Me lembrava a primeira vez que peguei em minhas mãos a saga Senhor dos Anéis. O modo de criar mundos dentro de mundos, idiomas inteiros e tramas complexas de Eras inteiras me fez, além de virar um fã de Tolkien, acreditar que aquela era a obra mais perfeita existente no mundo. Por muito tempo, sustentei a crença, até que, em um bar próximo do campus da UCLA, Diana Duval entrou em minha vida e disse que estava desacompanhada quando a abordei. Aqueles preciosos segundos onde fui imediatamente absorvido por sua beleza, eu soube que tinha que fazer meu melhor para conquistar a atenção daquela mulher. E posteriormente o melhor para conquistar seu coração. Nada no mundo poderia substituir a felicidade que tinha em dividir minha vida com Diana; eu a admirava por diversos pontos, primeiro por ela não sair correndo quando falei sobre a facilidade com que explodia robôs nos laboratórios, depois por não me achar um anormal por ter mais de 15 anos e ainda organizar campanhas de RPG e gastar um domingo inteiro jogando com um bando de outros nerds adultos, e então por me permitir entrar em sua vida, conhecer sua família e não me expulsar apesar de minhas excentricidades. Meu coração era seu desde a primeira referência ao mundo nerd, mas minha vida inteira estava a sua disposição conforme eu aprendia mais sobre ela. A saga d’O Anel não era a obra mais perfeita do mundo, afinal, e sim a mulher para quem eu estendia meu braço para acompanhá-la, exatamente como uma bela dama como ela merecia.
Tendo a certeza de que não poderia mais viver sem a presença de Diana, me reuni com meus amigos mais antigos e, como se estivessemos projetando uma campanha de RPG magistral, passamos a tarde debatendo o que eu poderia fazer que fosse grande o suficiente para conseguir demonstrar o quanto a amava e o quanto me comprometia a continuar a amando a cada dia. Depois que fizemos até a estimativa de quanto custaria comprar uma ilha e batizar com o nome dela, me joguei no sofá, me sentindo exausto e longe de conseguir achar a exata forma de me declarar para ela. De olhos fechados, tateei o móvel ao lado atrás de um copo de café, mas o que consegui foi derrubar um dos colecionáveis da Liga da Justiça que adornava aquela pequena estante. Me levantei de um salto para recuperar o objeto e impedir que o “bonequinho” se despedaçasse em milhares de cacos, quando olhando para o Batman em minha mão, percebi qual era a minha resposta.
— Senhores. Preciso imediatamente da lista de contatos de vocês. Realizaremos algo épico. — Anunciei, me sentindo completamente empolgado.
Depois de milhares de ligações, negociações, horas implorando para estranhos colaborarem comigo porque era algo extremamente importante e que poderia pagar pelas despesas e talvez possíveis danos a estrutura, consegui reunir tudo que precisava, ficando para mim a função de controlar minha ansiedade e não estragar tudo contando o plano antes da hora. E esperando que aquilo não fosse o auge da excentricidade e que ela respondesse a minha pergunta antes de me internar em um hospital psicológico.
Alguns dias antes da data, lhe disse que teria que comparecer a um evento de robótica em San Diego, e que gostaria que ela me acompanhasse, afinal era apenas um fim de semana e poderíamos aproveitar o momento como umas férias de mínima duração. Agradeci aliviado quando ela disse sim, e então as coisas começaram a se encaminhar conforme o planejado.
Naquela sexta-feira, San Diego estava fervendo e eu podia fingir que o suor em minha testa era por causa do calor e não porque estava nervoso pelo que ela iria achar de tudo aquilo. Sorria e comentava coisas amenas, calculando quanto tempo iria levar até Diana perceber que estávamos a caminho do Centro de Convenções de San Diego, um lugar atípico para as demonstrações das novidades no ramo da tecnologia associada a medicina. Chegando lá, respirei fundo, desci do carro e abri a porta do mesmo para ela, estendendo minha mão para ela com um sorriso trêmulo em meu rosto.
— Senhorita Duval, sei que esperava ficar terrivelmente entediada em meio a diversos nerds tentando criar robôs-cirurgiões perfeitos, porém tenho que admitir que lhe faltei com a verdade. — Quando seus pés tocaram o asfalto e seus olhos focaram a frente do Centro de Convenções, expliquei afinal do que se tratava. — Gostaria de, nessa tarde, lhe acompanhar a primeira DDC. Diana Duval Convention.
Adentrei o prédio segurando sua mão. A primeira ideia era alugar o Centro inteiro por aquela tarde, mas foi além das minhas propostas mais altas. Então consegui um espaço amplo, no qual enfiei diversos estandes onde momentos da vida de minha namorada eram apresentados, como se estivessem mesmo apresentando novidades sobre uma personalidade do mundo geek. Caminhamos por todo aquele corredor que falava desde sua infância até suas conquistas como a excelente advogada que era, até chegar no lugar onde costumavam ocorrer painéis, subindo no palco enquanto que de plateia estavam todos os Duvals, incluindo Ariel que tinha negociado com os seus enteados que iria dar free-pass na Disney caso nenhum dos dois destruísse nada durante a viagem, e Abernathys e amigos nossos. Em frente todas aquelas pessoas, engoli em seco, segurando suas mãos.
— Todas as vezes que pensava sobre como demonstrar o quanto você é importante em minha vida, eu não conseguia pensar em um cenário grandioso o suficiente. Nem mesmo se conseguisse uma viagem a Marte para dizer que meu amor era do tamanho da distância da Terra ao Espaço, seria o suficiente, e eu já estava em negociações com a Nasa quando percebi isso. Então... Percebi que teria que haver um evento somente seu para comportar o tamanho de sua importância e graciosidade. — Soltei o ar pesadamente, olhando em seus olhos, o que me fazia me curvar ligeiramente para a frente, já que o nosso tamanho era bastante dispare, mas era um dos diversos detalhes que me fazia pensar com todo carinho em nossa relação. — Diana Duval, para mim você é uma heroína. Todos os dias você luta contra o mundo e o vence com habilidade e maestria e constantemente me sinto orgulhoso por você ser essa mulher e advogada incrível. Me sinto também o homem mais sortudo do mundo por ter conseguido conquistá-la mesmo tendo os dois pés afundados no mundo da lua e da fantasia. E em diversos momentos do dia me pego pensando que eu seria tolo se algum momento não lembrasse que você é mais do que qualquer sonho alucinado que eu poderia ter sobre uma vida perfeita. Como sabe, a primeira vez que nos encontramos, estava planejando uma partida de RPG com alguns colegas. O que talvez não saiba é que o momento em que nossos caminhos se cruzaram, os dados foram rolados e sua presença causou um double damage em qualquer chances de eu não saber o que é ser imensamente feliz e compreendido e apaixonado por alguém. Você é a heroína de level alto, com carisma, inteligência e beleza 20 que nunca pensei que poderia existir. E todo ano deveria haver mesmo uma convenção dedicada a homenagear seus feitos e a pessoa incrível que você é. — Então me ajoelhei em sua frente, meus dedos tremendo na mão esquerda, enquanto a direita revirava meu bolso atrás da caixinha de veludo azul, que abri e ergui em sua direção, o diamante de 24k brilhando ali dentro. — Eu sou apenas um tolo de level principiante perto de você, mas ficaria honrado se me permitisse continuar ao seu lado, pelo resto de nossas vidas. Eu amo você, Diana, como nunca achei que seria capaz de amar alguém em minha vida. E neste momento, gostaria de perguntar a você se me daria a alegria infinita de poder chamá-la de esposa?







