O jogo do homem e de sua própria podridão continua nas condições mais mornas sem que um jamais tenha a coragem de confrontar o outro. Parece que nunca poderemos nos encontrar diante de uma imagem grandiosa de uma decomposição cujo risco intervém a cada sopro e, no entanto, o sentido mesmo de uma vida que preferimos, não sabemos por que, a uma outra cuja respiração poderia nos fazer sobreviver. Dessa imagem não só conhecemos a forma negativa, os sabonetes, escovas de dente e todos os produtos farmacêuticos cuja acumulação nos permite escapar penosamente a cada dia da sujeira e da morte. Cada dia nos fazemos os dóceis servidores dessas pequenas fabricações que são os únicos deuses do homem moderno. Essa servidão continua em todos os lugares onde um ser normal pode ainda se encontrar. Entra-se em um vendedor de quadros como entra-se numa farmácia, em busca de remédios bem apresentáveis para as doenças confessáveis.
Georges Bataille, L'Esprit moderne et le jeu des transpositions













