Ela demorou anos para chegar, foram muitas quedas, muitas lágrimas, muitas ausências e muitas omissões.
Era confortável não ser eu mesma. Só eu sei o peso que é ser quem sou (assim como cada um de nós, não é? Somos galáxias de complexidades)
Mas só eu sei o que é ouvir em pensamentos a trilha sonora de quem eu sou.
Só eu sei o que é sentir tão profundamente que cada sentimento enche e transborda o tempo.
Só eu sei o quanto minha personalidade é sagaz, inquieta, rebelde, enlouquecida, calorosa, meiga, brava e repleta de mim.
O tempo e todos aqueles que me acompanham foram gentis comigo. Me deixar despertar aos poucos, de um tombo que nem eu mesma ao certo sei como aconteceu.
O que posso dizer é que uma revolução começou no peito e faz muito e muitos anos que eu não me sinto como agora. Me sinto tão eu.
Engraçado como a gente pode "perder" algo tão nosso, perder algo tão interno.
Me pergunto se escapou pelos meus olhos? Minhas unhas pintadas? Minhas tatuagens com tinta colorida...
De qualquer forma, ela voltou. Ela que eu admiro e sempre quando olhava para trás me perguntava o que faria naquela situação.
Ela voltou, destemida, sentimental, carinhosa, meiga... Ela, a própria revolução.