Do Death Metal ao Bossa Nova
O luto dos vivos é mais feroz que o dos mortos. Porque o cadáver não respira, mas o ausente respira em outro ar, ocupa outros olhos, semeia risos que já não me pertencem.
Chorar por ti, mulher ainda viva, é rasgar as veias da memória com as unhas do agora. É engolir a saliva amarga do nunca-mais enquanto teu perfume insiste em apodrecer na minha pele.
Teu nome é ferida aberta em cada copo d’água, em cada caneta que não escreve, em cada mesa que ainda carrega teu rastro de sombra. E eu, feito verme faminto, devoro lembranças como quem rói o osso do impossível.
Oh! cruel é amar o que respira fora do meu fôlego, cruel é saber que teus gritos outrora me chamavam e hoje não passam de ecos sem dono. Mais dilacera este luto dos vivos do que a paz dos cemitérios onde os mortos dormem.
Se fosse morte, eu te velaria! Mas é ausência — e a ausência caminha, fala, ri, talvez ame. E eu choro, não sobre túmulo, mas sobre a própria carne exposta, gritando ao vento: O luto dos vivos é chorar pelo que ainda existe, mas não me pertence mais!












