nem consigo estar de acordo com nenhum deles. O lado ruim, é que sou vista como uma pessoa no mínimo estranha pelas outras pessoas. Por vezes, até mesmo passo como arrogante, ou algum tipo de lunática sem futuro. O que nem chega perto de ser o meu caso. O lado bom, é que o equilíbrio de minha existência se mantém quando o contato que não sei ter com humanos, tenho com a natureza. Uma das únicas coisas que me inspiram a continuar nesse mundo, é a imensidão e a beleza de sua natureza. Com suas diferenças, com seus detalhes, com toda a sua exuberância. A natureza, nossa arte, e o imenso desconhecido que há no universo me trazem todos os dias a vontade de seguir em frente. Porém, ainda não consigo me sentir parte de alguma coisa. Sinto-me como uma pequena criatura perdida em meio a interesses grandes demais, e com toda a sua criatividade e capacidades sendo esmagadas e oprimidas todos os dias por rotinas, fronteiras, regras, padrões, injustiças e, principalmente, papel. Toda a minha liberdade arrancada por pedaços de papel, estes que são chamados de dinheiro. Não acredito que querer dinheiro me levará a alguma coisa. Apenas a nada além de ter um emprego que não gosto, viver estressada e comprando coisas completamente desnecessárias para a minha existência, e que jamais serão um consolo para todas as frustrações. Em meu interior, carrego a esperança de que algum dia poderei encontrar algo ou algum lugar de que eu me sinta parte, e que isso envolva pessoas que não tem sua existência girando em torno de ''pedaços de papel''. Meu objetivo de vida é encontrar um objetivo para minha vida. E isso, tenho certeza de que não está em pessoas regrando meus pensamentos e nem dizendo o que posso e o que não posso fazer, e muito menos em ter sucesso financeiramente. Quando me dizem que é para isso que vivo, e que um dia me darei conta disso, minha vontade é de gargalhar... Mas gargalho apenas por dentro, pois já pareço desajustada e louca o suficiente.