Deixa eu te falar, moreno. Deixa eu fingir que amanhã o mundo acaba, pra poder te confessar essa porra toda agora, de uma vez. Permita que eu libere toda essa mágoa que tem estado entalada em minha garganta, agora, só agora. Pois bem. Poxa, há tanto tempo que não nos falamos, mas eu continuo sentindo tudo de uma mesma forma, como se nunca tivéssemos perdido o contato. Tanto contado verbal, quanto contato físico, digamos. Toda noite eu penso em você, e confesso que se eu não ouvir uma daquelas músicas que você gosta tanto, não consigo nem pegar no sono. Ouço as gotas da chuva tilintarem ao tocarem o telhado, e fico criando situações quase impossíveis na minha mente. Lembro daquela santa música que tu amava, "Sentir por uma vez, que achar que eu sou teu sonho não é uma insensatez." Chuva de novembro, não é? Lembro que na época eu odiava, mas acho que a saudade me mostrou o que eu não conseguia enxergar nesses versos. Hoje, cito, "Eu sinto que essa chuva é o reflexo do estado do meu corpo". É, amor. Realmente. Tu tava certo. Desculpa, moreno. É que desse jeito não ta dando mais. Pensei que essa merda que eu chamo de sentimento ia passar, mas aí estão, uma, duas, três, quatro semanas, e lá se vai mais um mês que me perco nas tuas memórias, nas nossas lembranças. Sinto teu cheiro, do nada, ouço tua voz no meio do silêncio do meu quarto, vejo tua face no rosto de outras pessoas. "Não. Não é você." -fico atordoada só de pensar que não te vejo mais por aí. Tentei te esquecer procurando outro alguém, mas nos braços desse alguém imagino os teus abraços, e nos lábios desse alguém, idealizo os teus beijos, e parece que enlouqueço. Vou na direção contrária à que meu coração me conduz. Sigo contra o vento, conspiro contra o universo todo- que me diz pra ir em tua direção-. Mas, moreno, toda vez que vou ao teu encontro, me perco no meio do caminho, esqueço-o. Não que tenha te esquecido. Não ouse pensar isso. Não sei o que dá na minha cabeça, mas simplesmente não consigo, não posso, não quero ter de pensar em passar aqueles tormentos novamente. Não é por nada, não. Vai passar, eu sei que vai. Mas é medo. Apenas o medo, moreno.