05:00
28 de julho
As lágrimas peregrinam silenciosas pelos meus olhos,
como rios que aprenderam a desaguar sem destino.
No peito, um abismo sem contornos,
um colapso mudo, um inverno clandestino.
Não sei dar nome ao que me habita.
É dor? É ausência? É condenação?
Ou a lenta agonia de quem acredita
que amar também pode ser solidão.
Talvez eu nunca tenha te merecido.
Talvez você tenha razão em partir.
Mas dói saber que meu maior delito
foi apenas desejar te ver... existir.
Invejo o tempo de quem toca tua presença,
quem contempla o brilho do teu olhar.
Enquanto coleciono a amarga sentença
de só poder sonhar.
Sou tola por insistir? Ou por esperar?
Por reconstruir pontes sobre o vazio?
Por vestir esperança onde só há mar
e navegar contra o próprio frio?
Então recolherei meu próprio coração.
Vou escondê-lo atrás do silêncio profundo.
Vou desaparecer daquilo que fui,
como quem desiste de existir no mundo.
Esconderei o que sinto,
sepultarei o que quero,
chorarei pelo que nunca foi meu,
pelo futuro que jamais espero.
Porque "poderia" é a palavra mais cruel:
promete jardins, entrega desertos.
Oferece o céu na distância,
mas deixa os braços sempre abertos.
O medo me devora em silêncio,
faz da alma um cárcere sem luz.
Sufoca meus dias, rompe meus sonhos,
e transforma meu próprio nome em cruz.
Estou cansada de sobreviver,
cansada de fingir fortaleza.
Há dores que não fazem barulho,
mas destroem toda a delicadeza.
Você talvez jamais compreenda
o caos que escondo em cada sorriso.
Talvez eu tenha sido apenas um intervalo,
um brinquedo perdido no improviso.
Algo que se usa até perder a graça,
e depois se esquece em qualquer lugar.
Enquanto eu fazia do teu nome
o único endereço para voltar.
Por isso, talvez eu precise renascer
na parte de mim que já não sentia.
Vestir o gelo como armadura,
e chamar de paz a própria apatia.
Ser fria. Ser distante. Ser ausência.
Ou apenas aprender a representar.
Porque quem finge por tempo suficiente
acaba esquecendo como é amar.
E quando o último sentimento em mim morrer,
não haverá grito, nem despedida, nem fim.
Restará apenas o eco de quem te amou além da própria alma...
...e se perdeu completamente de si.














