Nós corremos até o hospital e encontramos o quarto do Ricardo lotado. Galera da TV da faculdade, mulheres que já estavam debruçadas em cima dele, nossos amigos em outro canto, uma enfermeira no canto fazendo umas anotações e observando a movimentação do local, que estava mesmo muito movimentado pra um quarto de hospital. Daqui a pouco alguém mal amado vem expulsar todo mundo daqui.
Ricardo: Princess! – ele chamou sorrindo e a galera abriu espaço para que eu pudesse chegar mais perto, o Augusto veio logo atrás.
Ricardo: De boa. E você? Tá com cara de quem comeu alguém. – o Ric abriu um sorriso malicioso e olhou pra mim, me deixando vermelha pra caralho.
Augusto: Fica na sua. – ele disse dando risada e passou o braço na minha cintura.
Eu: Vai ficar tudo bem mesmo?
Ricardo: Aham. O Otto até chegou junto pra gente planejar uma festa. – ele apontou com a cabeça na direção do Otto e da galera no canto direito do quarto. Acenei para o diretor da TV de cabelos ruivos e sorriso amarelado. Ele acenou de volta e sorriu.
Nathy: O nome da festa vai ser “Welcome Back”. Já está sentindo a vibe? – ela perguntou com um sorriso no rosto. Acenei que sim e beijei o Ric na testa.
Eu: Estou feliz que você vai ficar bem. – sussurrei no seu ouvido e ele me puxou para um abraço de leve. Sua pele ainda estava com os hematomas fodidos.
Ricardo: Tratamento e remédios. – ele deu de ombros. –Me disseram que vou ser liberado mais cedo. Amanhã saio daqui.
Ricardo: Eles disseram que vai sair com o tempo. Tem que ver como meu corpo vai reagir aos remédios. Minha pele deve melhorar daqui uma ou duas semanas. É bem relativo.
Otto: Você quer a festa amanhã à noite, Ric? – ele se aproximou de onde estávamos na cama.
Gus: Onde vocês estão pensando em fazer?
Otto: Não sei ainda. A Ju está tentando alugar a mansão de uma amiga burguesa dela.
Ricardo: A Ju também é burguesa.
Otto: Não fala da minha namorada, puto loiro.
Ricardo: Qual o problema dela ser burguesinha?
Juliana: O problema é que não eu sou, Ricardo Lefraer. – ela se aproximou por trás do Otto. Sua aparência relaxada com as tatuagens à mostra, vestida apenas com um short rasgado e regata solta. O piercing reluzindo no nariz bonito.
Ricardo: OK, Ju. – o Ricardo abriu um sorriso malicioso carregado de ironia. –Você não é.
Juliana: Obrigada, idiota. – ela deu um tapinha em seu braço e puxou o Otto. –A Babi liberou a mansão.
Manu: Essa festa vai ser boa.
Otto: Todas as nossas festas são.
Ricardo: E essa festa é ainda mais especial, não é, garotas? – ele olhou para as mulheres ao redor que deram risinhos ao flertar.
Ricardo: Ah, Gustavinho, dá um tempo. Eu quase morri.
Gus: Você vai usar essa desculpa pra tudo agora, né? – o Gustavo riu e o Ricardo piscou gargalhando ao acenar que sim.
A mansão era incrível e o Otto tinha se superado dessa vez. O caminho de entrada era rodeado por dançarinas seminuas recebendo os convidados com shots de Tequila e uma long neck de Heineken. Obrigada, céus. No meio do jardim você podia ver um letreiro luminoso verde escrito “Welcome Back, Lecher!”. A casa estava iluminada, a música alta, a temperatura elevada e a visão era uma das melhores da vida. Por onde você olhava tinha uma paisagem feminina ou masculina pronta pra te fazer sorrir.
Os homens estavam sem camisa. As mulheres também. E logo a Manu entrou no clima e tirou a blusa, amarrando-a na cintura. Olhei para a Nathy ao meu lado e nós duas começamos a rir.
Nathy: Deve estar com os caras da TV. Eu vou procurar o Gus. Ele me disse que ia estar sentado nos sofás perto do bar.
Manu: Não ousem me deixar aqui sozinha.
Eu: Vem com a gente, louquinha. –Passei meus braços pelo seu ombro e nós seguimos a Nathy na direção dos sofás no fundo do salão principal. A cozinha ficava logo atrás onde era o “bar”.
Gus: Aí estão elas. –ele levantou sorrindo de ponta a ponta, adoravelmente bêbado.
Atrás dele, o Augusto e Ricardo estavam rindo no meio de uma roda com três gurias bonitinhas, minha colega de sala, Nanda, inclusa.
Eu: Eles estão dando em cima de você?
Ricardo: Eu estou, sem dúvida. HAHAH.
Nanda: É. Ele está. – ela apontou pro Ric com um sorrisinho tímido. –Bom te ver, Anne.
Eu: Também. Mais alguém do nosso curso por aqui?
Augusto: Todo mundo da faculdade está aqui, Ann.
Manu: Eu vi o ex amor da tua vida no outro lado da sala fumando e conversando com o Guilherme, gata. – ela piscou pra mim e beijou o rosto do Ric. –Oi, seu puto.
Ricardo: Oi, gata. – ele passou os braços ao redor dela e seus olhos percorreram seu corpo de cima a baixo, passando pelo cabelo loiro solto em ondas, top branco rendado e short jeans azul claro de cintura alta. –Linda demais.
Manu: Eu sei. – ela riu, mas depois deu de ombros com um sorriso meigo. –Obrigada.
O Ricardo deu uma risadinha e depois bebeu um pouco da Heineken em suas mãos.
Ricardo: Vocês repararam que o lugar está todo iluminado com verde e branco em homenagem a cerveja mais foda de todos os tempos?
Nathy: Como não reparar? Heineken... – ela suspirou com um olhar apaixonado e todo mundo deu risada.
Otto: Ricardo, chega mais! – ouvi o diretor da TV chamando o Ric da cozinha e ele se despediu da gente correndo até lá.
Manu: Fuck Yeah! – ela saiu puxando o Augusto e Gus pela mão. A Nathy sorriu quando o Gus olhou na nossa direção.
Nathy: Dança pra mim, Gustavo. – Ela riu enquanto bebia. O Gus revirou os olhos e se deixou ser puxado para o meio da multidão pulando ao som da música eletrônica.
Eu: Será que ele já está bêbado o suficiente pra dançar? Hahah.
Nathy: Acho que sim. Olha lá. – Ela apontou a garrafa na direção do Gustavo que estava dançando de maneira meio solta e pulando com o Augusto e a Manu. O que a Heineken não faz.
Eu: Aposto que ele está bebendo desde que chegou. – eu ri.
Nathy: Heineken. – ela deu de ombros e enfatizou. –De graça.
Eu: Numa festa. – completei rindo. –Onde pega mais?
Nathy: Cozinha que também é bar, hahah.
Eu: Vamos lá comigo? A minha acabou.
Ela puxou meu braço e nos enfiamos no meio da cozinha abarrotada. Havia vários freezers e dois deles eram abastecidos exclusivamente com Heineken. Como eu amo o Ricardo. Isso, sem dúvida, foi ideia dele.
Eu: Onde será que o Ric está? – perguntei pra Nathy e puxei duas garrafas do freezer. Ofereci uma pra ela, que aceitou.
Nathy: Acho que é aquele puto loiro no lounge ali em cima. – Ela apontou pras barras do segundo andar onde um guri extremamente gostoso, alto e musculoso, estava plantando bananeira enquanto enfiavam uma mangueira de cerveja em sua boca. Comecei a rir e subir as escadas. A Nathy veio atrás.
Eu: Puto loiro maluco! – dei risada.
Nathy: ONE SHOT! TWO SHOTS! THREE SHOTS! FOUR! – ela começou a cantar com a música e a galera entrou na onde gritando. A bebida começou a escorrer pelos lábios do Ricardo e depois ele saiu da bananeira gritando:
Ricardo: TAKE THAT BOTTLE TO THE HEAD AND ONE FUCKING MORE! – ele roubou a garrafa de Heineken de alguém e começou a pular derramando cerveja por todo lado. – DRINK! DRINK! DRINK!
Nathy: DRINK! DRINK! DRINK! DRINK!– ela gritou pulando junto.
E foi só o Otto falar pra todo mundo começar a pular junto enquanto virava a garrafa de Heineken na boca. Eu tava feliz pra caralho. A Nathy encostou a parede e plantou bananeira. Ela foi a próxima a beber Heineken da mangueira e depois fiz o mesmo, mas acabei caindo da bananeira e fazendo todo mundo rir. O Ric me ajudou a levantar dando risada e escorregamos no chão todo sujo de cerveja, caindo os dois no chão.
Ricardo: Tá bem, princess?
Eu: Muito! – arregalei os olhos com um sorriso exagerado. –E você?
Ricardo: Estou fodidamente bem.
Nathy: Vocês ainda vão ficar muito tempo de viadagem aí? Quero socializar e a galera toda está no andar de baixo dançando.
Eu: Você quer socializar ou dançar? HAHAH.
Ricardo: Dança comigo. – ele abriu um sorriso e ficou de pé, antes de me ajudar a levantar também.
Nathy: Danço. – a Nathy respondeu e tirou a blusa melada de cerveja. Fiz o mesmo e o Ric abriu um sorriso largo.
Ricardo: Sou sortudo pra caralho.
Nathy: Ou não. Tem tudo isso ao seu lado e não pode pegar nenhuma das duas, hahah.
Ricardo: MAS. – ele enfatizou levantando o dedo indicador. –Mas eu tenho tudo isso ao meu lado.
Ele disse rindo e nos puxando pela cintura escada abaixo.
Ricardo: Princess, você e o Augusto estão juntos pra valer agora?
Nathy: Finalmente. – ela revirou os olhos e mostrei o dedo do meio pra ela com minha mão desocupada. Com a outra, bebi mais um pouco da terceira garrafa de Heineken da noite.
Gus: Nathy... Puta que pariu. – o Gustavo abriu um sorriso bêbado quando viu a Nathy vestindo apena um sutiã preto rendado, calça preta e salto. Ela sorriu e o beijou forte. O Ricardo deu um grito sacaneando e o Augusto sorriu.
Manu: Eles vão casar, tu sabe, né? – ela riu me puxando num abraço.
Eu: Sei. – concordei com a cabeça sorrindo de maneira boba. Eles se soltaram um do outro e o Gus abaixou a cabeça pra beber mais Heineken.
Ricardo: Eu preciso falar.
Nathy: Fala então, otário.
Ricardo: Amo vocês bêbado, sóbrio, doente, saudável, rindo, chorando. Amo vocês pra caralho.
Augusto: É. Ele está bêbado.
Ricardo: E amo o Otto, e a galera da TV, e as gurias que já peguei, e as que ainda vou pegar...
Gus: Aham, cara. Tá de boa.
Ricardo: E amo Heineken. E a vida. E a vida com Heineken e meus melhores amigos. Porque isso aqui vale à pena.
Nathy: E eu amo Heineken de graça.
Gus: Gente bêbada é foda.
Manu: Nem me fale, hahah! - ela brindou com a Heineken e todos nós fizemos o mesmo.
Ficamos nos olhando, sorrindo em silêncio, por um bom tempo. E eu senti que estava tudo certo. Não estávamos nem perto do fim. Estava tudo tranquilo. Eu tinha meus melhores amigos comigo, muita Heineken na geladeira, e o Augusto. Alto, branquinho e meu. Muito meu.