Meu corpo tremeu pensando no teu naquela madrugada. Tremeu de prazer, de ânsia e ódio. Tremeu pela sua falta. Gemeu na agonia do lençol gelado, na abstinência de sua voz. Minhas mãos, ansiosas pelas suas costas e pelo seu pescoço; meu peito, por seus dedos e pelo calor de sua boca. Vejo, à noite, que a luz daquela casa era sua, exalava de seu silêncio e de sua respiração descompassada. Iluminava os cômodos, confortava meus medos e afagava meu rosto. Meus neurotransmissores, dominados por tal amor, não sentiam a aproximação repentinamente da catástrofe. Afinal, sua calma, externalizada, escondia a pluralidade daquele caos. Diante o verde dos seus olhos, o perigo era translúcido. Não sentiam, também, as lágrimas abandonando meus olhos castanhos e afogando nosso amor, levando-lhe pela saída mais próxima. Eu sei, a culpa era minha. Era minha por lhe deixar esvair, por derreter o gelo e explodir demais. A oxitocina tatuada no seu peito não se encaixava com aquela situação. Rolling Stones, café queimado e a chuva lá fora. Desafeto. Tremi de medo, aquele dia, por perder quem convenci-me de que seria o amor de minha vida. Agora, o tempo, relativo, não curou. Os Rolling Stones, o café, agora, gelado, a chuva e o caos continuam entre as mesmas paredes, na mesma distância de minha cama, na mesma ausência de seu perfume, na mesma estante torta. E eu espero que os tremores passem. Que eu vomite nosso amor e lhe esqueça. A ausência ensina o corpo a se amar sozinho, gozar sozinho e gritar calado. A sua ausência ensina a dor da perda e enlouquece. Logo despeço-me de meus ossos e viro pó em meus próprios gritos.












